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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

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Em tempos de crise... o portuguesismo saloio

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Em tempos de crise o racionalismo, a responsabilidade, o respeito pelo outro, o sentido colectivo/comunidade, a serenidade deveriam ser princípios fundamentais. E são-no por muitos desses países fora, nomeadamente em grande parte da Europa.

Em Portugal... também não! Em tempos de crise somos um país carregado de parolos, chicos-espertos, sem qualquer pingo de responsabilidade e moral.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o uso de máscaras é recomendado para quem estiver doente e, preferencialmente, em contexto hospitalar.
Ainda a mesma OMS, a Direcção-Geral de Saúde e os profissionais de saúde referem que a lavagem mais regular das mãos é preferível e mais eficaz que o uso do gel desinfectante.

E o que é que se faz por cá? Em fevereiro (ainda sem nenhum cidadão infectado confirmado) foram vendidas mais de 419 mil máscaras (21.746 em fevereiro de 2019), o que representa um aumento de 1.829,3%. Já a venda de desinfectantes também registou um crescimento de 221% em relação a fevereiro do ano passado (dados da Associação Nacional das Farmácias).
Para além de uma questão de saúde pública porque condiciona significativamente os meios de combate num futuro próximo (sim... porque os casos aumentarão sem ilusões ou paranóias) e irá colocar em causa a recuperação de muitos cidadãos infectados ou profissionais de saúde no exercício das suas funções, há ainda a questão da racionalidade. Um excessivo pico de procura de um qualquer bem tem três impactos imediatos: a possibilidade de rotura de stock e incapacidade de oferta imediata (ou num curto espaço de tempo... pelo menos o necessário à produção e distribuição); um aumento de preço para conter a procura e racionalizar o mercado; ou ainda um aumento de preço pela especulação comercial (a que vulgarmente apelidamos de "roubalheira").

Mas pior que tudo isto é a especulação e o aproveitamento do "mal/sofrimento alheio" para o lucro, a exploração e a "comercialite". Teve que ser uma empresa do centro da Europa, que até nem é propriamente um exemplo de ética, a vir dar-nos lições de moral, de civismo e responsabilidade comunitária. A OLX sediada em Amesterdão/Holanda) apercebendo-se do surgimento de um óbvio (quanto estúpido) aproveitamento especulativo da venda de máscaras e gel desinfectante decidiu retirar todos os anúncios que promovessem a oferta destes produtos.

Infelizmente, embora louvável, a decisão da OLX não pode ir mais longe. Porque, no mínimo, deveríamos estar perante um caso de justiça ou de policia... de crime de saúde pública, bem grave.