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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

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O Dia das Mentiras (1 de abril) calhou a 4 de janeiro de 2020

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(créditos da foto: Estela Silva / LUSA)

Por tradição (mesmo que sem nexo aparente) o dia 1 de abril, considerado o 'dia das mentiras', é a altura do ano onde cabe o engodo com base numa inocente partida, mentira ou piada.

O Bloco de Esquerda conseguiu quase tudo isso antecipando o dia 1 de abril para hoje (4 de janeiro).

A piada, à qual podemos juntar a demagogia populista (há quase tudo de tão populista no discurso político e nas opções política do BE como no perigoso populismo da extrema-direita), está feita no anúncio público de Catarina Martins: o Bloco de Esquerda não vai votar favoravelmente o Orçamento de Estado para 2020.

Tretas...

O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que aritmética partidária na Assembleia da República é muito favorável ao PS e ao Governo de António Costa, apesar de não terem maioria absoluta.
O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que a conjuntura vivida na anterior legislatura não é repetível nos próximos 4 anos porque o PS já não precisa do BE e do PCP de forma tão intensa e estreita.
O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que todo o discurso que tem proferido não passa de uma falácia e um mero bluff. O facto de não votarem favoravelmente não tem impacto rigorosamente nenhum já que é mais que óbvio que o BE se vai abster na votação, abstenção essa que é mais que suficiente para que o OE2020 seja aprovado.
O Bloco sabe muito bem, e tenta tudo para o disfarçar, que os últimos quatro anos da coligação "Geringonça" foram apenas um jogo político (para afastar o PSD da governação), sem qualquer vantagem para o país e para os portugueses, e sem 'frutos partidários' para o BE e PCP (antes pelo contrário como espelham os críticos internos no BE ou o resultado eleitoral do PCP). Como resultado, bloquistas e comunistas sentem-se agora meras marionetas e que foram politicamente usados pelos socialistas.
O Bloco sabem muito bem que, votando contra o OE20202, seria politicamente muito difícil justificar e sobreviver a um novo "2011". Repetir a 'história' seria um suicídio partidário.

Portanto, todas as críticas ao Governo e ao PS, bem como ao OE2020 (que é uma continuidade do que foi a anterior governação... sem tirar nem pôr) não passa de demagogia política para convencer o seu eleitorado e para se desresponsabilizar, perante os portugueses, do actual e futuro Estado da Nação.

Não façam é dos portugueses parvos... porque cada vez há mais memória política colectiva.
E o Bloco de Esquerda, tal como o PCP, são corresponsáveis (nem que seja por omissão) pelo estado do país.

Nem todos os meios justificam os fins... ou quase nunca o justificam.

Começa da pior maneira o ano de 2020. Muito mal, mesmo.

E se muitos (infelizmente, a maioria) acham que os recentes acontecimentos no Médio Oriente, nomeadamente em Bagdad (Iraque) e, mais concretamente, a morte do general iraniano Qasem Soleimani (o segundo da hierarquia do regime do Irão), são aí mesmo, num longínquo médio oriente (onde a maioria só em 'sonhos' se imagina de férias no Qatar ou Dubai) é urgente alertar para a importância da tomada de consciência com a realidade e a necessidade de assentarmos bem os pés na terra.
O que se passou com a decisão (para alguns à margem da própria constituição e num manifesto abuso dos poderes presidenciais) tomada por Donald Trump em avançar com uma acção militar para assassinar Soleimani foi um evitável, deplorável e condenável "acto de guerra". Não há qualquer argumento que consiga minimizar o impacto de tal decisão de supremacia política que, só por si, já há muito que deveria ser controlada. Não se evita uma guerra (segundo as palavras do presidente norte-americano) abrindo outra guerra (aparentemente maior).
À margem de qualquer decisão do direito internacional (nomeadamente da ONU), o que Donald Trump fez foi, claramente, legitimar e justificar toda e qualquer escalada de violência e de terrorismo que se avizinha e que o Médio Oriente, nomeadamente o Irão, já prometeu.

Os impactos são óbvios... um aumento substancial do valor do petróleo e as consequências que o mesmo pode ter na economia mundial (pode ser que depois disso os muitos portugueses cépticos ou indiferentes comecem a perceber a realidade); um eventual regresso da "Guerra Fria" face ao posicionamento (mesmo que aparentemente neutral, devido ao terrorismo islâmico) da Rússia e o bloqueio nas relações comerciais China-USA; o aumento exponencial dos actos de terrorismo islâmico provocados pela sede de vingança e pelo reforço do extremismo político-religioso.

O mundo já tinha vivido este sentimento de enorme insegurança a partir de 1990-91, com a Guerra do Golfo, após o Iraque ter invadido (e tentado anexar) o Kuwait. Importa recordar que, na altura, a reacção da comunidade internacional (e não apenas dos estados Unidos) tinha como sustentação a Resolução 678 do Conselho de Segurança da ONU.
A década que se seguiu culminou com o ataque, em pleno território americano, às 'Torres Gémeas" (World Trade Center) e ao Pentágono, no fatídico 11 de setembro de 2001.
A partir daqui o mundo não seria mais o mesmo.
Seguiu-se, curiosamente também sob uma administração Republicana (George W. Bush), a invasão do Iraque que levou ao derrube (em 2003) e morte (por enforcamento, em 2006) de Saddam Hussein, sob a (inventada) suspeita de armas de destruição maciça ou massiva (por empréstimo externo, se usarmos o anglicismo). Um dos maiores flops da história geopolítica e que, até aos dias de hoje, tantas mortes provocou, seja pelos atentados terroristas no continente africano, no próprio Médio Oriente, na Europa, por exemplo, ou através da tragédia humanitária que tem sido a crise dos refugiados, nomeadamente aqueles que morreram nas águas do Mediterrâneo.

Esta perigosa presunção, infelizmente demasiadas vezes sustentada e 'aplaudida' por tantos "aliados", dos Estados Unidos serem os senhores/donos do mundo, os arautos da democracia e dos valores, os guardiões da liberdade e da verdade, só tem resultado num Mundo intolerante, sem respeito pelos outros ou pelos mais elementares direitos humanos, cada vez mais inseguro, menosprezando o direito à liberdade e à coexistência. A isto podemos ainda acrescentar o perigo subjacente ao exercício do poder por parte de um dos presidentes norte-americanos mais incauto e politicamente inadaptado para o cargo: Donald Trump.

Quando os interesses geopolíticos e geoestratégicos, aliados às 'vontades' económicas (ou interesses economicistas) se sobrepõe a todos os valores fundamentais e universais, não há argumento que justifique, valide ou sustente qualquer meio que leve à violência.
No caso concreto, lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump ataquem o Irão e o Iraque, mas validem todos os atentados aos direitos humanos que emergem na Arábia Saudita e nos Emirados Arabes Unidos. Lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump não tenham tido a mesma posição de força, por exemplo, no caso do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi. Lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump tenham contribuído para o alimentar do conflito entre Israel e a Palestina, por exemplo, com a decisão de mudar a embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém, numa clara atitude provocatória e de demonstração de força política.
No caso concreto, lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump não tenham qaulqer tipo de preocupação com as consequências da decisão e os impactos futuros, apenas o interesse em salvar a face política (se é que alguma vez a teve) do presidente norte-americano perto de um acto eleitoral e sob a ameaça de um impeachment.

A partir de 2 de janeiro de 2020 o Mundo ficou, ainda, mais perigoso. Bullshit, Mr. Trump.

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