Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

30
Out 19

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Em Portugal, por mais sucessos que atletas como Nélson Évora, Patrícia Mamona, Telma Monteiro, Nuno Delgado, João Vieira, Carla Rocha, Ana Félix, entre tantos outros, alcancem importantes feitos competitivos, ou por mais que a memória nos faça recordar nomes como Jéssica Araújo, Fernanda Ribeiro, Manuela Machado ou Fernando Mamede, a verdade é que só há dois nomes incontornáveis no atletismo português e que souberam elevar o nome de Portugal bem alto, como o fizeram (no futebol) Eusébio ou Cristiano Ronaldo: Carlos Lopes e Rosa Mota. São símbolos do desporto português, referências máximas no atletismo nacional. E no caso da Rosa Mota há, de norte a sul, do litoral ao interior, um especial carinho pela pequenina portuense, carregada de títulos, medalhas e distinções: vencedora da 1.ª maratona feminina oficial (Atenas, Campeonato Europeu de Atletismo - 1982); depois do bronze de 1984, conquistou, de forma irrepreensível, a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988; tri-campeão Europeia (Atenas 1982, Estugarda 1986 e Split 1990); campeão do Mundo em Roma (1987); vencedora de inúmeras maratonas, nomeadamente titularíssima (seis vezes consecutivas) na famosa prova brasileira S. Silvestre, em S. Paulo. Consagrada e reconhecida internacionalmente, em 2004 Rosa Mota transportou a chama olímpica pelas ruas de Atenas por ocasião dos Jogos Olímpicos.
Um palmarés, uma carreira, um 'estrelato' invejáveis, em qualquer modalidade, em qualquer profissão. Facto.

Mas nem tudo são "rosas". Às vezes, mesmo que raramente, no melhor pano cai a nódoa.

Ontem foi inaugurado o renovado 'Rosa Mota', na cidade do Porto. Projecto concretizado pela actual governação autárquica de Rui Moreira, foram investidos mais de 8 milhões de euros para que o renovado espaço multidisciplinar (cultura, desporto, empresas/negócios) passasse a albergar 5.500 lugares sentados ou até 8.000 em espaço livre.
E quando seria expectável que pelo menos a região do Porto e do Norte estivessem a discutir o valor do investimento, a dimensão (ou a falta dela) do resultado final (recorde-se que o Altice Arena suporta entre 20 a 25 mil pessoas, ou a existência de espaços semelhantes no Porto, como, por exemplo, o Coliseu que comporta cerca de 4.000 pessoas), o projecto programático que se avizinha para aquele mítico espaço portuense, etc., eis que a inauguração da requalificação fica envolta numa estéril e inconsequente polémica toponímica. Diga-se, em abono da verdade, com manifesta vantagem para a Câmara Municipal de Porto (e Rui Moreira), em detrimento da posição questionável ou criticável de Rosa Mota, neste processo.

Segundo a Atleta, a mesma sentiu-se enganada com o naming final atribuído ao espaço - SuperBock Arena / Pavilhão Rosa Mota - quando, aparentemente, o compromisso com Rui Moreira seria algo como "Pavilhão Rosa Mota - Superbok Arena".
Não estou muito interessado em perceber quem alterou o quê, como ou porquê, e se alterou ou não o acordado. Infelizmente, na política e na gestão da coisa pública há demasiados casos e exemplos do "o que hoje é verdade, amanhã.... logo se vê".
O que me surpreende são os argumentos usados por Rosa Mota, quando lhe bastava o pressuposto do engano, da falta de assunção do compromisso, o direito à defesa do seu bom nome. Mas não...

Importa, por isso, desmistificar a pseudo polémica e os argumentos categorizada Atleta de não querer associar o seu nome a uma bebida alcoólica ou de ver invertida a hierarquia de identidades.

Primeiro, para muitas gerações, nomeadamente aquelas que ficaram suspensas, noite dentro e madrugada fora, para ver Rosa Mota cortar a meta em Seul, conquistando a medalha de ouro, para muitos cidadãos do Norte e do Porto, o (ex) Pavilhão Rosa Mota ainda hoje é (e será) o eterno Palácio de Cristal. Portanto, falar de apropriação de titularidade não será muito coerente.
Segundo, muitos portugueses sempre admiraram a Rosa Mota não só pelas suas qualidades desportivas mas, igualmente, pela sua personalidade, pela simplicidade e (sem falsa modéstia) humildade. Entrar, hoje, num escusado jogo ou confronto de egos não abona, de todo, a favor de Rosa Mota. Ser "Superbock Arena - Pavilhão Rosa Mota" ou "Pavilhão Rosa Mota - Superbock Arena" é, na prática, irrisório, absurdo, indiferente, já que a discussão se deveria centrar se a "alma" do Palácio de Cristal, ícone da cidade do Porto, deveria estar, ou não, à 'venda'.
Terceiro, tendo sido mantida a referência ao seu nome (com mais ou menos destaque, é secundário) importa principalmente o resultado final da requalificação porque fica sempre a questão: é preferível ser "secundarizado", mantendo a indicação 'Pavilhão Rosa Mota', mas ter sido feito um trabalho importante de requalificação, reabilitação e recuperação de um imóvel e espaço referência na cidade do Porto e na região... ou, pelo contrário, continuar a ser, orgulhosamente, a única "titular" mas de um espaço e edifício degradado, inútil, abandonado e desprezado?
Por último, é ridículo ou demasiado redutor, para não dizer surreal, o argumento que condena a associação do seu nome (Rosa Mota) a uma bebida alcoólica. O Porto (e a região) sempre tiveram como referência identitária o Vinho do Porto e nem por isso faz dos portuenses alcoólicos ou desconsidera, desonra ou deprecia a cidade do Porto. Além disso, a marca Superbock (nacional, diga-se) é uma das referências de marketing nacional (vende e faz vender).
Por outro lado, Rosa Mota deu um enorme tiro no pé, neste processo. A atleta esqueceu-se que é confrade honorária da Confraria da Cerveja desde novembro de 2008, cujo objectivo é divulgar, prestigiar e dignificar a cerveja em Portugal. Ora bolas... "Azarito"!

Pessoalmente, podem fazer o branding que quiserem ao espaço... sou apreciador de cerveja, gosto da Superbock. Mas, acima de tudo e apesar de tudo, vou continuar a admirar e a vergar-me perante a Rosa Mota, da mesma forma que vou sempre olhar para o tal de "Superbock Arena" como o Palácio de Cristal.

publicado por mparaujo às 22:01

26
Out 19

Há dois dias, a Amnistia Internacional Portugal apelava à assinatura da Petição (dever já cumprido) na área dos direitos económicos, sociais e culturais: "Milhares de pessoas em risco de vida no sul de Angola".

Entretanto, o Pedro Neto (director-executivo da AI Portugal) está (já a meio), até 31 de outubro, numa missão em Angola, dando voz à causa e aos milhares de pessoas que, longe do mediatismo e brilho de Luanda, morrem à fome no sul do país.

Por coincidência na mesma altura, há cerca de 3 dias, no final de um encontro promovido pela ONU, em Luanda, no âmbito das celebrações do dia das Nações Unidas, a ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher angolana, Faustina Alves, afirmava que o país registou uma redução no nível de pobreza, passando dos 36,6% em 2017, para os actuais 29%, com uma meta de 25% até 2022.
Não colocando em causa os números e muito menos o mérito do objectivo traçado pela actual governação de João Lourenço (que tem traçado uma mudança do paradigma político do poder em Angola), a verdade é que Angola padece de um grave problema cosmopolita, centrando praticamente todo o seu existencialismo na metrópole Luanda.

Porque há uma outra realidade bem distinta e afastada dos holofotes internacionais.

Nos últimos 4 anos, contra todos os negacionismos e negacionistas, as três províncias mais a sul de Angola (Cunene, Huíla e Namibe) têm estado a sentir, de forma muito violenta, os efeitos das alterações climáticas, com secas cíclicas severas.
Apesar do contexto, as comunidades rurais têm demonstrado uma capacidade de sobrevivência inimaginável, nomeadamente através do recurso a pastagens comunitárias, uma prática de subsistência que lhes tem permitido (para além de sobreviverem) alimento e capacidade financeira para poderem garantir educação às crianças e os cuidados médicos 
mínimos e adequados. Mas a fazer lembrar os recentes crimes ambientais na Amazónia, tudo mudou e depressa. A sobrevivência destas comunidades está agora verdadeiramente em risco.
As investigações feitas pela Amnistia Internacional, nos dois últimos anos, identificaram que milhares de pequenos criadores de gado no município dos Gambos (também conhecido por Chiange), da província de Huíla, têm sido afastados das terras que ocupavam para dar lugar a grandes explorações pecuárias.
Essas expropriações são feitas de forma ilegal, desrespeitando as leis nacionais e os padrões internacionais de direitos humanos. Por exemplo, as comunidades rurais não são consultadas e não receberam qualquer contrapartida ou indemnização.
O resultado é o surgimento de uma crise alimentar e social sem precedentes, vazia de qualquer tipo de assistência ou compensação do governo.

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(créditos da foto: amnistia internacional)

publicado por mparaujo às 20:47

21
Out 19

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(fonte da foto: RTP online)

Porque é que Rui Rio é importante para o PSD?
Questão mais que pertinente em fevereiro de 2018 e que se volta a colocar hoje, após o anúncio da sua recandidatura à liderança do PSD (directas previstas para janeiro de 2020).

Embora possa influenciar a resposta, não é, de todo, apenas pela personalidade de Rui Rio. Será sempre um factor discutível, como será na avaliação da personalidade de qualquer líder e a sua liderança.
Essencialmente, o grande valor de Rui Rio está na capacidade de trazer de volta a génese política e dogmática do partido (reposicionar programaticamente), afirmando e confirmando, claramente, o seu princípio social-democrata.

Foi, por isso, com especial agrado que o anúncio público da sua recandidatura à liderança do PSD confirmou esta realidade: a defesa e afirmação da social-democracia e o posicionamento do partido no centro político português (de onde não devia, nunca, ter saído há uns anos), ganhando aí o seu lugar ideológico e programático, o seu eleitorado e consolidando-se como (a única) alternativa governativa.

Do discurso de Rui Rio, hoje, no Porto, há duas afirmações que merecem nota de destaque, pelo valor político que enraízam, externa e internamente (muito mais importante, face ao "oposicionismo" egocêntrico que vai latejando):  "o PSD não pode ser uma força partidária ideologicamente vazia e liberal” e (refutando as críticas de Teresa Morais - enfim... - que afirmou que "Rui Rio não gosta do PSD") "de facto não gosto... não gosto do que vejo nos partidos, incluindo o meu" (recordando os que tanto criticaram e acusaram o PS, em 2014, de "atentado político" a António José Seguro, para em janeiro deste ano tentarem o mesmo ou ainda pior).

É esta a importância que o actual líder do PSD tem para o futuro do partido: o 'regresso' à social-democracia e ao centro e uma forma de fazer e estar na política de maneira séria, ética, contra o politicamente correto e sem cinismos. Infelizmente e lamentavelmente há quem confunda isto com uma (suposta) subalternização ao PS... puro engano. O que há, e o país e muito sociais-democratas agradecem, é uma subalternização do PSD a Portugal... porque Primeiro está Portugal (37.º congresso nacional - 2018).

Todo esta conjuntura política interna faz-me sempre recordar Sá Carneiro, principalmente pela "desonestidade política" com que tantos críticos de Rui Rio e supostos "salvadores da pátria e do reino" invocam o seu nome (em vão).
É nesta alturas que a hipocrisia política não pode ser tolerada e recordar, sem qualquer constrangimento político ou ideológico, sem medo das palavras e dos conceitos, algumas das (fortes) afirmações políticas e parlamentares de Francisco Sá Carneiro:
"Nós, Partido Social Democrata, não somos nem seremos nunca uma força de direita".
"A social-democracia é desejável para Portugal pois é, até hoje, a única via experimentada na Europa que tem conseguido caminhar para a igualdade sem violação da liberdade".
E ao contrário da demagogia e populismo de Catarina Martins (BE)...
"O socialismo democrático [social-democracia], na Europa, enraíza na ética cristã, no humanismo e na filosofia clássica". E sem "medos"... "Somos socialistas porque somos sociais-democratas, mas somos socialistas sem subordinação a dogmas marxistas, muito menos leninistas, sem subordinação a dogmas de apropriação colectiva dos meios de produção".

Com Rui Rio o PSD pode voltar a ser um partido social-democrata, na sua raiz, e ao centro... sem precisar de "liberalismo de iniciativa questionável" ou de "alianças afundadas". Para isso e esses... CHEGA!

publicado por mparaujo às 23:16

20
Out 19

Do ponto de vista métrico, o óbvio: Barcelona fica a cerca de 1150 kms e Londres a 2030.
Mas há outra distância que importa considerar e medir: a política e social.

O Brexit espelha muito mais que um simples abandono do projecto europeu por parte do Reino Unido. Reflecte a necessidade urgente de se repensar a União Europeia, coincidente com o adiamento do alargamento à Macedónia do Norte e à Albânia, seja pela reavaliação do projecto europeu em si mesmo, seja no posicionamento geoestratégico e geopolítico da Europa num mundo em clara convulsão (Afeganistão, Síria, África, América do Sul, ...), seja do ponto de vista da construção social de uma Europa verdadeiramente comunitária ou da sua importância económica. Além disso, ainda estão por avaliar definitivamente os impactos que o Brexit poderá ter na economia europeia ou nos cidadãos europeus que vivem na ilha britânica, para além das consequências políticas no futuro do próprio Reino Unido com o eventual surgimento do crescente sentimento de independência (por exemplo, a partir da Escócia).

Mas se estes contextos são, de facto, preocupantes para a Europa, porque é que a Catalunha parece estar mais próxima?

Apesar de defender e perceber, como princípio, o regionalismo e o direito à preservação da identidade de cada comunidade, não tive, no caso da Catalunha, uma posição muito definida em relação ao processo que aquela região autónoma iniciou em outubro de 2017 (já lá vão dois anos). Nem na altura e, muito menos, agora.
Mas há duas realidades que importa ponderar.
A primeira resulta na condenação de qualquer acto de violência como meio legítimo para atingir um determinado fim, nomeadamente com os objectivos que se prendem com os direitos, liberdades e garantias. Muito menos quando existe uma instrumentalização óbvia desse actos. E já lá vão 7 dias...
A segunda, centra-se na dificuldade, para não dizer vergonha e condenação, em perceber como é que, em pleno século XXI, numa Europa que se afirma desenvolvida e guardiã da democracia e do conceito do Estado de Direito, uma conflitualidade política e social culmina no maior atentado à liberdade: a existência de presos políticos.

É um atentado demasiado grave para um dos principais pilares da democracia - a liberdade - quando a única solução encontrada pelo governo de Madrid para blindar a vontade da autodeterminação catalã se centra na condenação judicial e na prisão daqueles que, politicamente, apenas defenderam a sua comunidade e os seus cidadãos. É demasiado grave que um Estado de Direito não tenhas mecanismos legais e políticos suficientes como alternativa à condenação judicial.

Por isso, para mim, a Catalunha é já aqui ao lado... bem ao lado.

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(créditos da foto: Agência EFE)

publicado por mparaujo às 21:17

13
Out 19

Dois anos após os trágicos incêndios de outubro de 2017 (quatro meses depois de Pedrógrão Grande) fica a memória da devastação de 290 mil hectares, atingidos 38 municípios, 490 empresas e da destruição total de cerca de 400 casas (mas foram afectadas mais de mil).
Mesmo assim, apesar de todos os programas (tipo REVIA), de todos os fundos implementados (mais de 60 milhões de euros), ainda há quem olhe, há 730 dias consecutivos, para as mesas ruínas, com a esperança (à qual se junta a paciência) de ver erguer a sua casa (há 40 habitações por (re)construir.

Para ler, mais detalhadamente, neste excelente trabalho da jornalista Luísa Pinto, jornal Público (13-10-2019): “Olham para nós mas parecem que não nos vêem. Somos transparentes”.

O fotojornalista (um dos mellhores, diga-se) do jornal Público, o aveirense Adriano Miranda, voltou ao lugar negro da história e memória de muita gente, da que conseguiu sobreviver, e das comunidades que testemunharam o inferno à superfície da terra.
Regressou para que a memória não se apague, para honrar a memória dos que partiram, para não permitir que o país se esqueça dos que ainda esperam "regressar à vida": "Incêndios de Outubro: o que mudou em dois anos?".

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(créditos da foto: Adriano Miranda - Público, 13OUT2019)

publicado por mparaujo às 20:51

12
Out 19

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A ânsia e a febre desmedida do mediatismo e do poder conduz, na maioria das vezes, a discursos incoerentes, à manha, à manobra e maquinação pública.
O recente "vir à tona" de Luís Montenegro revela tudo isso e demonstra que está mais preocupado e focado em joguinhos de egos e narcisismos, no carreirismo partidário e na demagogia, do que no interesse da social-democracia, dos portugueses e do país.
Pelo contrário, bem contrário, Rui Rio sempre foi claro e coerente: acima do partido estão os portugueses (entre os quais todos os sociais-democratas, que agradecem) e está o país. Isso é que é ser político e é saber estar na política, na sua plenitude.

Luís Montenegro, nesta sua nova impulsiva aparição (foi fervilhando em lume brando desde fevereiro de 2018, apesar da derrota sofrida em janeiro deste ano, quando Rui Rio ganhou a Moção de Confiança que apresentou no Conselho Nacional) tem afirmado afirmou, por amiúdes vezes, que com ele na presidência do partido (Deus que nos livre....) "não haverá acordos com o PS, nem está disponível para dialogar com António Costa".
Pois... mas a política e a história do PSD têm memória (e não precisa de ser muito longínqua). Basta recordar que Luís Montenegro foi líder da bancada parlamentar entre 2011 e 2017, período que inclui toda a governação de Passos Coelho. Neste contexto, com a responsabilidade política que tinha (à data), importa lembrar ao agora putativo candidato (apenas 3 exemplos para não ser muito exaustivo) o seu mau sentido de Estado, a sua (in)coerência e a sua demagogia balofa: «Passos Coelho espera maior abertura do PS para entendimentos com o Governo, para compromissos essenciais para o país» (dezembro de 2014 - SIC Notícias); «Primeiro-ministro (Passos Coelho) espera aproximação entre PS e Governo para reforma do IRC» (dezembro 2013 - Dinheiro Vivo); ou ainda, «Passos Coelho garantiu que 'as medidas de austeridade que estiveram em vigor estes anos' vão ser removidas progressivamente e que pretende envolver o PS na reforma da Segurança Social» (Agência Lusa).
Enfim... o "psd de fantasia" de Luís Montenegro não quer nada com o PS... para Luís Montenegro, nunca o PSD teve, na sua história, alguma coisa a ver com o PS (só agora com Rui Rio). É triste... muito triste.

 

publicado por mparaujo às 22:13

11
Out 19

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Há uma vontade enorme de gritar BASTA… para não dizer “Chega” que, na conjuntura actual, pode ser foneticamente mal interpretado (ou pessimamente interpretado).

Os factos… a noite/madrugada do passado domingo revelou algo inquestionável, algo que nem Rui Rio colocou em causa: o PSD perdeu as eleições legislativas 2019.
Não há qualquer dúvida: o PSD obteve 27,9% dos votos expressos e o PS 36,65% (falta apenas contabilizar os votos da emigração).
Importa, no entanto, ler, politicamente, esse resultado social-democrata.

Pesava sobre o partido o recente resultado eleitoral europeu, volvidos pouco mais de 4 meses de intervalo: 727.207 votos e a perda de um mandato. Em relação às últimas legislativas (2015), a comparação pode ficar enviesada, já que nesse acto eleitoral o PSD apresentou-se a sufrágio numa coligação pré-eleitoral com o CDS.
Mas a verdade é que descontando o peso eleitoral (perdido, e muito) do CDS, o número de votos conquistados, pelo PSD, no passado dia 6 de outubro (quase 1 milhão e 500 mil de votos) não difere muito do valor de 2009, de 2015 e é bem superior ao de maio passado.

Num partido que amiúde agita a bandeira da sua história política e ideológica, nomeadamente com o uso (e abuso) da figura de Sá Carneiro, é importante relembrar também a história mais recente. Rui Rio conquista a liderança do PSD em fevereiro de 2018 (pouco mais de ano e meio) com a capacidade de devolver o partido à sua génese ideológica, perdida desde o final de 2004 com a surreal chegada de Santana Lopes à presidência, e durante a vigência de Passos Coelho até ao início de 2018.

Há ainda uma outra história por escrever e destacar. Houve, no PSD, três erros estratégicos, politicamente desastrosos, que marcaram o rumo do partido e condicionaram a actual conjuntura política: em 2011, face ao descalabro e afundamento do país com a governação socialista de José Sócrates, o PSD nunca devia ter embarcado na ânsia desenfreada de conquistar o poder. Sendo assumido até pela própria esquerda (caso do BE) que a responsabilidade do estado do país se devia à má governação de José Sócrates, sendo inevitável o resgate externo ao país, deveria ter sido o PS a assumir o compromisso de implementar o “caderno de encargos” externo para resgatar a situação económica e social nacional. Além disso, a obsessão por ir “mais além da Troika”, pela cedência fácil a um certo neo-liberalismo que invadiu o partido nesse período, deixaram marcas na governação e nas eleições de 2015 (essas, ao contrário do que diz agora Luís Montenegro, tinham todas as condições para serem ganhas, aproveitando o efeito político e social da “saída limpa” e com mérito de 2014). E, por último, correndo todos os riscos do politicamente incorrecto (é para o lado que durmo melhor) convém desmitificar, de uma vez por todas, esse resultado eleitoral. Ao contrário do que permanentemente agitamos no partido, o PSD não venceu as eleições de 2015. Dois factos óbvios e claros: primeiro, o partido apresentou-se a eleições numa coligação pré-eleitoral (PSD/CDS = a PàF); segundo, os votos conquistados pelos dois partidos (na prática representa sempre o somatório de duas forças partidárias) não atingiram a maioria. E foi nesta conjuntura que perdemos a governação para a esquerda. Não vale a pena continuar a alimentar mitos.

Mas regressemos a 6 de outubro de 2019…
É pura demagogia e politicamente desonesto afirmar que o resultado alcançado por Rui Rio nestas últimas legislativas é, historicamente, o pior resultado de sempre do PSD, tendo como base a percentagem alcançada (27,9%). As percentagens não podem servir como padrão de comparação porque elas dependem, exclusivamente, das condicionantes de cada eleição individualmente: o número de inscritos, o número de votantes, os votos brancos e nulos, a abstenção. E estes dados que estabelecem cada percentagem eleitoral não são repetíveis de acto eleitoral para acto eleitoral. É, por isso, um argumento falacioso e que distorce a realidade.
Porque a realidade do desfecho das Legislativas de 2019 foi bem descrita por Rui Rio na noite eleitoral do passado domingo: o resultado ultrapassou as expectativas e todos os quadros negros e catastróficos anunciados durante a pré e a campanha; o resultado não difere dos valores conquistados em eleições nas quais o PSD não venceu; o resultado estava, previamente, condicionado ao confronto com uma conjuntura política saída das eleições de 2015 e da conjuntura económica internacional que favoreceu a estabilidade governativa do PS e da geringonça.
Mas o resultado do PSD, a 6 de outubro, ainda sustenta uma outra realidade importante (ou, até mesmo, mais importante). Não há memória de uma contestação interna tão assumidamente pública e constante à liderança do partido, que nem a tradicional união face à vivência de actos eleitorais fez esbater. O ressabiamento da perda das directas em 2018 e de quem não sabe aceitar uma derrota; o infeliz saudosismo passista; a “orfandade” gerada pelo abandono do líder da alternativa a Rui Rio, em 2018 (Santana Lopes); a perda do carreirismo político no aparelhismo partidário, de muitos tachos e negócios; a não percepção e a não aceitação da mudança (necessária e urgente, na altura) de ciclo na vida do partido; a “inveja política” pela liderança de Rui Rio marcada pela coerência, pelo rigor, por um discurso mais próximo dos portugueses e menos “politiquês”, por uma afirmação que dispensa o alarmismo (afinal o diabo não chegou), o ataque fácil e a “gritaria mediática” (basta lembrar o fraco registo do CDS nestes 4 anos e o resultado final); a redefinição e o reposicionamento ideológico do partido com a chegada de Rui Rio e que tantas amarguras (ou amargos de boca e azia, se preferirmos) trouxe aos conservadoristas e neo-liberais que minaram os últimos anos do PSD…
(tudo isto) desperta o permanente pairar dos “abutres políticos”, tão sedentos do poder (porque o poder no PSD é, manifestamente, apetecível), e que teimam em sobrevoar a liderança mal lhes toca um leve, mesmo que muito ligeiro, cheirinho a fragilidade ou insucesso. Os mesmos que necessitaram de demonstrar “prova de vida política” ao surgirem, hipocritamente, na campanha eleitoral, em supostos e questionáveis contributos solidários.

A que triste estado chegou a oposição interna no partido que ilegitimamente fala em nome das bases, quando essas bases, maioritária e democraticamente, se expressaram e pronunciaram há pouco mais de ano e meio.
A que triste estado chegou a oposição interna no partido que tanto apelo faz à união e à unidade demonstrando uma total incoerência com os seus actos. Os mesmos que rasgaram as vestes e atacaram António Costa no confronto deste com António José Seguro (lembram-se??!!).
A que triste estado chegou a oposição interna no partido quando, desonrosamente, invoca o nome de Francisco Sá Carneiro em vão desvirtuando o posicionamento ideológico do PSD como um partido do centro, social-democrata e humanista, e não um qualquer CDS alaranjado, um conservadorista Aliança ou um liberal Iniciativa.

Se for para dar um enorme e colossal passo à rectaguarda, se for para entregar a condução do partido a “montenegros”, “hugos soares”, “relvas”, "pedros duarte", “miguéis morgados”, “pintos luz”, “teresas morais”… façam favor. É da maneira que poupo 12 euros por ano.

Mas para esses... BASTA!
Rui Rio tem todo o direito a liderar o PSD: porque foi eleito, porque foi a escolha da maioria dos sociais-democratas, pelo que trouxe (de novo) ao partido, pelo que fez neste ano e meio e pelos resultados eleitorais que alcançou.

publicado por mparaujo às 01:12

10
Out 19

Muito resumidamente… breves notas sobre os resultados eleitorais do passado domingo e que, factualmente, irão permitir a António Costa e ao Partidos Socialista formar o 22.º Governo Constitucional da Terceira República Portuguesa.

  1. O PS ganhou as eleições, falhando, apesar disso, o objectivo mais que camuflado na campanha mas, óbvia e claramente, mais que desejado, sonhado e esperado: uma maioria absoluta.
  2. Ao contrário do que António Costa tem vindo a apregoar, os portugueses não quiseram a repetição da geringonça. Se assim fosse, não davam quase a maioria ao PS, não afundavam o PCP ou deixavam o BE na mesma (em relação a 2015). A verdade dos números (pelo menos dos deputados, para já, eleitos) mostra que os resultados (e ainda falta o círculo “estrangeiro” – 4 lugares) aproximaram bastante o Partido Socialista dessa fronteira maioritária.
  3. O PCP sofreu uma queda acentuada, fruto do descontentamento interno (que veio algumas vezes a público) que criticou a presença no apoio “incondicional” (por mais que os comunistas queiram disfarçar) ao Governo anterior, no acordo parlamentar das “esquerdas”: a geringonça (algo que o PCP não quis repetir, agora, em 2019).
  4. O BE, mesmo não descendo, é um facto que não subiu e não foi através da sua votação que o PS não alcançou a maioria. E importa referir igualmente, agora que renovam os votos de “casamento” com o PS (depois de um namoro de 4 anos), que, internamente, a solução geringonça não foi tão pacificamente aceite como se quer fazer passar (basta recordar, por exemplo, as várias opiniões expressas por Pedro Soares – afastado das listas legislativas 2019… Porque será? – e não colhe a versão da opção pessoal…).
  5. As esquerdas, pelo menos as “três esquerdas”, não alcançaram os seus principais objectivos: o PS não teve maioria absoluta; o BE não subiu; o PCP perdeu bastante eleitorado; e os 3 juntos não alcançaram a tão almejada posição de 2/3 da Assembleia (66%).
  6. O CDS, com uma estratégia mal estruturada e planeada, pior aplicada, com demasiada “gritaria política” permanente na campanha, com demasiado “tiro e gatilho fácil” disparando contra tudo e mais alguma coisa, acabou por criar uma imagem partidária muito negativa nos eleitores e afastar votos, contribuindo (e muito) para a elevada abstenção e afundando, claramente, a direita, desvalorizando os resultados de 2015.
  7. O PAN, com a conquista de 4 lugares no parlamento, mostra ares de se poder afirmar como o partido português ideologicamente marcado pelo ambientalismo, retirando palco e espaço político aos Verdes.
  8. Os partidos emergentes no novo quadro parlamentar (Livre, Chega e Iniciativa Liberal) surgem sem expressão nacional (nem no Porto) conseguindo a eleição dos seus deputados (um cada) num único circulo eleitoral (Lisboa – marcadamente urbana) fruto do que é o sistema eleitoral e representativo português. Em relação aos seus futuros, a questão passa por perceber até que ponto conseguem crescer e afirmar-se usando o palco mediático político que a presença na Assembleia da República potencia.
  9. Em relação ao PSD… fica, de forma particular (e interessada), para texto seguinte… propositadamente.

Mas, terminando, há algo que não é possível resguardar. A política também tem memória e tem história. A política e os portugueses, mesmo que haja quem, teimosamente, continue a querer cimentar o mito que “os portugueses têm a memória curta”. Não… não têm.
Em 2011, com a governação socialista de José Sócrates, o país mergulhou na terceira maior crise financeira, social e económica do pós 25 de abril. Com a necessidade, imposta, de uma intervenção estrangeira, o Partido Socialista, sim… o PS, acorda com a Troika os termos e as condições desse resgate, sujeitando a governação seguinte (PSD/CDS) ao cumprimento dos princípios assumidos (os mesmos que foram definidos pelos socialistas).
Em maio de 2014, ao fim de 3 ou 4 anos de enorme sacrifício nacional (governativo) e dos portugueses, o país saiu do resgate e da intervenção do FMI e da União Europeia de forma “limpa” e sem necessidade de um programa cautelar, tal era a confiança dos credores e financiadores externos.
Em 2015, o PS, segundo “classificado” nos resultados eleitorais forma governo, à custa do acordo parlamentar à esquerda.

Concluída esta legislatura, há dois chavões retóricos, repetidamente usados pelo governo e pelo PS, que são, no mínimo, politicamente desonestos: as contas certas e a carga fiscal.
Em relação às “contas certas” e à bandeira governativa, tantas vezes agitada pelo Ministro Mário Centeno vangloriando-se pelo valor do défice (praticamente 0%), importa referir que o governo nada fez de especial, nem de extraordinário. Em 2011, o valor do défice, deixado por um governo socialista, era de 11,2% (arredondando… 11%). Em 2015, quando Costa chegou ao governo, sem ganhar as eleições, e Mário Centeno a Ministro das Finanças, o défice deixado pela governação do PSD/CDS e após a saída da Troika era de 2,98% (arredondando… 3%). O que significa uma diminuição de 8%, numa conjuntura claramente desfavorável e pressionante. António Costa e Mário Centeno, com tamanhas “contas certas”, registaram em 2019 (ao fim dos mesmos 4 anos) um défice de 0%... ou seja, limitaram-se a reduzir, em condições económicas internacionais extremamente favoráveis, a reduzir 3%. Que enormidade!!!!! E mesmo assim, não nos podemos esquecer a engenharia financeira usada por Mário Centeno com as cativações que abalaram o investimento público e deterioraram os serviços públicos mais essências (educação, saúde, justiça). Não dá para esconder: “Centeno só libertou 11% das cativações no primeiro semestre de 2019 (entre janeiro e junho, 71 milhões de euros dos 653 milhões de euros de cativações – fonte: Direcção-Geral do Orçamento (DGO) na execução orçamental até julho).
Além disso, as críticas repetidamente aclamadas em relação à actuação da governação de Passos Coelho, no que respeita às finanças e impostos (recorde-se a afirmação de Vítor Gaspar, “um enorme aumento de impostos”), são, manifestamente, desonestas. Primeiro, porque o recurso de Mário Centeno a uma carga elevada de impostos indirectos cria uma desigualdade social enorme e colossal, porque coloca os mais frágeis, os mais desfavorecidos e uma classe média cada vez mais “atacada”, ao mesmo nível dos mais fortes, dos mais favorecidos. Segundo, porque os dados desmentem a governação de António Costa: “Carga fiscal foi revista em baixa em 2018, mas o valor de 34,9% do PIB continua a ser recorde” (dados do INE, fonte: jornal ECO). Terceiro, porque as políticas do período da Troika tão criticadas agora (nos últimos 4 anos), são as que os próprios socialistas impuseram ao país na assinatura do memorando de resgate em 2011.
Mas há mais… segundo as conclusões do relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), “Portugal está entre os países onde a carga fiscal mais subiu entre 2007 (31,8%) e 2017 (34,7%)” (OCDE, fonte: jornal I).
Há ainda uma realidade do Portugal do dia-a-dia que confronta o entusiasmo eufórico dos corredores da governação: “Todos os dias 1951 famílias falham pagamento de crédito”, apesar (ou pelo facto) do aumento do consumo das famílias portuguesas. Um aumento perigoso, excessivo, pela ausência de sustentabilidade. Isto porque a “Taxa de poupança das famílias voltou a cair em 2018 para mínimos históricos”. E se dúvidas houvesse, o Relatório Mundial da Riqueza 2019, divulgado em meados de setembro, revela que “Portugal está entre os países europeus que ficaram mais desiguais” no período pós crise. E os portugueses confirmam a realidade:  “53% dos portugueses sente que a crise ainda não passou” (fonte: Segundo Grande Inquérito sobre Sustentabilidade, um estudo realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa). Os resultados revelaram que o desemprego é a preocupação principal de 38,8% das pessoas, seguido dos baixos salários e poder de compra (29,2%) e do elevado custo de vida (9,6%). Tudo óptimas maravilhas e excelentes pérolas para a adjectivação da governação dos últimos quatro anos e que se perspectiva uma repetição até 2023.

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(crédito da foto: LUSA, in RTP online)

 

publicado por mparaujo às 21:56

03
Out 19

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Nem sempre a morte de uma figura política (seja nacional ou não) se reveste de consensos, independentemente do respeito.
Curiosamente (ou não), no caso do falecimento de Freitas do Amaral a excepção confirma a regra: PCP reconhece o peso histórico de um dos quatro "pais" da democracia; o BE elogia a vertente humanitária e a defesa dos valores fundamentais dos direitos humanos; o PS destaca o seu papel de grande estadista; algo que é ainda mais valorizado pelo PSD, juntado-lhe a função de aliado político. A sociedade ainda lembra o seu fulgor europeísta e a sua passagem pela presidência da Assembleia Geral da ONU.
E o CDS? Se no contexto do reconhecimento público e histórico da relevância política de Freitas do Amaral na fundação e percurso da democracia portuguesa, seria de esperar que o partido que fundou, juntamente com Adelino Amaro da Costa, Basílio Horta, Morais Leitão, entre outros, tivesse, neste dia, a mesma reacção das restantes forças políticas e das várias personalidades que se juntaram a este pesar, já se afigura estranho o lamento público que se assemelha a um "mar de lágrimas de crocodilo", com tamanhas referências ao papel de fundador e de mestre político para os líderes centristas.

É que importa recordar que não é assim tão distante o ano de 2005 e a forma deplorável e condenável como o CDS tratou o seu fundador quando Pedro Mota Soares, mandou retirar o retrato de Freitas da sede centrista, no Largo do Caldas, em Lisboa. Nesse momento, toda a história e o peso político de Freitas do Amaral foi esquecido e quase apagado.

O que a vida separou a morte juntará? Infelizmente, parece que é uma realidade histórica. É quase sempre assim, em inúmeras vertentes (na política, no social, na cultura, etc.).
Mesmo assim... nem tudo é tão claro. Até ao momento, o CDS confirmava que iria manter a agenda da campanha, mas “com sobriedade”. Seja lá o que isso signifique.
Fica-lhes o exemplo de dignidade política: o PSD cancelou o que é, por norma, um dos pontos (ou o ponto) mais alto das campanhas eleitorais - o comício de encerramento (que estava marcado para o Largo do Carmo, em Lisboa, amanhã - sexta-feira - à noite). Exemplos.

publicado por mparaujo às 22:43

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