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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Perder o Poder é lixado...

Vamos esquecer as euforias e ilusões do mundo do futebol e voltar à realidade, assentando os pés no chão.

Neste dia 12 de maio, dia da Cidade de Aveiro, o país prepara-se para enfrentar mais uma semana com dois dados políticos relevantes. Tão relevantes quanto inqualificáveis.

O primeiro, apesar de expectável face ao discurso do Primeiro-ministro há pouco mais de uma semana, tem a ver com o "Conselho de Ministros ter confirmado as condições para fecho da sétima avaliação". Mesmo que isso signifique um país em confronto social entre público e privado, mesmo que isso signifique que as reformas e as pensões sofram um corte de 10% e uma taxa de 3,5% de sustentabilidade. Sustentabilidade que deveria ser da responsabilidade estrutural do próprio sistema e não à custa do esforço de uma vida de trabalho e dos descontos já efectuados para essa mesma sustentabilidade. Quanto a este fecho há, pelo menos, dois factos que importa relevar: ainda são desconhecidas de todo a concretização das medidas e metas ou os seus impactos na vida dos cidadãos, das empresas e das instituições; e, por outro lado, como começa a ser apanágio deste governo, o cumprimento do valor jurídico fundamental do estado português de direito, a sua Constituição.

Mas o mais inqualificável neste processo todo é, ou foi, a posição do CDS, mais concretamente do seu líder e ministro de Estado (e dos Negócios Estrangeiros), Paulo Portas. A máscara caiu ao líder centrista. Tal como tinha escrito em “Trinta minutos de pieguice política”, Paulo Portas está, incompreensivelmente, a perder as suas qualidades políticas e a demonstrar-se um ávido estadista, no sentido de demonstração de uma repulsiva sede de poder. Só que estes parcos anos (39/38) de liberdade e de democracia vão trazendo uma maior percepção política ao povo português, cada vez mais vai perdendo o estigma de “gente de memória curta”, e que toda esta demagogia discursiva, todo este circo político, vai ter uma factura eleitoral demasiadamente cara para o CDS, por tamanha arrogância, incoerência, desfaçatez, cinismo e mentira. Nem sequer, para o caso, coloco em causa a importância, o realismo, a justiça, ou não, da medida que implica cortes nas pensões e reformas. Embora o mais importante, não se afigura, neste momento, o mais relevante. Essa é uma discussão da esfera financeira, social, ideológica até. Mas do ponto de vista político e governamental, o resultado do Conselho de Ministros extraordinário realizado hoje com o recuo do CDS na matéria em causa, é do mais deplorável. Só significa que a política e a ética bateram no fundo, neste país.

Faz hoje precisamente uma semana que, no passado domingo, Paulo Portas discursava perante os portugueses. Já na altura, como disse, sentia-se no “ar” a pieguice e a falta de pudor. Paulo Portas afirmava, publicamente, no passado dia 5 de maio que “Num país em que grande parte da pobreza está nos mais velhos e em que há avós a ajudar os filhos e a cuidar dos netos, o primeiro-ministro sabe e creio ter compreendido que é a fronteira que não posso deixar passar”. Hoje, sem que nada ou nenhuma condição tenha alterado a realidade dos factos durante esta semana, o CDS cedeu e recuou ao fim de quatro horas de Conselho de Ministros, sem encontrar nenhuma proposta alternativa, como supostamente tanto desejou. Ou melhor, fez um claro flick flack à retaguarda (mesmo que ainda haja quem, dentro do próprio partido, não acredite).

Apesar da referência ao carácter excepcional (de excepção em excepção até à regra definitiva final), a verdade é que o recuo do CDS nada teve a ver com a estabilidade governativa (essa já se perdeu desde setembro do ano passado com a questão da TSU); nada teve a ver com a defesa dos idosos, dos mais velhos, dos sem voz; nada teve a ver com o ideal democrata-cristão (esse ensina a não mentir); e demonstrou que o CDS nem sequer tinha alternativa para tão vil condenação da medida. O recuo do CDS só teve um óbvio e claro objectivo: manter-se parasita do Poder. Criando um conflito interno, provocando a eventual queda do Governo com a sua saída da coligação, o CDS perderia a cadeira do poder que só tem conquistado como muleta do PSD ou do PS.

Se Passos Coelho, coerentemente com o que tem vindo a implementar, está a ‘lixar-se’ para as eleições (sejam as autárquicas, veja-se o ataque ao poder local, seja para as próximas legislativas, veja-se o que faz ao país e aos portugueses), a verdade é que nunca esperaremos que Paulo Portas se esteja a lixar para o Poder. Isso é pura ilusão.

Feriado Municipal marca discurso de balanço

Com um sabor amargo, um sentimento de desilusão face ao desfecho das opções políticas tomadas pela renovada coligação face às eleições autárquicas de 2013, o ainda Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Élio Maia, ontem à noite, aproveitou a Gala do Município, que abre oficialmente as comemorações do Feriado Municipal de Aveiro, para fazer um balanço político dos dois últimos mandatos, enviar alguns recados bem directos e manter em suspense o seu futuro no que respeita às eleições autárquicas. (fonte: Notícias de Aveiro)

No discurso proferido no Teatro Aveirense, Élio Maia destacou o esforço realizado na recuperação financeira das contas do município num valor próximo dos 92 milhões de euros, sem esquecer a herança financeira herdada do anterior executivo socialista; perspectivou as dificuldades para o futuro da gestão autárquica, face à austeridade, aos cortes e à desvalorização do poder local, por parte do Governo, alertando ainda para as ilusões fáceis quanto ao futuro; criticou ainda a opção de muitos autarcas quanto à "fulanização do cargo público".

No entanto, Élio Maia não escondeu o desconforto pelos recentes acontecimentos que levaram a coligação PSD/CDS a 'forçar' (por opção política ou por opção própria) a candidatura de Ribau Esteves à presidência da autarquia. É clara a parte final do seu dircurso: "Não somos estranhos, intrusos ou estrangeiros, somos de Aveiro".

Há, no entanto, uma nota crítica de Élio Maia em relação à Comunicação Social referenciando-a como factor de "bloqueio", originando uma desinformação da opinião pública quanto ao trabalho da autarquia em áreas não "edificáveis e mediáticas" como a recuperação financeira do município. Se pode existir alguma razão de queixa por parte do presidente da Câmara Municipal, também não deixa de ser um facto que a própria autarquia tem um défice considerável na sua política comunicacional. Não é apenas o que não é edificado, o que não tem um "cortar da fita" ou o boneco fotográfico, que corre o risco de não ser notícia. Tudo o que não é divulgado, informado, não é noticiado. Não existe. E aqui, a responsabilidade não é a da comunicação social.

Interessante é o balanço que Élio Maia faz dos seus dois mandatos autárquicos e que coincidentemente surge no Dia da Cidade, após o seu discurso de ontem à noite. O presidente da autarquia aveirense não esconde qualquer resposta às perguntas que o jornalista Rui Cunha, do Diário de Aveiro, lhe colocou, num entrevista de duas páginas: o estado presente do concelho; o seu futuro; a recuperação financeira; o não recurso ao PAEL; as taxas municipais de protecção civil e od turismo; o Parque da Sustentabilidade; vários projectos; a Avenida e o polémico concurso dos parques e da concessão do estacionamento; entre outros. A ler... "Prefiro ter este concelho do que aquel que encontrei em 2005".

Nem mesmo às questões mais polémicas, Élio Maia deixou de responder: uma eventual recandidatura por um movimento independente e a escolha de Ribau Esteves para o suceder como candidato da coligação.

(créditos da foto: arquivo do Diário de Aveiro)