Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

16
Fev 20

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Já há alguns anos que tenho como certeza pessoal que o futebol é uma realidade e um contexto no qual a vertente desportiva é apenas residual: é um meandro obscuro, tenebroso, impune, tormentoso, lamacento e pantanoso, acima da lei e da sociedade.

Mas infelizmente, não é propriamente sobre um jogo, 11 contra 11, um penálti que não foi marcado, um golo que foi anulado.
É sobre o reflexo de uma sociedade espelhada num lamentável e condenável episódio que ocorreu no jogo Vitória SC (Guimarães) vs FC Porto, tendo como alvo o jogador portista Marega vítima de racismo declarado e explícito.
Se o futebol nunca foi palco de promoção de valores e princípios (basta olhar para as declarações de técnico, presidente e claque do Vitória no pós jogo), tal não pode justificar qualquer tipo de ataque à dignidade da pessoa.

Mas isto é o futebol e infelizmente... o país que temos, hoje.
Não vale a pena esconder a cabeça na areia (o que se torna, deveras, perigoso). Há racismo na escola, nos locais de trabalho, nos cafés e bancos de jardim, no desporto, na saúde, na justiça, na política e na ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.
O racismo está legitimado, normalizado e vulgarizado na sociedade.
E nada disto não é exagero. Basta rever os comentários (e mimos) que me foram dirigidos a propósito desta publicação.

Mas quando temos uma juventude (70%dos inquiridos) que legitima a violência no namoro e temos políticos com acrescida responsabilidade parlamentar que dizem estas barbaridades e anormalidades:

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publicado por mparaujo às 22:27

15
Fev 20

O Governo lançou, há poucos dias, a nova campanha "#NamorarNãoÉSerDon@" que tem como objectivo "educar e capacitar jovens para melhor identificarem e rejeitarem comportamentos de violência em relações de namoro, incluindo violência física, sexual, psicológica, e nas redes sociais", segundo Rosa Monteiro, Secretária de Estado da Cidadania e da Igualdade de Género, sob tutela da Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Mariana Vieira da Silva.

Percebe-se o enquadramento e justifica-se a iniciativa face aos dados referentes à violência no namoro que foram revelados, esta semana, pelo Observatório da Violência no Namoro (OVN) e pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) em inquérito produzido já em 2020.

No caso do Observatório, o relatório de 2019 indica que se registaram 74 denúncias de casos de violência, sendo que destas 71 (94,9%) denunciantes são do sexo feminino. O OVN adianta ainda que 2019 registou um decréscimo de denúncias em relação a 2018 (128 denúncias), embora os casos apresentados exprimem um contexto de violência mais agravada. Geograficamente, a maioria dos crimes ocorreu, em 51,4% dos casos, no Porto e em 10% das situações nos distritos de Lisboa e Aveiro.
Importa referir que o decréscimo de denúncias não tem uma relação de proporcionalidade em relação ao número de casos registados em 2019. Ou seja, a diminuição de denúncias não representa uma diminuição da violência no namoro.

Basta olharmos os dados da UMAR resultantes de um inquérito realizado junto de jovens entre os 11 e os 21 anos. Em 2020, valor que iguala os dados de 2019, os cerca de 4.600 jovens dos distritos do Porto, Braga, Coimbra, Lisboa e Região Autónoma da Madeira revelam que 58% já sofreu pelo menos um caso de violência em contexto de relação amorosa/afectiva, nomeadamente: violência psicológica (20%); perseguição (17%); controlo (14%); violência através das redes sociais (9%); violência sexual (8%) e violência física (6%).

Os dados são, de facto, preocupantes... agravados por um indicador que sobressai no meio de toda esta problemática social: dos jovens inquiridos 67% acham normal que durante a relação existam e se pratiquem contextos de violência, legitimando, por isso, esses condenáveis e abomináveis actos.

Se é assim, hoje, numa idade em que se formam concepções e percepções de sociabilidade e afectividades... o que será no futuro. Até que ponto a idade apagará este conceito de superioridade e supremacia sobre o outro.

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publicado por mparaujo às 20:45

10
Fev 20

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ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário".
Desbloqueador de frases públicas.

1. As desculpas não se pedem... evitam-se. E no caso de figuras e funções públicas a expressão toma contornos ainda mais importantes.
Lapsos, gafes, erros em situação de pressão, em directos, em contextos de perguntas e respostas ou informais, mesmo que criticáveis são compreensíveis.
Mas em intervenções pensadas, reflectidas, programadas e contextualizadas (escritas ou não) são inaceitáveis porque, tal como os actos, em política as palavras contam e têm um peso significativo. E são o que são... não outra coisa qualquer.
Por mais justificações e argumentos que a Ministra da Agricultura queira apresentar a expressão e a afirmação foram mais que claras: "o coronavírus até pode ter consequências bastante positivas para as exportações portuguesas do sector agroalimentar".

2. Joacine justifica voto contra propostas do PCP e do BE para evitar "queda do Governo".
Naïf e politicamente pueril. O Governo nunca cairia por causa do IVA na electricidade. Isso não passou de uma mera chantagem política.
Na verdade, a sua saída do Livre e a passagem a 'deputada não-inscrita' deixou Joacine Katar Moreira politicamente livre mas partidariamente orfã, com impactos em futura eleições legislativas. Não será por isso de estranhar que a política que afirma que "nasceu para ser deputada" (seja lá de que forma for, já vimos...) não tarde muito a afirmar que "nasceu socialista".

3. Ainda no rescaldo da aprovação do OE2020 e da problemática do IVA na electricidade.
Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS, diz que partido não dá satisfações a ninguém, não faz fretes a ninguém, nem anda às ordens do PSD.
Pelo princípio da independência partidária e da legitimidade democrática, o PSD nunca esperaria outra coisa. No entanto, importa recordar ao jovem presidente centrista e conservador de direita que a história política da democracia portuguesa é bem clara: o CDS só foi poder em Portugal à custa e às costas do PSD (excepção feita para uns breves 7 meses de governação PS-CDS, em 1978). E lembrar os resultados do CDS em 2019.

4. Augusto Santos Silva disse, na apresentação da recandidatura de Manuel Pizarro à distrital do PS Porto, que é motivo de orgulho a aprovação do Orçamento do Estado sem os votos da direita.
Deve ser o mesmo orgulho, ao contrário do que aconteceu na anterior legislatura, que o ministro Augusto Santos Silva deve ter sentido com a abstenção de toda a esquerda (BE, PCP e Verdes). Porque será que só o PS votou a favor?

5. Luís Montenegro, afirmou, durante o seu discurso no segundo dia do congresso do PSD, que não vê nem Rui Rio nem Miguel Pinto Luz como "adversários" mas sim como "companheiros" numa luta contra os outros partidos. Pelo histórico bem recente e "fresco" com amigos (companheiros) assim para que é que queremos inimigos.
Razão tinha Winston Churchill: "À minha frente sentam-se os meus adversários políticos. Os meus inimigos sentam-se aqui, ao meu lado".

publicado por mparaujo às 00:30

09
Fev 20

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Caiu o pano do Congresso Social-democrata. Rui Rio fechou o 38.º Congreso do PSD, em Viana do Castelo, com uma intervenção a lembrar a abertura da reunião magna social-democrata, na sexta-feira: com chave de ouro. Se em termos ideológicos, programáticos, políticos e oratórios o presidente do PSD foi bastante claro, credível, assertivo e estratégico, tal não significa um redundante "ouro sobre azul".
Rui Rio perdeu o Conselho de Jurisdição para uma das vozes internas mais críticas, Paulo Colaço. Ganhou o Conselho Nacional por 5 votos de diferença (21-16) para a lista liderada por Paulo Cunha e apoiada por Luís Montenegro. Mas olhando para o que foram algumas (muito poucas) intervenções, nomeadamente, de Luís Montenegro, Pedro Duarte, Hugo Soares, Paulo Cunha, ou Paulo Colaço ouve-se, ao longe, uma frase cirúrgica do Secretário-geral do partido, José Silvano: BASTA DE CINISMO.

E cinismo foi algo que marcou este congresso, desde a sua preparação até ao cair do pano. Não vale a pena esconder a cabeça na areia, qual avestruz, ou assobiar para o lado, como se isso fosse resolvesse as fracturas internas. A verdade é que uma das principais conclusões político-partidária deste 38.º Congresso é a de que as feridas continuam (e vão continuar) abertas.

Muita razão tinha José Silvano, quando subiu à tribuna.
Luís Montenegro veio exigir ao partido e a Rui Rio tudo aquilo que não fez desde 2018: respeito, lealdade institucional (mesmo que divergente), unidade e coesão. Para além de ter procurado também, nas eleições internas, deslocar perigosamente o partido para o conservadorismo, para o liberalismo ou para o populismo.
Afirmava Montenegro que "no PSD há demasiada crispação e agressividade verbal. Há demasiado fanatismo e excessos". Isto só pode ser anedótico, no mínimo. Basta recordar todo o discurso nas internas, ao ponto de Carlos Carreiras, seu apoiante na segunda volta, ter apelidado Rui Rio de "traidor". Acho que basta como exemplo.
Além disso, é muito interessante ver Luís Montenegro parafrasear Sá Carneiro mas apenas quando e no que lhe interessa ou dá mais jeito. Curiosamente, nunca se ouviu Montenegro a recuar até 1975 e relembrar a frase do fundador do PSD "Somos um partido de esquerda não marxista e continuaremos a sê-lo". Ou até ao Congresso de 1978: "nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita". Sim... não dá mesmo jeitinho nenhum. O que dá jeito é recuar até 1972, em plena Assembleia Nacional, esquecer o contexto, a conjuntura e a realidade, e subscrever as palavras de Sá Carneiro: "O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for." Mas Montenegro faria um enorme favor lembrando-se do "dever de se calar", por uma simples e normal lealdade institucional.
Para além do cinismo e da hipocrisia também houve claros momentos de perfeito ressabiamento por quem, de derrota em derrota, ainda não percebeu que terminou, à nascença, o seu sonho de puro e mero carreirismo político. A intervenção e o papel deplorável de Hugo Soares (desde 2018 e) neste Congresso roçou o ridículo, como aliás muitas das suas intervenções em 8 (excessivos) anos de mediatismo político. As comparações com o PCP ou a adjectivação "socialistas de segunda" são o espelho da irresponsabilidade e da falta de ética política do ex (e importa reforçar "ex") deputado. Ao ex (e importa voltar a reforçar "ex") líder temporário da bancada parlamentar do PSD (alguns meses) importa recordar que em 2015, apesar da "COLIGAÇÃO" (e não o PSD) ter sido o 'partido' mais votado, não teve o peso da representatividade parlamentar suficiente para governar. Assim, como importa recordar desastroso resultado das autárquicas de 2017 que agora o Partido e Rui Rio se vêem na contingência de inverter.
Depois, há ainda os perfeitos "erros de casting", quem acha que ainda é ouvido só porque, num passado recente, teve algum papel político, como é o caso de Pedro Duarte e a sua responsabilidade na gestão da campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, em 2016.
Pedro Duarte enganou-se redondamente no destinatário do seu "recadinho": "um partido com um líder e não um líder com um partido”. Rui Rio foi, precisamente, eleito pelo partido em 2018 e 2020 para ser o seu líder. Já Luís Montenegro, que Pedro Duarte tanto apoiou, andou precisamente dois anos a tentar encontrar um partido (que não este PSD, felizmente) para a sua almejada liderança.

Vamos esperar para ver o que reserva o final de 2020 e início de 2021 quando começar a fervilhar as eleições autárquicas do próximo ano. Vamos ver até que ponto, críticos e apoiantes, se lembrarão dos princípios defendidos por Rui Rio neste Congresso em relação a listas e candidatos: o mérito e relevância local e a ética/transparência.
É que aqueles que tanto criticam Rui Rio pela falta de coesão partidária, de aceitação da diferença de opinião, de "varrer à vassourada" os críticos/opositores, esquecem-se, porque a memória selectiva dá um jeitaço, do que foram as varridelas, os "pontapés no traseiro" e todas as quezílias e conflitos internos nas últimas autárquicas, e que resultaram, entre outros, em abandonos, demissões e suspensões, e num surgimento exponencial de movimentos com candidaturas "independentes" (muitas das quais com pleno sucesso eleitoral, cconquistando, aliás, câmaras e freguesias sociais-democratas). Mas essa derrota não interessa lembrar... porque toca em supostos "ídolos" políticos (mesmo que com pés de barro) ou sustenta o argumento mais que válido, usado por Rui Rio, na análise eleitoral de 2019.

publicado por mparaujo às 16:22

08
Fev 20

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Dito de outra forma... eis a razão de eu e 53,2% dos militantes sociais-democratas termos votado em Rui Rio, nas directas de janeiro último. E este poder ser um dos melhores presidentes que o partido já teve (haja a oportunidade e tempo de o provar).
E a razão é bem simples e muito clara... com Rui Rio, desde 2018 (e não apenas agora, em Viana do Castelo) o Partido tem vindo a reencontrar o seu posicionamento ideológico ao centro (perdido, pelo menos, nos seus últimos anos: 2010-2018) e que alguns, poucos mas insistentes, tentam a todo o custo inverter; o Partido tem procurado encontrar forma de dignificar a política, seja por uma oposição crítica mas realista e consistente, seja pela sua transparência, ética e rigor, seja ainda por colocar os portugueses (todos) e o país em primeiro plano e prioridade; e, ainda, o Partido tem percorrido um sinuoso caminho na promoção de espaços de abertura à sociedade e à participação dos cidadãos na construção de um país bem melhor (e diferente)... pena é que muitas estruturas de base (concelhias) ainda não tenham compreendido a importância deste contexto para que o PSD volte a sedimentar-se nas freguesias, nos municípios, nas associações e instituições, no mundo laboral, nas escolas, no tecido comercial e empresarial (como foi a sua génese fundadora).

Por norma e pela tradição a intervenção do presidente do partido na abertura dos Congressos Nacionais é dedicada ao partido, essencialmente dirigida aos congressistas e militantes, com uma mensagem marcadamente interna.
Tal aconteceu com Rui Rio, ontem, em Viana do Castelo. Mas não só... para além do contexto, foi a forma soberba como o fez. Daí que o Congresso não precisasse de mais nada porque o discurso de Rui Rio foi cirúrgico, assertivo, preciso, rigoroso, político e ideologicamente importante, sem qualquer necessidade de fulgor e empolgamento mediáticos, de grandes rasgos retóricos (que, por regra, soam sempre a demagogia e falácia) ou de calorosas ovações. Para além de ter sido, ainda, inquestionável e necessariamente educativo, no que respeita à precisão com que o presidente do PSD focou os críticos e as facções internas.

Dividindo o excelente discurso de Rui Rio em três partes, estas traduzem e espelham as actuais necessidades do PSD face à actual conjuntura política e ao seu futuro no contexto nacional.

Primeiro, a avaliação dos exigentes desafios mais próximos (já em 2021): as eleições regionais nos Açores e as Autárquicas.
O PSD para se voltar a afirmar na sociedade e na política, para voltar a crescer, não pode descurar o que é a sua base estrutural: as aldeias, vilas, cidades, freguesias, municípios. No fundo... o Poder Local, principal barómetro da implementação nacional de um partido e o espelho do seu vigor e da sua aceitação na sociedade.
Dos importantes elogios ao trabalho autárquico e ao peso do Poder Local no desenvolvimento do país, Rui Rio deixou uma mensagem interna bem clara: não vale a pena quererem condicionar as escolhas de candidatos e listas à "pala" de um falso sentimento de unidade e coesão (algo que uma minoria tem andado a fazer - e não acredito que por aqui parem - desde 2018 porque perderam influência, carreirismo e palco político). Divergência de opinião não é o mesmo que falta de lealdade partidária ou ética política, de valorização de interesses pessoais ou corporativos. Felizmente, com Rui Rio, o principal critério nas escolhas autárquicas será o do mérito, do valor, da relevância, da seriedade e rigor, independentemente das divergências de opinião. De fora ficam os interesses pessoais, o 'amiguismo', o clientelismo, o carreirismo político, os fundamentados 'casos de justiça' (que infelizmente existem, contrariando os que acham que há demasiada judicialização da política).

Segundo, a mensagem "churchilliana"... o recado aos críticos internos.
Os que tanto clamam por unidade, por coesão, são aqueles que nestes dois últimos anos tudo fizeram para fracturar o partido, com um notório deplorável sentimento de ressabiamento, vingança e rancor.
O que temos assistido no PSD, desde a chegada de Rui Rio à presidência (2018), é o espelho da actualíssima expressão de Wilson Churchill em relação à disposição das forças políticas no Parlamento Britânico: "em frente sentam-se os meus adversários políticos... ao meu lado os meus inimigos".
Aqueles que tanto têm bradado aos ventos para que Rui Rio assuma claramente António Costa com um adversário e o foco da estratégia partidária do PSD, são os mesmos que, interna ou publicamente, têm feito do Presidente do PSD o seu alvo e foco principal, o seu verdadeiro inimigo.

Por último, e mais determinante, o reposicionamento do PSD, contra o esvaziamento e desvio ideológico que um passado bem recente (última década), que os críticos e oposicionistas internos (nos dois últimos anos) têm procurado impor, remetendo para o esquecimento, para a mera "gaveta" das recordações, toda a história e princípios estruturantes da fundação do partido protagonizados, entre outros, por Sá Carneiro (que injuriosamente aclamam). Contra os que afirmando ter-se fechado um ciclo político, remetem-se ao anonimato e à privacidade, mas que, a espaços, vão querendo "andar por aí" e vão surgindo publicamente nos momentos mais determinantes da vida do partido, expressando desejos e sonhos recentes de viragem para um vazio ideológico e programático.
Mais que interpretar conceitos e afirmações, nada melhor que reproduzir algumas excelentes e soberbas expressões que o discurso de Rui Rio trouxe a público.
Antes de mais, aos críticos e ao que foram muitas das argumentações eleitorais internas no final de 2019 e início de 2020.

«Podemos, até, ganhar eleições, mas tal não significa necessariamente que se tenha ganho o País. Ganhar os portugueses é conquistar o seu respeito e a sua confiança e não conseguir o seu voto, apenas porque eles acham que os outros são piores do que nós.
A frase que tantas vezes tenho citado, “Primeiro está Portugal, depois o partido e, por fim, a nossa circunstância pessoal” é o princípio que Sá Carneiro nos apontou, e que temos de ter sempre como pano de fundo de toda a nossa actuação política. Os partidos existem para servir o País, não existem para dar corpo às suas pequenas tácticas, nem aos interesses particulares dos seus dirigentes.»
«Em Portugal, (...) se berra mais alto, se diz mal de tudo o que o Governo faz, se não concorda com nada, então está a fazer uma verdadeira oposição. Se assim não é, se o faz com critério, coerência e elevação, então a sua acção política é fraca e a oposição muito frouxa. É isto que eu não quero que o PSD faça sob a minha liderança. Porque é esta postura, que foi descredibilizando a política ano após ano. Não adianta insistir na política do “bota-abaixo” e da critica sem critério nem coerência. Deixemos isso para os outros e portemo-nos nós com a elevação e a nobreza que a actividade política nunca devia ter perdido. Serve-se o País no Governo, tal como se serve o País na oposição. O nosso objectivo é Portugal, não é apostar no quanto pior, melhor. Somos oposição. Compete-nos enaltecer as diferenças relativamente ao Governo em funções, denunciar, com firmeza, as suas falhas e apresentar, com competência, políticas alternativas.»
«Não podemos ser contra ou a favor de uma ideia em função de quem a apresenta. Temos de tomar a nossa posição em função do mérito da mesma e não em função do seu autor.
É, pois, uma oposição credível e realista, aquela que o PSD fará ao Governo no mandato que agora se vai iniciar. Fazer o contrário, como alguns críticos internos defenderam e como tantos comentadores nos pretendiam ensinar, teria tido o mesmo resultado eleitoral que outros partidos tiveram, quando deram ouvidos a tais criticas e optaram por seguir as teses do politicamente correto.»

Por último, e verdadeiramente mais importante (no momento) a questão da ideologia.

«O PSD, tal como o seu nome indica, é um partido de ideologia social-democrata. Não somos, pois, a direita, nem somos a esquerda. Não somos liberais nem conservadores, assim como não somos socialistas nem estatizantes. Abarcamos todo o centro político ou seja, o espaço onde se encontra a esmagadora maioria das pessoas. Desde a nossa fundação, que apostamos em ter connosco os sectores mais moderados da nossa sociedade.»
«Somos um partido moderado, reformista e personalista. Rejeitamos o extremismo. Defendemos a via reformista como caminho para o progresso e para o desenvolvimento. Respeitamos a liberdade individual como elemento estruturante do rumo que cada um entenda dever dar à sua vida.»
«Disse Sá Carneiro no Congresso de 1978 em Lisboa: “Nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita.” Deslocar o PSD para a direita é desvirtuar os nossos princípios e os nossos valores e afunilar eleitoralmente o partido, em direcção a um espaço onde hoje já praticamente nada mais há para ganhar. Uma coisa é o PSD conseguir ser o líder de uma opção à direita da maioria de esquerda que nos tem governado, outra, completamente diferente, é sermos, nós próprios a direita.»

Portugal precisa do PSD. Seja na oposição ou no Governo.

publicado por mparaujo às 16:36

07
Fev 20

Focando apenas três casos como meros exemplos.

Em junho de 1993, o então Ministro do Ambiente, Carlos Borrego, do Governo de Cavaco Silva, visitava a cidade de Braga.
Nesse mesmo ano, entre abril e junho, a região de Évora vivia uma trágica realidade com a morte de 25 doentes que realizavam tratamento de hemodiálise, devido à contaminação por alumínio da água que abastecia o Hospital de Évora. Escuso-me, por uma questão de respeito, a relatar, textualmente, o "humor" usado pelo Ministro e divulgado por uma rádio local, referindo-se ao nível de alumínio encontrado no organismo das vítimas.

Em julho de 2009, ilustrando um hipotético litígio político-estratégico entre BE (Francisco Louçã) e o PCP (no caso, Bernardino Soares) referente a um contexto laboral que envolvia os trabalhadores das minas de Aljustrel, Manuel Pinho, ministro do Governo de José Sócrates com a pasta da Economia, durante o debate do estado da Nação, empolgou-se e dirigiu à oposição (Bernardino Soares) um gesto a simular uns "chifres", considerado insultuoso (motivando, inclusive, um pedido público e formal de desculpas do Primeiro-ministro).

Já mais recentemente, em abril 2018, o, à data, Ministro da Cultura, João Soares, cedeu claramente ao mediatismo das redes sociais e ofereceu "virtualmente" umas “salutares bofetadas” a Augusto M. Seabra e também ao comentador Vasco Pulido Valente, como reacção a artigos de opinião críticos da sua actividade ministerial, apesar de apenas 4 meses de exercício.

O primeiro caso ocorreu, publicamente, mas num contexto restrito.
O segundo, na Assembleia da República difundido pelo Canal do Parlamento.
O terceiro, numa página pessoal do facebook.

Há dois dias, a Ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, na maior feira internacional do sector das frutas e legumes - Fruit Logistica - em Berlim, afirmava, em discurso público, que o coronavírus podia ser bastante positivo para as exportações portuguesas na China.
O coronavírus uma oportunidade comercial e económica muito positiva.
Importa dar nota: até hoje, morreram cerca de 700 pessoas e estão infectadas mais de 31 mil devido ao surto do vírus.

Concluindo... por muito menos ou, no mínimo, por contexto idênticos caíram os três ministros citados.
Hoje... António Costa, PS e Governo, assobiam para o lado, numa enorme e inqualificável falta de respeito pela condição humana, por quem sofre e por quem morreu.

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(créditos da foto: João Silva / Global Imagens)

publicado por mparaujo às 22:52

02
Fev 20

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Com o argumento de Isabel Fernandes Pinto, a produção de Fugir do Medo - Associação Cultura (e a ajudinha conceptual do Gil Moreira), o "fifty-fifty" portuense/aveirense Joaquim Pavão concebeu e realizou: "SCULP - Os Sonhos".
Os sonhos como experiência, a realidade como ausência... um projecto cinematográfico do Joaquim Pavão a partir de um desafio da Câmara Municipal de Santo Tirso e do acervo do Museu Internacional de Escultura Contemporânea, em Santo Tirso.

A estreia acontecerá já na próxima sexta-feira, 7 de fevereiro (21h30 na sede do Museu Internacional de Escultura Contemporânea, em Santo Tirso - com entrada gratuita) e prolongar-se-á até ao dia 1 de março: diariamente... o filme, a exposição e o debate.

"Algures no futuro, a espécie humana está à beira da extinção, devido ao desenvolvimento de bactérias multi-resistentes, às alterações climáticas e a conflitos armados entre as nações. Como recurso de sobrevivência, a tecnologia torna-se endémica à vida humana e tende a tomar o lugar do
livre arbítrio. Toda a delimitação, controlo e posse de território é proibida. A ideia de nação é abolida em favor de um Estado totalitário e universal.
Nesse Estado, um Sistema gerido através de algoritmos determina a função, as opções e as ações de cada indivíduo, controlando toda a sua
existência social com vista ao prolongamento da vida humana, à sua reprodução e à manutenção do seu domínio sobre o planeta Terra.
Embora os pensamentos e emoções sejam também induzidos e manipulados pelo Sistema Algorítmico, o conhecimento da mente e a evolução tecnológica ainda não permitem um controlo absoluto sobre essa dimensão do indivíduo. É aí, ainda, que reside uma centelha de liberdade.
Para controlar essa potencial imprevisibilidade, o Sistema mantém um controlo apertado sobre todos os indivíduos, classificando aqueles que colocam em causa as orientações algorítmicas como Instáveis. Esses são submetidos a uma estreita vigilância e a vários procedimentos de manipulação mental. Após esse tratamento, caso persistam nas dúvidas que colocam, são convidados a desligar pacificamente do Sistema.
Para prevenir qualquer tipo de união entre os indivíduos que possa potenciar futuras rebeliões, está em curso um processo de abolição das relações emocionais e sexuais. Todos os novos humanos serão gerados em laboratório e a sua gestação será totalmente feita fora de útero, em incubadora". (sinopse - instalação)

publicado por mparaujo às 17:38

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