Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

08
Fev 20

rui Ro - 38.º congresso 2020.jpg

Dito de outra forma... eis a razão de eu e 53,2% dos militantes sociais-democratas termos votado em Rui Rio, nas directas de janeiro último. E este poder ser um dos melhores presidentes que o partido já teve (haja a oportunidade e tempo de o provar).
E a razão é bem simples e muito clara... com Rui Rio, desde 2018 (e não apenas agora, em Viana do Castelo) o Partido tem vindo a reencontrar o seu posicionamento ideológico ao centro (perdido, pelo menos, nos seus últimos anos: 2010-2018) e que alguns, poucos mas insistentes, tentam a todo o custo inverter; o Partido tem procurado encontrar forma de dignificar a política, seja por uma oposição crítica mas realista e consistente, seja pela sua transparência, ética e rigor, seja ainda por colocar os portugueses (todos) e o país em primeiro plano e prioridade; e, ainda, o Partido tem percorrido um sinuoso caminho na promoção de espaços de abertura à sociedade e à participação dos cidadãos na construção de um país bem melhor (e diferente)... pena é que muitas estruturas de base (concelhias) ainda não tenham compreendido a importância deste contexto para que o PSD volte a sedimentar-se nas freguesias, nos municípios, nas associações e instituições, no mundo laboral, nas escolas, no tecido comercial e empresarial (como foi a sua génese fundadora).

Por norma e pela tradição a intervenção do presidente do partido na abertura dos Congressos Nacionais é dedicada ao partido, essencialmente dirigida aos congressistas e militantes, com uma mensagem marcadamente interna.
Tal aconteceu com Rui Rio, ontem, em Viana do Castelo. Mas não só... para além do contexto, foi a forma soberba como o fez. Daí que o Congresso não precisasse de mais nada porque o discurso de Rui Rio foi cirúrgico, assertivo, preciso, rigoroso, político e ideologicamente importante, sem qualquer necessidade de fulgor e empolgamento mediáticos, de grandes rasgos retóricos (que, por regra, soam sempre a demagogia e falácia) ou de calorosas ovações. Para além de ter sido, ainda, inquestionável e necessariamente educativo, no que respeita à precisão com que o presidente do PSD focou os críticos e as facções internas.

Dividindo o excelente discurso de Rui Rio em três partes, estas traduzem e espelham as actuais necessidades do PSD face à actual conjuntura política e ao seu futuro no contexto nacional.

Primeiro, a avaliação dos exigentes desafios mais próximos (já em 2021): as eleições regionais nos Açores e as Autárquicas.
O PSD para se voltar a afirmar na sociedade e na política, para voltar a crescer, não pode descurar o que é a sua base estrutural: as aldeias, vilas, cidades, freguesias, municípios. No fundo... o Poder Local, principal barómetro da implementação nacional de um partido e o espelho do seu vigor e da sua aceitação na sociedade.
Dos importantes elogios ao trabalho autárquico e ao peso do Poder Local no desenvolvimento do país, Rui Rio deixou uma mensagem interna bem clara: não vale a pena quererem condicionar as escolhas de candidatos e listas à "pala" de um falso sentimento de unidade e coesão (algo que uma minoria tem andado a fazer - e não acredito que por aqui parem - desde 2018 porque perderam influência, carreirismo e palco político). Divergência de opinião não é o mesmo que falta de lealdade partidária ou ética política, de valorização de interesses pessoais ou corporativos. Felizmente, com Rui Rio, o principal critério nas escolhas autárquicas será o do mérito, do valor, da relevância, da seriedade e rigor, independentemente das divergências de opinião. De fora ficam os interesses pessoais, o 'amiguismo', o clientelismo, o carreirismo político, os fundamentados 'casos de justiça' (que infelizmente existem, contrariando os que acham que há demasiada judicialização da política).

Segundo, a mensagem "churchilliana"... o recado aos críticos internos.
Os que tanto clamam por unidade, por coesão, são aqueles que nestes dois últimos anos tudo fizeram para fracturar o partido, com um notório deplorável sentimento de ressabiamento, vingança e rancor.
O que temos assistido no PSD, desde a chegada de Rui Rio à presidência (2018), é o espelho da actualíssima expressão de Wilson Churchill em relação à disposição das forças políticas no Parlamento Britânico: "em frente sentam-se os meus adversários políticos... ao meu lado os meus inimigos".
Aqueles que tanto têm bradado aos ventos para que Rui Rio assuma claramente António Costa com um adversário e o foco da estratégia partidária do PSD, são os mesmos que, interna ou publicamente, têm feito do Presidente do PSD o seu alvo e foco principal, o seu verdadeiro inimigo.

Por último, e mais determinante, o reposicionamento do PSD, contra o esvaziamento e desvio ideológico que um passado bem recente (última década), que os críticos e oposicionistas internos (nos dois últimos anos) têm procurado impor, remetendo para o esquecimento, para a mera "gaveta" das recordações, toda a história e princípios estruturantes da fundação do partido protagonizados, entre outros, por Sá Carneiro (que injuriosamente aclamam). Contra os que afirmando ter-se fechado um ciclo político, remetem-se ao anonimato e à privacidade, mas que, a espaços, vão querendo "andar por aí" e vão surgindo publicamente nos momentos mais determinantes da vida do partido, expressando desejos e sonhos recentes de viragem para um vazio ideológico e programático.
Mais que interpretar conceitos e afirmações, nada melhor que reproduzir algumas excelentes e soberbas expressões que o discurso de Rui Rio trouxe a público.
Antes de mais, aos críticos e ao que foram muitas das argumentações eleitorais internas no final de 2019 e início de 2020.

«Podemos, até, ganhar eleições, mas tal não significa necessariamente que se tenha ganho o País. Ganhar os portugueses é conquistar o seu respeito e a sua confiança e não conseguir o seu voto, apenas porque eles acham que os outros são piores do que nós.
A frase que tantas vezes tenho citado, “Primeiro está Portugal, depois o partido e, por fim, a nossa circunstância pessoal” é o princípio que Sá Carneiro nos apontou, e que temos de ter sempre como pano de fundo de toda a nossa actuação política. Os partidos existem para servir o País, não existem para dar corpo às suas pequenas tácticas, nem aos interesses particulares dos seus dirigentes.»
«Em Portugal, (...) se berra mais alto, se diz mal de tudo o que o Governo faz, se não concorda com nada, então está a fazer uma verdadeira oposição. Se assim não é, se o faz com critério, coerência e elevação, então a sua acção política é fraca e a oposição muito frouxa. É isto que eu não quero que o PSD faça sob a minha liderança. Porque é esta postura, que foi descredibilizando a política ano após ano. Não adianta insistir na política do “bota-abaixo” e da critica sem critério nem coerência. Deixemos isso para os outros e portemo-nos nós com a elevação e a nobreza que a actividade política nunca devia ter perdido. Serve-se o País no Governo, tal como se serve o País na oposição. O nosso objectivo é Portugal, não é apostar no quanto pior, melhor. Somos oposição. Compete-nos enaltecer as diferenças relativamente ao Governo em funções, denunciar, com firmeza, as suas falhas e apresentar, com competência, políticas alternativas.»
«Não podemos ser contra ou a favor de uma ideia em função de quem a apresenta. Temos de tomar a nossa posição em função do mérito da mesma e não em função do seu autor.
É, pois, uma oposição credível e realista, aquela que o PSD fará ao Governo no mandato que agora se vai iniciar. Fazer o contrário, como alguns críticos internos defenderam e como tantos comentadores nos pretendiam ensinar, teria tido o mesmo resultado eleitoral que outros partidos tiveram, quando deram ouvidos a tais criticas e optaram por seguir as teses do politicamente correto.»

Por último, e verdadeiramente mais importante (no momento) a questão da ideologia.

«O PSD, tal como o seu nome indica, é um partido de ideologia social-democrata. Não somos, pois, a direita, nem somos a esquerda. Não somos liberais nem conservadores, assim como não somos socialistas nem estatizantes. Abarcamos todo o centro político ou seja, o espaço onde se encontra a esmagadora maioria das pessoas. Desde a nossa fundação, que apostamos em ter connosco os sectores mais moderados da nossa sociedade.»
«Somos um partido moderado, reformista e personalista. Rejeitamos o extremismo. Defendemos a via reformista como caminho para o progresso e para o desenvolvimento. Respeitamos a liberdade individual como elemento estruturante do rumo que cada um entenda dever dar à sua vida.»
«Disse Sá Carneiro no Congresso de 1978 em Lisboa: “Nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita.” Deslocar o PSD para a direita é desvirtuar os nossos princípios e os nossos valores e afunilar eleitoralmente o partido, em direcção a um espaço onde hoje já praticamente nada mais há para ganhar. Uma coisa é o PSD conseguir ser o líder de uma opção à direita da maioria de esquerda que nos tem governado, outra, completamente diferente, é sermos, nós próprios a direita.»

Portugal precisa do PSD. Seja na oposição ou no Governo.

publicado por mparaujo às 16:36

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