Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Há uns e há outros…

Há, obviamente, questões do foro jurídico e do direito penal implícitas nesta questão.

Não vou sequer comentar a decisão óbvia do Ministério Público, sustentada no código penal e no facto do direito considerar crime público as ofensas ao Presidente da República (e não só). Esse é um pormenor jurídico e da justiça.

No entanto, nesta vertente da justiça é que reside o busílis da questão.

Não me interessa as pessoas (nomes, questões pessoais, ...). Não me dizem, rigorosamente, nada.

Mas há algo que não bate certo e que me escapa nesta problemática.

O Diário de Notícias avança que Cavaco Silva solicitou ao Ministério Público que seja mantido o procedimento criminal contra o cidadão Carlos Costal que, nas últimas comemorações do dia de Portugal, em Elvas, terá (eventualmente) ofendido a honra do Presidente da República acusando-o de «chulo, gatuno, ladrão, malandro» e tendo, ainda, sugerido que Cavaco Silva fosse «trabalhar». Não é sobre isto que me apraz comentar.

É que, em Maio do ano passado, Miguel Sousa Tavares, em entrevista a um órgão de Comunicação Social (que tem agravante penal), ao Jornal de Negócios, apelidou Cavaco Silva de “palhaço”. E sobre este assunto, tudo ficou em “águas de bacalhau”, aliás com teses sustentadas na liberdade de expressão.

O que me faz alguma espécie e me intriga, é: se Carlos Costal tivesse chamado “palhaço” a Cavaco Silva, nada lhe teria acontecido? Ou assistimos, em pleno século XXI, a uma justiça que promove a “luta de classes” entre o comum dos mortais e figuras mediáticas?

Enfim… palhaçadas (digo eu, claro).

Na política o que parece, é.

publicado na edição de hoje, 22 de janeiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Na política o que parece, é.

Ao contrário do que diz a voz popular do “nem tudo o que parece, é”, na política, no momento e no mediático, “tudo o que parece, é”. Mesmo que, no dia seguinte, a verdade e os factos tenham leituras distintas. Nos últimos dias, a política tem sido (é) um factor claro de divertimento e de distracção. Divertimento para os seus actores directos (partidos e políticos) e para a comunicação social, e distracção para os portugueses.

Como já o referi na edição do passado domingo, têm sido várias as “produções” informativas (excesso de trabalho dos “spin doctors” oficiais) ou as manobras políticas que o PSD e o Governo têm desenvolvido para desviar a atenção dos portugueses do essencial e da realidade. Recordando: a transladação de Eusébio para o Panteão Nacional; um congresso do CDS-PP que teve como pontos altos a proposta da Juventude Popular para a redução da escolaridade obrigatória (do 12º ano para o 9º ano) ou o caso da factura dos leitões protagonizada por congressistas do Algarve; o anúncio da recandidatura (única candidatura) de Pedro Passos Coelho à liderança do “actual” PSD e a um eventual segundo mandato legislativo; e, por último, à vergonhosa imagem deixada pelos deputados parlamentares com a decisão sobre o referendo à proposta de lei (já aprovada na generalidade) sobre a co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Mas, apesar da lista ser longa para um período de tempo tão escasso, como uma semana, o poder político não se sentiu satisfeito, nem saciado.

Assim, havia a necessidade de se encontrar um novo “fait divers” político. E nada melhor que a relação entre Governo, PSD, eleições e o mais mediático dos comentadores políticos televisivos e eterno candidato presidencial: Marcelo Rebelo de Sousa. Tudo com um objectivo óbvio e imediato: desviar as atenções dos portugueses e da comunicação social (sempre ávida por boas historiestas e quezílias políticas) do essencial: os cortes na função pública, já sentidos com os vencimentos deste mês de janeiro; os cortes nas pensões e a sobrecarga da Contribuição Especial de Solidariedade nas reformas; os aumentos generalizados dos bens de consumo e serviços; os problemas nos serviços de saúde. E, principalmente, com o aproximar das eleições europeias e com o futuro do país no pós-troika (com ou sem resgate, com ou sem novo programa cautelar). Entretanto, o país passou a falar das terceiras eleições do próximo ciclo eleitoral: as eleições presidenciais (em 2014 as eleições europeias, em 2105, primeiro, as legislativas e só depois as presidenciais). Uma preocupação demasiado “à la longue”, demasiadamente projectada num longo prazo político. Com a definição da estratégia eleitoral para Belém, descrita na moção que será apresentada, em congresso nacional, Passos Coelho (um candidato que não seja um "cata-vento de opiniões erráticas" ou alguém de popularidade fácil e mediático) acabou por conseguir o seu objectivo de criar, na opinião pública, mais um divertimento político, mas, ao mesmo tempo, deu um verdadeiro tiro no pé. Mesmo que ainda falta demasiado tempo e a verdade dos factos políticos hoje pode não ser igual à de amanhã. Mas a verdade é que, com a descrição do “não” candidato (mais do que com as características do candidato), Marcelo Rebelo de Sousa viu projectada a sua imagem e saltou para o palco político, assumindo-se como o centro das atenções (algo que, pela lógica, até podia identificar outros nomes como Marques Mendes, por exemplo). Se para Passos Coelho o objectivo estava cumprido (distrair os portugueses e alimentar a comunicação social), a verdade é que, pela posição assumida por Marcelo Rebelo de Sousa, o líder social-democrata terá, a partir de hoje, um grave problema interno para resolver. Marcelo acaba por se tornar, claramente, como o candidato natural, deixando para segundas escolhas nomes como o de Durão Barroso ou Santana Lopes. É óbvio que ainda falta percorrer muito caminho e quer Passos Coelho, quer Marcelo, saberão isso perfeitamente. Mas para os portugueses, nomeadamente para o eleitorado do CDS e do PSD (este último, principalmente, os muitos que não se revêem em Passos Coelho) Marcelo Rebelo de Sousa afigura-se como o principal candidato da direita a Belém, em 2015, relegando outros eventuais nomes para segunda escolhas, e escolhas vistas como perdedoras. Pela imagem de Marcelo na opinião pública, pela figura e carisma (concorde-se ou não com as suas posições), pelo mediatismo que possui (contrariando a definição de candidato de Passos Coelho), pela projecção na oposição interna no PSD ao actual Primeiro-ministro, por poder ser visto como um factor de “vingança” numa anunciada derrota eleitoral legislativa do PSD, Passos Coelho terá, lá mais para a frente, de rever a sua moção, a sua estratégia eleitoral para as presidenciais, terá (até porque deverá estar, na altura, numa posição de liderança fragilizada) que ceder às fortes pressões internas, das bases do partido e do próprio CDS.

da imbecilidade...

a imbecilidade do machismo e da cultura nacionais.
e o mais grave é a preocupação da comunicação social (não foi apenas o JN) em dar eco e cobertura a essa imbecilidade.

não se trata do "protocolo" ou da quebra do mesmo. isso é preocupação para a Casa Civil da Presidência da República.
trata-se do "fait divers", da "cusquice", da mentalidade cultura e social, da "inveja" e de isto ser notícia.

"Saia de assessora de Cavaco "ofusca" Ronaldo"

 

Saia de assessora de Cavaco
(créditos da foto: Gustavo Bom - Global Imagens, in JN)