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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Orgulhosamente sós... See you later!

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O Brexit passou à história... segue-se o "day after".

O Reino Unido deixa hoje, definitivamente, a União Europeia às 23h00 portuguesas e inglesas (fuso GMT) e às 24h00 da União Europeia. O Brexit pode, finalmente, abrir o champanhe, sem, no entanto, recordar que "a procissão ainda vai no adro" e que há muito ainda por discutir até ao final de 2020 (pelo menos).

Para já, há duas questões incontornáveis? Quem perde mais com a saída do Reino de Sua Majestade da UE? O que reserva o futuro após o 'day after'?

Reino Unido
Em 1973, a então CEE acolhe mais um Estado membro: o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte). Volvidos apenas dois anos, em 1975, o primeiro referendo coloca à prova a permanência na Comunidade Europeia: 67% vota pelo sim à continuidade.
41 anos depois, num claro erro político e uma desastrosa estratégia geridos por David Cameron (à altura, Primeiro-ministro eleito pelo Partido Conservador - apesar da sua preferência pública pelo "no deal"), os partidos Trabalhista, Aliança da Irlanda do Norte, Verde, Liberais Democratas, Partido Nacional Escocês, Sinn Féin, Partido Unionista do Ulster, entre outros, não foram suficientemente capazes de contrariar muito do populismo e demagogia que sustentaram os discursos "deal" de partidos como o Partido Conservador, Partido Unionista Democrático, Aliança Antiausteridade, Voz Unionista Tradicional ou o Partido da Independência (do extremista e eurocéptico Nigel Farage), como exemplos.
A 23 de junho de 2016, 51,89% dos eleitores 'britânicos' votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (contra 48,11% que optaram pelo "no deal" e pela permanência). O Brexit iniciava, assim, um período de mais 3 anos de altos e baixos, avanços e recuos, mais dúvidas que certezas, até à aprovação final, a 9 de janeiro deste ano (330 votos a favor e 231 contra) no Parlamento Britânico, da saída oficial do Reino Unido da União Europeia (31 de janeiro de 2020).
São muitas feridas que o Brexit deixa bem abertas. Primeiro, a memória do fatídico dia 16 de junho de 2016, quando a parlamentar trabalhista Jo Cox foi assassinada em Bristol por defender a permanência na União Europeia. Além disso, são evidentes, públicas e inequívocas as brechas políticas que o Brexit criou na própria união do Reino: Escócia e Irlanda do Norte à cabeça: a luta secular pela independência e, no caso dos segundos, acresce ainda o eterno desejo unionista (as duas irlandas numa só). Além disso, há uma fractura imensa na sociedade britânica, nas instituições e até nas famílias... e vai demorar a sarar.
A troco de um conjunto de populismos nacionalistas e chavões eurocépticos, aos quais se juntou o crescente sentimento anti-imigração, os britânicos (mais os ingleses e galeses) escolheram perder peso económico, político e estratégico.
A permanência na União Europeia, apesar de todas as circunstâncias e conjunturas, dava ao Reino Unido o conforto do peso internacional do bloco europeu, conferia-lhe dimensão política, assegurava-lhe capacidade negocial e económica. Com a saída os súbditos de Sua Majestade ficam dependentes de si mesmos (apenas), do resultado dos acordos com a União Europeia, fragilizados economicamente, dependentes da sua relação umbilical com os Estados Unidos da América (não sendo, nos dias de hoje, uma clara "segurança", nem uma aconselhável opção).
Como toda o sua altivez e vaidade nacionalistas e perseverança monárquica (mesmo a cair aos bocados), lá continuarão a conduzir pela esquerda.

União Europeia
A UE, com eventuais perdas menores, não deixa de sentir um sabor amargo neste contexto de rotura.
É inquestionável a sensação de fragilidade política que leva a colocar em causa o presente e o futuro da Comunidade. É óbvio que a União Europeia tem uma quota parte de responsabilidade neste Brexit porque se uns quiseram sair, a UE não foi capaz de ter arte e engenho para conseguir manter a sua unidade e não perder uma "peça de peso" na sua estrutura, perdendo o seu centro financeiro e ficando reduzida ao eixo franco-alemão (centro político e centro económico) com evidente supremacia do dinheiro/economia em relação à política.
Mas há mais... se é um facto que as vozes eurocépticas foram diminuindo no seu mediatismo (o que não significa que tenham desaparecido ou perderam peso e força), optando por aguardar novos desfechos e novos episódios, a União Europeia tem, a partir de hoje, enquanto durarem as negociações e os acordos que se seguem, desafios muito complexos para ultrapassar, sem que a União Europeia perca a sua essência, os seus valores e o seu sentido de unidade. Se os processo negociais resultarem em benefícios desproporcionados, com clara vantagem para o Reino Unido, isso pode ser manifestamente visto pelas vozes anti-UE como uma porta relativamente fácil para, face a potenciais crises políticas e sociais, surgirem novos Euroexits. E há 'bons' exemplos de quem não ensaie muito para colocar em causa a sua permanência, independentemente das vontades de integração da Turquia, Croácia, Albânia, Bósnia-Herzegovina, Islândia, Kosovo, República da Macedónia, Montenegro (a grande maioria destes países com fortes constrangimentos sociais, culturais e políticos).
Será, claramente, a forma como a União Europeia se projecte no presente e perspective o seu futuro, juntando processos 'pacíficos' de alargamento, e consiga criar fortes laços de unidade e integridade, com uma política forte de coesão social, de crescimento económico e financeiro, de ganhos e fortalecimento geoestratégico e geopolítico, que minimizará os impactos (haverá sempre) negativos do Brexit.

Day After
Se muitos pensam que o Brexit é o fecho e o fim de um ciclo podem "tirar o cavalinho da chuva". Este bem pode ser, como canta Sérgio Godinho, "o primeiro dia do resto das nossas vidas". E ainda a "procissão vai no adro".
Muitas horas, muitos dias, muitos avanços e recuos, hão-de acontecer, pelo menos, até ao final do presente ano. Serão negociados muitas contrapartidas, muitas regras e procedimentos, muita legislação que salvaguarde, agora, interesses contraditórios e opostos, nomeadamente aqueles que se sustentam na economia e nas relações comerciais e na livre circulação de pessoas e bens.

Mesmo que o processo seja, para já, irreversível (não sei se o será definitivamente... o que pode criar, no futuro, outro grande e complexo problema à União Europeia: um hipotético regresso - como? em que moldes? de que forma? igual a um outro qualquer pedido de adesão?) muita água irá correr por debaixo da ponte.

A história continuará... a vida também. Mas para o UK e para a UE nada será como dantes... há um antes de 31 de janeiro de 2020 e um depois do Brexit.

Em política as palavras contam... e muito.

A proposta da (ainda) deputada do Livre na Assembleia da República, Joacine Katar Moreira, que prevê a devolução às antigas colónias portuguesas de património cultural e histórico que faz parte do acervo museológico nacional é, no mínimo, discutível e polémica. Mas isso não justifica, nem legitima, que, ao abrigo da impunidade parlamentar ou da suposta liberdade de expressão, se use uma retórica clara e inequivocamente xenófoba e racista.
A ironia, ou, no caso, o completo falhanço humorístico, não fundamenta, nem justifica, um deplorável ataque à dignidade humana espelhado na afirmação do deputado do Chega na Assembleia da República, André Ventura, que sugeriu que Joacine seja "devolvida ao seu país de origem", o que tornaria tudo "muito mais tranquilo para todos... inclusivamente para o seu partido! Mas sobretudo para Portugal!". Mesmo que Joacine Katar Moreira tenha nacionalidade portuguesa, apesar de ter nascido na Guiné-Bissau.

As declarações de André Ventura não têm qualquer tipo de legitimidade, de justificação, nem podem ser aceitáveis.
Primeiro... porque a liberdade de expressão não legitima qualquer ataque de ódio ou racista.
Segundo... porque a impunidade parlamentar não justifica um ataque desta natureza a alguém que é democraticamente eleito e um par entre os pares.
Terceiro... porque tem que haver limites a uma suposta retórica política, a uma criticável demagogia que fere a dignidade de qualquer cidadão, sob a falácia do confronto político.

Daí que sejam de aplaudir todas as criticas ao ignóbil discurso de André Ventura já expressas pela "sociedade civil", por instituições e entidades, pelo poder político (partidos, ministros, ...).

Só que no caso dos partidos políticos há um outro lado da moeda (há quase sempre um "vice-versa").
Partido Socialista (Ana Catarina Mendes), Livre (apesar de continuar, em crescendo, toda a polémica que envolve a relação partido vs deputada), Bloco de Esquerda (Pedro Filipe Soares), Adolfo Mesquita Nunes, entre outros (como por exemplo a Ministra da Justiça).
A questão, principalmente no que toca aos partidos com assento parlamentar, é que todo este mediatismo tem duas vertentes que não podem ser escamoteadas. Uma que é inevitável e preferível, apesar de tudo, ao silêncio: a ampliação pública da afirmação de André Ventura que, incompreensivelmente, em pleno século XXI, ainda colhe adeptos.
A outra é a recolha de dividendos políticos, de ganho de popularidades partidárias, à custa das críticas (e, infelizmente, da própria visada/atacada Joacine). Como aliás refere o insuspeito bloquista José Manuel Pureza. As críticas dos mencionados Livre, do PS e do BE não passam de mensagens marcadamente políticas porque, infelizmente, não há qualquer consequência política ou condenatória para a execrável atitude do deputado e líder do Chega, André Ventura.
Verdadeiro impacto e desejadas consequências das críticas proclamadas de condenação das declarações xenófobas e racistas seria a Assembleia da República poder ir mais longe que um inconsequente "voto de repúdio". É apenas um "louro" político que, estupidamente, favorece também o populismo político-partidário e ideológico do Chega, dando-lhe eco e palco.

Curiosamente, ao contrário de tanta "falsidade", "cobardia", "vergonha", gritadas aos 4 ventos na última assembleia do Livre, a melhor resposta foi a da própria Joacine que se limitou, para já, ao silêncio.

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Porque a História nunca pode (deve) ser travada...

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É um marco incontornável da realidade e história contemporânea: a II Guerra Mundial e o extermínio étnico - Holocausto - que vitimou um número estimado superior a 11 milhões de cidadãos, 6 dos quais homens (3 milhões), mulheres (2 milhões) e crianças (1 milhão) judeus.
Sob o desígnio político-nacionalista Endlösung der Judenfrage (Solução Final), com a ignóbil desculpa/justificação dos lebensunwertes Leben (indignos da vida), foram condenados à morte, morreram pela exaustão do trabalho escravo (o tal que "libertaria") ou pelas condições deploráveis, nos 48 campos de concentração nazi, milhares e milhares de judeus, ciganos, eslavos, polacos, comunistas, homossexuais, maçons, prisioneiros de guerra, deficientes físicos e mentais.

No total,  foram erguidos cerca 48 Campos de Concentração nazis (os mais relevantes) distribuídos por países como a Alemanha, Polónia, Áustria, Noruega, Itália, França, Países Baixos, Croácia, Lituânia, Estónia, Ucrânia, Bielorrúsia, Letónia e República Checa, dos quais 13 eram marcadamente campos de extermínio étnico.

De todos eles o que ganhou uma maior dimensão histórica e social foi o de Auschwitz-Bikernau (que, na verdade, era uma rede de 3 campos no sul da Polónia: Stammlager Auschwitz (administrativo); Auschwitz-Bikernau (extermínio) e Auschwitz-Monowitz (trabalho forçado), e ainda mais 45 pequenos campos satélites) pelo seu peso, pela sua dimensão e relevância no terrível genocídio.

A 27 de janeiro de 1945, no final da II Grande Guerra, as tropas soviéticas iniciaram o processo de libertação dos prisioneiros dos Campos de Concentração de Auschwitz.
São 75 anos de muitas histórias de sobrevivência, de clamor pemanente por justiça, de intensas memórias...

Porque a história nunca pode ser travada...
Para que a MEMÓRIA «Nunca esqueça que, na história e na vida de milhões de pessoas, existiu um lugar chamado Auschwitz»...
Pelos 'auschwitz' e 'holocaustos' que vivemos, promovemos e assistimos HOJE!

Auschwitz (2020)(créditos das fotos: Memorial Museum Auschwitz e ONU)

Livros Auschwitz

O lado A...ngola

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Não. Nesta história do Luanda Leaks não há um lado B.
As coisas são o que são e são-no em todos os contextos.

A "panela de pressão" rebentou... fervia há anos, suspeitava-se o que estava a ser "fervido" ou "cozinhado", apesar da falta provas. Não há, por isso, qualquer novidade na bomba que rebentou nas praças internacionais (não apenas em Angola ou Portugal) neste fim de semana e que tem ocupado o mediatismo da actual agenda.
As suspeitas sobre o enriquecimento de Isabel dos Santos são antigas e já há alguns anos eram questionadas/levantadas, as suspeitas sobre a governação angolana de José Eduardo dos Santos não são novidade, as suspeitas sobre negócios menos transparentes (nomeadamente os que resultavam da exploração e comercialização de diamantes) há muito que eram anunciadas.
A novidade do Luanda Leaks surge por via da divulgação pública dos documentos que (alegadamente) provam todas as suspeitas.
Mas não só...

Há duas realidades que importa destacar em todo este processo.

Primeiro, a fazer lembrar o inócuo dos Panama Papers, a questão do consórcio internacional que apurou os factos e divulgou a documentação, do qual fazem parte a SIC e o jornal Expresso.
O jornalismo de investigação é um inquestionável meio para, em vários contextos, se apurar a verdade, servir como factor de escrutínio público de factos que tenham impacto na vida dos cidadãos, das comunidades, das instituições e da sociedade. Sobre isso não há (não pode haver) qualquer dúvida. Mas como em qualquer género jornalístico, também a investigação tem regras, códigos de conduta e obedece a princípios de rigor e transparência.
É, no mínimo criticável, que não se coloque em causa forma como foi apurada/obtida a informação neste processo quando comparado com outros Leaks não muito distantes no tempo (wikileaks e o caso de Edward Snowden - presidente da Freedom of the Press Foundation) ou ainda mais recentemente, preso e a aguardar julgamento, o caso de Rui Pinto (football leaks).
Mais ainda... é, no mínimo, curioso, com todo o avanço tecnológico/informático e a facilidade (para alguns) com que se obtém, hoje, informação tão relevante e bombástica, que o processo Luanda Leaks só tenha vindo a público depois da família Dos Santos deixar o poder em Angola. Isto, apesar, de todas as suspeitas que alguns sempre tentaram denunciar.

Segundo, tal como tantas vezes a política transparece, também o universo dos negócios é um mundo obscuro, hipócrita, opaco, apócrifo.
Durante décadas, empresas, empresários, bancos e banqueiros, políticos e governantes, viveram na sombra dos negócios da oligarquia angolana. E todos sabiam...
Mal surgiram publicamente as eventuais provas todos viram costas, tratam de limpar os estilhaços e salvar a pele.
Como diz, sabiamente o povo (invertendo-se os factores): "sabem-se as verdades, zangam-se as comadres".

Obviamente.... Demita-se!

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Por norma, as forças de segurança criam um sentimento de "amor-ódio" na sociedade pela hibridez dos contextos com que as pessoas se relacionam ou convivem com essas forças. Mas há um pressuposto inquestionável: as forças de segurança são peça fundamental no equilíbrio social de um Estado de Direito. Independentemente, tal como em inúmeras profissões, de serem cometidos erros, seja pelas estruturas, seja pelos profissionais. Isso faz parte da vida.
Neste âmbito, cabe a Polícia de Segurança Pública (PSP). Protege, multa, assegura as liberdades e garantias e a segurança de pessoas e bens, para além de ser o garante da chamada 'ordem pública'. Com erros?! Sim... alguns evitáveis, outros escusados e ampliados pela génese da função. Mas também com muitos honrosos e heróicos feitos e brios profissionais.

Por outro lado, a um Ministro que tutela uma determinada área ou entidade, em alguns casos (como o caso) de forma muito directa e presente, no mínimo, espera-se que tenha algum senso político para, em caso de discórdia, saber intervir, resolver, solucionar, pacificar e valorizar.

O Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrito, soube fazer isto tudo... mas ao contrário e pela forma mais negativa e condenável.

Já não é de agora (embora tenha ganho uma maior dimensão) que os profissionais da PSP se queixam da falta de condições para o exercício das suas funções, a maioria das quais exigidas e solicitadas pela sociedade e pelo próprio Estado. Nesta falta de condições cabe, de forma significativa, a ausência de equipamento(s) necessário(s) para o exercício das funções de segurança pública.
Tudo isto é do conhecimento público, tantas vezes provado e comprovado, quer pelos profissionais, quer pela própria estrutura hierárquica da PSP.

Não é por isso admissível que o Ministro venha, publicamente, numa entrevista à TSF e ao Diário de Notícias, dizer que «os Polícias compram equipamento porque querem e não têm nenhuma necessidade de o fazer».
Por menos, bem menos, já houve quedas ministeriais: por expressões ou gestos muito mais inofensivos (a "bofetada" de João Soares ou os "corninhos" de Manuel Pinho); por egos académicos (erros nos currículos); ou pela pressão das conjunturas (ministros Constança Urbano de Sousa, Adalberto Campos Ferreira ou Luís Filipe Castro Mendes).

As afirmações do Ministro Eduardo Cabrita são inaceitáveis do ponto de vista político, social e da segurança. É uma condenável negação da realidade demasiadas vezes comprovada, descredibiliza a PSP, demonstra um desconhecimento da área que ministra e tutela e, acima de tudo, desrespeita completamente os profissionais da PSP.
No mínimo, no mínimo dos mínimos, é um total absurdo um Ministro achar que um profissional (tantas vezes tão 'mal pago' e tão contestatário da sua condição laboral) se dava ao luxo de gastar dinheiro pessoal só porque sim... porque seria 'giro' andar 'bem armado'. Que falta de sentido de Estado, de ausência de condição para o exercício ministerial e político.

Um alto cargo público, governativo, de Estado, não pode estar sujeito a estados de alma trauliteiros. Obviamente...

(*) Crédito da foto: Mário Cruz / Lusa

O que é demais cheira mal... e já chateia.

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Uma das principais virtudes de um verdadeiro líder é a sua elevação e grandeza nas vitórias e, igualmente, nas derrotas.
Algo que o discurso de Luís Montenegro não teve na noite eleitoral de ontem.
O que revela muito da sua ética política. Aliás, o que não se estranha desde o congresso de fevereiro de 2018. E, acredito, infelizmente, não irá parar por aqui.

Independentemente das regras em vigor (que obrigam a uma, "escusada", segunda volta... que em nada irá beneficiar o partido), só alguém com todo o topete político pode questionar uma vitória que ficou a cerca de 0,5% de uma clara maioria que terminaria, no sábado, o assunto das directas no PSD. Com topete e sem qualquer respeito democrático.

Mas o descaramento de Montenegro não fica por aqui. Há três notas nas suas afirmações que são demasiado graves, e falaciosas, para ficarem em claro.

Afirmou Luís Montenegro que "foram mais os militantes que votaram na mudança do que na continuidade". Não não foram...
A existência de duas candidaturas que se opuseram à reeleição de Rui Rio, significa tão somente que os 9,2% de militantes que votaram em Miguel Pinto Luz não votaram, de facto, na continuidade de Rui Rio mas também não quiseram a mudança de Luís Montenegro. A usurpação desses votos é, no mínimo, uma total falta de respeito pelo legítimo e democrático exercício de voto desses militantes.
Mas há ainda um facto curioso nesta afirmação de Montenegro, revelador da sua incoerência política e do seu jogo de pura demagogia eleitoral. Regressemos às legislativas de 2015. À data, PSD e CDS (PaF), foram a coligação mais votada nesse acto eleitoral. No entanto, a maioria dos portugueses elegeu uma Assembleia da República, maioritariamente, de esquerda (a tal 'geringonça'). Na altura Montenegro 'rasgou as vestes' ao criticar o que chamou de assalto ao poder por parte do PS e dos seu 'aliados', contrariando o que era a 'tradição' de constituição de um Governo pelo partido mais votado. Pois... a coerência é uma coisa chata mas não pode servir quando nos dá jeito. Luís Montenegro deita por terra qualquer seriedade e honestidade política ao usar, agora, os mesmos argumento do PS, BE e PCP na altura.

As Directas são eleições internas para a escolha do presidente do PSD. São, por isso, eleições que disputam projectos internos. Durante a grande parte, se não a maioria, da campanha eleitoral Luís Montenegro escolheu como alvo principal Rui Rio, acusando-o e criticando-o. Vir agora afirmar que o seu adversário é António Costa é, no mínimo, ridículo mas ao mesmo tempo revelador da sua obsessão pelo poder.
Pelo contrário, Rui Rio sempre manifestou e espelhou uma clara magnitude política: através do PSD, servir Portugal e os Portugueses.

Por último, Montenegro apresenta-se com uma presunção vencedora que se lamenta (para além de um erro político, mas isso já é problema seu).
Não é eticamente compreensível (e aceitável) que um político/candidato se apresente a um qualquer acto eleitoral como um anunciado vencedor ou, pior ainda, no caso de Montenegro afirmando (mais que uma vez) que ganharia as eleições de 2021 (autárquicas) e as de 2023, assumindo-se como Primeiro-ministro antecipado.
As eleições não se ganham previamente, não há vencedores antecipados. As eleições 'tentam-se' ganhar, conquistam-se. Primeiro, porque há um conjunto de factores que não se controlam ou que condicionam os actos eleitorais, como as conjunturas políticas. Segundo, e principalmente, porque ninguém é dono dos votos, o voto pertence à vontade e livre opção de cada eleitor.
Talvez por isso não seja de estranhar que Luís Montenegro tenha perdido, em Espinho, as eleições autárquicas de 2005 para o PS local (o socialista José Mota) e tenha perdido, agora, a primeira volta das directas no PSD, quando se apresentou, presunçosamente, como vencedor, com maioria (à 1.ª volta). Curiosamente, nem no distrito 'natal' (Aveiro), nem no Concelho de Aveiro onde encerrou a campanha e tão fervorosos adeptos tinha (ou como alguém referiu, numa das sessões de campanha, no Porto: "O Melhor de Aveiro" com Luís Montenegro).

Uma coisa Montenegro pode ter a certeza...
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) não querem um PSD esvaziados dos seus fundamentais princípios da social-democracia, fora do seu posicionamento ideológico (ao Centro) que Sá Carneiro tanto defendeu.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que não querem ver um PSD regressar ao sombrio e vazio tempo de 2010 a 2018.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que não aceitam que PSD ocupe um espaço político (perigosamente neoliberal) que não é o seu por natureza, que se confunda com CDS, Iniciativa Liberal, Aliança ou Chega.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que querem ver um PSD ao centro e que, dessa forma, contribua para o fim dos extremismos (à direita e à esquerda).
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa), o maior número, que entendem que Rui Rio é o líder certo para construir uma alternativa política a António Costa, capaz de defender Portugal e os Portugueses.

Uma mentira repetida várias vezes... nem sempre se torna verdade

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Ou como, facilmente, se atira a ética política para o lixo.

Nesta campanha para as eleições directas para a presidência do PSD já não bastava a bipolarização "pró ou contra" Rui Rio para termos assistido, desde a primeira hora, a um chorrilho de demagogias inconsistentes e incoerentes, nomeadamente por parte de Luís Montenegro.
À falta de uma alternativa consistente em relação à liderança de Rui Rio, à falta de uma argumentação sólida que colocasse em causa, de forma rigorosa, Montenegro refugiou-se numa estratégia baseada num pressuposto errado e falso: uma suposta (que nunca existiu, nem nunca foi anunciada) aliança ou submissão do PSD ao PS. Isso é uma pura falácia, engodo político, demagogia eleitoral e uma tentativa deplorável de denegrir o carácter e a imagem de Rui Rio.
Confundir "sentido de Estado" ou superior interesse do país e dos portugueses (incluindo todos os sociais-democratas com "muletas", "vassalagens", "submissões", é apenas irresponsabilidade política e partidarismo balofo.
Para além de desvirtuar, esgotar ou despojar o PSD da sua génese e posicionamento ideológico (bem definido por Rui Rio... ao CENTRO), é totalmente irracional a estratégica de Luís Montenegro de querer colocar o partido num espaço político liberal e conservador, perfeitamente alheio aos valores e princípios da social-democracia. Para isso já existe o CDS ou a Iniciativa Liberal, para isso já nos bastaram alguns anos de sacrifício partidário.

Mas a inconsistência da campanha e estratégia de Montenegro esteve também presente num conjunto de mensagens e afirmações incoerentes. Para além de não trazer nada de novo ao que é qualquer estratégia óbvia de liderança do partido (tal como sempre afirmou Rui Rio: ser Governo, ser alternativa ao actual estado do país, liderar o maior número de autarquias) Montenegro procurou dividir, criar a dúvida e desvalorizar a presidência e a actuação de Rui Rio. Basta recordarmos, como mero exemplo, a obsessão pela pressa na definição do sentido de voto do PSD em relação ao Orçamento de Estado. Mesmo que isso significasse uma tomada de posição sem qualquer fundamentação e argumentação válidas ou que soasse apenas a ruído político (muito à semelhança da identidade discursiva da esquerda).

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E é importante recordar a incoerência e a deriva política de Luís Montenegro: quando líder da bancada parlamentar do PSD, bem ao lado de Pedro Passos Coelho, o PSD anunciava, a 22 de fevereiro de 2016, o voto contra a proposta de Orçamento do Estado para 2016. Até aqui nada de anormal... apenas não fosse o caso da discussão o OE2016, na Assembleia da República ter início nessa mesma tarde. Nessa altura também não era enganar e iludir os sociais-democratas e os portugueses? Ou a realidade é só quando nos convém, tipo catavento?
Mais ainda... a tentativa de Luís Montenegro colar Rui Rio a António Costa, para além de ridículo, cai facilmente nas imensas contradições das posições do ex-líder parlamentar. É de uma enorme incoerência acusar Rui Rio para, publicamente, defender uma recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa depois de um mandato onde o Presidente da República andou com o Governo claramente "ao colo" e defendeu a união das esquerdas em torno do OE2020 e da sua aprovação.

Por isso...
contra o "ressaibismo" partidário...
contra a deterioração e esvaziamento programático do partido...
pela afirmação do PSD no centro da ideologia política portuguesa...
pela ética e responsabilidade políticas...
pelo rigor e firmeza na liderança partidária...
pela preservação dos valores e princípios da social-democracia...
por um PSD ao serviço de Portugal e dos Portugueses...

EU VOTO RUI RIO. Porque é a melhor liderança para o PSD... a melhor alternativa a António Costa... a melhor proposta para recentrar o PSD e devolver a sua relevância autárquica.

Sobre OE2020... curto e grosso

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O Orçamento de Estado para o ano de 2020 entrou na sua fase de apresentação e discussão parlamentar com vista à sua (para já, garantida) aprovação na generalidade (globalidade).

BE, PCP, Os Verdes, Livre, PAN, a chamada "liga das esquerdas", anunciaram o seu sentido de voto: Abstenção.
António Costa e Mário Centeno, desde a primeira hora das abordagens ao OE2020,  apelidaram este Orçamento de continuidade (em função da anterior legislatura) e de esquerda.

Face às criticas e ao sentido de voto da "liga dos 5" percebe-se que a continuidade da Geringonça faliu e que o OE2020 diz muito pouco às Esquerdas. O resto não passa de jogo político porque também é mais que óbvio que o OE2020 irá passar na globalidade e especificidade na Assembleia da República.

Tretas, portanto.

Haver ou não haver guerra... eis a questão.

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Ou como paira no ar uma ilusória sensação de paz.

Não alinho no coro (que acho desafinado) daqueles que acham que caiu o pano sobre um eventual conflito Irão(Iraque)/Estados Unidos da América.
Assim como também não alinho naqueles que acham que podemos voltar todos à normalidade, que não há mais "nada para ver" depois dos acontecimentos que ditaram a morte do general iraniano Qasem Soleimani.
Tudo porque a reacção norte-americana à resposta iraniana à morte de Soleimani foi uma patética declaração de Trump.

Seria então preferível que os Estados Unidos cumprissem as ameaças do presidente norte-americano? Obviamente que não... ninguém, no perfeito juízo (algo que falta para os lados da terra do 'Tio Sam'), preferirá a guerra/violência.
Mas também é óbvio que tinha sido (mais) preferível que Donald Trump tivesse tido o bom senso (se é que isso é possível) de não ter tomado um dos maiores erros geopolíticos, como foi a decisão assumida no final da passada semana (3 de janeiro).

Mas apesar da reacção norte-americana aos mais de 20 misseis literalmente "descarregados" pelo Irão contra duas bases militares americanas sediadas em Al Assad e Erbil, no Iraque, ter sido um chorrilho de demagogias proferidas por Trump (e não, felizmente, uma resposta militar) ainda me falta muito para poder ficar convencido que tenha regressado a normalidade (ou alguma normalidade possível). Não me parece...

Do lado iraniano, o primeiro passo foi dado para vingar a morte do seu principal general. Aliás, afigura-se claro que a retaliação foi cirurgicamente preparada, evitando propositadamente vítimas, mas, simultaneamente, mostrando (internamente) aos iranianos que a morte de Soleimani não será facilmente esquecida.
Segue-se o crescimento da aversão e do ódio aos Estados Unidos (e respectivos aliados), o desejo que as tropas americanas instaladas em toda a região (e não apenas no Iraque) abandonem as suas bases militares. Há ainda o jogo geopolítico da vontade do Irão se afirmar na região e provocar o isolamento e enfraquecimento dos três principais aliados 'ocidentais': Israel, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Por último, apesar das circunstâncias, esta foi uma janela de oportunidade única para o Irão ter um argumento de peso para rasgar o acordo de limitação nuclear - Plano Conjunto de Acção, assinado em julho de 2015.

Do lado norte-americano a desgraça política e estratégica é quase total. Nem o facto de terem morto Soleimani escapa ao deplorável jogo político de Trump para salvar a pele como presidente, que nem para "consumo interno" consegue afirmar-se.
O argumento de terrorismo, independentemente dos actos militares cometidos às ordens do general iraniano, é perfeitamente inconsistente. O principal inimigo terrorista dos Estados Unidos, como os próprios americanos há muito determinaram, tem sido o jihadismo islamita (salafita e wahabita) presente na Al Qaeda, no Daesh, nos afegãos Talibãs, nos sírios do Jabhat Fateh al-Sham ou nos africanos Boko Haram. Grupos terroristas do extremismo islâmico que o Irão repugna e que o próprio Soleimani combateu. É, portanto, uma justificação de Trump, no mínimo, incongruente.

A verdadeira razão para esta decisão absurda e (extremamente) perigosa, ainda longe do seu fim, foi, claramente, uma razão de ego político e de salvar uma imagem política caduca, perante o risco de perder a reeleição nas próximas eleições (daí o repetido e absurdo discurso crítico em relação à Administração Obama) ou ainda a embrulhada política que levou ao processo do impeachement.
A declaração de hoje (8 janeiro) de Donald Trump não é mais que a consciencialização de uma enorme derrota política e geoestratégica. O assassinato de Qasem Soleimani não teve qualquer legitimidade internacional (ONU/Conselho de Segurança) ou suporte e apoio dos tradicionais aliados americanos, nomeadamente a União Europeia e a NATO. Mais ainda... o que se esperava ser um trunfo político eleitoralista resultou numa estrondosa falha estratégica já que nem internamente (nos Estados Unidos) a decisão de Donalda Trump foi consensual. Aliás, bem longe disso.
Os riscos de uma escalada de violência e uma indesejada eventual repetição da Guerra do Golfo (do início da década de 90), com clara vantagem no terreno para o Irão, a inquestionável entrada em cena, mais tarde ou mais  cedo, da Rússia e da China como claros opositores de peso aos estados Unidos, pesaram, mesmo que tardiamente, na decisão americana de não retaliação.
Donald Trump e os Estados Unidos viram-se, de repente, obrigados a recuar e a redirecionarem a sua estratégia e discurso para o low profile político da temática da produção Nuclear e do Acordo rasgado, tentando, com isso, colocar a comunidade internacional ao seu lado. Mas mesmo neste campo, nem tudo é ouro sobre azul para a Administração Trump. Não é, de todo, previsível que o Irão queira sentar-se à mesa de uma negociação com o principal "inimigo público", com um país e um presidente que não inspira qualquer tipo de confiança e respeito.

A embrulhada está feita... os nós para desatar são vários, os cenários são múltiplos e, sinceramente, a procissão ainda vai no adro. Infelizmente para o Mundo.

Passar da(s) Palavra(s) aos actos...

Promovida, mais uma vez, pela Porto Editora, os portugueses escolheram a palavra do ano de 2019.

Por si só, qualquer contexto de violência é condenável, criticável e deve ser denunciado.
Têm vindo a público inúmeras realidades reprováveis: 900 casos de violência contra profissionais da saúde (normalmente, médicos e enfermeiros); praticamente todas as semanas há registo de casos com professores e auxiliares de educação; são mais que significativos os casos de violência contra idosos, seja em contexto familiar, seja, infelizmente, em contexto institucional; são as situações de roubo/assalto, algumas com finais trágicos; são as violações ou os abusos sexuais, incluindo, abominavelmente, crianças; é, ainda, a violência psicológica ou fruto da exclusão.

Mas os portugueses foram mais específicos... manifestaram uma consciência social e colectiva importante, espelharam o que tem sido um flagelo social que tem vindo a crescer, contrariamente ao que seria de esperar e desejável: a "Violência Doméstica".
Poderia ter sido uma outra opção mais confortável, eventualmente mais mediática ou mediatizada, como, por exemplo as palavras "seca", "sustentabilidade", "lítio", "trotineta" ou "jerricã".
Foi antes, uma escolha que, em si mesma, é o reflexo de uma inaceitável realidade social: em 2019 morreram 38 pessoas vítimas de violência doméstica (30 mulheres, 7 homens e 1 criança).

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O Dia das Mentiras (1 de abril) calhou a 4 de janeiro de 2020

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(créditos da foto: Estela Silva / LUSA)

Por tradição (mesmo que sem nexo aparente) o dia 1 de abril, considerado o 'dia das mentiras', é a altura do ano onde cabe o engodo com base numa inocente partida, mentira ou piada.

O Bloco de Esquerda conseguiu quase tudo isso antecipando o dia 1 de abril para hoje (4 de janeiro).

A piada, à qual podemos juntar a demagogia populista (há quase tudo de tão populista no discurso político e nas opções política do BE como no perigoso populismo da extrema-direita), está feita no anúncio público de Catarina Martins: o Bloco de Esquerda não vai votar favoravelmente o Orçamento de Estado para 2020.

Tretas...

O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que aritmética partidária na Assembleia da República é muito favorável ao PS e ao Governo de António Costa, apesar de não terem maioria absoluta.
O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que a conjuntura vivida na anterior legislatura não é repetível nos próximos 4 anos porque o PS já não precisa do BE e do PCP de forma tão intensa e estreita.
O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que todo o discurso que tem proferido não passa de uma falácia e um mero bluff. O facto de não votarem favoravelmente não tem impacto rigorosamente nenhum já que é mais que óbvio que o BE se vai abster na votação, abstenção essa que é mais que suficiente para que o OE2020 seja aprovado.
O Bloco sabe muito bem, e tenta tudo para o disfarçar, que os últimos quatro anos da coligação "Geringonça" foram apenas um jogo político (para afastar o PSD da governação), sem qualquer vantagem para o país e para os portugueses, e sem 'frutos partidários' para o BE e PCP (antes pelo contrário como espelham os críticos internos no BE ou o resultado eleitoral do PCP). Como resultado, bloquistas e comunistas sentem-se agora meras marionetas e que foram politicamente usados pelos socialistas.
O Bloco sabem muito bem que, votando contra o OE20202, seria politicamente muito difícil justificar e sobreviver a um novo "2011". Repetir a 'história' seria um suicídio partidário.

Portanto, todas as críticas ao Governo e ao PS, bem como ao OE2020 (que é uma continuidade do que foi a anterior governação... sem tirar nem pôr) não passa de demagogia política para convencer o seu eleitorado e para se desresponsabilizar, perante os portugueses, do actual e futuro Estado da Nação.

Não façam é dos portugueses parvos... porque cada vez há mais memória política colectiva.
E o Bloco de Esquerda, tal como o PCP, são corresponsáveis (nem que seja por omissão) pelo estado do país.

Nem todos os meios justificam os fins... ou quase nunca o justificam.

Começa da pior maneira o ano de 2020. Muito mal, mesmo.

E se muitos (infelizmente, a maioria) acham que os recentes acontecimentos no Médio Oriente, nomeadamente em Bagdad (Iraque) e, mais concretamente, a morte do general iraniano Qasem Soleimani (o segundo da hierarquia do regime do Irão), são aí mesmo, num longínquo médio oriente (onde a maioria só em 'sonhos' se imagina de férias no Qatar ou Dubai) é urgente alertar para a importância da tomada de consciência com a realidade e a necessidade de assentarmos bem os pés na terra.
O que se passou com a decisão (para alguns à margem da própria constituição e num manifesto abuso dos poderes presidenciais) tomada por Donald Trump em avançar com uma acção militar para assassinar Soleimani foi um evitável, deplorável e condenável "acto de guerra". Não há qualquer argumento que consiga minimizar o impacto de tal decisão de supremacia política que, só por si, já há muito que deveria ser controlada. Não se evita uma guerra (segundo as palavras do presidente norte-americano) abrindo outra guerra (aparentemente maior).
À margem de qualquer decisão do direito internacional (nomeadamente da ONU), o que Donald Trump fez foi, claramente, legitimar e justificar toda e qualquer escalada de violência e de terrorismo que se avizinha e que o Médio Oriente, nomeadamente o Irão, já prometeu.

Os impactos são óbvios... um aumento substancial do valor do petróleo e as consequências que o mesmo pode ter na economia mundial (pode ser que depois disso os muitos portugueses cépticos ou indiferentes comecem a perceber a realidade); um eventual regresso da "Guerra Fria" face ao posicionamento (mesmo que aparentemente neutral, devido ao terrorismo islâmico) da Rússia e o bloqueio nas relações comerciais China-USA; o aumento exponencial dos actos de terrorismo islâmico provocados pela sede de vingança e pelo reforço do extremismo político-religioso.

O mundo já tinha vivido este sentimento de enorme insegurança a partir de 1990-91, com a Guerra do Golfo, após o Iraque ter invadido (e tentado anexar) o Kuwait. Importa recordar que, na altura, a reacção da comunidade internacional (e não apenas dos estados Unidos) tinha como sustentação a Resolução 678 do Conselho de Segurança da ONU.
A década que se seguiu culminou com o ataque, em pleno território americano, às 'Torres Gémeas" (World Trade Center) e ao Pentágono, no fatídico 11 de setembro de 2001.
A partir daqui o mundo não seria mais o mesmo.
Seguiu-se, curiosamente também sob uma administração Republicana (George W. Bush), a invasão do Iraque que levou ao derrube (em 2003) e morte (por enforcamento, em 2006) de Saddam Hussein, sob a (inventada) suspeita de armas de destruição maciça ou massiva (por empréstimo externo, se usarmos o anglicismo). Um dos maiores flops da história geopolítica e que, até aos dias de hoje, tantas mortes provocou, seja pelos atentados terroristas no continente africano, no próprio Médio Oriente, na Europa, por exemplo, ou através da tragédia humanitária que tem sido a crise dos refugiados, nomeadamente aqueles que morreram nas águas do Mediterrâneo.

Esta perigosa presunção, infelizmente demasiadas vezes sustentada e 'aplaudida' por tantos "aliados", dos Estados Unidos serem os senhores/donos do mundo, os arautos da democracia e dos valores, os guardiões da liberdade e da verdade, só tem resultado num Mundo intolerante, sem respeito pelos outros ou pelos mais elementares direitos humanos, cada vez mais inseguro, menosprezando o direito à liberdade e à coexistência. A isto podemos ainda acrescentar o perigo subjacente ao exercício do poder por parte de um dos presidentes norte-americanos mais incauto e politicamente inadaptado para o cargo: Donald Trump.

Quando os interesses geopolíticos e geoestratégicos, aliados às 'vontades' económicas (ou interesses economicistas) se sobrepõe a todos os valores fundamentais e universais, não há argumento que justifique, valide ou sustente qualquer meio que leve à violência.
No caso concreto, lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump ataquem o Irão e o Iraque, mas validem todos os atentados aos direitos humanos que emergem na Arábia Saudita e nos Emirados Arabes Unidos. Lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump não tenham tido a mesma posição de força, por exemplo, no caso do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi. Lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump tenham contribuído para o alimentar do conflito entre Israel e a Palestina, por exemplo, com a decisão de mudar a embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém, numa clara atitude provocatória e de demonstração de força política.
No caso concreto, lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump não tenham qaulqer tipo de preocupação com as consequências da decisão e os impactos futuros, apenas o interesse em salvar a face política (se é que alguma vez a teve) do presidente norte-americano perto de um acto eleitoral e sob a ameaça de um impeachment.

A partir de 2 de janeiro de 2020 o Mundo ficou, ainda, mais perigoso. Bullshit, Mr. Trump.

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