Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

09
Nov 19

lula da silva.png

(créditos da foto: ricardo stuckert, in viomundo)

Já há algum tempo que a probabilidade ganhava contornos reais e concretizáveis... após 20 meses de cativeiro, Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, foi, ontem, libertado após o Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF) ter decidido anular a decisão de prisão, em abril de 2018, do Tribunal de segunda instância.

Neste processo, há 3 ou 4 pressupostos que importa referir.
1. Não tenho qualquer afinidade ideológica com o Partido dos Trabalhadores (Brasil), fundado, em 1980, precisamente por Luiz Inácio da Silva - "Lula da Silva".
2. Por falta de informação completa e aprofundamento dos factos, não tenho uma opinião formada e consolidada sobre o processo "Lava Jato" que levou à prisão do ex-Chefe de Estado brasileiro. Tal como em relação ao processo "Vaza Jato".
Entendo que a Justiça (o poder judicial), seja em que parte do mundo for, deve ter uma forte e total independência em relação ao poder político e à componente ideológica. Nem um processo, nem outro, deveria estar politizado e partidarizado. Sempre defendi o direito à "presunção de inocência" até que um processo transite em julgado e seja apurada toda a verdade.
3. Será pura demagogia e mero populismo, e uma triste presunção altaneira e arrogante, achar-se que a corrupção tem o seu expoente máximo nas regiões sul-americanas ou africanas. Basta olharmos para o nosso umbigo, para a nossa realidade, para os "casos de justiça" nacionais, para percebermos e reconhecermos que Portugal não é exemplo "dos bons costumes da ética política e do serviço público". Seja na política, na governação (nacional, regional ou local), nas empresas, na economia, nas famílias e em cada um dos cidadãos. Basta, por exemplo, ver como, cada um de nós, de forma individual e particular, encaramos o cumprimento das obrigações fiscais (mesmo no simples facto de solicitarmos a mera factura sobre o consumo).
4. Mas infelizmente, perante toda a complexidade conhecida destes dois processos (aos quais se juntarão, inevitavelmente, os que atropelam os mais elementares direitos universais - como o caso "Marielle Franco"), dos seus impactos políticos, esta realidade brasileira mistura, no mesmo saco, a justiça com o poder político, a política e a ideologia. O que, infelizmente, dá sempre muito mau resultado; veja-se o caso actual da Catalunha e a reação à condenação, pelo Tribunal Supremo de Espanha, à condição de 'presos políticos' dos independentistas catalães (Oriol Junqueras, Jordi Turull, Raül Romeva, Dolors Bassa, Joaquim Forn, Josep Rull, Meritxell Borrás, Carles Mundó, Santiago Vila, Carme Forcadell, Jordi Sànchez e Jordi Cuixart).

Há uma questão incontornável na libertação de Lula da Silva (que não significa a sua absolvição): a devolução do sentido pleno da sua liberdade (mesmo que o processo continue o seu percurso judicial) tem impacto na democracia e justiça brasileiras. Algo que deveria ser mais abrangente do que a mera retórica ideológica da esquerda portuguesa (BE e PCP).

Independentemente de se gostar ou não de Lula da Silva, independentemente da maior ou menor proximidade ideológica com o PT, a libertação do ex-Presidente do Brasil é uma manifesta excelente notícia face ao preocupante rumo democrático do país. Mesmo que ainda esteja em suspenso o desfecho final do processo, Lula da Silva em liberdade será sempre um factor de estabilidade da democracia (por óbvia oposição a Bolsonaro), para além da sempre desejada pluralidade para o equilíbrio da qualquer sociedade.

publicado por mparaujo às 16:12

03
Nov 19

Há um elefante no meio da sala que a muitos teimam não ver.
O mundo está, hoje, numa perigosa escalada de instabilidade e conflitualidade social ou de contestações governativas.
Veja-se o que se passa na América do Sul (Chile, Bolívia, Equador, Guatemala), no Médio Oriente (Líbano, Iraque, Iémen) ou em África (Etiópia, Argélia, Sudão, Burkina Faso, Somália, Ruanda, Zimbabwe, Líbia), na Ásia (Hong Kong).
E, claro, o conflito internacional mais "mediático": Síria. Outra vez a Síria. Ou... ainda a Síria.

Importa acrescentar que, excluindo as regiões da América do Sul e Hong Kong, muitos destes países referenciados são geradores de fluxos significativos de migrantes e refugiados. E este é outro "elefante no meio da sala"... principalmente para a União Europeia.

Leva décadas a forma inconsequente, socialmente condenável, como a Europa tem tratado (ou não tem sabido tratar) a questão dos cidadãos migrantes/refugiados, nomeadamente após o boom do fluxo migratório dos últimos anos, com o Mediterrâneo a transformar-se, semana após semana, num assustador cemitério. Só este ano, segundo os dados da Organização Internacional das Migrações (outubro 2019), atravessaram o mar Mediterrâneo mais de 76.500 refugiados e cerca de 1.1000 perderam lá a vida (1 em cada 28 não chega à "liberdade").

Não é coerente, não é honesto colocarmos todo o ónus da responsabilidade no terrorismo, no estado islâmico, no conflito religioso, na corrupção que assola esses países, no tráfico humano. A fome, a miséria, os conflitos armados/a guerra, a obsessão pelo poder, a exploração de pessoas e recursos, os interesses geopolíticos e geoestratégicos, têm rostos e bandeiras. A Europa é um desses rostos, pela história, pela inércia, pela incapacidade de acção e de influência, pela subserviência a valores mais altos (que não mais dignos).

Esta inércia, esta incapacidade de acção e de se criarem políticas sociais comuns no seio da União Europeia, é preocupante.

Interessa-me muito pouco, muito poucachinho mesmo (para ser mais soft que o treinador Sérgio Conceição) a guerrinha de egos entre Nuno Melo e Marisa Matias, mesmo sabendo que a eurodeputado bloquista não foi, politicamente, séria na discussão (escondendo, porque lhe deu jeito) metade da história/dos factos. O velho estigma e mau hábito que só a "esquerda liberta e é socialmente responsável". Tretas.

O que importa é que, em cima da mesa, no parlamento europeu estiveram 4 propostas para votação, todas elas directamente relacionadas com a problemática do resgate e apoio aos refugiados que atravessam o Mediterrâneo (as 4 propostas de resolução podem ser consultadas AQUI). Excluindo duas das propostas - do grupo de extrema-direita "Identidade e Democracia" e do grupo eurocéptico e conservador ERC (Conservadores e Reformistas Europeus) - que eram explicitas na forma como condenavam e como recusavam qualquer apoio ou política para os Refugiados, as outras duas apresentavam, com diferenças pontuais, o mesmo objectivo: o apoio a processos de busca e salvamento de migrantes/refugiados no Mediterrâneo. Uma apresentada pelo deputado europeu espanhol, o socialista Juan Fernando López Aguilar, da LIBE (comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos) e outra pelo PPE (Partido popular Europeu). E aqui reside a vergonha e a tristeza de uma União Europeia que apenas se limita à distribuição de subsidiozinhos (apesar de relevantes para o desenvolvimento das regiões... não é isso que está em causa, obviamente).

A tristeza, o que é deplorável e condenável, é que o Parlamento Europeu tenha estado mais preocupado com diferenças de pormenor entre as duas propostas do que propriamente com a vida daqueles que fogem à morte nas suas terras para, infelizmente, a encontrarem no mar à procura da liberdade e da sobrevivência. O não acordo e a falta de conciliação das duas propostas levou ao chumbo das mesmas e, consequentemente, de todo o processo, acabando por entregar a vitória "social e política" aos extremismos, radicalismos e populismos.
Enquanto isso, vão continuar as guerras, os conflitos sociais, a fome, a miséria e a morte, sob o assobiar para o lado por parte de quem tem responsabilidade e tem a capacidade de intervir, positivamente, nesta problemática e realidade. Enquanto isso, vamos sofrendo a ameaça, real, da Turquia em abrir as suas portas, esquecendo-nos do triste acordo que a União Europeia (Angela Merkel) firmou com o Sr. Erdogan em março de 2016.
Por outro lado, infelizmente, os vários e muitos "Nunos de Melo" e as "Marisas Matias" do Parlamento Europeu vão continuar a medir propostas como os putos mediam pilinhas na escola primária: a minha proposta é melhor que a tua!

As vidas??!! ... podem esperar. Vergonha!

euroscolah100611-1-.jpeg

publicado por mparaujo às 21:54

O ex-líder da bancada parlamentar do PSD, no período de governação de Passos Coelho, já tinha anunciado a sua intenção de se candidatar ao lugar de Rui Rio (apesar, e sublinho apesar, do lugar de Rui Rio nunca ter estado disponível ou vago).
Nesta sexta-feira formalizou oficialmente a sua candidatura e abriu a campanha eleitoral, mas tal como surgiu o seu sonho (espera-se que não passe disso), também aqui da pior forma.

Já não bastava o manifesto desígnio de querer desvirtuar programática e ideologicamente o partido, posicionando-o onde ele nunca deveria ter estado em 2005 e, muito menos, entre 2010 e 2018 - no perigoso liberalismo, balofo conservadorismo e à direita (no espaço do CDS e, recentemente, do Aliança, da Iniciativa Liberal ou do, pasme-se, Chega) - vem agora, Luís Montenegro, de forma egocêntrica assumir-se como o centro e o sol do PSD (é o novo Luís XIV do partido - "Le PSD c'est moi!"). Não... não é. O PSD são os militantes, é a estrutura democraticamente eleita de forma pluralista (basta recordar a composição do Conselho Nacional e o número de apoiantes de Santana Lopes), é a sua comissão política nacional e o seu (actual) Presidente. O resto cheira a tomada de poder, a ressabiamento, a falta de sentido colectivo e democrático.
Mas há mais... é, no mínimo, politicamente desonesta toda a argumentação e demagogia usada por Luís Montenegro. Um partido forte, afirmando-se como alternativa ao PS (sem precisar de se "negar ideologicamente") e à actual governação, um PSD cheio de força (e obviamente uma força que só pode vir de dentro) é o que Rui Rio está a fazer (e bem) desde que chegou à presidência, em 2018.
Além disso, ao contrário do que é o foco central da frágil mensagem de Montenegro, quem está verdadeiramente obcecado pelo PS é o agora candidato oficial às directas de janeiro. É uma tentativa baixa de denegrir a liderança de Rui Rio ao confundir "vassalagem" com os superiores interesses do país e insistir, de forma continuada e persistente, na colagem de Rio ao PS. E esta é uma grande diferença: o sentido de responsabilidade política, de verdade política, de rigor e transparência, do respeito por todos os cidadãos, nomeadamente os sociais-democratas.

É, e sempre foi, óbvia a chegada de Luís Montenegro na actual conjuntura político-partidária: desde o Congresso, em 2018, até à surreal e absurda tentativa de destituição, em janeiro de 2019. E politicamente hipócrita a sua aparição na campanha eleitoral legislativa, claramente como prova de sobrevivência partidária e como tentativa de recolher palco mediático. Aliás, basta tomar como exemplo o recente debate parlamentar de discussão do Programa do XXII Governo (já lá iremos), apresentado, esta semana, na Assembleia da República. Luís Montenegro, lamentavelmente, não foi capaz de ter, no mínimo, o respeito institucional de reconhecer a excelente prestação parlamentar de Rui Rio e da bancada do PSD (como, por exemplo, Fernando Negrão). Algo que se ouviu da boca de Miguel Pinto Luz que elogiou a prestação do partido no debate do programa do Governo.
Esta falta de respeito político é de tal forma marcante em Luís Montenegro que teve o desplante e o topete de apelidar como "sua" a bancada parlamentar eleita no mês passado. Pena é que (ou se calhar, até, felizmente) não tenha o mesmo sentimento partidário para com um líder (independentemente de se gostar ou não... realidade que existe desde a fundação do partido com cada passagem de liderança) democraticamente eleito por maioria da vontade expressa dos militantes do PSD.

Mas pronto... regressou o PSD do "saco de gatos", da fobia pela cadeira do poder da São Caetano, na Estrela (sempre tão apetecível).
À apresentação oficial de Luís Montenegro - "A força que vem de dentro" - só faltou mesmo a musica de fundo com o tema da Nelly Furtado... "como uma força..." ('Força'). Ficava o quadro bem completo.

site montenegro.png

publicado por mparaujo às 12:34

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