Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

06
Jun 12

E há discursos com os quais não consigo conter-me na adjectivação, até porque não encontro adjectivos capazes de sustentar o espanto, a náusea, a estupefacção, a imbecilidade, o cinismo, o descaramento.

Já tinha referido, pelo menos, a 16 de maio - "Oportunidades perdidas" que o factor emigratório de hoje, nada tem a ver com o da década de 60 e 70, e muito menos traz qualquer tipo de vantagem para o país. Antes pelo contrário... perdemos recursos qualificados (e que custaram a qualificar), desertificamos o país, não recolhemos dividendos fiscais nem contribuições, as empresas ficam sem quadros e sem competitividade, perdemos investigação e conhecimento. Além disso, o país envelhece e empobrece.

Desta forma, não consigo perceber como pode um ministro como Miguel Relvas, com as responsabilidades políticas e governativas que tem, com a débil e descredibilizada imagem política que os acontecimentos recentes criaram no seio do governo e na opinião pública, tenha este tipo de opinião e a diga "alto e bom som" (apesar de num evento interno do partido a que pertence e para o qual muitos preconizam outro rumo), ontem, nas jornadas sobre "Consolidação, Crescimento e Coesão", em Santarém:

"Nós hoje já não exportamos só futebolistas, exportamos cientistas, exportamos pintores, artistas plásticos. Hoje temos essa capacidade, esse é o grande bem de um pequeno país. É isso que nós temos para exportar, a capacidade de afirmação que a nossa história sempre demonstrou". (fonte: RTP online)

E a estupefacção e a irritação são enormes.

Primeiro, é abominável que um responsável político e governativo considere os seus cidadãos como "mercadoria" exportável e negociável.

Segundo, o Estado português não retira qualquer tipo de contrapartida com a emigração de quem quer que seja, hoje em dia. Tal como referido atrás e no artigo publicado no Diário de Aveiro, de 16 de maio passado ("Oportunidades perdidas").

Terceiro, os portugueses emigram porque querem, porque precisam e porque não encontram no seu país natal, na sua terra, nas suas comunidades, no seu tecido empresarial e científico, qualquer tipo de oportunidades. E não porque o Estado português os "exporta".

Quarto, o ministro Miguel Relvas confunde "exportação" com abandono, desamparo, indiferença, "expulsão", fruto da forma como o Governo tem demonstrado incapacidade para, estruturalmente, encontrar medidas que comabtam o desemprego, criem oportunidades de empreendedorismo.

Nunca fui um evidente e claro "adepto" e "simpatizante" (até) dos comentários do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa... mas torna-se, cada vez mais, evidente que o mesmo tem toda a razão quando se refere à péssima prestação governativa do ministro-adjunto e dos assuntos parlamentares.

Pode ter a força (estranha) que tem, mas não deixa de ser o elo mais fraco.
Não se percebe como ainda dura no governo... nem a própria "razão" o entende.

publicado por mparaujo às 22:30

comentário:
Acresce como actualização...
é do mais degradante e desonesto, politica e moralmente, estar a comparar o facto de um jogador de futebol encontrar num clube estrangeiro forma de expressar a sua actividade e aumentar, muitas vezes exponencialmente, os seus recursos financeiros (como todos os meios e recursos ao seu dispor, a maior parte dos casos, sem qualquer tipo de preocupação ou iniciativa própria) e um cidadão que se vê obrigado (e escorraçado) a sair, contra sua vontade, do seu país, para o incerto, o desconhecido, à procura de concretizar um simples sonho: trabalhar e realizar-se profissionalmente.
E em qualquer dos dois casos, ainda não se vislumbra onde é que o país possa "ganhar" o que quer que seja...
mparaujo a 7 de Junho de 2012 às 01:11

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