Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

26
Out 19

Há dois dias, a Amnistia Internacional Portugal apelava à assinatura da Petição (dever já cumprido) na área dos direitos económicos, sociais e culturais: "Milhares de pessoas em risco de vida no sul de Angola".

Entretanto, o Pedro Neto (director-executivo da AI Portugal) está (já a meio), até 31 de outubro, numa missão em Angola, dando voz à causa e aos milhares de pessoas que, longe do mediatismo e brilho de Luanda, morrem à fome no sul do país.

Por coincidência na mesma altura, há cerca de 3 dias, no final de um encontro promovido pela ONU, em Luanda, no âmbito das celebrações do dia das Nações Unidas, a ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher angolana, Faustina Alves, afirmava que o país registou uma redução no nível de pobreza, passando dos 36,6% em 2017, para os actuais 29%, com uma meta de 25% até 2022.
Não colocando em causa os números e muito menos o mérito do objectivo traçado pela actual governação de João Lourenço (que tem traçado uma mudança do paradigma político do poder em Angola), a verdade é que Angola padece de um grave problema cosmopolita, centrando praticamente todo o seu existencialismo na metrópole Luanda.

Porque há uma outra realidade bem distinta e afastada dos holofotes internacionais.

Nos últimos 4 anos, contra todos os negacionismos e negacionistas, as três províncias mais a sul de Angola (Cunene, Huíla e Namibe) têm estado a sentir, de forma muito violenta, os efeitos das alterações climáticas, com secas cíclicas severas.
Apesar do contexto, as comunidades rurais têm demonstrado uma capacidade de sobrevivência inimaginável, nomeadamente através do recurso a pastagens comunitárias, uma prática de subsistência que lhes tem permitido (para além de sobreviverem) alimento e capacidade financeira para poderem garantir educação às crianças e os cuidados médicos 
mínimos e adequados. Mas a fazer lembrar os recentes crimes ambientais na Amazónia, tudo mudou e depressa. A sobrevivência destas comunidades está agora verdadeiramente em risco.
As investigações feitas pela Amnistia Internacional, nos dois últimos anos, identificaram que milhares de pequenos criadores de gado no município dos Gambos (também conhecido por Chiange), da província de Huíla, têm sido afastados das terras que ocupavam para dar lugar a grandes explorações pecuárias.
Essas expropriações são feitas de forma ilegal, desrespeitando as leis nacionais e os padrões internacionais de direitos humanos. Por exemplo, as comunidades rurais não são consultadas e não receberam qualquer contrapartida ou indemnização.
O resultado é o surgimento de uma crise alimentar e social sem precedentes, vazia de qualquer tipo de assistência ou compensação do governo.

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(créditos da foto: amnistia internacional)

publicado por mparaujo às 20:47

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