Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

12
Mai 13

Vamos esquecer as euforias e ilusões do mundo do futebol e voltar à realidade, assentando os pés no chão.

Neste dia 12 de maio, dia da Cidade de Aveiro, o país prepara-se para enfrentar mais uma semana com dois dados políticos relevantes. Tão relevantes quanto inqualificáveis.

O primeiro, apesar de expectável face ao discurso do Primeiro-ministro há pouco mais de uma semana, tem a ver com o "Conselho de Ministros ter confirmado as condições para fecho da sétima avaliação". Mesmo que isso signifique um país em confronto social entre público e privado, mesmo que isso signifique que as reformas e as pensões sofram um corte de 10% e uma taxa de 3,5% de sustentabilidade. Sustentabilidade que deveria ser da responsabilidade estrutural do próprio sistema e não à custa do esforço de uma vida de trabalho e dos descontos já efectuados para essa mesma sustentabilidade. Quanto a este fecho há, pelo menos, dois factos que importa relevar: ainda são desconhecidas de todo a concretização das medidas e metas ou os seus impactos na vida dos cidadãos, das empresas e das instituições; e, por outro lado, como começa a ser apanágio deste governo, o cumprimento do valor jurídico fundamental do estado português de direito, a sua Constituição.

Mas o mais inqualificável neste processo todo é, ou foi, a posição do CDS, mais concretamente do seu líder e ministro de Estado (e dos Negócios Estrangeiros), Paulo Portas. A máscara caiu ao líder centrista. Tal como tinha escrito em “Trinta minutos de pieguice política”, Paulo Portas está, incompreensivelmente, a perder as suas qualidades políticas e a demonstrar-se um ávido estadista, no sentido de demonstração de uma repulsiva sede de poder. Só que estes parcos anos (39/38) de liberdade e de democracia vão trazendo uma maior percepção política ao povo português, cada vez mais vai perdendo o estigma de “gente de memória curta”, e que toda esta demagogia discursiva, todo este circo político, vai ter uma factura eleitoral demasiadamente cara para o CDS, por tamanha arrogância, incoerência, desfaçatez, cinismo e mentira. Nem sequer, para o caso, coloco em causa a importância, o realismo, a justiça, ou não, da medida que implica cortes nas pensões e reformas. Embora o mais importante, não se afigura, neste momento, o mais relevante. Essa é uma discussão da esfera financeira, social, ideológica até. Mas do ponto de vista político e governamental, o resultado do Conselho de Ministros extraordinário realizado hoje com o recuo do CDS na matéria em causa, é do mais deplorável. Só significa que a política e a ética bateram no fundo, neste país.

Faz hoje precisamente uma semana que, no passado domingo, Paulo Portas discursava perante os portugueses. Já na altura, como disse, sentia-se no “ar” a pieguice e a falta de pudor. Paulo Portas afirmava, publicamente, no passado dia 5 de maio que “Num país em que grande parte da pobreza está nos mais velhos e em que há avós a ajudar os filhos e a cuidar dos netos, o primeiro-ministro sabe e creio ter compreendido que é a fronteira que não posso deixar passar”. Hoje, sem que nada ou nenhuma condição tenha alterado a realidade dos factos durante esta semana, o CDS cedeu e recuou ao fim de quatro horas de Conselho de Ministros, sem encontrar nenhuma proposta alternativa, como supostamente tanto desejou. Ou melhor, fez um claro flick flack à retaguarda (mesmo que ainda haja quem, dentro do próprio partido, não acredite).

Apesar da referência ao carácter excepcional (de excepção em excepção até à regra definitiva final), a verdade é que o recuo do CDS nada teve a ver com a estabilidade governativa (essa já se perdeu desde setembro do ano passado com a questão da TSU); nada teve a ver com a defesa dos idosos, dos mais velhos, dos sem voz; nada teve a ver com o ideal democrata-cristão (esse ensina a não mentir); e demonstrou que o CDS nem sequer tinha alternativa para tão vil condenação da medida. O recuo do CDS só teve um óbvio e claro objectivo: manter-se parasita do Poder. Criando um conflito interno, provocando a eventual queda do Governo com a sua saída da coligação, o CDS perderia a cadeira do poder que só tem conquistado como muleta do PSD ou do PS.

Se Passos Coelho, coerentemente com o que tem vindo a implementar, está a ‘lixar-se’ para as eleições (sejam as autárquicas, veja-se o ataque ao poder local, seja para as próximas legislativas, veja-se o que faz ao país e aos portugueses), a verdade é que nunca esperaremos que Paulo Portas se esteja a lixar para o Poder. Isso é pura ilusão.

publicado por mparaujo às 21:07

Com um sabor amargo, um sentimento de desilusão face ao desfecho das opções políticas tomadas pela renovada coligação face às eleições autárquicas de 2013, o ainda Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Élio Maia, ontem à noite, aproveitou a Gala do Município, que abre oficialmente as comemorações do Feriado Municipal de Aveiro, para fazer um balanço político dos dois últimos mandatos, enviar alguns recados bem directos e manter em suspense o seu futuro no que respeita às eleições autárquicas. (fonte: Notícias de Aveiro)

No discurso proferido no Teatro Aveirense, Élio Maia destacou o esforço realizado na recuperação financeira das contas do município num valor próximo dos 92 milhões de euros, sem esquecer a herança financeira herdada do anterior executivo socialista; perspectivou as dificuldades para o futuro da gestão autárquica, face à austeridade, aos cortes e à desvalorização do poder local, por parte do Governo, alertando ainda para as ilusões fáceis quanto ao futuro; criticou ainda a opção de muitos autarcas quanto à "fulanização do cargo público".

No entanto, Élio Maia não escondeu o desconforto pelos recentes acontecimentos que levaram a coligação PSD/CDS a 'forçar' (por opção política ou por opção própria) a candidatura de Ribau Esteves à presidência da autarquia. É clara a parte final do seu dircurso: "Não somos estranhos, intrusos ou estrangeiros, somos de Aveiro".

Há, no entanto, uma nota crítica de Élio Maia em relação à Comunicação Social referenciando-a como factor de "bloqueio", originando uma desinformação da opinião pública quanto ao trabalho da autarquia em áreas não "edificáveis e mediáticas" como a recuperação financeira do município. Se pode existir alguma razão de queixa por parte do presidente da Câmara Municipal, também não deixa de ser um facto que a própria autarquia tem um défice considerável na sua política comunicacional. Não é apenas o que não é edificado, o que não tem um "cortar da fita" ou o boneco fotográfico, que corre o risco de não ser notícia. Tudo o que não é divulgado, informado, não é noticiado. Não existe. E aqui, a responsabilidade não é a da comunicação social.

Interessante é o balanço que Élio Maia faz dos seus dois mandatos autárquicos e que coincidentemente surge no Dia da Cidade, após o seu discurso de ontem à noite. O presidente da autarquia aveirense não esconde qualquer resposta às perguntas que o jornalista Rui Cunha, do Diário de Aveiro, lhe colocou, num entrevista de duas páginas: o estado presente do concelho; o seu futuro; a recuperação financeira; o não recurso ao PAEL; as taxas municipais de protecção civil e od turismo; o Parque da Sustentabilidade; vários projectos; a Avenida e o polémico concurso dos parques e da concessão do estacionamento; entre outros. A ler... "Prefiro ter este concelho do que aquel que encontrei em 2005".

Nem mesmo às questões mais polémicas, Élio Maia deixou de responder: uma eventual recandidatura por um movimento independente e a escolha de Ribau Esteves para o suceder como candidato da coligação.

(créditos da foto: arquivo do Diário de Aveiro)

publicado por mparaujo às 14:51

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