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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

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A semana em resumo - 26.06.2011

Publicado na edição de ontem, 26 de Junho, do Diário de Aveiro.

Cambar a Estibordo...
A semana em resumo


1. O início desta semana seria assinalado pelo “arranque” de mais uma legislatura e pela tomada de posse dos deputados parlamentares eleitos nas eleições de 5 de Junho passado. Entre caras novas e repetentes, entre ex-ministros e futuros membros do governo (por exemplo a presença de Pedro Passos Coelho na bancada social-democrata) este primeiro dia do Parlamento da Nação seria marcado pelo episódio de suicídio político de Fernando Nobre. Candidato à Presidência da Assembleia da República (segundo lugar da hierarquia do Estado), Fernando Nobre acabaria por ser derrotado nos dois processos eleitorais, desistindo duma terceira “humilhação” política mas pessoal. Sim… porque foi em Fernando Nobre que residiu a questão e o problema.
Há quem teime, de forma errada, em vincar um eventual problema de relação e entendimento na recente coligação PSD-CDS, fruto do resultado. Mas este acontecimento nada tem de problemático ou crítico para a coligação, até porque era conhecida, desde de sempre, a posição do CDS e que foi expressa no quadro das negociações governativas. Aliás, para quem ainda esperaria a eleição de Fernando Nobre (que precisaria de 116 votos), ela só poderia acontecer com alguma “boa vontade” de oito votos, por exemplo, socialistas.
Por outro lado, afirmar que isto é uma derrota pessoal para Passos Coelho é ter uma visão muito redutora da questão. A derrota aconteceu quando Fernando Nobre foi apresentado como cabeça de lista do PSD pelo círculo de Lisboa.
Porque quem saiu verdadeiramente derrota e quem originou este aniquilamento político foi o próprio Fernando Nobre pelas palavras proferidas ainda durante a campanha eleitoral quando o candidato à presidência da AR resolveu divulgar publicamente o convite pessoal e directo que lhe foi feito por Pedro Passos Coelho. Aí sim, aniquilou quaisquer ténues possibilidades de ser eleito ao menosprezar o Paramento, os deputados e o seu funcionamento. O que, diga-se de passagem, terá sido um alívio para Passos Coelho, para a coligação, para o PSD, para a Assembleia da República e para o País.
Até porque o PSD soube rapidamente contornar o episódio e apresentar uma solução que acabaria por receber o aval de uma larga maioria dos deputados parlamentares: a eleição da deputada Assunção Esteves para Presidente da Assembleia da República, facto histórico na vida da democracia portuguesa (a primeira mulher a exercer tão distinto cargo). Eleita com 186 votos a favor, 41 votos em branco e dois nulos, Assunção Esteves mereceu o aplauso (em pé) e elogios de todas as bancadas, com destaque para a intervenção de Maria de Belém (líder interina da bancada socialista). Para coadjuvar a condução dos trabalhos parlamentares, Assunção Esteves vai contar com Guilherme Silva (PSD), Ferro Rodrigues (PS), Teresa Caeiro (CDS) e António Filipe (PCP), para as vice-presidências.
2. A semana foi ainda bastante agitada para o novo Governo, empossado na terça-feira, pelo Presidente da República, entre dois encontros do novo Ministro das Finanças com a “Troika”.
Do discurso do Primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, realce para a referência ao rigor e contenção nas contas e na despesa pública, bem como no “emagrecimento” do Estado, o combate à corrupção, à necessidade de incutir confiança nos portugueses, para além da alusão a algumas áreas de intervenção: justiça, finanças e sector social. Ainda com uma alusão ao fim dos Governos Civis, Pedro Passos Coelho terminaria o seu discurso com a alusão óbvia ao acordo com o FMI/UE afirmando que “Portugal não pode falhar, Portugal não falhará.”
Mas ao Governo, concretamente a Passo Coelho ainda estaria reservada mais uma “estreia”: a participação no Conselho Europeu dos 27 líderes da Europa, realizado em Bruxelas. O objectivo era claro e estava previamente definido, fruto dos contactos que o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, efectuou junto dos partidos políticos e parceiros sociais: marcar a diferença em relação à Grécia.
E para o conseguir seria lógico e expectável que o Primeiro-ministro demonstrasse a firmeza de Portugal em cumprir os acordos estabelecidos com a Troika e que revelasse a vontade do novo governo em ir mais longe na estratégia no combate à crise portuguesa. Daí que não se pode estranhar que Pedro Passos Coelho tenha saído de Bruxelas com a necessidade de colocar em prática e sem demoras o primeiro conjunto de medidas e políticas para a redução do défice e do reforço da consolidação orçamental.
3. Do ponto de vista político, há ainda espaço para a referência a dois acontecimentos que também foram marcando a semana. As eleições internas no PS e o intensificar dos contactos e das acções de campanha, sendo de realçar a coincidência de visões entre Assis e Seguro no que diz respeito aos recados ao PSD e ao Governo: o esvaziamento estado social e a eventual revisão constitucional. Além disso, a crise interna no Bloco de Esquerda, resultante dos números das últimas eleições, tende a agravar-se em vez de encontrar soluções. Depois de Miguel Portas ter sugerido, numa entrevista ao jornal “i”, o afastamento dos quatro fundadores do BE (Francisco Loução, Luís Fazenda, Fernando Rosas e o próprio Miguel Portas), foi a vez de Rui Tavares se cansar com a espera do pedido de desculpas formal do conflito com Francisco Louçã e bater a porta no Parlamento Europeu, terminando o seu vínculo aos bloquistas.
4. Por fim, uma referência breve a dois temas sociais.
O primeiro destaca um estudo internacional de mercado, efectuado pela empresa GFK, onde se demonstra que três em cada dez portugueses estão dispostos a procurar melhor sorte e melhores oportunidades no estrangeiro, principalmente no caso dos mais jovens e dos cidadãos com habilitações superiores. Teme-se, segundo os resultados do inquérito realizado, uma perda considerável de capital humano altamente qualificado.
O segundo destaque reflecte já os sinais da crise. Segundo declarações, à Rádio Renascença, do presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares – ANDE, Manuel António Pereira, a crise económica que se faz sentir em muitos lares vai tomando conta dos bancos e carteiras das escolas. O abandono escolar, por carências reais e face ao reflexo do impacto da crise em muitas famílias, tem-se vindo a fazer sentir de forma acentuada, mesmo antes do final da escolaridade obrigatória (9º ano). Curiosamente, apesar dos números do desemprego e da falência de muitas empresas se notar, particularmente, no norte, a maior preocupação do abandono escolar, segundo aquele dirigente, situa-se a sul do país.
Boa Semana…