Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

27
Ago 18

é bem pior.... é Populismo.

O primeiro-ministro, na rentrée política do PS, em Caminha, afirmou que não "assinará" um Orçamento do Estado para 2019 eleitoralista, a bem da sustentabilidade financeira do país.

Era, apesar dos riscos, bem melhor que assim fosse, porque, no mesmo discurso, António Costa deixou antever um OE2019 significativamente populista para o Governo se afastar da pressão do PCP e BE e conquistar uma maioria tão desejada e sonhada pelos socialistas (mesmo que em "surdina").

Uma das afirmações mais expressivas desse populismo foi a que António Costa projectou como medida para a promoção do regresso dos muitos e muitos emigrantes que nos últimos anos abandonaram (uns forçados, outros por opção própria) o país: "50% de desconto de IRS e deduções em deslocação e habitação" aos emigrantes (nomeadamente os muitos jovens qualificados que saíram de Portugal) que emigraram entre 2011 e 2015 (curioso o período da Troika - nada acontece por acaso - como se não houvesse emigração em 2016) e que regressem nos anos de 2019 e 2020.

O que o populismo tem de mais perverso, mais que qualquer eleitoralismo, é desvirtuar a realidade e potenciar a demagogia e o engano.

Não foi, obviamente, a carga fiscal que fez com que milhares de portugueses abandonassem o país. E não será, claramente, a mesma carga fiscal (ou o seu alívio) que fará com que os mesmos, ou muitos deles, regressem.

Em 2017 a Fundação AEP (Associação Empresarial de Portugal) publicava o resultado de um inquérito aos jovens portugueses que optaram por emigrar. Destes, pouco mais de 40% afirmou que pensariam, um dia, regressar a Portugal e apenas cerca de 9% tinha mesmo planos para o fazer a curto prazo.

Oportunidades profissionais (emprego), atractivos científicos e culturais, valorização profissional e salarial, bem como a atractividade de uma Europa sem fronteiras e de um mundo globalizado, são razões muito mais válidas que o incentivo fiscal e que faz com que os emigrantes, nomeadamente os mais jovens, se fixem noutras paragens e se deixem seduzir por realidades sociais, económicas e culturais mais atractivas e promissoras.

O ministro Mário Centeno pode ficar descansado que não será por este anunciado populismo de António Costa que as contas públicas sofrerão qualquer abalo... nem mesmo um arranhãozito.

E não será por aqui que Portugal assistirá ao regresso de alguns dos "seus".

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 (créditos da foto: Pixabay/StelaDi - fonte: site jpn da Universidade do Porto)

publicado por mparaujo às 21:10

26
Ago 18

O PSD já teve a sua "silly season" tradicional da época do veraneio político: a saída de Pedro Santana Lopes do partido e a anunciada vontade de "atacar" a cadeira do poder partidário por parte de Pedro Duarte.

Mas pelos vistos tamanhos surrealismos político-partidários não foram suficientes para alimentar determinados egos, nomeadamente daqueles que se perfilam como críticos de Rui Rio.

Há agora quem também critique a ausência, neste mês de agosto, do líder do partido do palco público mediático. Mas para quê? Agosto é, por natura, um período de ausência da maioria dos portugueses do "mundo" por força do merecido (para a maioria) descanso das férias. É um mês onde as realidades políticas dão lugar às merecidas "fantasias das férias" e retempero de energias para um novo ciclo laboral/profissional ou escolar.

Falar de quê? De um orçamento que ainda é ficção e que nem no seio da Geringonça está perto de qualquer definição?
Falar dos incêndios? Quando o PSD sempre defendeu "não fazer política" à custa da tragédia ou quando ainda falta muita coisa (responsabilidades) por apurar?
Poderão alguns questionar a ausência, nesta data, de um posicionamento sobre os transportes/CP ou sobre o estado caótico da saúde e do SNS.

Mas porquê tanta pressa? Há timings que se revelam importantes para o confronto político. Neste caso concreto, num período que é, por tradição, adverso à política, fez bem Rui Rio guardar e resguardar o PSD para a rentrée política que terá lugar na Festa do Pontal, este ano agendada para 1 de setembro.
E fez bem porquê?

Primeiro, porque desvendará aí, não correndo o risco de repetição de conceitos, o posicionamento do PSD sobre o estado da nação, abrindo o regresso de novo ciclo político.
Segundo, porque parte com a vantagem de saber e poder responder às críticas e acusações que foram feitas pelo PS no seu regresso a novo ano político.

Nem sempre o falar muito, de tudo e sobre nada, apenas ao sabor de uma agenda mediática, é sinal de vitalidade política.

Descansem os agora "traídos e enganados" pela nova "Aliança" que Rui Rio está para ficar e durar e o PSD só terá a ganhar com este reencontro da sua matriz social-democrata.

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publicado por mparaujo às 17:08

23
Ago 18

Pedro Santana Lopes formalizou, no início do mês, a sua saída do PSD e a criação de um novo partido "Aliança".

Pessoalmente, não me aquece, nem me arrefece, e não acredito que seja motivo para tanta apreensão no PSD e para um desmedido receio de concorrência eleitoral. O vazio ideológico e a mera visão personificada do poder político, a par com o populismo programático (personismo - esse novo conceito político santanista - liberalismo e solidariedade... que na ordem devida soaria melhor se fosse "P"ersonismo, "S"olidariedade e "L"iberalismo - PSL), para além da ausência de dimensão nacional e autárquica, transformará rapidamente a "Aliança" em mais uma linha nos boletins de voto.

Por outro lado, para muitos terá sido uma surpresa (para não referir uma traição aos que o apoiaram recentemente nas eleições internas do PSD) Pedro Santana Lopes ter colocado um ponto final numa militância de cerca de 42 anos.

Mas a verdade é que a história desmistifica e desvenda, pelo menos, 22 anos (mais de metade) dessa militância. Pelo menos o "sonho" faz-nos regressar (ou recordar) a 1996...

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De "Alianças", para além da relevância político-partidária que teve a AD (1979-1983), gosto muito destas... e para mim valem muito mais e bem regionais.

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publicado por mparaujo às 22:49

11
Ago 18

Primeira nota.
Não há nada, nem coisa alguma, que tenha igual ou mais valor que a vida. É o direito mais supremo, inalienável, sem qualquer preço.
Daí que seja perfeitamente admissível e normal que em qualquer situação e, nomeadamente, em circunstâncias extremas, a prioridade seja o valor da vida e a sua defesa/preservação.
Que mais não fosse pelos exemplos de Pedrógão Grande, Pampilhosa, Góis, em 2017.

Mas daí a vermos o ministro da Administração Interna a agitar a bandeira de "zero mortos", no incêncio de Monchique e Silves, com uma enorme vitória mete pena, revolta. É que o povo (já) não é estúpido. A repetição da tragédia de 2017, ainda bem presente na memória dos portugueses, da maioria e não apenas daqueles que sentiram (e sentem) bem perto o flagelo vivido, seria a maior machadada na imagem política que algum Governo alguma vez pudesse corrigir. Ainda por cima, a menos de um ano das eleições.
Por isso, resta apenas a vitória moral presente na óbvia "ordem" que as forças de segurança tiveram neste incêndio algarvio.

Porque tudo (o resto) correu mal, bem mal, igualzinho a 2017 (e a tantos e tantos anos que ciclicamente registam esta triste e deplorável realidade) e é a maior demagogia e falácia política vir um ministro, como Eduardo Cabrita, afirmar, mesmo que perante factos e criticas insuspeitas das diversas entidades intervenientes, que foi um sucesso: o combate foi mal feito e mal coordenado; a ANPC rasgou as "normas", os relatórios, as decisões e as regras tomadas com o exemplo de 2017 e atrasou a sua entrada em cena para a coordenação dos trabalhos; os papéis da ANPC, dos CDOS, das corporações de Bombeiros, e as suas ligações/relações, são a maior confusão que se possa imaginar; os investimentos anunciados pelo governo para as melhorias do combate não existem; as comunicações voltaram a falhar; o incêndio demorou demasiado tempo a ser controlado e extinto; muitas pessoas perderam bens e subsistência; há o resultado de impactos ambientais, económicos (sivilcutura, turismo, apicultura, ...) muito significativos e ainda por apurar verdadeiramente; a prevenção tão desejada não funcionou, mesmo perante o que era um cenário mais que provável e expectável (repetindo-se, no mesmo espaço e da mesma forma, os acontecimentos de 2003); o país continua sem uma política florestal eficaz, restando a inconsequente e ineficaz limpeza das matas ou as ridículas faixas de proteção e combustão. Acresce ainda, extra Monchique-Silves, a continuidade da ausência de medidas políticas para o combate à desertificação, ao envelhecimento do meio rural, e ao abandono das terras.

Em tudo, excepto (felizmente) o registo de zero mortes (uma que fosse já era muito)... mas em TUDO o resto Monchique-Silves repetiu o "filme trágico" de Pedrógão Grande. E bem podemos agradecer (seja lá em quem cada de nós acredite) por termos tido um arranque de verão extremamente chuvoso e o calor ter surgido apenas há meia dúzia de dias.

Não se pode, por isso, ficar alheio à afirmação do Presidente da República ao recusar «triunfalismo» demagogos e falácios em relação ao incêndio de Monchique e Silves: «não é o facto de não ter havido mortos que traz consolo à população». (fonte: TSF)

dados relevantes:
39 feridos
230 pessoas desalojadas
cerca de 27 mil hectares de área ardida
perto de 2000 operacionais, 447 viaturas e 9 meios aéreos combateram as chamas durante 7 dias.

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(fonte da foto: dnoticias.pt)

publicado por mparaujo às 17:56

Os factos:
1. Pedro Santana Lopes (PSL) abandonou o PSD e pode vir a formar um novo partido ou a aproveitar alguns dos movimentos "emergentes" (por exemplo, o Democracia 21)
2. Pedro Duarte (PD) que provocar eleições internas e derrotar Rui Rio.

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Há três factores que ligam os dois propósitos e que os (con)fundem.

Primeiro, o crescimento do populismo tem servido de arma e estratégia políticas para o conforto demagógico dos (politicamente) derrotados, enfraquecendo a ética, a ideologia e os valores programáticos que sempre sustentaram a democracia, a política e os partidos.

Segundo, ao fim de cerca de 40 anos como militante do PSD, que sempre disse defender e a quem o partido deu, demasiadas vezes e de forma sobrevalorizada, excessivo palco mediático e político, Santana Lopes anunciou a sua desvinculação como militante e a eventual formação de um novo partido (estruturalmente liberal, mesmo que PSL defenda uma crescente e forte intervenção do Estado, por exemplo, na saúde, ou se tenha tornado mais eurocéptico).
Para os cerca de 19 mil social-democratas a quem PSL acusa agora de não o terem sabido escutar, este é um verdadeiro apunhalar pelas costas, uma sensação de terem sido usados e traídos, sentindo-se (legitimamente) envergonhados e a "face perdida". Mas é também algo que não surpreende (vindo de quem vem) e algo que seria perfeitamente esperado. Só se deixou enganar e iludir por Santana Lopes quem quis... a história sempre falou por si mesma. Três tentativas de presidência do Partido redundaram em três expressivas derrotas (em 1996 contra Marcelo Rebelo de Sousa, em 2008 contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho e em 2018 contra Rui Rio), para além de muitos avanços e recuos e de muitos outros tantos anúncios.
Finalmente, parece que PSL vai poder ser Presidente (não importa porquê, nem a quê, nem com que "bandeira partidária").
Santana Lopes não faz falta à política e, muito menos, ao PSD. Não deixará saudades... como já poucas (ou nenhumas) saudades restam da sua curta chefia do Governo (que abriu as portas à chegada triunfal de José Sócrates) ou das suas passagens pelas Autarquias da Figueira da Foz ou de Lisboa.
Numa coisa, tendo em conta a afirmação produzida na carta de despedida, Santana Lopes tem razão e com a qual estou inteiramente de acordo: «o PSD nunca quis saber». Não quis saber dele e haverá muitos poucos que, neste momento, queiram saber se continua por aí, por ali ou por acolá na política portuguesa.

Por último, Pedro Duarte é o eterno esquecido (ressuscitado durante a campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa), permanentemente desvalorizado e incompreendido pelos pares (militantes e pelo partido). É aquele repetido congressista orador (quando vai) que na hora do seu discurso 99,9% dos presentes aproveita para ir fumar, tomar café ou, simplesmente, esticar as pernas e apanhar ar.
Afirma PD que «o PSD tem sido um aliado do Governo socialista porque a estratégia tem sido quebrar a actual forma governativa, retirando o BE e o PCP da solução».
Duas notas a uma afirmação que comporta, por um lado, uma errada avaliação política e, por outro, uma óbvia estratégia há muito desejada no PSD.
Comecemos pelo fim... foi a actual forma governativa (a Geringonça) que retirou ao PSD a legitimidade governativa em 2015. É o actual acordo político-parlamentar que tem esvaziado o papel social do Estado, a sua relevante referência e intervenção na sociedade e tem diminuído a importância económica das empresas e dos portugueses para o desenvolvimento do país, nomeadamente no esforço que foi feito por TODOS durante os quatro anos da Troika e a saída, em tão pouco tempo, do Programa de Ajustamento Externo. Ter como objectivo a desvalorização da actual Geringonça nada tem de questionável para o PSD, é uma estratégia tão legítima e democrática como a que ainda hoje (e apenas) sustenta os actuais acordos à esquerda:manter a direita fora da governação custe o que custar, mesmo que isso represente, nomeadamente para o Bloco de Esquerda, a fragilidade das convicções e princípios programáticos até sempre defendidos.
E é neste âmbito que reside a errada avaliação política de Pedro Duarte sobre a actual conjuntura do partido. Nunca Rui Rio escondeu ao que vinha e o que propôs aos militantes do PSD nas eleições interna: renovar o partido, recolocá-lo no seu espectro político-ideológico, ser uma alternativa e referência à actual governação e, se caso fosse, colocar os interesses nacionais em primeiro plano. E esta é que é a confusão de Pedro Duarte. O PSD querer reconquistar e ganhar o seu espaço no Centro Político da democracia portuguesa não é a mesma coisa, nem tem que ser, retomar o "fantasma" do Bloco Central (mesmo que não veja nada de errado nisso, antes pelo contrário).
A realidade é que erradamente sempre se catalogou o PSD de partido de direita, algo que nunca, e muito menos para Sá Carneiro, esteve sequer na génese da fundação do Partido. A Social-democracia, principalmente a particularidade com que a mesma alicerçou o PPD-PSD, não se define, nem se situa, dogmaticamente à direita, mas sim ao centro (se quisermos ao centro-direita).
Mas obviamente tudo vale, até a demagogia e o populismo, para Pedro Duarte vir dizer, tal como dizia Santana Lopes, «ando por aqui». Aliás, Pedro Duarte afigura-se, no PSD, como o novo e futuro Pedro Santana Lopes: o sonho pessoal (diga-se, legítimo) de querer ser Presidente e o facto de, tal como a Santana Lopes, ninguém lhe ligar nenhuma. Bastava, pelo menos, ter vindo a votos nas últimas eleições do PSD.

E isto tudo nem para silly season serve.

 

publicado por mparaujo às 13:22

03
Ago 18

cadeira salazar.jpeg

Da expressão "A cadeira do Poder"... ou como ela se transforma na queda do mesmo.

Durante cerca de 35 anos foram muitos os que, por razões de "sobrevivência" ou de apatia/indiferença, se calaram...
Durante cerca de 35 anos foram muitos os que, por força do regime, foram calados...
Durante cerca de 35 anos foram ainda mais os que tentaram, por todos os meios e formas, derrubar e mudar o sistema.

A história regista esse momento de 24 para 25 de abril de 1974.

Mas a história também não é "cega"...

A 3 de agosto de 1968 (há 50 anos) UMA Cadeira, tantas vezes associada ao poder, abria caminho para a sua queda... UMA Cadeira e o abandonado Forte S. António (Estoril).

Abençoada "lona"...

publicado por mparaujo às 15:43

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