Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

04
Jun 13

Apesar de não ser o modelo perfeito será sempre o menos imperfeito, e se há várias coisas positivas numa democracia (e num Estado de Direito) elas são a liberdade de expressão, o sentido crítico e a capacidade de ter a humildade e a ética política suficiente para saber ouvir.

A questão não está na democracia, nas instituições, nos valores… está num governo que não sabe governar, não sabe respeitar os cidadãos ou as instituições. Num governo que se autoproclama único detentor da verdade (absoluta) e para quem a crítica, por mais justa e legítima que seja, se transforma exclusivamente numa guerrilha política e em mera oposição.

Apesar do cargo ser consultivo, embora com um peso institucional relevante ao ponto de ter assento no Conselho de Estado, o Provedor de Justiça não deixa de ter uma função política, para além de democrática, e que lhe advém da sua eleição por dois terços dos deputados da Assembleia da República. Além disso, uma coisa é a sua independência institucional e a sua isenção, outra será a sua imparcialidade e vertente política da função. E isto é algo que o Governo e a actual coligação PSD/CDS, infelizmente, não percebem ou fazem por não perceber.

Em entrevista à Antena 1, emitida no dia 31 de maio, o Provedor da Justiça, Juiz-Conselheiro Alfredo José de Sousa, entre outras respostas às várias questões colocadas pela Maria Flor Pedroso, por exemplo as críticas ao funcionamento do Conselho de Estado e à sua última reunião, afirmou que “ poderia haver um refrescamento da situação política se houvesse eleições legislativas antecipadas”. Caiu o “Carmo e a Trindade”, pelo menos.

A deputada social-democrata, Teresa Leal, num registo já habitual e demasiado “dejá vú”, veio afirmar que o Provedor de Justiça "não dá garantias de isenção e imparcialidade" e defendeu que Alfredo José de Sousa deve tirar ilações por ter optado por ser "um actor político parcial". Já a voz democrata-cristã, através do vice-presidente da bancada, Hélder Amaral, disse que “as declarações do senhor Provedor não são compatíveis com o cargo que exerce”.

Para uma função que tem como principal incidência a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos na relação que estabelecem, em primeira linha, com os poderes públicos e o Estado; para uma função que exerce o controlo externo não jurisdicional da actividade da administração central e do Estado, fiscalizando-os, supervisionando-os e, quando necessário, recomendando a reposição da legalidade ou da justiça; para uma função de controlo que procura as soluções mais adequadas aos interesses legítimos dos cidadãos, ao aperfeiçoamento da acção e melhoria dos serviços públicos; não pode, apara bem da democracia e dos cidadãos, ser um agente passivo, sem voz, sem sentido crítico. E é isso que custou ouvir ao Governo e à coligação. Não é uma questão de parcialidade, é uma questão de dar voz às queixas e ao sentimento que alastra à sociedade pela forma como o país está a ser governado e pela forma como o Estado tem sido gerido. E isto significa isenção e defesa dos legítimos interesses dos cidadãos.

Será que o PSD e o CDS teriam o mesmo discurso caso o Provedor da Justiça tivesse elogiado alguma acção, medida ou política governamental? Ou aí já seria imparcial e estaria a cumprir, zelosamente, a sua principal função de garantir “as liberdades e garantias” dos portugueses?

Triste olhar para o país, o Estado e as suas Instituições. Triste sentido de democracia.

publicado por mparaujo às 23:06

20 comentários:
É óbvio que senhor é do PS...
Carlos Ribeiro a 5 de Junho de 2013 às 20:16

é óbvio que isso é uma conclusão enviesada...
eu também critico este governo e sou social-democrata, daqueles que se inspiraram em Sá Carneiro que afirmou "a social-democracia não é de direita".

Há uma diferença abismal. O sr. não é Juiz em funções.

E então??? Não tem direito ao sentido crítico??
Tivesse ele elogiado alguma coisa do Governo e já era o maior e não havia problema nenhum em expressar a sua opinião. Era garantidinho... até seria reconduzido.

Sem comentários.

eu gostaria de confrontar este sr com um caso que eu temho na justiça mas a verdade é que para falar com este sr devo ter de esperare para ai uns 3 anos visto que quis falar com o prisidente da camara de lisboa e nunca consegui de 3 vezes tentei falar com a prisidente da junta de freguezia tive 4 messes a espera e nada sã´da mesma cor depois quis falar com o prevedor da santa casa da m. de lisboa e nada por isso as pessoas usam os cargos para benificio deles e dos amigos que mais posso eu dizer falam para ganharuns minutos na televisão.
reiafonsodeportugal a 5 de Junho de 2013 às 19:44

Tenho a sensação que é muito fácil chegar ao Provedor da Justiça mesmo através de um simples e-mail.

como já não tenho nada a perder vouver se consigo falar com o provedor da justiça só que para fazer um email para ele teria de ser inorme vou se ele me atende isso é que seria bom muito bom
espero não ser mais uma dizuloção.

Boa sorte...
mparaujo a 6 de Junho de 2013 às 22:11

Concordo, com a frase. "quem não é por mim é contra mim".. realmente a democracia não é assim, mas infelizmente o nosso governo tem a doutrina ou faz lembrar o estado novo... em que tudo o que fosse contra Salazar era contar ao estado de graça, mas só para alguns.
E neste momento, em minha opinião, é que leva a acreditar.
Sr. Provedor de Justiça, não se deixe influenciar por conversas ameaçadoras, porque ainda à pessoas neste país de bom carácter , eu pessoalmente estou do seu lado tem o meu apoio total.
Um Abraço
Sérgio Venura a 5 de Junho de 2013 às 18:57

Obrigado pela visita e pelo comentário.
não vou tão longe em relação ao Estado Novo.
Mas, tal como refiro noutro comentário mais abaixo, este governo não é o PSD da social-democracia de Sá Carneiro.
Abraço
mparaujo a 5 de Junho de 2013 às 21:26

Boa tarde,

O seu post está em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.

Atenciosamente,

Catarina Osório,
Gestão de Conteúdos e Redes Sociais - portal SAPO
Equipa SAPO a 5 de Junho de 2013 às 17:48

Um Juiz não tem que elogiar ninguém nem criticar ninguém. Tem que ser imparcial e mais nada. Este senhor não honrou o cargo que exerce. Só tem uma saída...a da rua.

Este homem, o Provedor
confessou-se como cidadão profissional recebedor de queixas...
Não se queixou de nenhum penar dele, e até os que se intitulam governo, deveriam colher dele o que deveriam ou não deveriam fazer, sem primeiro se prepararem para essas atitudes já tão frequentes por fazerem tempestades num copo de água que têm muitas vezes que o entornar...
Não tiram a sede a ninguém ... nem a eles próprios...
O PSD tal como muitos anos atraz o PCP, terá de mudar de nome (o PCP mudou para CDU), se os seus membros quiserem ter algum voto útil na respectiva côr de urna...
Ao que o PPD agora PSD chegou !
Outro faria o mesmo ao conhecer as atitudes destes criançolas que julgam governar, mas que só se governam !
Cmprmnts
ghud a 5 de Junho de 2013 às 19:56

Caro Ghud
Esse é o meu sentimento desde que me senti perfeita e totalmente enganado por Pedro Passos Coelho (que nem era o meu candidato interno... a minha opção era Paulo Rangel).
Mas este Governo não é, definitivamente, social-democrata, nem PSD.
Chamem-lhe o que quiserem como também já o escrevi. Pode ser ultraliberal, experimentalista, académico, tecnocrata... o que quiserem.
Mas, pessoalmente, tenho uma certeza: Passos Coelho está a afundar o país, o PSD e a democracia.
Abraço
mparaujo a 5 de Junho de 2013 às 21:24

Pergunte ao Sócrates, Vara e outros quem é que se governou à farta!

Podia perguntar e questionar tudo isso, embora ache nada tem a ver com a posição do Provedor da Justiça.
Mas também lhe digo que também podia questionar ao Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Duarte Lima e muitos outros ligados ao BPN.
Como poderíamos falar de submarinos, sobreiros, freeports, etc., etc.
Todos têm telhados de vidro.
Mas isso nada tem a ver com o legítimo direito do Provedor da Justiça e emitir a sua opinião.
mparaujo a 6 de Junho de 2013 às 22:17

é, obviamente, a sua opinião. respeito, mas não concordo.
Aliás se há função/profissão onde é dada opinião, onde reina a interpretação e as convicções é na função de juiz.

esta resposta é dirigida ao caro Manuel Barbosa.
mparaujo a 5 de Junho de 2013 às 21:20

agradeço... só tenho mesmo que agradecer ao SAPO. Em boa hora "mudei a casa" do blogue.
mparaujo a 5 de Junho de 2013 às 21:17

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