Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Os "generais" e a batalha política governativa

SNS24.jpg

Mudar ou não mudar "generais" na batalha política. Para o Governo e António Costa, depende se, politicamente, dá jeito ou não.

O Presidente da República, agora em casa de pantufas e termómetro na mão, enalteceu, ontem, a forma “madura, tranquila e serena” (sic) como os portugueses estão a reagir ao COVID-19.

Embora a observação presidencial seja marcadamente cívica (e, face ao que é o notório alarmismo social, algo questionável) se os portugueses têm sido maduros e serenos, já o Governo tem dado mostras, nesta área, de alguma imaturidade, irresponsabilidade e intranquilidade.

Numa primeira fase, foi a catadupa informativa, o exagero de conferências de imprensa mais alarmistas do que formativas e demasiado vazias de conteúdo relevante. Era a fase do "de suspeito em suspeito até ao infectado final (primeiro)".
Depois o desfasamento das intervenções da Ministra da Saúde (mais uma vez) e da Directora-Geral de Saúde com a realidade e o que é, no dia a dia, o SNS e as respostas de Saúde. Não fosse, de facto, com a necessária serenidade alguma alteração de hábitos e comportamentos dos portugueses e a situação poderia, eventualmente, estar caótica.
À boa maneira portuguesa, há ainda a acção, por norma, reactiva e não pró-activa, a falta do envolvimento de vários sectores da sociedade nas tomadas de decisão/prevenção (por exemplo, autarquias, escolas, empresas, ...)
Por último, o primeiro-ministro não podia, nem quereria, ficar fora deste "quadro".

Em tempos de crise, a referência e a figura/imagem de quem tem a responsabilidade de decidir, validar, definir estratégias e processos é ainda mais importante do que nos, ditos, tempos normais. Isto vale para qualquer entidade pública ou privada, seja qual for a sua natureza.
Dentro deste princípio básico (mas estrutural) António Costa, no pico dos fatídicos incêndios de 2017 (em defesa da Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa) e há poucas semanas, no início das infecções do COVID-19 em Portugal (defendendo a Directora-Geral da Saúde, Graça Freitas) afirmava - e muito bem - que "não se mudam generais a meio de uma guerra".

Só que a pressão e a ansiedade políticas provocaram um claro erro na governação e na gestão desta crise. A substituição/demissão do presidente da entidade responsável pela Linha SNS24, Henrique Martins (e dos vogais Artur Mimoso e João Martins) é uma clara e manifesta incoerência e irresponsabilidade políticas.
E não colhe o argumento, já sabido há mais de 2 meses, que Henrique Martins não foi demitido, mas sim substituído, porque a sua comissão tinha terminado a 31 de dezembro (embora não seja líquido que a mesma não pudesse ser renovada).
Não atirem areia para os olhos dos cidadãos porque estes não são parvos. A decisão é claramente política e errada, e o timing não é nenhuma mera coincidência.
Se Henrique Martins e o seu Conselho de Administração não serviam e, tal como demagogicamente Marta Temido afirmou (num manifesto erro comunicacional), já havia a decisão da sua substituição, dois meses é tempo mais que suficiente para que tal tivesse acontecido ou, então, era preferível, seguindo a coerência do primeiro-ministro, que a substituição acontecesse após a crise do COVID-19.
A questão é política e apenas política, numa tentativa (mais uma) do Governo sacudir a água do capote e transferir para terceiros aquelas que são as suas responsabilidades e falhanços. Se não tivessem vindo a público, esta semana, as notícias que deram conta que 1 em cada 4 chamadas para a Linha SNS24 não foi atendida (apesar das explicações dadas pelos seus responsáveis... limites impostos pelo contracto com a Altice e validado pelo Governo) o Conselho de Administração ter-se-ia mantido em funções.

Anda-se a brincar com a saúde dos cidadãos.