Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

30
Nov 19

Enquanto uns se deslumbrem com as aparências ou com fugazes efeitos cénicos, Aveiro viveu, hoje (no encerramento de mais um mês), o verdadeiro espírito da social democracia. A verdadeira, a real, a paradigmática... sem populismos, sem demagogias.
A social democracia que importa para o PSD, para os portugueses e para o país.

O auditório do Parque de Feiras e Exposições de Aveiro encheu, de forma simples mas muito real, para ouvir Rui Rio afirmar-se como um verdadeiro líder: frontalidade, transparência, saber, experiência e, principalmente, um inequívoco sentido de Estado bem cimentado no que são os verdadeiros pilares da social-democracia - igualdade de oportunidades, solidariedade e justiça social.

Rui Rio foi mais uma vez, para além de igual a si mesmo, muito realista, directo e concreto: «Candidato-me a presidente do PSD por Portugal». O PSD é o contexto instrumental, o meio para atingir o sublime sentido da política: servir o país e os portugueses, com o olhar e pensar ideológico e político da social-democracia (bem ao centro, sem desvios dos princípios, dos valores e da génese que nortearam o partido). Com o objectivo de alcançar 'Melhores empregos, melhores salários, melhores serviços públicos, melhor qualidade de vida para os portugueses'.

Só com Rui Rio será possível um PSD em condições de servir melhor Portugal, de ser alternativa governativa, de reconquistar o centro e honrar a história do partido e dos seus fundadores.
Um PSD dos sociais-democratas, das bases do partido, (re)implantado e de novo enraizado no poder local, aberto à e com a sociedade, focado no país e nos portugueses.

Com RUI RIO: PORTUGAL AO CENTRO.

rio-aveiro-2-702x320.jpg

publicado por mparaujo às 22:59

26
Nov 19

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Enquanto muitos se "deslumbraram" com deambulismos sobre a gaguez da deputada Joacine Katar Moreira e a saia do seu assessor parlamentar, foi-se secundarizando a questão principal: a mensagem (o seu conteúdo e não a forma) político-partidária.
A isto pode-se acrescentar o amadorismo político e o ego e deslumbramento parlamentares da deputada eleita que prejudica, notoriamente, o Livre. Mas isso é, obviamente, um problema do partido que, diga-se, não está isento em toda esta problemática da relação com Joacine. Um problema que deveria ter sido resolvido "à porta fechada", internamente, e não na praça pública, com danos colaterais que provocam danos na imagem do partido.
Mas, repito, esse é um problema do Livre, da sua direcção, de Joacine Moreira e de Rui Tavares. E importa referir que a abstenção em relação à condenação da Assembleia da República (proposta pelo PCP) da intervenção de Israel na Palestina não é, de todo, mais grave do que o Livre ter perdido (por ter ultrapassado os prazos definidos) a oportunidade de agendamento de um Projecto sobre a Lei da Nacionalidade.

Já o reflexo de toda esta embrulhada na democracia portuguesa é muito mais abrangente e diz respeito a todos, nomeadamente à política: leva-nos a uma reflexão (ou à necessidade de reflectirmos) sobre a actual Lei Eleitoral.
Há uma enorme incoerência no processo eleitoral e num perigoso esvaziamento do sentido e princípio colectivo da política a favor do egocentrismo político e pseudo-representativo.
O sistema eleitoral português ( seja no legislativo/nacional, como no autárquico/local) assenta na representatividade democrática das listas uninominais onde, ao contrário do que é senso comum, se vota nas pessoas e não nos partidos. Isto faz com que o eleito seja o legitimo detentor e tutelar do voto. Não há nada de mais hipócrita e perverso neste processo (para isso mais vale avançar para os círculos uninominais): os eleitos/candidatos concorrem sob o símbolo e um programa político de um determinado partido ou movimento... não concorrem de forma individualizada (isso acontece nas presidenciais). No entanto, em casos como o de Guterres e o "Queijo Limiano", mais recentemente com Paulo Trigo Pereira e o PS, e agora com Joacine Moreira e o Livre, os eleitos acabam donos dos seus lugares e só os abandonarão por vontade própria (por mais "expulsões" internas que os partidos promovam).
E é isto que traz o maior desconforto político ao Livre (agravado pela condição de deputada única), sem capacidade de reacção a afirmações como "Isto é um golpe e a minha resposta é esta: não sou descartável e exijo respeito", "Fui eu que ganhei as eleições, sozinha, e a direcção quer ensinar-me a ser política (como se qualquer um de nós não estivesse em permanente aprendizagem, principalmente quando se começa um novo desafio)". Com responsabilidades acrescidas para o próprio partido e, concretamente, para Rui Tavares, face ao processo interno, mais anárquico que democrático ou participativo, das eleições primárias para a elaboração de listas de candidatos. Ao contrário do que o Livre tentou fazer passar na sociedade, este é um processo mais perverso do que democrático e livre, que mais não seja porque liberta qualquer eleito nas primárias da "relação programática e ideológica" face ao partido.

publicado por mparaujo às 22:51

25
Nov 19

Dia-para-a-Eliminação-da-Vilência-Contra-a-Mulh

A ONU instituiu, em 1990, o dia 25 de novembro como o "Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres", em memória das irmãs Maribal (Minerva, Patria e María Teresa), activistas da República Dominicana, assassinadas em 1960 (a 25 de novembro).

É indiscutível que as preocupações sociais, do garante e defesa das liberdades, dos direitos e garantias, devem ser permanentes e diárias. Mas não é menos verdade que o foco centrado na celebração de datas que invocam determinadas realidades não devem ser descoradas, seja para que se evidenciem de todo o banalismo e ridículo em que se tornaram as ditas "efemérides" (dias de...); seja, por outro lado, para que a sociedade não deixe cair no esquecimento importantes contextos e problemáticas.

Hoje é o caso... Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher.
Importa, por isso, recordar: este ano, já houve 36 vítimas mortais em contexto de violência doméstica (28 mulheres, 1 criança e 7 homens). As mulheres continuam a ser as principais vitimas deste flagelo social: a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), nos últimos 5 anos, apoiou mais de 43.000 pessoas em contexto de violência doméstica, sendo a maioria (86%) mulheres; nos últimos 15 anos foram assassinadas mais de 500 mulheres, numa média de 3 mulheres assinadas a cada mês.
É inquestionável que são as mulheres as principais vítimas da violência doméstica, mesmo que a realidade seja transversal, incluindo crianças e homens (e muito mais transversal no que respeita às idades).

É, por todo este cenário, um claro problema social, do domínio público, que faz inverter a deplorável cultura, demasiado enraizada na sociedade (não só portuguesa... veja-se o caso de França), que "assuntos domésticos" ficam entre portas. Não... nem todos. Os que colocam em causa a dignidade da pessoa, os que ferem os seus direitos, liberdades e garantias, os que colocam em causa a sua integridade e a sua vida, são, por obrigação cívica, públicos e merecem ser denunciados.
Infelizmente, de todos os casos de violência doméstica que chegam às autoridades e às entidades, que são denunciados, 91% são-no por intermédio da própria vítima ou de alguém muito próximo (filhos, por exemplo). Apenas 9% são dos vizinhos, da comunidade ou outros familiares.

Este é um problema colectivo, social, de dever cívico, porque não pode ser aceitável esta realidade em pleno século XXI, não é aceitável que apenas sejam registadas 41,2% das queixas/denúncias face ao total de situações e crimes assinalados (dados APAV).

publicado por mparaujo às 22:01

19
Nov 19

É um facto inquestionável que a cultura tem "ideologias" (assim... no plural). Apesar de niguém poder (ou dever) ser dono e proprietário da Cultura, a verdade é que a dinâmica cultural, nomeadamente a individual, é património da ideologia e concepção social do seu criador (músico, escritor, artistas plástico, actor, encenador, programador, whatever). Não há isenção concepcional na Cultura. Ela é o espelho e reflexo da individualidade.

Mas neste contexto, goste-se ou não, estejamos mais próximos ou liminarmente no oposto, uma REFERÊNCIA da cultura, património e identidade de uma comunidade é, e deverá ser sempre, uma REFERÊNCIA.

E quando um referência parte ficará sempre um vazio irreparável e insubstituível. Goste-se ou não.
Apesar do "lado oposto", lamento... ficámos cultural e patrimonialmente mais pobres na música: R.I.P. JOSÉ MÁRIO BRANCO.

José-Mário-Branco.jpg

(crédito da foto: Isabel Pinto, in Comunidade Cultura e Arte)

publicado por mparaujo às 12:04

17
Nov 19

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(créditos da foto: André Vidigal / Global Imagens, in JN online)

O facto: Fatima Habib, uma atleta da equipa sub-16 feminina do Clube de Basquetebol de Tavira, de origem paquistanesa e de religião muçulmana, foi impedida de disputar um jogo contra o Basquetebol Clube de Albufeira, porque se recusou a despir uma camisola interior de manga comprida, já que a sua religião a impede de mostrar publicamente os braços. Fatima Habib apresentou-se em campo com o equipamento do clube, collants, camisola preta de manga comprida e um lenço na cabeça.
A equipa de arbitragem limitou-se (e apenas isso) a fazer cumprir os regulamentos em vigor, tendo o clube já sido alertado, numa situação anterior, para a questão.
A equipa de arbitragem permitia que a jovem atleta jogasse com collants e o lenço, mas não a camisola preta de manga comprida. Apesar de entender (sempre são 29 anos de experiência treinador de basquetebol) que o argumento usado pelos árbitros para a não autorização do uso da camisola não terá sido o mais lógico: da indumentária apresentada pela jogadora, o que podia criar problemas de integridade física à atleta e às restantes jogadoras seria o lenço e não a camisola de manga comprida. Mas não é isso que importa destacar...

O que importa referir foi o chorrilho de comentários e observações que se seguiram: a facção de acusação de xenofobia, racismo, intolerância... a facção dos que criticaram a atleta e a família pelo uso dos costumes muçulmanos (estando em Portugal).

As regras da FIBA (Federação Internacional de Basquetebol), aplicadas pela Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) nas diversas competições, são gerais, aplicáveis a todos de igual forma, sem qualquer tipo de discriminação, nomeadamente no que diz respeito à religião e credos. Esteve muito bem a FPB que, neste fim de semana, proporcionou à atleta um equipamento homologado pela FIBA para casos semelhantes em todo o mundo e que permitiu a Fatima Habib poder jogar sem qualquer tipo de constrangimento.
Cai, aqui, o argumento extremista (num dos extremos) que acusava a equipa de arbitragem, a Associação de Basquetebol do Algarve e a FPB de xenofobia e intolerância.

O outro argumento extremista (o do populismo, da pequenês de espírito, do ridículo) é mais preocupante. Seria uma lista bastante grande de "copy paste" de um conjunto de críticas que nem lembrariam ao diabo (só mesmo a alguns dos portugueses pequeninos): «se está em Portugal tem que cumprir as 'normas'(?) sociais portuguesas», «as filhas hão-de vestir biquini», «não gosta ou não quer, que vá para a terra dela», «Portugal é um país católico e não é para esta gentinha» (esta é das melhores)... isto para referir apenas as mais "soft".

Segundo a jovem, esta realidade não é nova; já se tinha deparado com este tipo de circunstâncias também na escola, minimizadas pela firme posição de uma professora que a defendeu publicamente.

Este é o grande problema da inclusão, do acolhimento, da tolerância. Este é, perigosamente, o problema de Portugal: somos, cobarde e hipocritamente, anti-racistas, anti-xenófobos, tolerantes e acolhedores.
Acolher, integrar, receber é um processo de respeito mútuo. Um processo de integração respeitando a multiculturalidade, a diferença, as opções de vida do outro. E não querer impor uma vontade, maioritária que seja, o nosso modo de vida, como se fossemos os "donos da verdade e da existência".
Só defendendo integralmente o princípio e o conceito da tolerância, do respeito pela diferença, conseguiremos ter uma sociedade mais justa e mais igualitária.
Enquanto assim não for, aqui, como por esse mundo fora, vão continuar a existir os radicalismos, os extremismos, os refugiados, os conflitos políticos, sociais e religiosos, os atentados terroristas.

A jovem atleta Fatima Habib limitou-se apenas a ser quem era, na diversidade (por sinal perfeitamente aceite) da sua equipa e do seu grupo.
Felizmente, jovens de 14 e 15 anos perceberam muito melhor o que é viver em sociedade do que muitos adultos armados em "arautos da moralidade e dos bons costumes".

publicado por mparaujo às 20:49

09
Nov 19

lula da silva.png

(créditos da foto: ricardo stuckert, in viomundo)

Já há algum tempo que a probabilidade ganhava contornos reais e concretizáveis... após 20 meses de cativeiro, Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, foi, ontem, libertado após o Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF) ter decidido anular a decisão de prisão, em abril de 2018, do Tribunal de segunda instância.

Neste processo, há 3 ou 4 pressupostos que importa referir.
1. Não tenho qualquer afinidade ideológica com o Partido dos Trabalhadores (Brasil), fundado, em 1980, precisamente por Luiz Inácio da Silva - "Lula da Silva".
2. Por falta de informação completa e aprofundamento dos factos, não tenho uma opinião formada e consolidada sobre o processo "Lava Jato" que levou à prisão do ex-Chefe de Estado brasileiro. Tal como em relação ao processo "Vaza Jato".
Entendo que a Justiça (o poder judicial), seja em que parte do mundo for, deve ter uma forte e total independência em relação ao poder político e à componente ideológica. Nem um processo, nem outro, deveria estar politizado e partidarizado. Sempre defendi o direito à "presunção de inocência" até que um processo transite em julgado e seja apurada toda a verdade.
3. Será pura demagogia e mero populismo, e uma triste presunção altaneira e arrogante, achar-se que a corrupção tem o seu expoente máximo nas regiões sul-americanas ou africanas. Basta olharmos para o nosso umbigo, para a nossa realidade, para os "casos de justiça" nacionais, para percebermos e reconhecermos que Portugal não é exemplo "dos bons costumes da ética política e do serviço público". Seja na política, na governação (nacional, regional ou local), nas empresas, na economia, nas famílias e em cada um dos cidadãos. Basta, por exemplo, ver como, cada um de nós, de forma individual e particular, encaramos o cumprimento das obrigações fiscais (mesmo no simples facto de solicitarmos a mera factura sobre o consumo).
4. Mas infelizmente, perante toda a complexidade conhecida destes dois processos (aos quais se juntarão, inevitavelmente, os que atropelam os mais elementares direitos universais - como o caso "Marielle Franco"), dos seus impactos políticos, esta realidade brasileira mistura, no mesmo saco, a justiça com o poder político, a política e a ideologia. O que, infelizmente, dá sempre muito mau resultado; veja-se o caso actual da Catalunha e a reação à condenação, pelo Tribunal Supremo de Espanha, à condição de 'presos políticos' dos independentistas catalães (Oriol Junqueras, Jordi Turull, Raül Romeva, Dolors Bassa, Joaquim Forn, Josep Rull, Meritxell Borrás, Carles Mundó, Santiago Vila, Carme Forcadell, Jordi Sànchez e Jordi Cuixart).

Há uma questão incontornável na libertação de Lula da Silva (que não significa a sua absolvição): a devolução do sentido pleno da sua liberdade (mesmo que o processo continue o seu percurso judicial) tem impacto na democracia e justiça brasileiras. Algo que deveria ser mais abrangente do que a mera retórica ideológica da esquerda portuguesa (BE e PCP).

Independentemente de se gostar ou não de Lula da Silva, independentemente da maior ou menor proximidade ideológica com o PT, a libertação do ex-Presidente do Brasil é uma manifesta excelente notícia face ao preocupante rumo democrático do país. Mesmo que ainda esteja em suspenso o desfecho final do processo, Lula da Silva em liberdade será sempre um factor de estabilidade da democracia (por óbvia oposição a Bolsonaro), para além da sempre desejada pluralidade para o equilíbrio da qualquer sociedade.

publicado por mparaujo às 16:12

03
Nov 19

Há um elefante no meio da sala que a muitos teimam não ver.
O mundo está, hoje, numa perigosa escalada de instabilidade e conflitualidade social ou de contestações governativas.
Veja-se o que se passa na América do Sul (Chile, Bolívia, Equador, Guatemala), no Médio Oriente (Líbano, Iraque, Iémen) ou em África (Etiópia, Argélia, Sudão, Burkina Faso, Somália, Ruanda, Zimbabwe, Líbia), na Ásia (Hong Kong).
E, claro, o conflito internacional mais "mediático": Síria. Outra vez a Síria. Ou... ainda a Síria.

Importa acrescentar que, excluindo as regiões da América do Sul e Hong Kong, muitos destes países referenciados são geradores de fluxos significativos de migrantes e refugiados. E este é outro "elefante no meio da sala"... principalmente para a União Europeia.

Leva décadas a forma inconsequente, socialmente condenável, como a Europa tem tratado (ou não tem sabido tratar) a questão dos cidadãos migrantes/refugiados, nomeadamente após o boom do fluxo migratório dos últimos anos, com o Mediterrâneo a transformar-se, semana após semana, num assustador cemitério. Só este ano, segundo os dados da Organização Internacional das Migrações (outubro 2019), atravessaram o mar Mediterrâneo mais de 76.500 refugiados e cerca de 1.1000 perderam lá a vida (1 em cada 28 não chega à "liberdade").

Não é coerente, não é honesto colocarmos todo o ónus da responsabilidade no terrorismo, no estado islâmico, no conflito religioso, na corrupção que assola esses países, no tráfico humano. A fome, a miséria, os conflitos armados/a guerra, a obsessão pelo poder, a exploração de pessoas e recursos, os interesses geopolíticos e geoestratégicos, têm rostos e bandeiras. A Europa é um desses rostos, pela história, pela inércia, pela incapacidade de acção e de influência, pela subserviência a valores mais altos (que não mais dignos).

Esta inércia, esta incapacidade de acção e de se criarem políticas sociais comuns no seio da União Europeia, é preocupante.

Interessa-me muito pouco, muito poucachinho mesmo (para ser mais soft que o treinador Sérgio Conceição) a guerrinha de egos entre Nuno Melo e Marisa Matias, mesmo sabendo que a eurodeputado bloquista não foi, politicamente, séria na discussão (escondendo, porque lhe deu jeito) metade da história/dos factos. O velho estigma e mau hábito que só a "esquerda liberta e é socialmente responsável". Tretas.

O que importa é que, em cima da mesa, no parlamento europeu estiveram 4 propostas para votação, todas elas directamente relacionadas com a problemática do resgate e apoio aos refugiados que atravessam o Mediterrâneo (as 4 propostas de resolução podem ser consultadas AQUI). Excluindo duas das propostas - do grupo de extrema-direita "Identidade e Democracia" e do grupo eurocéptico e conservador ERC (Conservadores e Reformistas Europeus) - que eram explicitas na forma como condenavam e como recusavam qualquer apoio ou política para os Refugiados, as outras duas apresentavam, com diferenças pontuais, o mesmo objectivo: o apoio a processos de busca e salvamento de migrantes/refugiados no Mediterrâneo. Uma apresentada pelo deputado europeu espanhol, o socialista Juan Fernando López Aguilar, da LIBE (comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos) e outra pelo PPE (Partido popular Europeu). E aqui reside a vergonha e a tristeza de uma União Europeia que apenas se limita à distribuição de subsidiozinhos (apesar de relevantes para o desenvolvimento das regiões... não é isso que está em causa, obviamente).

A tristeza, o que é deplorável e condenável, é que o Parlamento Europeu tenha estado mais preocupado com diferenças de pormenor entre as duas propostas do que propriamente com a vida daqueles que fogem à morte nas suas terras para, infelizmente, a encontrarem no mar à procura da liberdade e da sobrevivência. O não acordo e a falta de conciliação das duas propostas levou ao chumbo das mesmas e, consequentemente, de todo o processo, acabando por entregar a vitória "social e política" aos extremismos, radicalismos e populismos.
Enquanto isso, vão continuar as guerras, os conflitos sociais, a fome, a miséria e a morte, sob o assobiar para o lado por parte de quem tem responsabilidade e tem a capacidade de intervir, positivamente, nesta problemática e realidade. Enquanto isso, vamos sofrendo a ameaça, real, da Turquia em abrir as suas portas, esquecendo-nos do triste acordo que a União Europeia (Angela Merkel) firmou com o Sr. Erdogan em março de 2016.
Por outro lado, infelizmente, os vários e muitos "Nunos de Melo" e as "Marisas Matias" do Parlamento Europeu vão continuar a medir propostas como os putos mediam pilinhas na escola primária: a minha proposta é melhor que a tua!

As vidas??!! ... podem esperar. Vergonha!

euroscolah100611-1-.jpeg

publicado por mparaujo às 21:54

O ex-líder da bancada parlamentar do PSD, no período de governação de Passos Coelho, já tinha anunciado a sua intenção de se candidatar ao lugar de Rui Rio (apesar, e sublinho apesar, do lugar de Rui Rio nunca ter estado disponível ou vago).
Nesta sexta-feira formalizou oficialmente a sua candidatura e abriu a campanha eleitoral, mas tal como surgiu o seu sonho (espera-se que não passe disso), também aqui da pior forma.

Já não bastava o manifesto desígnio de querer desvirtuar programática e ideologicamente o partido, posicionando-o onde ele nunca deveria ter estado em 2005 e, muito menos, entre 2010 e 2018 - no perigoso liberalismo, balofo conservadorismo e à direita (no espaço do CDS e, recentemente, do Aliança, da Iniciativa Liberal ou do, pasme-se, Chega) - vem agora, Luís Montenegro, de forma egocêntrica assumir-se como o centro e o sol do PSD (é o novo Luís XIV do partido - "Le PSD c'est moi!"). Não... não é. O PSD são os militantes, é a estrutura democraticamente eleita de forma pluralista (basta recordar a composição do Conselho Nacional e o número de apoiantes de Santana Lopes), é a sua comissão política nacional e o seu (actual) Presidente. O resto cheira a tomada de poder, a ressabiamento, a falta de sentido colectivo e democrático.
Mas há mais... é, no mínimo, politicamente desonesta toda a argumentação e demagogia usada por Luís Montenegro. Um partido forte, afirmando-se como alternativa ao PS (sem precisar de se "negar ideologicamente") e à actual governação, um PSD cheio de força (e obviamente uma força que só pode vir de dentro) é o que Rui Rio está a fazer (e bem) desde que chegou à presidência, em 2018.
Além disso, ao contrário do que é o foco central da frágil mensagem de Montenegro, quem está verdadeiramente obcecado pelo PS é o agora candidato oficial às directas de janeiro. É uma tentativa baixa de denegrir a liderança de Rui Rio ao confundir "vassalagem" com os superiores interesses do país e insistir, de forma continuada e persistente, na colagem de Rio ao PS. E esta é uma grande diferença: o sentido de responsabilidade política, de verdade política, de rigor e transparência, do respeito por todos os cidadãos, nomeadamente os sociais-democratas.

É, e sempre foi, óbvia a chegada de Luís Montenegro na actual conjuntura político-partidária: desde o Congresso, em 2018, até à surreal e absurda tentativa de destituição, em janeiro de 2019. E politicamente hipócrita a sua aparição na campanha eleitoral legislativa, claramente como prova de sobrevivência partidária e como tentativa de recolher palco mediático. Aliás, basta tomar como exemplo o recente debate parlamentar de discussão do Programa do XXII Governo (já lá iremos), apresentado, esta semana, na Assembleia da República. Luís Montenegro, lamentavelmente, não foi capaz de ter, no mínimo, o respeito institucional de reconhecer a excelente prestação parlamentar de Rui Rio e da bancada do PSD (como, por exemplo, Fernando Negrão). Algo que se ouviu da boca de Miguel Pinto Luz que elogiou a prestação do partido no debate do programa do Governo.
Esta falta de respeito político é de tal forma marcante em Luís Montenegro que teve o desplante e o topete de apelidar como "sua" a bancada parlamentar eleita no mês passado. Pena é que (ou se calhar, até, felizmente) não tenha o mesmo sentimento partidário para com um líder (independentemente de se gostar ou não... realidade que existe desde a fundação do partido com cada passagem de liderança) democraticamente eleito por maioria da vontade expressa dos militantes do PSD.

Mas pronto... regressou o PSD do "saco de gatos", da fobia pela cadeira do poder da São Caetano, na Estrela (sempre tão apetecível).
À apresentação oficial de Luís Montenegro - "A força que vem de dentro" - só faltou mesmo a musica de fundo com o tema da Nelly Furtado... "como uma força..." ('Força'). Ficava o quadro bem completo.

site montenegro.png

publicado por mparaujo às 12:34

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