Quando muita coisa se coloca em causa, quando as críticas e as dúvidas são mais que muitas, não basta dizer que se fez algo... há que o provar.
Antes de tudo, mais uma vez, entendo que era completamente escusada esta nomeação de Franquelim Alves para Secretário de Estado do Empreendedorismo, fundamentalmente por uma questão de ética e resguardo político, e do próprio recato pessoal do visado. É certo que Franquelim Alves não foi formalmente acusado, não foi constituído arguido, não teve "acusação" política na comissão de inquérito parlamentar do BPN (só agora é que se pretende, por parte de alguns sectores partidários, inverter as situações). Mas tudo isto era mais que escusado porque o Governo não pode querer convencer a opinião pública de que não haveria mais nenhuma alternativa disponível para o cargo público e político.
Tal como já o tinham anunciado, principalmente o Bloco de Esquerda, aproveitando a presença do ministro da Economia, Álvaro Pereira, na Comissão Parlamentar de Segurança Social e Trabalho, o tema da nomeação do Secretário de Estado do Empreendedorismo foi o ponto alto da reunião, com várias interpelações ao ministro para que fundamentasse a escolha de Franquelim Alves.
Antes mesmo da reunião da Comissão Parlamentar, já o ministro Álvaro Santos Pereira abria as hostilidades ao afirmar que a oposição estava a procurar fazer um 'linchamento político' público do carácter e da pessoa de Franquelim Alves.
Já no decurso dos trabalhos o ministro da Economia contrapunha os argumentos políticos e judiciais da oposição (PCP e BE, pelo menos) com o argumento de que o recém empossado Secretário de Estado teria tido um papel fundamental na denúncia ao Banco de Portugal de procedimentos ílicitos no BPN/SLN.
Mas face à insistência das críticas e ao engrossar dos argumentos contestatários, Álvaro santos Pereira retira "o coelho da cartola" para revelar uma determinada carta que tinha sido enviada ao Banco de Portugal e que sustentava a sua afirmação anterior de que Franquelim Alves tinha tido um papel determinante na denúncia das irregularidades que estavam a ser cometidas.
Mas afinal, apesar da Comissão ser de Segurança Social e Trabalho e o tema ter vindo a discussão pelo facto da maioria parlamentar ter rejeitado uma audição própria sobre o tema, o ministro Álvaro Pereira veio mal preparado para esta "guerra" e a sua argumentação resultou num claro virar o feitiço contra o feiticeiro.
Não colocando em causa que Franquelim Alves possa ter tido algum papel na denúncia ao Banco de Portugal, a verdade é que o ministro não só não mostrou o documento como não se mostrou capaz de contrapor o facto apresentado pelo deputado do PCP, Jorge Machado, de que a referida carta não tinha a assinatura de Franquelim Alves, como tinha sido uma resposta a uma insistência para apuramento de factos por parte do Banco de Portugal e não a auto-iniciativa de denunciar os factos.
Não basta parecer... há que o ser.
A acta da audição de Franquelim Alves na Comissão Parlamentar de Inquérito do caso BPN/SLN

