Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

10
Jun 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário".
Desbloqueador de frases públicas.

  • Numa primeira reacção à notícia divulgada pelo jornal Público que dava conta que Vítor Constâncio terá dado luz verde para que Joe Berardo pudesse levantar 350 milhões da Caixa Geral de Depósitos, o ex-Governador do Banco de Portugal afirmou, no twitter: "não tenho memória disso". Acrescentando ainda: "(...)nem de nada do género que tenha acontecido há 15 anos".
    Percebo claramente Vítor Constâncio. Às vezes empresto livros, cd's, tupperwares, ... e se não mos devolvem nunca mais me lembro a quem emprestei. É claro que também nunca emprestei mais que 5 euros....
  • Segundo o jornal Público, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, respondeu ao Observatório Técnico Independente, criado (em 2018) para acompanhar os incêndios florestais, afirmando que "o Governo presta conta dos fogos à Assembleia da República".
    Para além de uma verdade "la Palice" (porque o Governo tem que prestar todas as contas à Assembleia da República) é bom que o senhor ministro não se esqueça que o Governo também tem que prestar contas dos incêndios aos portugueses.
  • A propósito do eventual desaparecimento de cerca de 170 obras de arte da colecção pública, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmou, há uma semana, que "algumas obras da colecção de arte contemporânea do ministério que tutela precisam de uma localização mais exacta".
    Não há dúvidas... o Estado, o Governo, o Ministério da Cultura não sabe mesmo o paradeiro das 170 obras de arte das quais é proprietário. Uma sugestão à senhora ministra: talvez seja boa ideia começar a procurar nos gabinetes ministeriais... quem sabe??!!
  • O dirigente socialista Pedro Nuno Santos defendeu publicamente, no rescaldo dos últimos resultados eleitorais europeus, que o PS devia assumir na Europa uma tensão permanente face aos liberais.
    Pois... esqueceu-se foi de enviar a mensagem a António Costa. É que na Europa de 2019 assiste-se a um projecto de coligação entre, precisamente, Socialistas e Liberais. Basta olhar para a estratégia conjunta de Macron e Tsipras (por mais que doa ao Bloco de Esquerda, principalmente à Marisa Matias).
  • O deputado do PS, Fernando Anastácio, foi o responsável pelas negociações do aumento de salário dos juízes, que pode agora ultrapassar o valor auferido pelo primeiro-ministro. Mas não vê qualquer impedimento, ao caso, no facto de ser casado com uma juíza.
    Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço (principalmente fora do Hemiciclo).
  • António Costa elege como prioridades o combate à corrupção e investimento nos serviços públicos.
    Calma, não atirem já os foguetes... é só para a próxima legislatura. Até lá, muita água pode continuar correr, por baixo dos moinhos, e o ministro Mário Centeno pode manter as "suas" cativações, nem que seja, por exemplo, à custa da saúde (e nalguns casos, a vida) dos portugueses.
  • Face a relatórios vindos a público e que "condenavam" a gestão do Hospital, a ministra da (pouca) Saúde, Marta Temido, afirmou que foram as necessidades da população que levou à não renovação da PPP com o Hospital de Vila Franca de Xira.
    A questão é simples: a ministra ouviu as gentes de Vila Franca de Xira? É que, fazendo fé nas palavras do autarca daquela cidade ribatejana (por sinal eleito pelo PS), que foi ao Parlamento defender o trabalho desenvolvido pelo Hospital, a decisão parece precisamente contrária às vontades da população.
  • Há alguns dias, depois de comprovado o caos, o Governo pediu desculpa pelo funcionamento deficiente e inaceitável dos transportes públicos (nomeadamente a CP ou outros serviços na área metropolitana de Lisboa).
    Já diz o povo: "as desculpas não se pedem, evitam-se". E muito poderia ser evitado se a maior preocupação do Governo não fosse o populismo (e a injustiça nacional) do preço dos bilhetes e passes, mas sim um investimento em políticas de mobilidade e em melhores serviços de transporte. Aos quais se podem adicionar os inquestionáveis esforços que muitas autarquias, de norte a sul, do litoral ao interior, fazem para que as suas populações tenham o mínimo de condições de mobilidade.
  • António Costa, após as eleições europeias, destacou a vitória dos parceiros de governação (geringonça), em conjunto com a do PS.
    Ora... de repente, o PCP viu-se afastado da coligação parlamentar das "esquerdas (des)unidas". Isso, ou António Costa antecipa já a próxima legislatura e já substituiu (se ganhar) o PCP pelo PAN.

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publicado por mparaujo às 16:14

09
Jun 19

Screenshot_2019-06-09 ''O Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ontem, na feira Nacional de Agricultura, em Santarém, que "o Presidente da República é um árbitro".

Isto a propósito da polémica afirmação do Presidente da República, numa intervenção, no passado domingo, no rescaldo das eleições europeias, proferida na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. À referência de poder haver "uma forte possibilidade duma crise na direita portuguesa nos próximos anos", acrescentou ainda o argumento que Portugal tem agora "uma esquerda muito mais forte do que a direita" e que "o que aconteceu à direita é muito preocupante".

Ora... seja ao Presidente da República, seja a um árbitro (em qualquer modalidade desportiva), o que se pede no exercício das suas funções é que seja, no mínimo, isento em relação aos protagonistas, quer político-partidários, quer adversários desportivos.

No caso em apreço, Marcelo Rebelo de Sousa não só extravasou (e muito) as suas competências/funções presidenciais (não esqueceu o seu papel de comentador e criador de factos políticos), como, passada apenas uma semana, caiu numa enorme contradição: “[o árbitro] De vez em quando chama a atenção de um jogador ou outro para evitar ter de lhe dar cartão amarelo, para ter de evitar marcar faltas, mas o ideal é o árbitro não ter de intervir". O ideal seria mesmo isso. Só que neste caso, Marcelo não chamou a atenção do jogador A, B ou C... na prática, o que fez foi mesmo intervir (e publicamente, mesmo que em inglês).

Mas o que está em causa nas declarações do Presidente da República não é a sua repentina preocupação com a direita, a oposição à actual maioria de esquerda ou qualquer análise eleitoral face aos resultados das Europeias 2019. Até porque, apesar dos apelos que antecederam o ato eleitoral, não vimos a mesma preocupação de Marcelo pela enorme taxa de abstenção (a terceira mais alta dos 27 países da UE, incluindo (ainda) o Reino Unido). Isso sim, é uma crise do sistema político (e não apenas dos partidos) que nos deveria preocupar a TODOS, incluindo (e principalmente) o Presidente da República. Já para não falar no (in)suspeito (em alguns contextos "à la carte") diploma do Código de Conduto dos Deputados à Assembleia da República ou nos recentes casos de corrupção que envolvem autarcas (de 15 casos, 10 são eleitos pelo PS... o que não invalida, nem menoriza ou desculpabiliza, a infeliz transversalidade partidária noutros casos).

O que Marcelo Rebelo de Sousa procurou com esta afirmação foi marcar a sua própria agenda eleitoral, deixando em aberto qualquer retórica para um dos dois desfechos possíveis de final de mandato.
Depois da tragédias dos incêndios de 2017, a sua recandidatura estava dependente da forma como o Governo e o País reagiriam e resolveriam esta questão.
Depois do anúncio do Papa Francisco que marcou as próximas jornadas mundiais da juventude para Portugal, a fé de Marcelo moveu todos os obstáculos e voltaria a colocar, em cima da mesa, a sua recandidatura.
Depois das Europeias2019, a pouco mais de 4 meses das próximas Legislativas, a recandidatura a um segundo mandato fica dependente do equilíbrio (ou não) das forças partidárias, resultante do resultado eleitoral.

E é esta a agenda eleitoral do Presidente da República. Uma vitória significativa do PS e da esquerda, deixa Marcelo eleitoralmente dependente da vontade do CDS, da Aliança e de alguns socialistas para o suporte a uma recandidatura (sendo insuficiente a vontade e a empatia populares), mas "crucificado" e preterido à esquerda e, quem sabe, pelo próprio PSD.
Caso o PS vença as eleições sem grande margem, mantendo-se o actual cenário político, transformar-se-á o papel do Presidente da República num permanente "mediador político" (a sua verdadeira "praia"). Aí, Marcelo terá todo o "palco político e partidário" para receber um largo apoio eleitoral para cumprir o segundo (e último) mandato.

Foi este o "barro que atirou à parede" com a alegada e presumível crise do sistema político e da direita portuguesa.

publicado por mparaujo às 12:19

01
Jun 19

Faltam 7 dias para terminar a campanha de crowdfunding para apoiar o projecto de cidadania no Bairro de Santiago, em Aveiro: "Fotojornalismo na redação Santiago".
Dos 3.085,00€ estão angariados cerca de 42% (1.326,00€)... faltam apenas 1.759,00€ para que as crianças e jovens de Santiago possam concretizar o seu sonho de exporem, no próximo dia 10 de junho, os trabalhos fotográficos que fizeram no âmbito do projecto "Lab Cívico Santiago".
Um clique e 1,00€ podem fazer toda a diferença.
É só isto que basta... 1 clique + 1,00€ (ou os euros disponíveis e possíveis).

O projecto "Fotojornalismo na Redacção Santiago", coordenado pelo fotojornalista Adriano Miranda, é uma das iniciativas criada no âmbito do laboratório cívico e consiste na ideia de colocar crianças e jovens a fotografarem o seu bairro.

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publicado por mparaujo às 10:07

26
Mai 19

Os dados/factos (aproximados, face ao que é conhecido e divulgado na hora em causa):
PS - 34,6% (9 eurodeputados)
PSD - 25,4% (6 eurodeputados)
BE - 9,4% (2 ou 3 eurodeputados)
CDU - 6,7% (1 eurodeputado)
CDS - 6,2% (1 eurodeputado)
PAN - 5,0% (1 eurodeputado)
Abstenção - 69%

As reflexões...
Nota 1 - Em política é muito fácil cair na tentação de transformar derrotas em vitórias ou sobrevalorizar as vitórias.
Pela democracia, isso não cabe aqui. Apenas a análise dos factos.

Nota 2 - O PS ganhou as eleições com valores ligeiramente superiores aos de 2014 (31,46%) e conquistando mais um eurodeputado (e não 2 - os 10 pretendidos durante a campanha).

Nota 3 - Os verdadeiros vencedores destas eleições, face aos números, são o Bloco de Esquerda (que duplica a sua percentagem, o número de votos e o número de eurodeputados - podendo chegar a 3) e o PAN que entra, em 2019, na política europeia (fruto da sua afirmação na política nacional).

Nota 4 - O PSD, não atingindo os objectivos traçados para as eleições (ganhar ou aumentar a sua representatividade), acaba como derrotado. No entanto, mantendo o número de eurodeputados e face à percentagem alcançada "disfarça" a derrota com um sabor agri-doce. Mas a verdade é que os números são o que são e a mensagem do partido não chegou aos portugueses. Há que reflectir e assumir os erros.
E é importante referir que essa estratégia traçada para estas eleições foi uma das principais causas deste modesto resultado. Ao cair na armadilha política do PS e de António Costa que "nacionalizaram" a campanha eleitoral, o partido não foi capaz de capitalizar os principais temas fracturantes (saúde, educação [excepto a problemática dos professores], justiça, segurança social, protecção civil, economia e carga fiscal), caindo no embuste político, lançado por António Costa, da problemática da contagem do tempo dos professores.
Além disso, o recurso, no momento chave da campanha, à imagem dos ex-líderes não foi uma aposta bem conseguida, quer interna, quer externamente, permitindo à oposição argumentos retóricos que não favoreceram o PSD.

Nota 5 - O CDS foi um claro derrotado. Para quem, como afirmou Assunção Cristas, queria ser a alternativa governativa e ser primeira-ministra, o resultado é catastrófico.

Nota 6 - A CDU cai para metade da percentagem de votos e perde 2 eurodeputados. Afirmarem que o melhor das eleições foi uma clara derrota da direita é o surrealismos demagógico do discurso (cassete) político que ouvimos do PCP há décadas: uma derrota é sempre uma vitória (nunca se percebe é bem como).

Nota 7 - O valor da abstenção entre os 69% e os 70% é um marco (negativo) histórico que deve merecer a reflexão de TODOS: políticos, partidos e a própria sociedade.
Concretamente nas eleições europeias há um facto que merece ser mencionado: excepção feita para o BE (diga-se, em abono da verdade) explicar aos portugueses o que é a União Europeia, qual o seu peso na vida dos países, que papel têm os Eurodeputados, foi algo que esteve, claramente, arredado dos discursos políticos durante a campanha eleitoral, levando a que os portugueses se alheassem, expressivamente, destas eleições. Aliás, excluindo o momento da adesão à CEE (veja-se a distância geracional) e ao Euro (muitos dos que hoje podem votar nunca viveram o "escudo"), a maioria dos portugueses não percebem (ao fim de tantos anos) o que significa estar na União Europeia e para o que serve... nem têm, sequer, a percepção dos impactos dos Fundos Comunitários.

Nota 8 - Transpor, como alguns líderes partidários ou comentadores o fizeram, estes resultados para as próximas legislativas ou comparando com as legislativas de 2015, é, no mínimo, um exercício de pura demagogia e totalmente esvaziado de sentido. Umas eleições com 70% de abstenção, com repartições eleitorais completamente imprevisíveis, não permitem transferir qualquer cenário político para as eleições legislativas, mesmo que as mesmas venham a ocorrer daqui a cerca de 4 meses.
É um exercício que apenas serve para sobrevalorizar vitórias ou menosprezar derrotas. Não tem qualquer sentido porque é inconsequente e infundamentado.

Nota 9 e última - Os partidos, como, por exemplo, o PS ou o BE, que se congratulam por um "eventual" afundamento da direita nestas eleições, era bom que olhassem para o panorama eleitoral europeu:
a) a participação e a taxa de votantes é muito mais elevada que em Portugal;
b) a redução de 40 eurodeputados no grupo europeu socialista e de 43 eurodeputados do partido popular, o aumento dos liberais (muito à custa dos resultados de Macron em França), o aumento do nacionalismo (com a vitória de Marie Le Pen, em França), dos conservadoristas e eurocépticos deveria preocupar muito mais o país do que as "derrotas" do PSD ou do CDS. Deveria preocupar o país e a própria Europa e o papel dos eurodeputados na construção do seu futuro.

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publicado por mparaujo às 22:23

16
Mai 19

Até aos finais do século XVII, nas monarquias europeias, o Bobo da Corte tinha como funções fazer rir/divertir o Rei e a Rainha, a Corte do Reino, usando a ridicularização e o sarcasmo, sem sofrer consequências dos seus actos. Além disso, através do escárnio, apontava os vícios e as características da sociedade de modo grosseiro.

Em plena campanha eleitoral europeia e em plena Comissão Parlamentar, o "Reino" sobressaltou-se com a perturbadora surpresa ao descobrir que tinha um "bobo" de serviço.

A presença e as declarações de Joe Berardo na Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD, na Assembleia da República, suscitaram um dos maiores "rasgar de vestes" no país. Como se o "elefante não tivesse estado, há vários anos, no meio da sala", sem que ninguém reparasse nele.

Neste âmbito tendo a concordar e a sublinhar (mesmo que a custo) com o comentário de Pacheco Pereira, no último programa da Circulatura do Quadrado (TVI e TSF) de ontem.

A indignação geral que tem mobilizado um coro de críticas e um massivo pedido de retirada do grau de Comendador (1985) e da Grã-cruz da Ordem do Infante (2004).
Nem as comendas retiram a imagem do "sorriso de gozo" com que brindou os deputados, nem terão qualquer efeito prático no que verdadeiramente está em causa.

O que devia preocupar a Justiça, a Assembleia da República, o sistema bancário (forte com os fracos e fraquíssimo com os poderosos/ricos) e os que, pela sua conivência e inacção, permitiram este estado de coisas, é se, de facto, há matéria penal e criminal (salvaguardando-se, aqui como em tudo, a presunção de inocência, até prova em contrário).
E este é que é o problema do país, nestas matérias: a capacidade de provar responsabilidades e julgar actos ilícitos. O resto é, como diz Pacheco Pereira, um "festival de hipocrisia".
O que leva a crer que tudo vai ficar na mesma: o "riso" e os factos (que poderão levar ainda a uma longa batalha jurídica com o Estado).

Os indícios e a sinopse da história, segundo o jornal Expresso.

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(crédito da foto: Pedro Catarino - fonte: jornal de negócios - 10/05/2019)

publicado por mparaujo às 23:14

12
Mai 19

Nalguns casos.... demasiadamente caro.

Numa entrevista à revista Notícias Magazine, a Ministra da Saúde, Marta Temido, afirma que «foi ingénua e garante que para a próxima vai “desconfiar” da outra parte (BE», a propósito da proposta/documento da Lei de Bases da Saúde.

Mas a "ingenuidade" da ministra e do Governo, na área da saúde (e não só), não se resume ao conflito com o parceiro legislativo Bloco de Esquerda.

Mais do que preocupada com a guerrilha política e a perseguição à Ordem dos Enfermeiros, mais do que andar permanentemente num confronto e litigância com a Ordem dos Médicos, Marta Temido devia estar preocupada era com o seu trabalho, com o seu desempenho, enquanto tutelar da pasta da saúde, com o relatório do (insuspeito) Tribunal de Contas que acusou a Administração Central do Sistema de Saúde - ACSS (presidida, à data, pela actual Ministra da Saúde) de falsear os tempos de espera para consultas e cirurgias.

As conclusões do relatório (à data, finais de 2017 e inícios de 2018 - Ministro da Saúde, Adalberto Campos Ferreira e Presidente da ACSS, Marta Temido) são claras: “procedimentos administrativos de validação e limpeza das listas de espera” e informação disponível “não fiável”. Concluiu ainda o Tribunal de Contas que o acesso a primeiras consultas e a cirurgias programadas nos hospitais do SNS piorou nos últimos três anos, em vez de melhorar.
Notam ainda os juízes do TdC que a ACSS deu instruções aos hospitais para recusarem “pedidos de consulta com tempos de espera muito elevados” e fazerem uma “nova inscrição a nível hospitalar”.
A Ministra pode, hoje, apresentar todas e quaisquer "engenharias estatísticas", mas quer o Tribunal de Contas, quer a Comissão Independente (entretanto criada após o relatório do TdC), são claros e objectivos: "a Administração Central do Sistema de Saúde falseou os tempos de espera para consultas e cirurgias" ou "ministério limpou doentes das listas de espera".
Ainda neste processo, agora sob acusação da Ordem dos Médicos, faltam apurar e explicar as cerca de 2.600 mortes ocorridas com doentes que aguardavam por uma cirurgia.
E é inqualificável a reposta de Marta Temido sobre a problemática: «70% dos que morreram em lista de espera estavam dentro do tempo máximo de resposta garantido». Desde quando é aceitável que se "estabeleça" um prazo para que alguém possa viver ou seja justificável morrer?

Mas, a par, por exemplo, da educação, a saúde é uma das piores marcas desta legislatura, e logo num Governo que se diz herdeiro do SNS mas que pior o tratou, desde 1974.

Nem precisamos de greves de enfermeiros, de médicos ou da problemática da Ala Pediátrica do Centro Hospitalar de São João, no Porto.
Basta olharmos para Aveiro... é enorme o esforço de sucessivas Administrações, profissionais de Saúde do Centro Hospitalar Baixo Vouga, de vários mandatos autárquicos, com especial incidência para o actual, da Universidade de Aveiro, entre outras entidades e personalidades, contrapondo com a permanente indiferença governativa e do ministério respectivo. Numa região (NUTIII) que é a segunda maior da Região Centro, a 6.ª maior a nível nacional (excluindo as duas Áreas Metropolitanas - dados PORDATA), o Centro Hospitalar perde valências, perde oportunidades de investimento, perde respeito pelo esforço dos seus profissionais, das suas administrações e dos agentes políticos da região. Perde qualificação, mas ganha "casos"... e lamentáveis.
O próprio Ministério da Saúde, em 2018, revelava que "o tempo de espera para consultas de especialidade é um problema prevalecente do Serviço Nacional de Saúde", sendo "o caso do Hospital de Aveiro um dos mais graves: há quem espere há mais de três anos por uma consulta de dermatologia". Faltam vários especialistas, já para não falar do esvaziamento de especialidades como cardiologia, otorrinolaringologia, gastroenterologia, oftalmologia, entre outro.
Faltam recursos humanos e condições que já "produziram" lamentáveis resultados (fevereiro de 2019 - maio de 2019).

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publicado por mparaujo às 23:32

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Passe (ou exclua-se, por completo) o saudosismo da expressão, a verdade é que "ainda sou do tempo" de ver nascer e crescer o Bairro de Santiago. Ou, sem qualquer tipo de constrangimento, porque é essa a sua génese... a Urbanização Social (habitação económica de promoção pública estatal - FFH, IGAPHE, IHRU e CMA) Bairro de Santiago.

Planeada por volta de 1973, seria com Girão Pereira que o Bairro ganha corpo e execução física, em 1983, com um conjunto significativo de complexidades processuais e pressões da comunidade. Por exemplo, recorda-se a expropriação/compra dos terrenos, o tão falado (à data) "muro da vergonha" que pretendia separar/delinear o bairro da Rua Dr. Mário Sacramento, ou, ainda hoje sentida, a problemática da inclusão/inserção social.

Se a gestão patrimonial e imaterial do Bairro, com mais ou menos intensidade (em função das conjunturas) a Junta de Freguesia (agora) da Glória e Vera Cruz e, principalmente, a Câmara Municipal de Aveiro têm sabido desempenhar o seu papel e cumprir com as suas responsabilidades, o facto é que o Bairro de Santiago é muito mais que os cerca de 1000 fogos, os 50 espaços não habitacionais ou o seu Centro Escolar (para além da sua envolvendo, como o ISCAA, a Universidade, a escola João Afonso, o Hospital ou o Parque Infante D. Pedro).

A Urbanização de Santiago é, essencialmente, um complexo e emaranhado de existências e histórias muito particulares, uma realidade social difícil e labiríntica porque assenta nas vivências das pessoas que habitam, vivem e sobrevivem no Bairro. E é sobre esta complexidade social que importa dar nota e dar o devido mérito a quem intervém, de forma activa e desprendida, em projectos de cidadania participada.

Cumpridas, pelas entidades públicas, as suas responsabilidades, é importante realçar projectos mobilizadores de cidadãos para dar respostas práticas que cabem aos próprios cidadãos, e não estarem à espera, constantemente, que o Estado/Público responda a tudo.

Se o Bairro de Santiago é feito, também, das vivências e histórias das pessoas, devem ser "as pessoas" a dar vida ao Bairro, a cumprir a sua função social, inclusiva e participativa.
Deste modo, só posso curvar-me e "aplaudir" o projecto de cidadania "Lab Cívico Santiago", espelhado neste artigo no jornal Público da jornalista Maria José Santana (Eles estão a melhorar o bairro, “sem orçamento e apenas com voluntários”).
Aos AMIGOS José Carlos Mota, Gil Moreira e Adriano Miranda, à equipa técnica das Florinhas do Vouga e aos mediadores/coordenadores da Universidade de Aveiro (DCSPT e DECA), à Associação Mon Na Mon, entre outros, a cidade e o Bairro agradecem.
Eu, pessoalmente, fico orgulhoso pelo trabalho desenvolvido. Bem hajam!

publicado por mparaujo às 16:14

01
Mai 19

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(fonte da foto: arquivo RTP)

Há 5 dias celebraram-se os 45 anos do 25 de Abril de 74.
Hoje, de novo a referência a mais 45 anos... desta vez a relembrar a primeira celebração do 1.º de Maio ( de maio de 74).

A CGTP-In junta milhares de trabalhadores em desfile em Lisboa, com a presença de Catarina Martins (BE) e Jerónimo Sousa (PCP).
Já a UGT ruma ao norte, até Braga, e conta com a presença de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS.

Em ano eleitoral (legislativas agendadas para outubro) não é de estranhar que haja, nos discursos dos dois secretários-gerais sindicais, abordagens comuns nas várias áreas laborais e sociais, "ameaças" ao governo com anúncios de greves e presença nas ruas. É o 1.º de Maio, na sua tradição e fulgor.

Mas este 45.º aniversário traz uma interessante oportunidade de reflexão.

1. Estranhamente, ou não, ao fim de quatro anos de legislatura do PS, com apoio claro e efectivo (por mais que queiram disfarçar) do PCP e BE, a "geringonça" não chegou ao sindicalismo, principalmente às duas centrais sindicais portuguesas. A distância e as posições geográficas não são meras coincidências organizativas.

2. A presença de Ana Catarina Mendes cola, claramente o PS e o Governo à UGT. Sendo que, a presença no desfile da CGTP de Catarina Martins e Jerónimo Sousa, selam a influência política claríssima (para não dizer a manipulação político-partidária) do BE e do PCP nesta central sindical.

3. Estas notas, parecendo mais que óbvias e históricas, são, em 2019, relevantes, não pelo passado do sindicalismo nacional mas pelo que a concepção sindical representa hoje e o seu futuro. E era bom que a própria UGT e CGTP reflectissem sobre o seu papel, as suas acções, e, principalmente, as suas estruturas.
Se o sindicalismo foi, por natura e pela história, uma realidade maioritariamente de esquerda (e centro-esquerda), hoje, face ao cansaço, desgaste e desilusão da influência partidária nas estruturas sindicais, essa realidade começa a ser colocada em causa. Basta, como exemplos, recordar o surgimento de novos sindicatos, independentes, fortemente sectoriais, com recente expressão social: STOP (Sindicato de Todos os Professores); ASPE (Associação Sindical dos Enfermeiros) e o "famoso" SNMMP (Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas).

4. Por último, para um Governo (coadjuvado por BE e PCP... pasme-se) que se afirma de esquerda, tão defensor dos trabalhadores, que não tem qualquer topete em se vangloriar publica e mediaticamente com supostas, inconsequentes e discutíveis medidas e políticas laborais, melhorias da qualidade de vida dos portugueses e sustentabilidade económica dos mercados e das empresas, era bom que, 45 anos depois da primeira celebração do 1.º de Maio, em Portugal, olhassem para a forma como têm gerido politicamente o direito à greve, como têm encarada a legitimidade constitucional da greve e o seu conceito, e para os números, cada vez mais elevados (maiores que no tempo da Troika) de pré-avisos e de greves levadas a cabo nesta legislatura que se aproxima do fim.

Este 45.º "1.º de Maio" é uma boa lição para o Governo e para a esquerda.

publicado por mparaujo às 18:10

19
Abr 19

A premissa é mais que válida, responsável e politicamente ética.
Rui Rio tem toda a razão quando afirmou, sobre os constrangimentos causados pela greve dos motoristas de matérias de perigosas: (o Governo) «Não pode fazer mais, não vou atacar o Governo naquilo que o Governo não tem responsabilidades, senão não estaria a ser sério».

Se, de facto, existe (e deve existir sempre) uma barreira de legitimidade de intervenção do Estado na vida privada, também não deixa de ser verdade que o Estado deve agir quando a conflitualidade do privada tem impacto e implicação na vida pública.
Ambas as realidades estiveram presente na "crise dos combustíveis" - denominemos assim para simplificar (greve dos motoristas de matérias de perigosas). O conflito laboral confinava-se ao universo privado (ANTRAM vs Sindicato) mas a greve teve, por outro lado, claros impactos na normalidade e funcionamento do país (Estado).

Qualquer tentativa do Governo em querer retirar dividendos políticos do desfecho desta greve é pura demagogia política e eleitoralista (face à proximidade das eleições europeias) ou querer fazer dos portugueses uns imbecis. Dr. António Costa... NÃO SOMOS!

Entre ameaças de requisição civil, imposição de serviços mínimos e a necessidade urgente de sentar à mesa ambas as partes, para além da óbvia pressão do Presidente da República, em 48 horas o país entrou num caos perfeitamente evitável. Não só pelo escusado "pânico" dos cidadãos, mas também porque, durante 16 dias, o Governo andou a assobiar para o lado, menosprezou o pré-aviso de greve e os impactos na vida de todo o país, quando teve tempo mais que suficiente (desde 1 de abril) para mediar um acordo entre trabalhadores e empresários, sem que se virasse o país de pernas para o ar.
Não queiram atirar mais areia para os nossos olhos. Não há coincidências, nem inocentes na política. O que o Governo e António Costa pretenderam foi apresentarem-se ao país como os "salvadores da pátria". Mas já não conseguem porque a máscara caiu.

Um Governo, aliado ao BE e ao PCP, que se auto-proclamam os únicos pseudo-defensores dos direitos, liberdades e garantias laborais e sociais, contra a "opressão" do "grande capital", não trata, desta forma, os trabalhadores.
Para quem afirma e brada aos sete ventos o fim da austeridade, a diminuição da carga fiscal e a melhoria das condições de vida dos cidadãos (seja do ponto de vista social, seja laboral ou financeiro), há, infelizmente, uma realidade que põe a nu toda esta ilusão e fantasia políticas.
Num contexto bem diferente dos quatro anos da Troika, o Governo de António Costa e a coligação parlamentar à esquerda enfrentaram mais greves sectoriais do que no período de 2011 a 2015: na saúde (os médicos prevêem avançar para greve a 7 de maio), na educação (e não só com os professores), na justiça (seja na magistratura, seja em todo o seu universo, como por exemplo notários, inspectores da PJ, etc.), nos transportes, nos portos, nas forças de segurança, nos bombeiros, na autoridade tributária, nos hipermercados. Afinal, depois de tantas "vestes rasgadas" na altura..... "o país pode estar melhor (ou não) mas os portugueses não estão".
E a questão não passa apenas pelo facto do Governo do PS estar a enfrentar uma maior instabilidade social mas também pela forma como é encarada, politicamente, essa instabilidade. Os casos de insucesso das negociações sucedem-se, há tentativas claras de limitar e condicionar o legítimo e constitucional direito à greve (tome-se como exemplo o caso dos enfermeiros), e, imagine-se, já que estamos perante um governo da dita esquerda, já há quem pondere rever o exercício da greve e o seu conceito.

O país viveu, nestes quatro anos, depois do PS ter vendido a sua "alma ao diabo" (ele afinal existe), um completo estado de hipnose, de ilusão e de retrocesso (e há muito para denunciar: no défice/pacto de estabilidade, na falta de investimento público, o estado dos serviços públicos, na economia, na vida das pessoas, nas empresas, ...).

Felizmente, também na política, a verdade também é como o azeite na água: "vem sempre ao de cima". E os exemplos são demasiados e evidentes.

João Ferreira, cabeça de lista às europeias pelo PCP/CDU: "Este Governo (PS) nem sequer é de esquerda" (entrevista à Agência LUSA).
Jerónimo de Sousa, no encerramento da 10.ª assembleia da Organização Regional de Setúbal do PCP: “Sim, Governo minoritário do PS e não Governo das esquerdas”.
“Guerra fria” entre PS e BE aproxima-se do ponto de ruptura... Marisa Matias, eurodeputada do BE: “A geringonça ficou muito aquém daquilo que poderia ter sido”.
Mariana Mortágua, BE, critica "falta de ambição (do PEC)" e "campeonato da mais absurda décima orçamental".

ou...

FMI corta crescimento de Portugal e sobe taxa de desemprego.
(actual) Conselho das Finanças Públicas não apoia previsões do governo. (e a 'má da fita' era a Teodora Cardoso).
Sete em cada 10 famílias vive com dificuldades financeiras e o número de famílias a “falhar” pagamento de crédito ao consumo aumentou 12%.
Facturas de despesa com educação caíram 34%, com influência no reembolso do IRS. (dar com uma mão e tirar com as duas).

e mesmo internamente...

PS deixa Pedro Marques (cabeça de lista ao Parlamento Europeu) sozinho. Campanha queixa-se de “total ausência de combate político” (jornal Público).
Raúl Martins, histórico socialista aveirense, desfilia-se do PS em completa ruptura com o rumo do partido.

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publicado por mparaujo às 11:50

17
Abr 19

A greve é um direito constitucional, deve ser protegido, mais do que condicionado ou limitado, correndo-se o risco de ferir as liberdades, direitos e garantias mais fundamentais. Seja no âmbito laboral ou social.

Independentemente da questão dos serviços mínimos ou da requisição civil, não cabe aqui questionar a legitimidade dos fundamentos que sustentam a greve dos motoristas de viaturas pesadas de matérias perigosas (ao caso, combustíveis).

O que importa referir, por muito que custe a cada um de nós, enquanto cidadão, e para as nossas rotinas diárias, é que uma greve terá sempre mais sucesso quanto mais impacto tiver nas comunidades e no país. Infelizmente, de forma muito pragmática, é esta a realidade: sem provocar alterações no dia-a-dia, qualquer greve não terá quaisquer resultados.

Mas no caso desta questão dos "motoristas dos combustíveis" há um outro lado da moeda.

A greve acabou por ter um impacto e uma dimensão extremamente elevados, criando o pânico generalizado e provocando um princípio do caos.

Se a maioria dos portugueses tivesse optado pela normalidade do seu quotidiano (ou até mesmo pela excepção do período da Páscoa) o impacto da greve de fornecimento de combustíveis aos postos de venda teria sido diluída no tempo e teria sido, significativamente menor. Pelo contrário, face à correria desenfreada e esquizofrénica aos postos de abastecimento o resultado é, e ainda poderá ser maior, preocupante: em pouco mais de 24 horas, o país vê-se na contingência de "secar" os postos de abastecimento (1500, hoje de manhã).

Mas esta corrida em pânico aos abastecimentos das viaturas é algo preocupantemente irreflectido por parte da maioria dos portugueses. Em situações de crise, o que importa fazer é poupar o mais possível, e não o seu contrário (gastar de tal forma que se "secou" o país em 2 dias).

E a atitude é de tal forma irreflectida que os portugueses nem sequer pararam um bocadinho para pensar em si mesmos, nas suas famílias, nos seus vizinhos e no país.
A ausência imediata de combustível nos postos de abastecimento tem impactos muito elevados nas nossas vidas: afigura-se a paragem dos transportes públicos; as dificuldades evidentes na área da saúde (hospitais), da segurança pública (PSP e GNR) e da assistência médica (INEM - Bombeiros); pode provocar uma paragem no abastecimento dos supermercados e hipermercados, impossibilitando qualquer um de nós de efectuar as habituais compras de alimentos; impossibilitará as deslocações mais distantes de milhares de trabalhadores para os seus postos de trabalho.

Tudo porque o pânico assolou um país que age mais por reacção do que actua de forma pensada.

Agora sim... temos o caos, não só pela greve, mas pela intempestividade dos portugueses.

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publicado por mparaujo às 11:46

15
Abr 19

Poucas horas, cerca de duas, bastaram para destruir um património secular.

'Nascida' no ano de 1163, a Catedral gótica de Notre-Dame de Paris foi devorada pelo fogo.

Símbolo do cristianismo (catolicismo)...
Referência do património da humanidade...
Ligada à literatura (Victor Hugo escreveu, em 1831, o romance “Notre-Dame de Paris”, O Corcunda de Notre-Dame)...
Ícone do turismo parisiense, competindo com a Torre Eiffel e o Louvre...
Com forte ligação à Revolução Francesa e ao espírito republicano da "Igualdade, Liberdade e Fraternidade"...

Perdeu Paris... Perdeu a França... Perdeu a Europa... Perdeu o Mundo...

Perdemos TODOS!

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(créditos da foto: Benoit Tessier/AFP)

publicado por mparaujo às 20:22

08
Abr 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário". Desbloqueador de frases públicas (as frases de 3 semanas ou alguns dias mais...).

  • Assunção Cristas: «O CDS está mais uma vez um passo à frente com aprovação dos cabeças de lista às legislativas». (fonte: DN 07-04-2019)
    O CDS está é claramente fora do contexto (a pouco mais de 1 mês das eleições europeias) e fora do tempo (as legislativas são em outubro e ainda há pelo meio as regionais na Madeira).
  • António Costa, num comício em Braga, no passado dia 5, pediu aos portugueses um «voto de confiança ao Governo nas eleições europeias de maio». (fonte: Expresso)
    Do mal, o menos... antes em maio que nas legislativas de outubro.
  • No dia em que entrou em vigor o passe único da Área Metropolitana de Lisboa, o primeiro-ministro, António Costa, numa viagem entre Ericeia e Setúbal, afirmou que «o país não pode parar por haver três eleições». A propósito da problemática das limitações da 'propaganda eleitoral'. (fonte: jornal I 01-04-2019)
    E tem razão... só é pena que a Comissão Nacional de Eleições "ameace" autarcas e partidos políticos e permita ao Governo inaugurar, anunciar e prometer, com toda a pompa e circunstância, tudo e mais alguma coisa em pleno período eleitoral.
  • António Costa: «não há confusão entre família política e política familiar» e «não há nenhuma relação familiar nova desde a constituição do Governo», afirmação proferida a 28 de março (Fonte: Público 28-03-2019).
    No primeiro caso, obviamente que não há qualquer confusão... para o PS é tudo igual. Já no que respeita à segunda afirmação, bastaram dois ou três dias para a demissão de um secretário de Estado no âmbito da polémica "familygate".
  • O novo partido, ou putativo partido, 'Chega' caça militantes no seu site mas André Ventura diz «que é engano». (fonte: Expresso 26-03-2019).
    O que é mesmo um "engano político" é o próprio Chega e André Ventura.
  • Mário Centeno ao enaltecer o défice de 0,5% do PIB, em 2018, afirmou que «este Governo não precisou de um milagre para estabilizar as contas públicas».(fonte: ECO 26-03-2019).
    É verdade... não foi mesmo milagre. Bastou enganar os portugueses com as cativações e a perda de investimento, e uma austeridade (nomeadamente na carga fiscal) bem pior que a da Troika.
  • Assunção Cristas acusou o Governo, neste março bem encalorado, de «não ter soluções para resolver falta de água». (fonte: DN 22-03-2019)
    Fica a sugestão para a próxima legislatura... sempre que houver seca, antes de qualquer Conselho de Ministros, o Governo deve encenar uma "dança da chuva" (à boa maneira 'india').
  • Marisa Matias: «A geringonça ficou muito aquém daquilo que poderia ter sido» (entrevista ao ECO 25-03-2019).
    O melhor comentário vem mesmo da parte da líder do BE, Catarina Martins: «Neste país ainda se vive muito mal». (SIC 16-03-2019).
    Confirma-se... a geringonça apenas serviu para impedir o PSD de governar após ter ganho as eleições (em 2015) e para o BE ter andado a brincar à política na coligação parlamentar.
  • António Costa: «nenhuma das greves resulta de medidas tomadas pelo Governo» (a propósito da inúmeras greves sectoriais decretadas, mais que na anterior legislatura). (fonte: Jornal Negócios 14-03-2019).
    E tem toda a razão... não resultam porque o Governo também não tomou medidas, pelo menos as importantes e necessárias (estruturais e reformas).

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publicado por mparaujo às 00:02

06
Abr 19

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Estamos a pouco mais de um mês da data em que se realizam as eleições europeias: 26 de maio.

Isto num momento em que a Europa atravessa uma grave crise de identidade e se questiona o seu futuro: o crescimento do populismo, o surgimento dos extremismos (em ambos os opostos), o aumento do eurocepticismo e, no topo da agenda mediática, o caso do Brexit.

E mais... a Europa começa aqui, dentro das nossas portas, e não é uma realidade tão afastada do nosso quotidiano. Bem pelo contrário.

Neste sentido, tendo em conta que estas eleições são, por tradição, caracterizadas por uma grande taxa de abstenção e um alheamento dos cidadãos, seria suposto que o debate político se centrasse na(s) temática(s) europeia(s). À boa maneira portuguesa, fala-se de tudo menos da Europa.

O CDS, assumindo-se como um suposto partido "pioneiro", quis marcar a diferença e preocupar-se, já, com as legislativas de outubro próximo, anunciando, publicamente e com pompa e circunstância, as suas listas e candidatos. Ao contrário do que afirma o partido de Assunção Cristas ("mais uma vez está um passo à frente"), isto não é estar, politicamente, "à frente"... é estar fora de tempo e de contexto.

Já António Costa, provavelmente sem ter grande confiança na lista que o PS apresenta às eleições europeias, prefere confundir os objectivos eleitorais e apelar a um "voto de confiança no Governo". Percebe-se, assim, a desvalorização e menorização do trabalho europeu que foi desenvolvido por ilustres eurodeputados como Ana Gomes, Francisco Assis ou Maria João Rodrigues.

E nem o PSD, que arrancou uma pré-campanha eleitoral com alguma veemência, escapa ao esquecimento europeu. Muito longe do essencial, o partido envergou pelo confronto político sustentado numa polémica estéril, assente no chamado "familygate" (as nomeações familiares). E pasme-se, até Cavaco Silva veio "ajudar à festa" (e mal, diga-se). Ao contrário do que afirmou (a falta de "memofante" é tramada) - «por curiosidade, fui verificar a composição dos três governos em que fui primeiro-ministro e não detectei lá nenhuma ligação familiar» - a lista encontrada refere, pelo menos, 11 casos (mesmo que consideradas em tempos distintos).

Mas mais do que a preocupação pelo recurso ao populismo para o confronto político, nomeadamente entre PS e PSD, é o recurso a uma discussão estéril, longe do que é essencial no plano eleitoral, político e para o país.

Mas é, também, importante que se desmistifique a questão, já que a mesma foi tornada tão obsessiva.

Contra a corrente, não acho que o assunto mereça tão relevante mediatismo, nem discussão pública (quanto muito, cabe ao seu espaço próprio: a Assembleia da República).

Em causa estão cargos públicos e políticos, de nomeação, e que são, claramente, de confiança política. E a confiança é isso mesmo... (in priberam) "fé que se deposita em alguém" ou "familiaridade". O que está em causa, porque outras situações são passíveis de fiscalização por parte de várias entidades (as que implicam concursos de ingresso em carreiras ou de chefia), são lugares como "assessores", "adjuntos", "chefes de gabinete", "secretarias e subscretarias", "secretariados", "presidências de institutos", entre outros. E estas funções devem ser preenchidas com base numa relação muito estreita entre os titulares de cargos.
Mais ainda... não me parece que esta questão da "familiaridade" seja menos ética que a nomeação de "amigos", "conhecidos" ou dos "aparelhos partidários".

E leva-nos ainda a uma outra análise complementar já que esta questão é uma "não questão"... limitando, impedindo ou "criminalizando" (como em França) esta realidade é dizer que num partido político, na vida política e partidária, no legítimo direito ao exercício da cidadania, não cabem, nem têm lugar, os laços familiares (directos ou menos directos). Isso é surreal e impensável.

Por fim, importa destacar que há duas afirmações de Rui Rio, sobre o tema, que são bem assertivas.
A primeira quando o presidente do PSD referiu que é quase impossível legislar sobre nomeações familiares. Até porque se levantam inúmeras questões, como, por exemplo, quais laços? casados? pais e filhos? primos? mas em que grau? (é perfeitamente normal existirem laços mais estreitos entre primos de 3.º grau, do que 2.º ou 1.º).
A segunda, é ainda mais correta e pertinente.
O assunto resolve-se com eleições e com mudança governativa.

Mas já agora... porque é que não há a mesma polémica com a questão (essa politicamente mais "perigosa") da incompatibilidade entre a função de deputado e advogado (por exemplo)? Ou porque é que não há o mesmo "rasgar de vestes" com o rodopio de "contratações" para determinadas empresas de ex-governantes, ex-políticos ou ex-deputados?

publicado por mparaujo às 22:25

28
Mar 19

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José Luís Mendonça, familiarmente conhecido como Zeca Mendonça, era o verdadeiro “homem do presidente”. Funcionário do aparelho social-democrata desde a sua fundação, assessor de imprensa do PSD, serviu, até dezembro de 2017, quase todos os Presidentes “laranjas” (incluindo Sá Carneiro), foram 17. Nestas funções de assessoria de comunicação, José Mendonça levou cerca de 40 anos de serviços prestados ao partido (se não me falham as contas).

Não há jornalista que não tenha tido contactos com ele, não há cidadão que não tenha reparado nas suas “aparições públicas” (umas mais discretas que outras), não há, inclusive, político (mesmo de partidos distintos) que não se tenha “cruzado” com ele.

Faleceu hoje, aos 70 anos (celebrados no passado dia 23 de março), após perto de ano e meio de exercício de funções na assessoria de imprensa da Presidência da República (desde dezembro de 2017).
R.I.P. Zeca Mendonça.

(créditos da foto: António Cotrim / Lusa, in Sapo24)

publicado por mparaujo às 23:01

20
Mar 19

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(fonte da foto: REUTERS, in RFI)

Apesar da proximidade geográfica ser um factor emocional de envolvência em contextos trágicos, a distância não é, na maioria dos casos, factor de indiferença, apatia ou insensibilidade.

No caso, acentua-se a empatia e a sensibilidade dado que a tragédia envolve portugueses (dados oficiais apontam para a dificuldade de contacto com 30 cidadãos portugueses) e um longo percurso histórico (não muito distante, diga-se) implica "um dever e uma obrigação moral" de um olhar mais atento e um dever solidário mais forte:  Região da Beira, Moçambique (furacão Idai) - 200 mortos e meio milhão de desalojados (dados em constante actualização).

A par com um turbilhão de sentimentos e de emoções, a par da dimensão dos números das vítimas da tragédia e da devastação geográfica, o impacto do ciclone na região central e costeira de Moçambique revela-nos três realidades que merecem reflexão adicional.

Primeiro, o abandono a que África é votada pela comunidade internacional, a exploração económica a que a maioria dos países africanos está condenada, relegando milhares e milhares de pessoas para a pobreza mais extrema, para uma vida sem qualquer dignidade, para comunidades e comunidades devastadas pela fome, guerra, corrupção, exploração, para um total desrespeito, por razões culturais, étnicas e religiosas, pelos direitos humanos mais elementares e fundamentais.
No caso de Moçambique e da região da Beira, basta olharmos para as inúmeras imagens que espelham o que são as condições de vida das populações atingidas.

Segundo, Moçambique é antes e será depois desta tragédia natural um país que precisará de um outro olhar solidário, de uma ajuda efectiva, por parte da comunidade internacional. Infelizmente, os impactos e as consequências da devastação do Idai irão deixar marcas bem acentuadas por muitos anos.

Terceiro, há uma entidade que se assume como um "fórum multilateral privilegiado para o aprofundamento da amizade mútua e da cooperação entre os seus membros" e que tem como um dos principais objectivos "a cooperação em todos os domínios, inclusive os da educação, saúde, ciência e tecnologia, defesa, agricultura, administração pública, comunicações, justiça, segurança pública, cultura, desporto e comunicação social". No entanto, da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) ou, mais propriamente, dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) apenas se conhece uma nota pública de "solidariedade a Moçambique".

No entanto, felizmente, há já várias organizações que têm unido esforços para ajudar as vítimas afectadas pelo ciclone Idai, como por exemplo a Cáritas (recebe donativos a partir da conta PT50 0033 0000 01090040150 12) ou a Cruz Vermelha Portuguesa (transferência bancária PT50 0010 0000 3631 9110 0017 4  -  multibanco/Pagamento de Serviços entidade 20 999 e referência 999 999 999  -  ou através da internet.

publicado por mparaujo às 22:59

05
Mar 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário". Desbloqueador de frases públicas (as frases da semana e alguns dias mais...).

Nota prévia... O Bloco de Esquerda comemorou, no dia 1 de março, 20 anos de existência. PSR, ex MDP/CDE (Política XXI) e UDP, juntando quatro mentores (Francisco Louçã, Miguel Portas, Fernando Rosas e Luís Fazenda, formaram o novo partido "à esquerdas das esquerdas" que agregou vontades e conceitos. Diga-se com três particularidades que importa registar (goste-se ou não): superou o vaticínio de muitos que o davam como "insucesso garantido" (em 1999) superando várias crises; não tem um órgão formal "jota" como os 'tradicionais' PS, PSD, CDS ou PCP; e apesar das dissidências (Livre e Alternativa Socialista), ainda recentemente foram 23 militantes a "bater com a porta", continua com 'assento parlamentar'. Por isso a primazia do arranque deste "O dito pelo (não) dito..."

  • Catarina Martins, a propósito dos 20 anos do BE: “Não estamos nada cansados, temos muito pela frente”.
    Até pode não haver cansaço, mas não vale a pena esconder: há, pelo menos, um significativo desgaste de 4 anos de 'geringonça'. E quem aproveitou foi o PS.
  • Catarina Martins, a propósito dos 20 anos do BE: "Fizemos inimigos poderosos numa elite financeira".
    Qual elite? A da Banca? Como o caso do banco público CGD e a extinta Comissão Parlamentar de Inquérito? Ou o suporte a um Governo que gastou rios e rios de euros para sustentar o sistema financeiro bancário (e o que criticaram durante a Troika)? É que se for em relação à "elite financeira privada" a coisa nem aqueceu, nem arrefeceu... antes pelo contrário.
  • Entrevista de Marisa Matias (eurodeputada do BE e próxima 'cabeça de lista' às Europeias 2019) ao Expresso: “O PS lamenta, mas aceita a austeridade".
    Conclusão (apesar de tudo): PS é mais honesto que BE... Os socialistas ao menos ainda lamentam. Já o BE não só não lamenta, como apoiou um inúmero conjunto de medidas e políticas de agravamento da austeridade (mesmo que encapotada).
  • Miguel Morgado, deputado do PSD: "As fake news e o populismo são “tretas” de Bruxelas".
    Como??!! Perde-se as contas às páginas e páginas de estudos e investigação comunicacional e política. São mais que evidentes os factos e a realidade, até mesmo em Portugal (algo que, aliás, nem é novo). O populismo é uma das maiores preocupações para as eleições europeias de 2019. E isto são tudo tretas?. Ahhh... pois... Miguel Morgado é um "fake politician".
  • Santana Lopes prefere que "Aliança vá sozinha às europeias e legislativas".
    Claro que não prefere... não tem é ninguém que lhe queira "dar uma mãozinha".
  • Jerónimo de Sousa insiste que "Governo é do PS e não das esquerdas".
    Como é óbvio, pela primeira vez na história da política nacional (repetindo o 'feito político local' de Loures) o PCP esteve quatro anos coligado com a direita. Claro que esta 'geringonça' nem existiu, foi apenas uma miragem. Como se aproximam as eleições legislativas há que descolar e rasgar os compromissos. Mas Jerónimo de Sousa já vem tarde... já não dá para esconder quatro anos de "bem com Deus e o Diabo", com "um pé dentro e outro fora".
  • Mário Centeno: “Os portugueses hoje pagam mais impostos porque ganham mais”.
    Depois das cativações orçamentais, vêm agora as 'cativações do pensamento demagógico'. Sr. Ministro e Presidente do Eurogrupo... o povo já deixou de ser 'estúpido'. Os portugueses pagam mais impostos porque, de forma injusta e indirecta, esses impostos aumentaram e são mais gravosos.

A terminar (abrindo as próximos do próximo texto)...

  • Juiz Neto de Moura: “Os meus direitos têm sido lesados de forma perfeitamente inadmissível e intolerável”.
    Já os das vítimas de violência doméstica (nomeadamente, porque não só, as mulheres), a memória das mulheres assassinadas em contexto de violência doméstica, a valorização do crime e do criminoso, são pormenores... Como se costuma dizer, "é a vida".
    Triste justiça, a nossa.

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publicado por mparaujo às 16:25

06
Fev 19

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A governação de António Costa tem enfrentado uma realidade mais dura que a governação de Passos Coelho, no tempo da Troika, com uma clara insatisfação social patente no volume de pré-avisos e de greves concretizadas (apesar de menos greves gerais, o Governo do PS enfrentou um acréscimo considerável de greves sectoriais). Contexto que contrasta com a bandeira do Governo de que o país estaria, agora, bem melhor. Mas a verdade é que há mais vida para além do défice. E o país parou (e continua a parar) demasiadas vezes (e por demasiado tempo) na justiça, nos transportes, na segurança, na economia (veja-se o impacto da greve dos estivadores), na educação e na saúde.

Mas os contextos das greves não têm trazido apenas a contestação social e profissional para a "rua", transportando igualmente uma pressão permanente sobre o Governo, que se tem mostrado difícil de gerir.
Têm-se revelado uma enorme machadada no sentimento, pós 25 de Abril, de posse e de "propriedade" do exercício do direito à greve. Nestes quatro anos de "geringonça" foram crescendo, ou pelo menos, tornaram-se mais activos e presentes os movimentos sindicais independentes, colocando em causa (e ferindo) a hegemonia partidária e sindicalista, nomeadamente da CGTP e dos partidos de esquerda (por exemplo, PCP e BE). A reivindicação social e laboral deixou, notoriamente, de ser uma exclusividade do movimento sindical e dos partidos de esquerda. E esta realidade tem-se mostrado difícil de gerir nas cúpulas da Intersindical, dos comunistas e bloquistas.

Realidade que também se tem mostrado demasiadamente dura para o Governo do PS (também ele posicionado à esquerda) porque pelos números (quantidade), pelas dimensões (impactos) e pela frequência, as "contas e Mário Centeno" não batem certo com as "contas do país". E o aproximar das próximas eleições legislativas não irão trazer, garantidamente, uma maior paz social. Bem pelo contrário. Não há sector vital da vida do país que não esteja em ebulição, desiludido, frustrado, injustiçado, ... .

António Costa e o Governo já se aperceberam disto e entraram num patente "desespero político". Basta recordar a pressão sentida pela ministra da Justiça em relação aos Oficiais de Justiça, aos Magistrados e aos Guardas Prisionais; a pressão sobre o ministro da Educação em relação aos Professores e, na agenda mediática, toda a revolta no sector da saúde, com o expoente máximo na infindável e incontrolável greve dos Enfermeiros.

Qualquer greve tem pelos menos dois objectivos claros: alertar a opinião pública para a insatisfação de um determinado sector profissional ou área da sociedade e, por outro lado, pressionar o poder para a satisfação de um conjunto de reivindicações. Isto não é possível garantir sem impactos no dia a dia e na vida do país. Quer isto dizer que todas as greves são iguais e têm o mesmo peso? Obviamente que não... e a diferença é, claramente, medida pelo impacto nos cidadãos, nas empresas, no funcionamento do Estado e na economia.
Torna-se evidente, provavelmente até para quem protagoniza a greve, que uma paralisação na área da saúde comporta riscos acrescidos em relação aos "danos colaterais" , porque mexe com algo muito delicado (a própria saúde/vida das pessoas). Mas tal não pode significar, por muito que possa custar à sociedade, a rotulagem de ilegalidade já que o direito à greve, a qualquer greve, é constitucionalmente universal. Daí que existam os mecanismos legalmente previsto para minimizar os impactos de determinadas greves: os serviços mínimos ou, em última instância, o recurso à chamada "requisição civil".

Só a demonstração prática de incapacidade política para gerir a conflitualidade social é que pode levar o Primeiro-ministro, de um governo de esquerda, a apelidar uma greve de ilegal ou de selvagem. Poder-se-á questionar, juridicamente, a ilegalidade do financiamento que surgiu por via de uma plataforma de crowdfunding. Até porque o precedente abre um novo paradigma na concepção do direito à greve que pode ser "perigoso" e desvirtuar, totalmente, a essência de qualquer reivindicação. Mas isso não retira, em nada, a legalidade do exercício do direito à greve e a sua legitimidade (esta, pelo menos, do ponto de vista de quem a promove e concretiza).

A greve dos enfermeiros, a denominada "greve cirúrgica", tem impacto no país? Claramente... principalmente quanto à garantia da saúde de muitos portugueses. Mas não deixa de ter também (mesmo que em menor escala, como é óbvio) impacto político para o Governo e para, principalmente, a CGTP, o PCP e o BE. A estes últimos retira a hegemonia e a exclusividade ideológica da "agitação social". Para o PS, António Costa e o Governo, retira claramente o "sono" e a tranquilidade governativa porque põe a nu um país, afinal, carregado de insatisfação, sem investimento público, com uma enorme desresponsabilização do Estado Social, com uma sociedade carregada de problemas e sem respostas, e, objectivamente, um país muito menos "cor de rosa" do que é pintado.

E esta contestação social que estes quatro anos foram, gradualmente, vivendo com números impensáveis tem uma enorme carga política: muda o paradigma da "titularidade" sindical do direito à greve, com o qual a CGTP não tem sabido lidar (basta ver o seu silêncio constrangedor) e tem a curiosidade, pasme-se, de ser num "reinado" socialista, suportado pela esquerda radical, que hoje se coloca em causa a legalidade de uma greve, se equaciona (a cereja em cima do bolo) a limitação do direito à greve ou o seu conceito jurídico e constitucional.

Agora imagine-se o que seria o rasgar de vestes por parte do PS, BE, PCP e CGTP se isto fosse num governo do PSD.
Até criava um crowdfunding só para ver...

publicado por mparaujo às 21:16

02
Fev 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário". Desbloqueador de frases públicas (as frases da semana).

  • “Deus quis que Donald Trump fosse presidente”, garante Sarah Huckabee Sanders (responsável pela gestão da Imprensa na Casa Branca). É por estas (não) por outras que cresce o número de descrentes e ateus. Como crente, acho que Deus tem muito mais trabalho e que fazer do que eleger presidentes evangélicos.
  • PCP aponta promiscuidade político-económica como razão da corrupção, segundo João Ferreira (eurodeputado comunista). Será que João Ferreira renunciou à sua recandidatura europeia? É que a afirmação cai em cima de uma semana nada positiva para a "moralidade ideológica" do PCP: «rede vermelha: câmaras comunistas adjudicam 2 milhões de euros a empresas de militantes» (Observador) ou «autarquias do PCP adjudicaram milhões a empresas de militantes» (ECO).
  • Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, entende que a Regionalização deve estar em cima da mesa na próxima legislatura. Porque é que o actual polémico processo da Descentralização se parece com a construção de uma casa começada pelo telhado?
  • O ex-ministro Manuel Maria Carrilho voltou a ser presente a Tribunal para a repetição do julgamento dos crimes de violência doméstica. O primeiro julgamento absolveu o ex-ministro da Cultura, mas o processo foi reaberto após recurso do Ministério Público.
    À saída da primeira audiência, no Campus de Justiça, em Lisboa, Carrilho firmou apenas «Continuo confiante».
    Também os que defendem o respeito pela dignidade e a igualdade de direitos estão confiantes... confiantes que agora se faça justiça "à séria".
  • “Espero chegar aos dois dígitos no Parlamento”, afirmou Santana Lopes numa antevisão das próximas legislativas. Caro ex-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz e de Lisboa, ex-primeiro ministro, ex-provedor da Santa Casa de Lisboa, ex-militante do PSD... dois dígitos são fáceis de alcançar, podem é estar à direita do "0", por exemplo "0,99%".
  • E a "cereja em cima do bolo"... É uma afirmação comprida, do comunista João Ferreira à agência Lusa mas que vale a pena dar nota.
    “A questão dos Orçamentos do Estado, não foram orçamentos do PCP, foram orçamentos do Governo do PS porque este é um Governo PS, não é um Governo das esquerdas, nem sequer um Governo de esquerda”. Ora nem mais... mais vale tarde que nunca. João Ferreira vem agora demonstrar o que sempre aqui foi dito: durante quatro este "processo" da Geringonça apenas serviu para enganar os portugueses (ou alguns). Chegados a novo ciclo eleitoral... "zangam-se as comadres, surgem as verdades".

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publicado por mparaujo às 15:18

27
Jan 19

27 de janeiro... data escolhida pela ONU para assinalar o "Dia Internacional da Lembrança do Holocausto".
Este é o dia que assinala a libertação dos prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau pelo Exército Vermelho (27 de janeiro de 1944, processo terminado em 1945).

74/75 anos depois... 75 anos que a história ainda tem a obrigação, o dever, de lembrar:

  • em 6 anos (1939-1945), o genocídio de cerca de 6 milhões de judeus (1 milhão de crianças, 2 milhões de mulheres, 3 milhões de homens);
  • 11 milhões de pessoas: além dos 6 milhões de judeus, mais 5 milhões de ciganos romenos, homossexuais, deficientes físicos e mentais, eslavos da Europa Oriental, Poloneses Sérvios, prisioneiros de guerra.

74/75 anos depois, numa Europa mergulhada numa total indefinição quanto ao seu futuro e à sua sobrevivência, quer como Continente (do ponto de vista histórico, geopolítico e geoestratégico), quer no âmbito da União Europeia, importa não deixar morrer a memória colectiva... porque a História nunca deve ser travada.

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publicado por mparaujo às 18:59

20
Jan 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário".

Pedro Santana Lopes (ex-líder do PSD, ex-primeiro ministro 'nomeado' pelo PSD, ex-deputado do PSD, ex-candidato derrotado nas últimas directas do PSD e ex-militante do PSD) tem vindo a desafiar partidos à direita do PS para uma "coligação que afaste a actual frente esquerda do poder".
O mesmo Santana Lopes que virou as costas ao PSD, amuado pela derrota eleitoral interna, quer agora "(re)casar-se" com o partido que renegou. Coerências, portanto.

Mas o desafio também quer dizer: "arranjem-me qualquer coisinha para brincar, porque dão-me 4% mas só consigo juntar pouco mais de 100 pessoas num jantar".

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(créditos da foto: José Carlos Carvalho, in círculo da novação)

publicado por mparaujo às 17:54

Segunda a TVI: «A Câmara Municipal de Loures, liderada por Bernardino Soares, do PCP, contratou, por ajuste directo, o genro de Jerónimo de Sousa por valores acima do vencimento do próprio presidente do município". Segundo contas e segundo os documentos, foram, alegadamente, pagos 11.000 euros para mudar oito lâmpadas e dois casquilhos.

Nada mas malicioso, infame, ignóbil, falso...
a bem da verdade (nomeadamente, da "verdade jornalística") não são «11.000 euros por mudar oito lâmpadas e dois casquilhos». Importa acrescentar o subsídio de risco à prova de choques eléctricos e o risco da subida ao escadote. Tudo somadinho, vai-se a ver, e ainda foi barato.
O resto são más línguas e "anticomunismo".

"Assim se vê a força do PC!"

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publicado por mparaujo às 13:25

19
Jan 19

ou, se preferirmos: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário".

Desbloqueadores de frases públicas.

  • Jerónimo de Sousa diz que sector público "faz melhor e mais barato" na saúde.
    Claro que faz, camarada presidente. Principalmente, "mais barato". Basta lembrar a precariedade e o valor salarial existente no SNS.
  • Assunção Cristas: “O primeiro-ministro quer pintar o país de cor de rosa”.
    Oh senhora doutora! Claro que quer, é primeiro-ministro socialista (cor rosa). Se fosse o Rui Rio era cor de laranja.
  • Marisa Matias: “O Bloco não é um partido populista”.
    Upsss... nem populista, nem radicalista, nem extremista. Aliás... nada, portanto.
  • Hugo Soares acusa Rio de "ter mais força" a atacar militantes do PSD do que António Costa.
    Bom, bom, era que tivesse ainda "mais força", nomeadamente para atirar "borda fora" quem não faz qualquer falta ao PSD.
  • Marta Temido: não é possível “corrigir 20 anos numa legislatura” nas carreiras de enfermagem.
    Tem toda a razão, Sra. Ministra. Mas era importante que, em poucos meses,  situação não batesse no fundo.

  • PCP acusa TVI de "anti-comunismo" após reportagem sobre genro de Jerónimo de Sousa.
    Claro... para "pró-comunismo" já há o jornal "Avante".

  • Hugo Soares: "Rui Rio não tem de fazer de mim nenhum Cristo".
    Nem precisa, "huguinho". Sempre que abres a boca é "auto-flagelação".

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publicado por mparaujo às 18:53

Há cerca de dois ou três anos tive o primeiro contacto com a "causa", infelizmente mais uma, na defesa dos Direitos Humanos, concretamente dos Direitos das Crianças.

A defesa dos direitos fundamentais e da dignidade humana de qualquer cidadão, por razões acrescidas quando se trata de crianças, não devem conhecer fronteiras, nem distâncias e, muito menos, indiferença.

No Gana, bem no coração dessa África esquecida e explorada, os pais vendem os seus filhos por menos de 30 euros a traficantes que os revendem aos pescadores do Lago Volta. Estas crianças são obrigadas a trabalhar 14 horas por dia, 7 dias por semana, a troco de um único prato de mandioca. Há, naquele país da África ocidental, 240 mil crianças vítimas de trabalhos forçados e 6,3 milhões de crianças nunca entraram numa sala de aula.

Em 2007, a jornalista Alexandra Borges (TVI) foi ao Gana para produzir uma reportagem sobre violação dos direitos humanos (ver vídeos abaixo). A reportagem e a experiência pessoalmente vivida transformar-se-iam na sua missão pessoal: resgatar o maior número que pudesse de crianças (começaram por ser três) daquele verdadeiro flagelo humano e proporcionar-lhes uma esperança e um futuro, a começar pela sua educação e formação.
Foi assim que nasceu o centro de resgate, acolhimento e formação, em Kumassi (Gana), numa parceria entre a associação que fundou (Filhos do Coração) e a congénere americana Touch a Life Kids, conta já com cerca de uma centena de crianças que voltaram a poder sorrir e viver.

Como a Alexandra Borges afirma, não é só o tráfico de crianças é também a "indiferença que mata as crianças no Gana". Há, no entanto, uma oportunidade para podermos ajudar a resgatar sorrisos e vidas.
A Associação FILHOS DO CORAÇÃO vai lançar uma campanha solidária entre os dias 26 de janeiro e 4 de fevereiro: Vamos Resgatar Sorrisos!

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As crianças do Gana contam com a ajuda de todos: pode ajudar a RESGATAR SORRISOS e/ou apoiar a campanha como voluntário.

As reportagens da jornalista Alexandra Borges.

publicado por mparaujo às 18:18

13
Jan 19

Deplorável! Condenável! Péssimo! Politicamente baixo! Funesto! Cínico! Sem sentido de ética e moral! Abominável! Repreensível! Reprovável! Censurável!
Não faltará, na língua de Camões e no dicionário português, adjectivos que qualifiquem a tomada de posição de confronto interno do ex-líder e ex-deputado da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro.

São vários os contornos político-partidários que merecem uma análise e reflexão sobre a opção que levou/leva Luís Montenegro a desencadear uma clara e evidente "guerra civil interna" e uma execrável tentativa de "golpe de estado" para derrubar a liderança de Rui Rio.

O histórico
Importa relembrar, o que não será de somenos importância, que Luís Montenegro não teve a coragem política de se posicionar como candidato às eleições internas de 13 de fevereiro de 2018, virando as costas ao que parecem ser, agora, fortes convicções partidárias.
Importa relembrar igualmente que o ex-deputado do PSD na Assembleia da república abandonou as suas funções, por vontade e iniciativa própria, no dia 5 de abril de 2018.
Rui Rio está apenas a cerca de um ano à frente dos destinos e da liderança social-democrata, após o falhanço da formação do governo em 2015, de um  enorme desaire autárquico em 2017 e de uma conjuntura política que, mesmo falaciosa e ilusória, é favorável à esquerda nacional.

O que leva Luís Montenegro a esta inqualificável e ignóbil tentativa de "tomada de poder"? O que o move? Porquê e para quê?
As razões podem ser múltiplas, mas são simples e óbvias, não deixando de ser, igualmente, injustificadas e dispensáveis.
1. O timing, apesar das várias opiniões que o definem como despropositado (e é, em grande medida) não tem a ver propriamente com o actual momento político do PSD, com a eventual marcação imediata de novas eleições internas. Nem Luís Montenegro esperaria ver concretizado, JÁ, o desafio e o repto lançados de directas imediatas. Isso foi pura demagogia e claro bluff político.
Luís Montenegro marcou uma clara, apesar de condenável, posição de ataque à liderança do PSD mas a concretizar após as eleições europeias e/ou legislativas. Foi uma tomada de posição que desafia Rui Rio no pós próximo actos eleitorais, como que a dizer, face a resultados menos positivos: "eu bem tinha avisado", "era isto que já se esperava"... "agora é a minha vez".
Só que importa recordar a Luís Montenegro que, em fevereiro de 2018, a promessa de Rui Rio foi um combate claro ao PS e à actual maioria parlamentar, sem prometer vitórias eleitorais que sempre se souberam, desde o fim da governação de Passos Coelho, difíceis de alcançar face à conjuntura política. Que a promessa e o que muitos dos militantes (quase 55% dos que votaram) esperam de Rui Rio é que traga de volta o PSD às bases, às comunidades, ao poder local (precisamente após o desaire completo do PSD, em 2017, com Passos Coelho na liderança do partido).
2. Este regresso à ribalta mediática de Luís Montenegro incorpora ainda um passado, mais ou menos, recente da conflitualidade surgida entre Porto e Gaia, à data, quando Rui Rio era o autarca da "cidade invicta".
3. Por outro lado, já há muito que não se ouve, ninguém lê ou sabe, de Pedro Passos Coelho. Mas a verdade é que ele ainda anda por aí, ainda percorre os bastidores e os corredores obscuros do partido, qual "fantasma político". Pelo menos no que respeita ao saudosismo, perfeitamente dispensável, da sua governação e liderança que desvirtuaram a génese social-democrata do PSD, o seu posicionamento ideológico e programático. E se o ex-líder do PSD se tem mantido afastado dos palcos políticos, já os seus seguidores, os seus sebastianistas (como, por mero exemplo, Teresa Morais, Maria de Lurdes Albuquerque, Hugo Soares, Miguel Morgado, Carlos Abreu Amorim, Marco António Costa, Miguel Relvas ou Carlos Carreiras - curiosamente contrapondo com uma extraordinária agradável surpresa por parte do Comissário Europeu, Carlos Moedas), ou, inclusive, as "alucinações comentaristas" de Marques Mendes, ainda não conseguiram, ao fim de quase um ano, fazer "o luto" das derrotas eleitorais (autárquicas 2017 e directas 2018) e da mudança pragmática que, felizmente, o PSD vive hoje e começa a afirmar na política nacional.
4. E tendo em consideração ainda esta vertente sebastianista de uma minoria de "passistas saudosistas", esta "declaração de guerra política" de Luís Montenegro tem, igualmente, uma outra razão substantiva: com o aproximar dos actos eleitorais previstos para 2019, há quem não queira aceitar, há quem esteja demasiadamente preso aos lugares (e não ao partido ou convicções), há quem saiba, de antemão, que vai perder o "tacho" e faça de Rui Rio o "bode expiatório", o carrasco das carreiras políticas "pessoais". São agendas claramente pessoais que sustentam este confronto à liderança do partido.

Por fim, os argumentos a que Luís Montenegro recorreu para sustentar esta sua posição são do mais pobre e do mais fútil, já para não falar de notoriamente contraditórios.
Se Rui Rio, ao fim de 11 meses, não conseguiu unir o PSD (como o ex-deputado afirmou) tal deve-se, em parte (e numa maior fatia) a esta oposição interna ridícula e dispensável, a este permanente recurso a tentativas de desestabilização internas e descredibilização da liderança do partido.
Mais ainda... Luís Montenegro, contrariando o que o próprio esperaria da actuação política do partido, apenas está a valorizar e potenciar a oposição, a esquerda portuguesa, o PS e o Governo de António Costa (que assiste de "cadeirão", serenamente, aplaudindo e divertindo-se com este triste espectáculo).
Mas Luís Montenegro não afrontou apenas Rui Rio ou a direcção nacional do partido. Desrespeitou, desprezou, desconsiderou, desonrou, pelo menos, os 54,15% de social-democratas, os 22.728 militantes de base, que, em fevereiro do ano passado, viram (e ainda acreditam) em Rui Rio o líder ideal para voltar a trazer a social-democracia ao PSD, reposicioná-lo ideologicamente, ser uma clara alternativa a António Costa, de limpar o partido de caciques e interesse mesquinhos e pessoais que, infelizmente, ao longo de mais de 40 anos minaram o partido e foram o espelho dos interesses extra-partidários que se movem nos corredores, nos bastidores, na penumbra, do poder ou da tentativa de poder.

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Uma nota complementar.
O Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de TODOS os portugueses (mesmo os que não votaram nele), de quem se esperaria isenção, distanciamento e afastamento partidário, esteve, neste caso, muito mal, demasiadamente mal, bem pior que no telefonema à apresentadora Cristina Ferreira.
Em política o que parece... É! Totalmente a despropósito o timing da reunião com Rui Rio em pleno anúncio do desafio interno efectuado por Luís Montenegro.
Injustificável, insustentado e claramente parcial, o encontro, amanhã (segunda-feira, dia 14) com Luís Montenegro, opositor e desafiador interno do PSD.
Não há desculpa, nem forma de esconder. Marcelo Rebelo de Sousa, ex-deputado, ex-presidente social-democrata, ex-comentador político e, agora, Presidente da República imiscui-se, intrometeu-se, envolveu-se, na vida interna do PSD. Por mais que queira dizer e fazer crer o contrário.

publicado por mparaujo às 13:37

09
Jan 19

As lutas estudantis de 1992 e 1994 foram marcadas pela contestação nacional, não só contra as propinas (concretamente contra o seu aumento) mas contra o próprio sistema de ensino, nomeadamente no acesso às universidades (onde se incluía, por exemplo, a Prova geral de Acesso - PGA). Foram as manifestações de rua, as barricadas nas escolas, a tentativa de acesso à escadaria da Assembleia de República e, até, o baixar de calças perante a reunião com a ministra da Educação à data. As "propinas" venceram e mantiveram o "pacto de regime" durante estes cerca de 25 anos.

Apesar disso, são, ciclicamente, bandeira de populismo eleitoralista. Voltaram a ser neste arranque de 2019 (e serão, quase de certeza, em 2023).

Constitucionalmente, "todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar" (n.º1, artigo 74.º). Ou ainda (n.º1, artigo 76.º) que "o regime de acesso à Universidade e às demais instituições do ensino superior garante a igualdade de oportunidades e a democratização do sistema de ensino (...)".

Não será com a abolição das propinas no Ensino Superior que tais princípios poderão ser atingidos, plenamente. Faz sentido serem revistos os processos de acesso, os numerus clausus, entre outros.

Porque se pretendemos ter um Ensino Superior qualificado e de elevado nível educativo, cultural e científico, que desenvolva e promova a qualificação do país, não é retirando autonomia e sustentabilidade financeira às universidades, fazendo depender de "estados de alma" e conjunturas dos Orçamentos do Estado, que se garante uma qualificação superior de qualidade.

Por outro lado, a afectação de uma verba considerável para compensar a gratuitidade total da frequência universitária (o valor estimado total das propinas no ensino superior ronda os 330 milhões, representando cerca de 24% do rendimento das universidades e dos politécnicos) significa obstáculos graves e complexos ao apoio social ao estudantes. Aliás, a área mais problemática da frequência universitária reside nas despesas de habitação (esta principalmente), transportes, alimentação. São os próprios estudantes e as famílias que o indicam.

Por uma questão de justiça social, de igualdade de oportunidades, deverá ser na acção social escolar que deve residir a aposta na reestruturação da Lei de Bases do Ensino Superior. Diga-se, ainda, que foi esta justiça e apoio social que ficou abalada pelo populismo e pela demagogia política presentes na redução do valor das propinas no ensino superior, retirando e excluindo um elevado número de alunos dos parâmetros de atribibuição de bolsas.
Não é com a abolição das propinas que se cria maior justiça. Quanto muito equidade, mas uma equidade que coloca no mesmo prato da balança aqueles que têm capacidade financeira para pagar a sua qualificação superior e os que, querendo e tendo o mesmo direito, têm dificuldades económicas.

Já basta de populismos... até porque, daqui a quatro anos, voltaremos ao "tema eleitoral".

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publicado por mparaujo às 23:06

07
Jan 19

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Nunca me causou qualquer estranheza ou desagrado a forma como Marcelo Rebelo de Sousa tem levado a cabo o seu mandato, a forma como lida com a realidade social e política portuguesa e internacional. Ao contrário do que alguns possam argumentar, a adjectivação atribuída de "o Presidente dos Afectos" é um espelho do que tem sido o seu papel como principal figura do Estado e da Nação.

Não havia, por isso, qualquer necessidade de cair no ridículo, de promover este acto, no mínimo, insólito. E muito menos o argumento usado para justificar tamanho despropósito.

Não foi o cidadão, professor universitário jubilado, que, por iniciativa própria (espera-se) telefonou para um canal de televisão a desejar os maiores sucessos a uma apresentadora na primeira edição de um novo programa. E as minhas ausências de referência aos nomes é propositada porque não está em causa o canal, a apresentadora e o programa. Fosse em que circunstância fosse. Marcelo Rebelo de Sousa fez o telefonema enquanto Presidente da República, acto esse que nada tem a ver com o desempenho das suas funções. Mais ainda, tomou, deliberadamente, um "partido", assumiu uma opção e escolha pessoais, principalmente num momento muito particular e efervescente de "guerras de audiências" entre canais televisivos. Além disso, ao tomar esta atitude abriu um precedente que o obriga, enquanto Presidente de TODOS os portugueses (onde se incluem os profissionais de televisão), a ter a mesma deferência em situações semelhantes.
Isto porque a função de Chefe de Estado não se compadece ou se compagina a gostos e relações pessoais.

Por outro lado, é incompreensível que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tenha argumentado como justificação do seu telefonema o facto de ter concedido uma entrevista, nas vésperas do Natal, à TVI e ao apresentador Manuel Luís Goucha. Pior a emenda que o soneto. O Presidente da República conceder uma entrevista a quem quer que seja não é o mesmo que, por iniciativa própria, pegar no telefone e ligar para a Cristina Ferreira (ou qualquer outro profissional da comunicação que fosse), por causa do seu primeiro programa e desejar "boa sorte".
Não está em causa a Cristina Ferreira (longe disso), o "Programa da Cristina" ou a SIC. Está sim em causa que nada disto tem a ver com a função de Presidente da República ou com qualquer questão de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que "era o mínimo que podia fazer". Nem o tinha que fazer, porque o Presidente da República não é nenhum "agente de marketing televisivo, nem mediador de audiências televisivas", e muito menos foi "o mínimo". Antes pelo contrário... foi antes "o máximo" do absurdo e do ridículo.

Era escusado.

publicado por mparaujo às 21:26

30
Dez 18

A Segurança de Pessoas e Bens, a Saúde, a Justiça, o Ensino e a Política são os principais registos que marcaram o ano de 2018 em Portugal. Na mesma altura em que se assinalou o 20.º aniversário do prémio Nobel da Literatura atribuído a José Saramago e num ano em que o “Presidente dos Afectos” é, para muitos dos portugueses, uma das principais figuras.

da Tragédia…
Volvido um ano após os acontecimentos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Ansião, Sertã, Pampilhosa da Serra e Penela (junho de 2017) e ainda Leiria, Seia, Nelas, Oliveira do Hospital, Penacova, Monção, Mira e Vagos (outubro 2017), Portugal volta a viver, em 2018, duas novas tragédias que envolveram, infelizmente, vítimas mortais, danos ambientais, sociais e económicos.
Agosto volta a ser “madrasto” no que respeita aos incêndios, desta vez, assinalado em Monchique, ardendo 27 mil hectares de floresta e mato (o maior incêndio da Europa), perdendo-se 50 casas e registando-se 50 perdas de habitações, 41 feridos e 49 pessoas desalojadas, marcando ainda o “mau estar institucional” entre Bombeiros e Protecção Civil que se acentuaria no final do ano.
Em outubro, o furacão Leslie (o maior em Portugal desde 1842) atingia o país, com ventos entre os 180 e os 190 km/hora, provocando mais de 2000 mil ocorrências, 28 feridos, 61 pessoas desalojadas, milhares de habitações (mais de 300 mil) sem electricidade e deixando um rasto de destruição, principalmente nos distritos de Coimbra (Figueira da Foz) e Leiria.
Novembro trouxe à memória dos portugueses o trágico acontecimento, em 2001, com a queda da ponte Entre-os-Rios, em Castelo de Paiva. Apesar dos riscos evidentes, anunciados e alertados em 2014 por vários relatórios, a incúria humana e a irresponsabilidade do Estado (Central e Local) foi o suficiente para que 5 pessoas perdem-se a vida com o colapso de parte da estrada municipal 255, em Borba, provocada pelo deslizamento de um grande volume de rochas, blocos de mármore e terra para o interior de duas pedreiras contíguas.
O lema dos bombeiros portugueses, “vida por vida”, ganhou uma dimensão arrepiante e sinistra, neste último mês do ano, às portas do Natal. Quatro elementos do corpo técnico do INEM perderam a vida quando, depois de transportarem uma doente em estado grave, de 76 anos, com problemas cardíacos, para o Hospital de Santo António, no Porto, regressavam à base, para Macedo de Cavaleiros (Bragança). O helicóptero (uma aeronave Agusta A109S) ao serviço do INEM, cairia na Serra de Santa Justa, Valongo, após embater numa antena de comunicações vitimando o piloto João Lima, o copiloto Luís Rosindo, o médico Luís Vega (de nacionalidade espanhola) e a enfermeira Daniela Silva. À boa maneira portuguesa a tragédia, infelizmente como de costume, originou um conjunto de tentativas de desresponsabilização por parte da NAV, ANPC e do próprio INEM.

da Política…
Foram a política, os políticos e os casos político-partidários, que marcarem fortemente a agenda de 2018, no ano em que se assinala o último Orçamento do Estado da coligação parlamentar que suporta o Governo socialista (a chamada “geringonça”), em vésperas de um ano de 2019 que será marcado por forte contexto eleitoral (eleições europeias e eleições legislativas).
O ano abriria com uma mudança de liderança, de estratégia e, até, de paradigma (pelo menos em rotura com o passado bem recente) no PSD, com a eleição (54,1% dos votos), em janeiro, de Rui Rio para a presidência do partido. Mas se a vontade expressa pela maioria dos militantes sociais-democratas e o desejo em romper com o período de Passos Coelho, com o espectro do liberalismo e o regresso à social-democracia (génese e identidade do partido) resultou numa desejada e apetecida eleição de Rui Rio (face à alternativa Santana Lopes), a verdade é que este primeiro ano de liderança do ex-Presidente da Autarquia do Porto trouxe “a lume” e à evidência o que de pior sempre caracterizou o PPD-PSD: uma “fome” desmesurada e incontrolada de alguns pela cadeira do poder partidário. Não durou muito, embora dure há demasiado tempo, a surgirem as incompreensíveis e dispensáveis vozes críticas internas: Luís Montenegro, inconformado com os resultados das directas e eterno fiel apoiante de Passos Coelho; a tagarelice e a “detracção”, por tudo e por nada, a que se juntam as adivinhações políticas, de Marques Mendes; a ambição e obsessão pelo palco mediático de Pedro Duarte, fazendo regressar aos bastidores e corredores do Partido um dos “espíritos” mais indesejáveis do PSD: Miguel Relvas.
Mas o ano de 2018 não foi, para o Governo e para o PS, um período fácil, fazendo antever um conjunto de desafios políticos agravados e complexos para o próximo ano. O número elevado de greves (mais do que no período intenso da Troika e da governação PSD/CDS) e a instabilidade social, têm colocado a nu e exposto as fragilidades e os falhanços governativos em áreas tão estruturantes num Estado de Direito como na Educação (seja no ensino básico e secundário, seja no ensino universitário), na Justiça ou na Saúde. Sem esquecer a questão da mobilidade, dos transportes, da empregabilidade (baixou a taxa de desempregados mas aumentou a precariedade laboral com a diminuição de vínculos contratuais) e na vertente social (há, em Portugal, 1,8 milhões de pobres, a taxa de poupança familiar regista, em 2018, valores mínimos de há duas décadas, e está perto do “alerta vermelho” o risco inerente ao aumento do crédito ao consumo por parte dos portugueses e das famílias).
Afinal, a austeridade (e eventualmente o tão badalado “diabo”) andam por aí, existe, é visível no dia-a-dia dos portugueses, mesmo que camuflada por uma colossal carga fiscal estruturada nos impostos indirectos. Os dados estão lançados para o próximo ano, com o fim da “paz social” com os sindicatos (Arménio Carlos, Secretário-geral da CGTP-IN, afirmou há poucos dias, logo a seguir à mensagem de Natal, que “2019 vai ser um ano quentinho e não é bluf”) e o fim da “união de facto” política (já que não chegou a haver “casamento”) com o BE e com o PCP.
A par da gestão das finanças públicas, com o impacto das cativações e da falta de investimento público nas áreas de responsabilidade a crescida das Funções Sociais do Estado, seria a Defesa Nacional a gerar um complexo caso de gestão política, abalando a estrutura governativa de António Costa. O “Assalto a Tancos” gerou impactos muito negativos na opinião pública quanto à confiança no Estado, nas Instituições e nas Forças Armadas, para além da demissão (pessoalmente, injustificada) do ex-Ministro Azeredo Lopes. Demissão aproveitada para uma remodelação governativa em pastas relevantes como a Economia, a Saúde (em permanente tempestade social e caos governativo), a sempre polémica Cultura, para além da Defesa (face aos acontecimentos). E a história política repete-se para o Governo socialista de António Costa: tal como aconteceu em 2017, perante a tragédia dos incêndios e do caos na Protecção Civil, dando origem à demissão da então Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, há neste governo alguma dificuldade em gerir situações de crise, em assumir ou atribuir responsabilidades, em gerir as dificuldades e as adversidades. Tudo corre bem no “mar de rosas”… mas à primeira ondulação mais forte, perante um mar mais agitado ou revolto, o caos político e governativo instala-se demasiadamente fácil.
Uma última nota política de análise a 2018 tem a ver com a relação do Governo (Administração Central) e as Autarquias, apesar do “mapa rosa autárquico” saído das eleições de 2017 e a presença no Governo de alguns ex-autarcas, a começar pelo próprio Primeiro-ministro. Exemplo claro dessa dificuldade são os soluços nos investimentos e a gestão dos Fundos Comunitários e, essencialmente, as polémicas e a confusão e balbúrdia inerentes ao processo de Descentralização de competências e responsabilidades para os Municípios.
Este ano de 2018 deixou ainda uma marca histórica no seio da família socialista. A 2 de maio rebentava a bomba no n.º 2 do Largo do Rato. Um conjunto (significativo) de principais figuras do Partido Socialista e do Governo, após a divulgação de eventual caso de corrupção envolvendo o ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, vieram a público demonstrar Vergonha (o adjectivo mais usado) pelo impacto político dos casos José Sócrates e Manuel Pinho (curiosamente o processo Marquês conheceu, este ano, uma alteração da condução judicial do processo para a fase de instrução com a troca do juiz Carlos Alexandre pelo juiz Ivo Rosa, para além de mais um “caso” e polémica com o histórico do processo a desaparecer do sistema informático).

da Justiça…
Contrariando algum sentimento generalizado, quer na sociedade, quer no universo político (com excepção do PS), António Costa e, por decisão última e final, Marcelo Rebelo de Sousa, optaram por substituir a liderança da Procuradoria-Geral da República, não reconduzindo Joana Marques Vidal e nomeando para o cargo Lucília Gago.
Um ao depois... continua por se encontrar a eventual responsabilização pela aparente ilegalidade e irregularidades na reconstrução das casas em Pedrógão Grande, num processo que deveria envergonhar o país; todos… sociedade, autarcas, instituições, partidos, políticos e Governo/Estado.

Dos Direitos Humanos…
Esta é, e há-de ser sempre, do ponto de vista pessoal, uma das principais preocupações e acções/intervenções cívicas (a par da política e do jornalismo/comunicação).
Se Portugal engloba, ao fim de 44 anos, o conjunto de países da primeira linha na defesa e garante dos direitos humanos, há ainda alguns percursos que devem ser percorridos e situações ou contextos que merecem um combate permanente.
A título de exemplo: O número de mulheres assassinadas em contexto de intimidade ou relações familiares próximas atingiu as três dezenas (mais seis do que no ano passado) e cerca de 20 viram a sua vida atentada. Em Portugal, no ano de 2018, todos os dias, cinco crianças são vítimas de crimes sexuais.
A desigualdade salarial entre homens e mulheres corresponde a 58 dias de trabalho pago, sendo mais elevada entre profissões mais qualificadas e com maior nível de escolaridade. As mulheres, em Portugal, ainda ganham 15,8% menos do que os homens, colocando o país no top europeu da disparidade salarial.
No ano em que se assinalou o 70.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos há ainda um caminho a percorrer em Portugal no que respeita ao racismo, à xenofobia, à inclusão e integração, à igualdade de género, aos atentados contra a dignidade humana, situações que se agravam com o crescimentos dos populismo e extremismos. A espelhar estas realidades, quando se pensa que os atropelos aos mais elementares direitos só acontecem na distante África, no complexo Médio Oriente ou no turbilhão social da América do Sul, num ano, em Portugal, a UNICEF registou 80 casos de mutilação genital feminina, fazendo aumentar para cerca de 240 os casos de raparigas e mulheres excisadas.

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publicado por mparaujo às 23:37

29
Dez 18

A história da Humanidade, ao longo dos séculos (AC e DC), sempre teve períodos, mais ou menos longos, de conflitualidade entre os homens e os povos/nações. Foi, também, nesses contextos que as civilizações delinearam os seus futuros.
No período contemporâneo, na primeira metade do século XX, as duas Grandes Guerras (1914-1918 e 1939-1945) foram o reflexo visível dessa conflitualidade.
No entanto, o Mundo soube sempre acolher períodos alargados de paz (ou alguma paz) e de coabitação entre as Nações, mesmo no chamado período da “Guerra Fria”. Até que chega a data de 11 de setembro de 2001, precedida, uma década antes, pela Guerra do Golfo (1990-1991) e imediatamente sucedida pela invasão do Iraque (março de 2003). Desde então o Mundo deixou de ser seguro e pacífico, tolerante e inclusivo, promotor dos Direitos Humanos e da Igualdade, Fraternidade e Liberdade.
Volvidos que estão 28 anos (1990-2018) este ano que agora se presta a terminar é, infelizmente, o espelho dessa realidade: conflitualidade geopolítica e geoestratégica permanente, terrorismo, desprezo pelos valores e pela dignidade humana, crescimento dos extremismos e dos populismos.
Atentados, ataques, violência, manifestações de intolerância, racismo, xenofobia e homofobia, fome, guerra, violação das liberdades e direitos fundamentais, são alguns contextos que descrevem o retrato do ano de 2018. Aos quais podemos ainda adicionar uma natureza madrasta, como que a querer vingar a maneira como o Homem a vai (mal) tratando e desprezando.

da Guerra…
O Médio Oriente, juntamente com África Subsaariana e Central, são duas zonas do globo em permanente explosão. A guerra civil na Síria, em sete anos (2011-2018) matou mais de 511 mil pessoas, das quais cerca de 40 mil neste ano, desalojou 5,6 milhões de sírios, dos quais 2,6 milhões são crianças. Geograficamente mais patente na região de Guta, Damasco, o conflito e os seus impactos estão ainda longe de terem terminado, apesar do recente, e internamente polémico, anúncio de Donald Trump de retirar as forças americanas da região (o Estado Islâmico agradece).
Dura desde 1948 o conflito que opõe Israel à Palestina, tendo a Cisjordânia, o Líbano e a Síria como fronteiras, sem esquecer o histórico colonialista britânico (1917-1947). Após um considerável número de acordos, de avanços e recuos, a conflitualidade naquela zona, onde a Faixa de Gaza é o seu expoente, é diária mas conheceu em 2018 um exponencial de atentados e vítimas que já há alguns anos não se conhecia: 265 incidentes/atentados resultaram em 14 israelitas mortos e 137 feridos; já no que respeita aos palestinianos os dados oficiais indicam 295 mortos e mais de 29 mil feridos (segundo dados da OCHA/ONU). Importa ainda recordar que foi em maio deste ano (14 de maio) que Trump ordenou a mudança da Embaixada Americana de Tel Aviv para Jerusalém.
Mas é o Continente Africano que regista o maior número de conflitos, mortes, feridos, desaparecidos, desalojados, fome e pobreza: Argélia, Burundi, Chade, Egito, Libéria, Líbia, Mali, Marrocos, Mauritânia, Níger, Nigéria, República Centro Africana, República Democrática do Congo, Ruanda, Saara Ocidental, Somália, Sudão, Tunísia, Uganda, entre outros conflitos regionais, étnicos e políticos. Só na última década a ONU estima que morreram, por força da guerra neste continente, cerca 5 milhões de crianças com idade inferior a 5 anos.

dos Direitos Humanos…
São diferenciadas as formas e diversos os contextos de violação dos mais elementares e fundamentais direitos humanos: contra a vida e a sua dignidade, o direito à diferença, a liberdade de pensar e exprimir, a alimentação, a saúde, o trabalho, a habitação, a paz e a segurança.
O ano de 2018 foi, infelizmente, repleto de realidades que merecem nota de destaque para que não se apague a memória, por uma questão de respeito, de solidariedade, de alerta. E para prestar merecida homenagem e tributo aos mais de 300 ativitas mortos no mundo, só porque não qquiseram deixar de defender os maisl elementares direitos universais. Destes, tornou-se rosto mediático a ativista e política brasileira (a América Latina é a região com mais ativitas mortos, presos, torturados e perseguidos) Marielle Franco, crítica da ações indiscriminadas da Polícia Militar, política em ascensão (apontada como eventual prefeita do Rio de Janeiro ou deputada federal em Brasília), assassinada aos 38 aanos, em março de 2018.
Além disso, o Mundo, em 2018, não soube, não quis, foi incapaz, foi indiferente, falhou na protecção das crianças. Na República Centro Africana a UNICEF estima que 1,5 milhões de crianças necessitam de ajuda humanitária. 5.000 crianças foram mortas ou mutiladas no Afeganistão. 4,2 milhões de crianças encontram-se em risco de desnutrição aguda grave na República Democrática do Congo. Cerca de 1.800 crianças foram recrutadas na Somália para a guerra. No conflito na Síria, o tal que Trump diz já não existir, 870 menores foram mortos. No Iémen, para além das 5,2 milhões de crianças que se encontram em risco de fome, 1.427 foram assassinadas em 2018.
Mas os conflitos armados não contemplam apenas a morte e a fome. O número de deslocados e refugiados é assustador: a ONU estima em mais de 68,5 milhões de pessoas. No caso dos refugiados, assunto que tem assombrado a União Europeia pela inoperância e incapacidade política e social em o enfrentar, o ano de 2018 foi relativamente próximo (embora “em baixa”) de 2017 e, felizmente, longe dos valores mais altos da última década. Mesmo assim, o movimento de refugiados no mediterrâneo ainda foi significativo: mais de 118 mil migrantes chegaram, por via marítima, à Europa e 2.241 pessoas morreram durante a travessia.
A questão das migrações e dos refugiados conheceu, em 2018, um especial relevo no continente americano, não estando muito longe, na dimensão dos refugiados que chegam à Europa oriundos do Médio Oriente e do Norte de África. A crise humanitária na América Central e do Sul, sustentada na pobreza, na falta de trabalho, na instabilidade política e nos conflitos armados, em países com a Venezuela, El Salvador, Honduras, Guatemala, Nicarágua (134 mortos desde abril nos confrontos contra o governo), levou cerca de 200 mil migrante até ao sul do México na expectativa desesperada de entrarem nos Estados Unidos.
No país onde supostamente a liberdade e a segurança são referência histórica centenas de milhares de americanos tomaram as ruas nas cidades dos Estados Unidos no maior protesto pelo controle de armas chocados por mais um massacre numa escola na Flórida, em março.
São já cerca de 700 mil refugiados Rohingya que fugiram de uma campanha militar brutal em Mianmar (antiga Birmânia) para o Bangladesh, crianças pequenas massacradas diante dos pais, raparigas e mulheres violadas em grupo enquanto as suas famílias são torturadas e mortas, aldeias incendiadas e arrasadas.
Mas é também nos países ditos civilizados que o ano de 2018 assinalou atropelos aos Direitos Humanos inadmissíveis em pleno século XXI. Por exemplo, neste ano, no Japão, foram realizadas 15 execuções por enforcamento.
Destaque, em 2018, para a atribuição (dupla) do prémio Nobel da Paz, distinção envolta em algumas polémicas como, por exemplo, a manutenção do Nobel (2012) à União Europeia, face à forma como não tem conseguido lidar com a questão dos refugiados; ou a Aung San Suu Kyi, em 1991, à data activista dos direitos humanos e políticos, agora líder da Birmânia, e que tem mantido um condenável silêncio em relação à perseguição e descriminação sobre a comunidade rohingya, obrigada a fugir para o Bangladesh. Finalmente, este ano, regressa a "normalidade": oO Comité Norueguês decidiu laurear, em 2018, com o Nobel da Paz, o congolês Denis Mukwege e a iraquiana Nadia Murad, "pela luta do fim do uso da violência sexual como uma arma de guerra e de conflito armado" (ambos Prémio Sakharov em 2016). Denis Mukwege é médico ginecologista na República Democrática do Congo, onde fundou, em 1999, o Hospital Panzi no qual foram tratadas mais de 50 mil mulheres vítimas de violência sexual na guerra e nos conflitos armados. No Congo, em média, 48 mulheres são violadas a cada hora. Nadia Murad, de minoria étnica Yazidi, em 2014, com 21 anos, foi raptada pelo Estado Islâmico, no Iraque, tendo sido vítima de violência sexual. Três meses depois conseguiu fugir, tendo-se tornado uma forte activista dos direitos humanos, contando a sua própria história para alertar para o problema da violência sexual como arma de guerra (é a primeira Embaixadora da Boa Vontade para a Dignidade dos Sobreviventes de Tráfico Humano das Nações Unidas).

das Tragédias Naturais…
A “mãe” natureza marcou, de forma assustadora e trágica o ano de 2018, com inúmeras mortes e uma devastação de dimensões sinistra.
Os sismos, erupções vulcânicas e os tsunamis na Indonésia, Filipinas e Vietname. As cheias e as inundações, na Índia, China, Japão e Guatemala. Os incêndios em Espanha, na Grécia e nos Estados Unidos.

da Política…
Com o aproximar da Tomada de Posse do próximo Presidente do Brasil, a eleição de Jair Balsonaro foi um dos acontecimentos políticos do ano de 2018, deixando antever um futuro preocupante, incerto e instável para um dos principais países da América do Sul.
Se sempre foi questionável a eleição e a presidência de Donald Trump à frente dos destinos da maior potência mundial, o espelho da desorientação governativa é bem patente no número histórico de demissões na Administração Trump: são já mais de 20, das quais se destacam áreas importantes como a Defesa, a Segurança, as Finanças.
Mas a Europa viveu, em 2018 (com prolongamento para 2019), momentos políticos de especial importância e impactos.
A crise política em Inglaterra está ainda longe de terminar e de ser conhecido o seu final. O Brexit tem trazido uma instabilidade política e governativa complexa e de difícil gestão para Theresa May e para o Partido Conservador britânico, deixando o país e a União Europeia em suspense e incerteza. O referendo à continuidade dos britânicos na União Europeia foi um claro "erro de casting" e tornou-se na expressão profunda da grave crise política e social em Inglaterra.
Atravessado o Canal da Mancha, os últimos meses deste ano trouxeram muitas dores de cabeça a Emmanuel Macron com uma intensa e significativa movimentação social nas ruas francesas, nomeadamente em Paris, protagonizada pelos “Coletes Amarelos”, que tem trazido uma instabilidade social difícil de gerir e que tem potenciado um efeito dominó na região (Bélgica, Holanda) com impactos políticos e sociais ainda por avaliar de forma segura.
Aqui ao lado, na vizinha Espanha, 2018, a par dos significativos casos de corrupção, Mariano Rajoy não superou as movimentações e manifestações pela criação de uma República independente na Catalunha e sucumbiu politicamente às eleições do dia 1 de junho e que elegeram o socialista Pedro Sanchéz.
O ano político também foi feito de algum flop e desilusão. A cimeira histórica entre os líderes da Coreia do Norte (Kim Jong-un) e Coreia do Sul (Moon Jae-in), que decorreu no simbólico Paralelo 38, a zona desmilitarizada que marca a fronteira entre os dois países, fazia perspectivar a implementação de um conjunto de medidas para a "completa desnuclearização" da península coreana. Fazia… porque na prática apenas resta o abrandar dos testes nucleares, sem que haja provas dadas da redução do programa nuclear Norte-Coreano.

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publicado por mparaujo às 02:16

27
Dez 18

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Das escolhas pessoais... das memórias que ficarão de quem não sobreviveu ao (no) ano de 2018.

Cá dentro...
na política: Maria Teresa Cárcomo Lobo, a primeira mulher a exercer funções governativas em Portugal (subsecretária de Estado de Saúde e de Assistência, 1970-1973); João Semedo, médico e dirigente do Bloco de Esquerda; Rosado Fernandes, professor universitário, deputado e eurodeputado pelo CDS.PP e ex-presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal; António Arnaut, advogado, ex-deputado pelo PS, ex-Ministro dos Assuntos Sociais, em 1978, altura em que criou o Serviço Nacional de Saúde.
na cultura: Celeste Rodrigues, fadista; Maria José Moura, a quem apelidaram de "mãe" da rede de bibliotecas públicas; Júlio Pomar, referência portuguesa das artes.
no conhecimento: António Santa-Rita, arquitecto, uma das grandes referências do urbanismo; João Corte-Real, professor universitário e o mais antigo investigador português do clima.
na defesa: capitão de Abril, Diamantino Gertrudes da Silva; general Loureiro dos Santos, antigo ministro da Defesa Nacional, ex-Chefe do Estado-Maior do Exército e geopolítico.
na comunicação social: Altino do Tojal, jornalista e escritor, autor de "Os Putos"; José Pinto, jornalista especialista em desporto automóvel e apresentador do programa "Rotações", na RTP; Helena Ramos, apresentadora e um dos rostos mais simbólicos da RTP.

Lá fora...
na cultura: Nancy Wilson, cantora de jazz, actriz e activista dos direitos humanos; Nicolas Roeg, realizador britânico conhecido pelo filme "Aquele Inverno em Veneza"; Montserrat Caballé, uma das cantoras de ópera mais importantes da história; Zienia Merton, atriz, conhecida como a cientista da saga "Espaço 1999"; Gary Friedrich, que deu vida aos super-heróis da Marvel (Homem-Aranha, Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, por exemplo); Aretha Franklin, a rainha da soulmusic; Matt Murphy, a lenda dos blues; Danny Kirwan, ex-guitarrista do Fleetwood Mac (até 1972 quando foi excluído da banda); Pamela Gidley, actriz de "TwinPeaks" - "Os últimos dias de Laura Palmer"; Dolores O'Riordan, vocalista dos "The Cranberries"; Hugh McDowell, cofundador dos "Electric Light Orchestra"; Anthony Bourdain, um dos chefs mais famosos do mundo.
na sociedade e cidadania: Marielle Franco, política e activista brasileira; Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU; Winnie Madikizela-Mandela, política sul-africana e activista contra o apartheid.
na política: Roelof Frederik “Pik” Botha, político e governante da África do Sul; John McCain, Partido Republicano, ex-candidato derrotado por Barack Obama, e, apesar do mesmo partido, acérrimo crítico de Trump; George H. W. Bush, ex-presidente norte-americano (pai de George W.B.).
no conhecimento: Paul Allen, cofundador da Microsoft; Stephen Hawking, físico; Alan Bean, o quarto homem a pisar a Lua.

Por fim, num ano em que comemorámos os 100 anos do Armistício de Compiègne, assinado em 11 de novembro de 1918 entre os Aliados e a Alemanha, altura para prestar a mais profunda e sentida homenagem a dois sobreviventes do Holocausto Nazi da II Grande Guerra que faleceram em 2018.
Noah Klieger, sobrevivente dos campos de extermínio nazi e enquanto jornalistas cobriu todos os julgamentos dos antigos Nazis.
Joseph Joffo, escritor, contou em livro como fugiu aos Nazis, por exemplo em "Os meninos que enganavam os Nazis".

publicado por mparaujo às 17:01

23
Dez 18

Portugal tem mar e costa.
A Indonésia tem mar e costa.
Portugal tem praias e turismo balnear.
A Indonésia tem uma imensidão de praias e um turismo inquestionável e difícil de igualar.
Mas onde está a diferença?! Infelizmente, é fácil perceber...

O Natal acontece, ciclicamente, desde o século III (tal como é assinalado pelo cristianismo - cristãos católicos, ortodoxos e arménios). Mas não é para todos, nem sempre...

O "Anel de Fogo do Pacífico" resolveu "marcar", tragicamente, o Natal na Indonésia... e fez lembrar o ano de 2004.

Merecem um verdadeiro "conto de Natal" e uma referência muito especial os 222 mortos, os 843 feridos e os 28 desaparecidos (últimos dados oficiais).

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(créditos da foto: Azwar Ipank - AFP, in Revista Veja, edição Brasil)

 

publicado por mparaujo às 21:23

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