Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

26
Ago 10
Publicado na edição de hoje, 26.08.2010, do Diário de Aveiro.

Cheira a Maresia!
Verão quente…


Para além do país ir a ‘banhos’; para além das crianças e dos jovens se encherem de ‘tédio’ pela enormidade de um período sem actividade escolar; para além dos pais e encarregados de educação desesperarem por soluções que tranquilizem e permitam ocupar os seus filhos durante cerca de três meses, a época de verão é, por norma, um período do ano tranquilo, sereno, apático, onde pouco ou nada acontece, salvo as habituais reentres desportivas, as contratações, as apostas nas conquistas dos títulos, o mercado agitado das transferências, e, claro está, os ‘casos’ do futebol.
Mas nem sempre é assim…
Este verão de 2010 confirma a excepção à regra.
A ‘silly season’ (normalmente marcada por trincas políticas sem qualquer relevância) foi agitada pelas reentrés antecipadas; pelo caso Freeport muito mal esclarecido e ainda longe de terminado, e que volta a agitar as águas da Justiça; pela pressão do PSD sobre o PS no caso da revisão constitucional e da eventual não aprovação do Orçamento de Estado para 2011, abrindo um novo frenesim e nervoso miudinho nas hostes socialistas e no governo.
No que respeita à economia e à tão esperada saída da crise, Portugal continua a assistir (contrariando quer as previsões, quer a imagem irreal que o governo teima em mostrar das consequências no país suas políticas) a um aumento da taxa de desemprego que deixa em casa mais de meio milhar de portugueses, minimamente atenuado com o trabalho sazonal da época balnear, e com a continuidade de empresas a encerrarem as suas portas, como é o caso mais recente da Delphi.
Mas este verão agitado arrancava com a trapalhada política do governo em querer impor, de forma unilateral, inconsistente, sem critérios coerentes, só por força da recuperação do deficit e da estabilização das contas públicas, o pagamento de portagens nas SCUT do litoral norte e centro do país.
De tal forma foi mal estruturada e planeada esta medida que, após avanços e recuos, complicações legislativas de sobra, neste momento, o governo acaba por não angariar as receitas previstas e ser pressionado ao pagamento, às várias concessionários, das despesas com os processos de instalação dos sistemas de cobrança.
E entre mergulhos no mar ou nos rios e toalhas estendidas ao sol, muitas das famílias portuguesas seriam ainda surpreendidas, não só por vários anúncios de aumentos de preços (pão, electricidade, imposto sobre produtos petrolíferos, …), como também por uma reestruturação da rede escolar nacional que prevê o encerramento de 701 escolas primárias – 1º ciclo do ensino básico, contra os cerca de 500 estabelecimentos de ensino previamente anunciados. Novamente à custa da necessidade de controle da despesa pública, a preocupação é meramente economicista, já que são muitas as dúvidas do ponto de vista pedagógico e social, acrescido dos problemas que estas medidas acarretam para os municípios e contribuem para uma maior desertificação do interior do país e de muitas comunidades, aumentando as assimetrias regionais.
Por último, se dúvidas haviam quanto à agitação desta época, o flagelo dos incêndios que proliferaram na região centro e norte, deixou o país à beira de um ataque de nervos. Entre o desespero de muitas famílias que viram os seus bens total ou parcialmente destruídos, lamenta-se que aqueles que por vontade própria e por vocação pessoal decidem dedicar o seu esforço aos outros, tenham perdido a vida: os bombeiros.
Este é um problema cíclico, desleixado ao nível político e governativo: falhas na prevenção, falhas nos recursos a disponibilizar aos bombeiros e protecção civil, e, muitas vezes esquecido, falhas no planeamento de um plano de florestação nacional consistente e estável.
Sem um combate permanente e um planeamento constante, anualmente o país perde ao nível económico, ambiental e social.
Por último, o aumento de viaturas que circulam nas estradas portuguesas potencia, diariamente, o risco de tragédias como a que aconteceu esta semana na A25, perto do nó das Talhadas. A ânsia de chegar rápido ao destino, a falta de cuidado e de civismo rodoviários, as condições de muitas estradas, fazem com que uma época que se previa de alegria, descanso, serenidade, se transforme num flagelo e num ‘vale de lágrimas’. A vida vale muito mais que uma tragédia… infelizmente as tragédias ‘ganham’ a muitas vidas.
Se este é um verão quente por força das condições meteorológicas (temperaturas altas), não restam dúvidas que a sociedade transformou-o num verão escaldante…
publicado por mparaujo às 13:22

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