Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

09
Fev 20

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Caiu o pano do Congresso Social-democrata. Rui Rio fechou o 38.º Congreso do PSD, em Viana do Castelo, com uma intervenção a lembrar a abertura da reunião magna social-democrata, na sexta-feira: com chave de ouro. Se em termos ideológicos, programáticos, políticos e oratórios o presidente do PSD foi bastante claro, credível, assertivo e estratégico, tal não significa um redundante "ouro sobre azul".
Rui Rio perdeu o Conselho de Jurisdição para uma das vozes internas mais críticas, Paulo Colaço. Ganhou o Conselho Nacional por 5 votos de diferença (21-16) para a lista liderada por Paulo Cunha e apoiada por Luís Montenegro. Mas olhando para o que foram algumas (muito poucas) intervenções, nomeadamente, de Luís Montenegro, Pedro Duarte, Hugo Soares, Paulo Cunha, ou Paulo Colaço ouve-se, ao longe, uma frase cirúrgica do Secretário-geral do partido, José Silvano: BASTA DE CINISMO.

E cinismo foi algo que marcou este congresso, desde a sua preparação até ao cair do pano. Não vale a pena esconder a cabeça na areia, qual avestruz, ou assobiar para o lado, como se isso fosse resolvesse as fracturas internas. A verdade é que uma das principais conclusões político-partidária deste 38.º Congresso é a de que as feridas continuam (e vão continuar) abertas.

Muita razão tinha José Silvano, quando subiu à tribuna.
Luís Montenegro veio exigir ao partido e a Rui Rio tudo aquilo que não fez desde 2018: respeito, lealdade institucional (mesmo que divergente), unidade e coesão. Para além de ter procurado também, nas eleições internas, deslocar perigosamente o partido para o conservadorismo, para o liberalismo ou para o populismo.
Afirmava Montenegro que "no PSD há demasiada crispação e agressividade verbal. Há demasiado fanatismo e excessos". Isto só pode ser anedótico, no mínimo. Basta recordar todo o discurso nas internas, ao ponto de Carlos Carreiras, seu apoiante na segunda volta, ter apelidado Rui Rio de "traidor". Acho que basta como exemplo.
Além disso, é muito interessante ver Luís Montenegro parafrasear Sá Carneiro mas apenas quando e no que lhe interessa ou dá mais jeito. Curiosamente, nunca se ouviu Montenegro a recuar até 1975 e relembrar a frase do fundador do PSD "Somos um partido de esquerda não marxista e continuaremos a sê-lo". Ou até ao Congresso de 1978: "nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita". Sim... não dá mesmo jeitinho nenhum. O que dá jeito é recuar até 1972, em plena Assembleia Nacional, esquecer o contexto, a conjuntura e a realidade, e subscrever as palavras de Sá Carneiro: "O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for." Mas Montenegro faria um enorme favor lembrando-se do "dever de se calar", por uma simples e normal lealdade institucional.
Para além do cinismo e da hipocrisia também houve claros momentos de perfeito ressabiamento por quem, de derrota em derrota, ainda não percebeu que terminou, à nascença, o seu sonho de puro e mero carreirismo político. A intervenção e o papel deplorável de Hugo Soares (desde 2018 e) neste Congresso roçou o ridículo, como aliás muitas das suas intervenções em 8 (excessivos) anos de mediatismo político. As comparações com o PCP ou a adjectivação "socialistas de segunda" são o espelho da irresponsabilidade e da falta de ética política do ex (e importa reforçar "ex") deputado. Ao ex (e importa voltar a reforçar "ex") líder temporário da bancada parlamentar do PSD (alguns meses) importa recordar que em 2015, apesar da "COLIGAÇÃO" (e não o PSD) ter sido o 'partido' mais votado, não teve o peso da representatividade parlamentar suficiente para governar. Assim, como importa recordar desastroso resultado das autárquicas de 2017 que agora o Partido e Rui Rio se vêem na contingência de inverter.
Depois, há ainda os perfeitos "erros de casting", quem acha que ainda é ouvido só porque, num passado recente, teve algum papel político, como é o caso de Pedro Duarte e a sua responsabilidade na gestão da campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, em 2016.
Pedro Duarte enganou-se redondamente no destinatário do seu "recadinho": "um partido com um líder e não um líder com um partido”. Rui Rio foi, precisamente, eleito pelo partido em 2018 e 2020 para ser o seu líder. Já Luís Montenegro, que Pedro Duarte tanto apoiou, andou precisamente dois anos a tentar encontrar um partido (que não este PSD, felizmente) para a sua almejada liderança.

Vamos esperar para ver o que reserva o final de 2020 e início de 2021 quando começar a fervilhar as eleições autárquicas do próximo ano. Vamos ver até que ponto, críticos e apoiantes, se lembrarão dos princípios defendidos por Rui Rio neste Congresso em relação a listas e candidatos: o mérito e relevância local e a ética/transparência.
É que aqueles que tanto criticam Rui Rio pela falta de coesão partidária, de aceitação da diferença de opinião, de "varrer à vassourada" os críticos/opositores, esquecem-se, porque a memória selectiva dá um jeitaço, do que foram as varridelas, os "pontapés no traseiro" e todas as quezílias e conflitos internos nas últimas autárquicas, e que resultaram, entre outros, em abandonos, demissões e suspensões, e num surgimento exponencial de movimentos com candidaturas "independentes" (muitas das quais com pleno sucesso eleitoral, cconquistando, aliás, câmaras e freguesias sociais-democratas). Mas essa derrota não interessa lembrar... porque toca em supostos "ídolos" políticos (mesmo que com pés de barro) ou sustenta o argumento mais que válido, usado por Rui Rio, na análise eleitoral de 2019.

publicado por mparaujo às 16:22

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