Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

09
Mai 13

Publicado na edição de hoje, 9 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Trinta minutos de pieguice política

Uma coligação não é, garantidamente, uma fusão. Esta é uma das expressões que Paulo Portas usou no seu discurso, que durou cerca de trinta minutos, proferido no passado domingo, sobre as medidas que Passos Coelho tinha anunciado 48 horas antes (sexta-feira). Não terá sido a expressão mais bombástica, mas não deixa de ter relevância. Obviamente, que uma coligação não pressupõe a supremacia ou a sobreposições de vontades. No entanto, deve garantir, para a sua sustentabilidade e credibilidade (essencialmente) que os partidos nela envolvidos tenham objectivos e metas comuns, “caminhem” no mesmo sentido e sejam co-responsáveis pelas políticas e medidas que implementem. Mesmo que isso possa, nas horas de tomada de decisão, resultar em alguma conflitualidade política interna. Nada mais que normal… é assim na política, nas empresas, nas instituições, nas famílias, nos grupos de amigos. A questão, no entanto, toma outras proporções quando falamos de uma coligação que se comprometeu a governar o país. Dois anos volvidos após as eleições de 2011, que colocaram a coligação pós-eleitoral PSD-CDS no Governo, não são visíveis, antes pelo contrário, sinais de estabilidade governativa, agravada desde a questão da TSU. Mas importa ressalvar que, nesta questão, a responsabilidade (não sei se a culpabilidade) cabe ao CDS e, nomeadamente, ao seu líder e ministro de Estado, Paulo Portas. Como diz o ditado não se pode “agradar a gregos ou a troianos” ou, mais na gíria popular, “ou sim ou sopas”. Sendo já por demais conhecidos e cansativos os malabarismos políticos ou os artísticos “flick-flack” à rectaguarda de Paulo Portas, a verdade é que o Governo mantém-se em funções claramente pela ânsia que o líder centrista tem pelo poder, aliada à sua capacidade de saber perceber os sinais da sociedade e apresentar-se como o verdadeiro salvador da nação: o líder que evita uma crise política ao sustentar o governo (mesmo que isso seja por óbvio narcisismo político); o líder que demonstra ter o condão e a capacidade de travar a austeridade a qualquer preço pretendida pelo trio Passos, Gaspar e Moedas; o defensor dos explorados e dos oprimidos. Mas a realidade é outra, como demonstrou a incoerência deste seu recente discurso. Não se está no governo e se assina as políticas e medidas a implementar e se vem depois, publicamente, afirmar que se é contra. Para além da falta de credibilidade e de coerência, acresce a óbvia quebra de lealdade e de compromisso. Não se participa e integra um Conselho de Ministros de 14 horas, mais um ou dois extraordinários a seguir; não se é ministro de Estado (mesmo que o terceiro na hierarquia); não se é líder do partido coligado (com responsabilidades acrescidas); para vir a público mostrar e expressar, qual virgem ofendida, a admiração, o assombro e estupefacção pelos cortes anunciados, nomeadamente os relacionados com as reformas e pensões (como se não houvesse, igualmente, crianças/netos ou filhos a passarem fome e sacrifícios), demonstrando eventual (e surreal) falta de conhecimento de algumas decisões governativas, mas ao mesmo tempo sendo evidente a capacidade discursiva para as explicar, inclusive melhor que o próprio Primeiro-ministro. É de uma preocupante e inqualificável incoerência política quando se tem um ministro da Solidariedade e Segurança Social do seu partidos que assume a tutela das reformas e se critica publicamente uma medida tomada pelo governo do qual se faz parte, no qual não se teve a capacidade política e negocial para apresentar alternativas válidas e eficazes. Algo que a UGT parece ter conseguido em cerca de uma hora de reunião. Não se pode estar no governo e ao mesmo tempo pisar terrenos da oposição (“piscando o olho” ao PS), congratulando-se pelos vários sucessos de emissão de dívida pública, dos eventuais impactos positivos da austeridade na consolidação das contas públicas e, dar a “cara” por uma luta que nunca travou, nem o fará enquanto parte do governo: mandar “lixar” a Troika e a sua equipa técnica.

Paulo Portas tem de perceber que, para não afundar o país, o partido (arrastando-o para mais uma travessia do deserto) e não enganar os portugueses, que estes últimos já não vão em demagogias, brincadeiras de circo, em pieguices políticas que não colhem qualquer fruto na sociedade, principalmente em relação àqueles a quem, como afirmou, um democrata-cristão deveria ter mais atenção e respeito.

De uma vez por todas, Paulo Portas tem de se definir: ou está dentro ou fora. E sem pieguices.

(vídeo da declaração de Paulo Portas)

publicado por mparaujo às 08:52

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