Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

19
Mai 13

Publicado na edição de hoje, 19 de maio, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

Paixão pelas BUGA

Nestes últimos tempos, em Aveiro, muito se tem falado de política de mobilidade (ou da eventual falta dela). O tema tem vindo a público pelo concurso dos quatro parques de estacionamento e da concessão do estacionamento à superfície, pela concessão do transporte público de passageiros ou pela extinção da MoveAveiro. Altura para relembrar alguns projectos que envolveram a autarquia como o LifeCycle, o ActiveAccess ou o projecto Rampa, embora este mais vocacionado para as acessibilidades. Normalmente e na maioria dos casos a acessibilidade (complementar ou em ‘oposição’ à mobilidade) implica investimento (pequeno ou volumoso): intervenção no espaço público, na rede viária ou construção de novas vias, no edificado, a título de exemplo. Já a mobilidade, apesar da maioria das suas vertentes e da sua aplicabilidade requerer, igualmente, investimentos e recursos financeiros, também é um facto que algumas das suas políticas sustentam-se numa alteração de costumes, de cultura, de princípios, de hábitos quotidianos, sem custos ou com encargos diminutos. E estes princípios dizem respeito a todos: à autarquia e a entidades reguladoras (promoção de políticas e medidas) e aos cidadãos, no que se refere à concretização das mudanças de mentalidades e hábitos.

O que importa aqui reflectir é este papel de inclusão dos cidadãos, porque agentes activos, no desenvolvimento e na promoção de uma mobilidade sustentável. É óbvio que a mobilidade, para ser eficaz e ter eficiência, não deve ser sectorizada. Quanto mais abrangente, mais diversificada, mais complementar nas suas vertentes, mais sustentável ela será. No entanto, tem-se falado muito de trânsito, de estacionamento, de parqueamentos, de automóveis, de pontes e túneis, da MoveAveiro, da sua extinção, concessão e privatização, mas, curiosamente, pouco relevo e papel se tem dado a um sector, projecto, que já deu prémios, que foi referência na mobilidade urbana, mas que tem ficado na zona mais escura/cinzenta do debate: as BUGA. Muitas soluções podem ser encontradas para a (re)vitalização do projecto. Um projecto que iniciou o seu percurso em finais de 1999 e início de 2000, essencialmente, na altura, à semelhança duma Dinamarca ou Holanda, para permitir novas formas de mobilidade urbana aos aveirenses, acabou por se tornar, fundamentalmente (com responsabilidade de todos) numa vertente turística (mais até que de lazer), ao ponto de, em 2007 ou 2008 (sem precisão), o Turismo do Centro ter realizado um inquérito a quem visitava Aveiro. À pergunta sobre a referência simbólica de Aveiro, quando se esperava que a maioria respondesse os Ovos-Moles ou os Moliceiros, eis que surge a BUGA como a mais referida. Houve quem se esforçasse por não deixar cair o projecto (lembro-me do papel, quantas vezes inglório, da ex-coordenadora da mobilidade na autarquia, a Eng. Arminda Soares), a própria autarquia tentou reformular o conceito e o papel do projecto, “esbarrando” nas dificuldades conjunturais, estruturais e financeiras conhecidas (às quais se junta a ausência de projectos de investimento ao nível do QREN). E se a Câmara Municipal e a MoveAveiro têm, apesar das dificuldades, mantido o seu funcionamento, a bem da verdade e por uma questão de justiça, há alguém que se recusa, determinantemente, a deixar “morrer” o projecto: o Sr. Alcino. Exemplo de dedicação, de entrega, de paixão pela “sua” causa, mesmo que com teimosia ou alguma aversão à mudança, o facto é que, com o seu cansaço, alguma desilusão, mas sentido de responsabilidade e zelo, a ele se deve a sobrevivência da BUGA na cidade.

Contará, agora, com a “ajuda” de um projecto de participação cívica, sem politiquices ou partidarismos, aproveitando legitima e naturalmente, o mediatismo eleitoral autárquico para, pelo menos, “Repensar a BUGA”.

A ver vamos…

publicado por mparaujo às 08:36

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