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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Da vergonhosa política em tempos de crise

É nos tempos marcadamente de crise que se evidenciam aqueles que são, verdadeiramente, essenciais ao funcionamento da sociedade.
Felizmente, por mais negros que venham a ser os tempos pós-crise, não são os sectores como os mercados e os bolsistas, a banca e os seus banqueiros ou os gestores de fundos monetários; não é o milionário e obscuro mercado desportivo.
Estes dias que vivemos mostram-nos quem são os verdadeiro heróis e aqueles que mais impacto têm na sociedade e na nossa sobrevivência: os médicos, enfermeiros e auxiliares da saúde; as farmácias e os farmacêuticos, as forças de segurança, os bombeiros e os profissionais de protecção civil; os homens do lixo, do abastecimento de água e luz; os repositores e funcionários dos hiper e supermercados; a mais pequena mercearia de bairro ou o mercado tradicional; os motoristas de pesados; entre outros.
No meio de tanto medo e pânico social, da mudança drástica nos hábitos e rotinas, a melhor luz ao fundo do túnel, depois de vencido o "bicho", será a conquista do respeito por todos eles e pelas suas futuras e legítimas perspectivas profissionais. Será igualmente, a percepção da necessidade de olharmos para o que é verdadeiramente essencial, vital e prioritário na nossa sociedade para, dessa forma, podermos alicerçar o verdadeiro sentido de Estado.

Da mesma forma que é expectável que nestes momentos de crise profunda a política e os políticos tenham como igual prioridade a valorização da sua imagem e da sua primordial função na defesa do Estado de Direito Democrático.
Importa reconhecer que, na generalidade, Presidente da República, Governo (apesar das inúmeras falhas na gestão do processo... já lá iremos), a Assembleia da República e a quase totalidade dos partidos políticos (PSD, PCP, BE, PS, Iniciativa Liberal) com assento parlamentar, têm demonstrado um verdadeiro sentido de Estado, um respeito muito significativo pela conjuntura que vivemos, evitando claros aproveitamentos político-partidários da situação. A estes podemos juntar ainda as Ordens Profissionais directamente envolvidas e diversas entidades empresariais que, apesar das dificuldades que o dia a dia deixa transparecer, têm tido uma clara preocupação em fazer parte da solução e não do problema.
MAS... e infelizmente há sempre um mas.

A obsessão pelo poder, o facilitismo com que se cai no populismo, o execrável aproveitamento político não tem, infelizmente, limites.
Enquanto verdadeiro heróis sacrificam as suas vidas pessoais e profissionais, as suas famílias e o seu futuro (por exemplo: há, no país, mais de 50 médicos infectados e mais de 150 em quarentena), no mais profundo dos anonimatos e com o verdadeiro espírito de dedicação e cidadania, é abominável e condenável que o CDS emita uma nota pública e exclusivamente política a dizer: «Francisco Rodrigues dos Santos [líder do CDS-PP] alistou-se como voluntário para ajudar as Forças Armadas nas acções que vão desenvolver na luta contra o novo coronavírus durante o estado de emergência".
Se essa é, verdadeiramente a sua vontade, enquanto cidadão que, acima de tudo é, tomava a decisão e ponto. Como eventualmente muitos outros o fizeram, felizmente.
Vir para o palco mediático e partidário, com uma decisão que deveria ser, acima de tudo, pessoal é puro populismo e execrável aproveitamento partidário, demonstrativo do carácter político. A sociedade, os portugueses e a política (a verdadeira) dispensa veemente.

Ao PSD e a Rui Rio fica o apelo... mantenham-se bem ao centro (como é a intenção anunciada desde 2018) e longe destes reais e perigosos riscos de degradação da democracia e da política... custe os resultados eleitorais que custarem.

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