Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

11
Nov 10
Publicado na edição de hoje, 11.11.2010, do Diário de Aveiro.

Cheira a Maresia
Até onde?!


Um dos argumentos utilizados na fundamentação da necessidade de um acordo e viabilização do Orçamento do Estado para 2011, para além do sentido de Estado, era a necessidade de “acalmar” e criar confiança nos mercados externos, protegendo a economia e resguardando a divida pública de uma escalada dos juros.
Acontece que, para além da contestação social que se vive na sociedade portuguesa, nem os juros estagnaram ou diminuíram (bem pelo contrário – atingiram a fasquia dos 7% tão mencionada pelo Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos), nem parece ter havido o mínimo de confiança dos mercados financeiros e económicos, excluindo a posição chinesa de combater o seu excesso de divisa e posicionar-se no mercado face à sua dependência do dólar americano.
E isto porque teria sido preferível a certeza de uma realidade concreta resultante do chumbo orçamental, do que a imagem transporta para os mercados e Europa de incerteza e indefinição quanto à estabilidade governativa, com as ameaças de demissão, de moção de censura ou da teimosia do Primeiro-ministro contra uma desejável remodelação do seu executivo.
Mas para além das incertezas que continuam a pairar sobre a execução orçamental ou o cumprimento das metas a atingir, mantêm-se a ambiguidades e as indecisões quanto às medidas que foram aplicadas (e continuarão a ser) aos portugueses e às empresas para o combate ao défice e à crise.
Ambiguidades e indecisões que resultam na inconsistência das medidas, na sua falta de estruturação e estratégica global, da sua equidade e justiça… no fundo, da sua razoabilidade, consequências e proveitos práticos.
Semana a semana, são “disparadas” para os cidadãos, famílias e empresas, medidas avulsas, irracionais (porque injustas e não benéficas) que apenas têm como objectivo a preocupação do reforço matemático e financeiro (nem por sombras económico e social) do objectivo de cumprimento do défice nacional, num mero exercício entre “o deve e o haver”. Medidas que afectam quem trabalha, quem produz, quem tem mais dificuldades, quem em tempos de crise mais apoios necessita. Numa certeza de que piores dias ainda virão, pelo menos, nos três ou quatro anos que se seguem, sem perspectiva de retoma.
Medidas e políticas que demonstram o desnorte, a falta de rigor e ética, agravada com a insensibilidade social, no combate à crise e na estabilização e desenvolvimento da economia.
Para além das políticas e estratégias anunciadas como inerentes à execução do Orçamento, já tivemos os cortes de prestações sociais às famílias, os apoios ao ensino, as prestações complementares de saúde, os apoios às instituições e organizações de solidariedade social que realizam a função social que o Estado, cada vez mais, se desresponsabiliza, …, já para não falar das verbas/fundos comunitários devolvidos à União Europeia, por exemplo, no sector agrícola, como se o dinheiro fosse algo que não preocupasse os governantes (já que aos cidadãos preocupa e muito).
Com a incerteza do caminho a seguir, com a interrogação do “para onde caminhamos?”, parece hoje mais claro que entre a realidade que se vive e que se perspectiva e o amedrontamento face a uma eventual crise política, tinha sido preferível o esforço colectivo, equitativo, mas consistente e que projectasse um futuro para o país, resultado de um chumbo orçamental, de uma mudança governativa e do apoio no “limpar a casa” da União Europeia e do FMI.
Desta forma, nem se sabe para onde caminhamos, como, nem até quando Portugal (cidadãos, famílias e empresas) conseguirá sobreviver.
publicado por mparaujo às 05:02

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