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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontravam e conversavam sobre tudo e nada.

A virose na política

ou como com papas e bolos...

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(créditos da foto: Saul Loeb /AFP)

Seria elevar a especulação ao máximo se colocássemos como hipótese (verosímil, eventualmente) o facto de Donald Trump não ter sido infectado. Ou seja, a hipótese de todo o contexto da testagem positiva para a COVID-19 ter sido encenada. Se bem que a ideia começa a ganhar alguns contornos de realismo.
Tomemos, então, como facto concreto que o Presidente dos Estados Unidos da América contraiu a SARS-CoV-2.

São inúmeras as considerações e explicações que comentadores políticos e comunicação social têm explanado para encontrar mil e um contextos desta situação: os impactos na governação e na campanha eleitoral que se avizinha.

Por mais teorias que se queiram arquitectar, não há como fugir de uma realidade: é claro que Donald Trump jogou todas as cartas do seu baralho político para retirar dividendos eleitorais e políticos deste contexto. Com duas vertentes óbvias.

Primeira vertente... face às sondagens (que nos Estados Unidos têm uma estruturação técnica bem marcada) Trump joga aqui uma cartada mediática. Passa a imagem de um Presidente dedicado, trabalhador, empenhado, que nada abala a sua função, nem mesmo um vírus que, teimosamente, continua a menorizar. Esta é uma tentativa desesperada para subir nas intenções de voto.
Segunda vertente... Trump é maquiavélico na forma como encara a política e a sociedade. E mais ainda... não consegue encarar uma derrota. Não gosta, não aceita perder.
Por isso, esta é uma excelente oportunidade para encontrar uma "desculpa" para uma derrota, para já, provável. Perdendo timing e oportunidades de estar no terreno, na rua, em plena campanha eleitoral, Donald Trump encontra numa infecção de COVID-19 a "desculpa" que lhe caiu do céu para justificar o desastre eleitoral. O vírus (e por arrasto, os chineses) será sempre a saída politicamente airosa.

O resto, a ida para o hospital, a continuidade das funções e das responsabilidades, o vídeo a trabalhar, a mensagem transmitida, para além de "cenário", é uma mão cheia de nada.