Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

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Jan 20

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Uma das principais virtudes de um verdadeiro líder é a sua elevação e grandeza nas vitórias e, igualmente, nas derrotas.
Algo que o discurso de Luís Montenegro não teve na noite eleitoral de ontem.
O que revela muito da sua ética política. Aliás, o que não se estranha desde o congresso de fevereiro de 2018. E, acredito, infelizmente, não irá parar por aqui.

Independentemente das regras em vigor (que obrigam a uma, "escusada", segunda volta... que em nada irá beneficiar o partido), só alguém com todo o topete político pode questionar uma vitória que ficou a cerca de 0,5% de uma clara maioria que terminaria, no sábado, o assunto das directas no PSD. Com topete e sem qualquer respeito democrático.

Mas o descaramento de Montenegro não fica por aqui. Há três notas nas suas afirmações que são demasiado graves, e falaciosas, para ficarem em claro.

Afirmou Luís Montenegro que "foram mais os militantes que votaram na mudança do que na continuidade". Não não foram...
A existência de duas candidaturas que se opuseram à reeleição de Rui Rio, significa tão somente que os 9,2% de militantes que votaram em Miguel Pinto Luz não votaram, de facto, na continuidade de Rui Rio mas também não quiseram a mudança de Luís Montenegro. A usurpação desses votos é, no mínimo, uma total falta de respeito pelo legítimo e democrático exercício de voto desses militantes.
Mas há ainda um facto curioso nesta afirmação de Montenegro, revelador da sua incoerência política e do seu jogo de pura demagogia eleitoral. Regressemos às legislativas de 2015. À data, PSD e CDS (PaF), foram a coligação mais votada nesse acto eleitoral. No entanto, a maioria dos portugueses elegeu uma Assembleia da República, maioritariamente, de esquerda (a tal 'geringonça'). Na altura Montenegro 'rasgou as vestes' ao criticar o que chamou de assalto ao poder por parte do PS e dos seu 'aliados', contrariando o que era a 'tradição' de constituição de um Governo pelo partido mais votado. Pois... a coerência é uma coisa chata mas não pode servir quando nos dá jeito. Luís Montenegro deita por terra qualquer seriedade e honestidade política ao usar, agora, os mesmos argumento do PS, BE e PCP na altura.

As Directas são eleições internas para a escolha do presidente do PSD. São, por isso, eleições que disputam projectos internos. Durante a grande parte, se não a maioria, da campanha eleitoral Luís Montenegro escolheu como alvo principal Rui Rio, acusando-o e criticando-o. Vir agora afirmar que o seu adversário é António Costa é, no mínimo, ridículo mas ao mesmo tempo revelador da sua obsessão pelo poder.
Pelo contrário, Rui Rio sempre manifestou e espelhou uma clara magnitude política: através do PSD, servir Portugal e os Portugueses.

Por último, Montenegro apresenta-se com uma presunção vencedora que se lamenta (para além de um erro político, mas isso já é problema seu).
Não é eticamente compreensível (e aceitável) que um político/candidato se apresente a um qualquer acto eleitoral como um anunciado vencedor ou, pior ainda, no caso de Montenegro afirmando (mais que uma vez) que ganharia as eleições de 2021 (autárquicas) e as de 2023, assumindo-se como Primeiro-ministro antecipado.
As eleições não se ganham previamente, não há vencedores antecipados. As eleições 'tentam-se' ganhar, conquistam-se. Primeiro, porque há um conjunto de factores que não se controlam ou que condicionam os actos eleitorais, como as conjunturas políticas. Segundo, e principalmente, porque ninguém é dono dos votos, o voto pertence à vontade e livre opção de cada eleitor.
Talvez por isso não seja de estranhar que Luís Montenegro tenha perdido, em Espinho, as eleições autárquicas de 2005 para o PS local (o socialista José Mota) e tenha perdido, agora, a primeira volta das directas no PSD, quando se apresentou, presunçosamente, como vencedor, com maioria (à 1.ª volta). Curiosamente, nem no distrito 'natal' (Aveiro), nem no Concelho de Aveiro onde encerrou a campanha e tão fervorosos adeptos tinha (ou como alguém referiu, numa das sessões de campanha, no Porto: "O Melhor de Aveiro" com Luís Montenegro).

Uma coisa Montenegro pode ter a certeza...
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) não querem um PSD esvaziados dos seus fundamentais princípios da social-democracia, fora do seu posicionamento ideológico (ao Centro) que Sá Carneiro tanto defendeu.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que não querem ver um PSD regressar ao sombrio e vazio tempo de 2010 a 2018.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que não aceitam que PSD ocupe um espaço político (perigosamente neoliberal) que não é o seu por natureza, que se confunda com CDS, Iniciativa Liberal, Aliança ou Chega.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que querem ver um PSD ao centro e que, dessa forma, contribua para o fim dos extremismos (à direita e à esquerda).
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa), o maior número, que entendem que Rui Rio é o líder certo para construir uma alternativa política a António Costa, capaz de defender Portugal e os Portugueses.

publicado por mparaujo às 21:17

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