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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Back to School

O ensino é uma das áreas da responsabilidade social do Estado mais problemáticas na gestão governativa. Compete, normalmente (infelizmente) sai como “vencedora”, com a saúde, a acção social e a justiça.
Basta recordar o que no final do ano lectivo transacto ocorreu com as greves aos exames e às avaliações. Basta recordar o que tem sido dito e escrito sobre a colocação e concurso dos professores. E, se quisermos ir para além do ensino obrigatório, basta recordarmos o que tem sido a pressão do ensino superior por causa dos cortes ao seu financiamento.
Vamos excluir desta resumida reflexão a questão do cheque-ensino porque nos levará para outros contextos e outras concepções/convicções. Embora não sendo novidade a sua eventual aplicabilidade nunca esteve tão próxima de se concretizar como agora anunciado pelo Governo de Pedro Passos Coelho.
O que é curioso, porque de surpreendente já o deixou de ser há muito, é o ciclo “vicioso” do aproveitamento político-partidário de cada início do ano lectivo. Já não são as contas aos livros, ao material escolar, a propinas ou taxas, ao stress (mais parental do que dos alunos) …
É o “déjà vu” ou os “fait divers”; a manipulação de dados consoante os interesses; as escolas que estão ou não em condições de iniciar o ano lectivo; os professores colocados, não colocados ou com horários zero; as turmas e os números de alunos; os transportes e escolas encerradas; os conteúdos pedagógicos; as inaugurações e agora a nova moda das reinaugurações; e ainda a polémica “Parque Escolar”.
Tomemos como referência (assim, sem qualquer critério científico) o ano político de 1983. Altura do Bloco Central, do IX Governo Constitucional, em que José Augusto Seabra (entretanto falecido) foi Ministro da Educação. Entretanto, desde essa data, Portugal já elegeu mais dez Governos Constitucionais (o actual é o XIX). Nestes dez governos (PS, PSD e PSD-CDS) titularam a pasta da educação 15 Ministros, incluindo o actual Nuno Crato. Entre eles, só a título de curiosidade: João de Deus Pinheiro (depois também Ministro dos Negócios Estrangeiros); Roberto Carneiro; Manuela Ferreira Leite (ex-ministra das finanças e ex-presidente do PSD); Marçal Grilo; Guilherme d’Oliveira Martins (actual presidente do Tribunal de Contas); Augusto Santos Silva (actual comentador político); o aveirense Júlio Pedrosa; José Justino; Maria de Lurdes Rodrigues (a ministra das “festas”) e Isabel Alçada.
Entre 1983 e 2013 (30 anos e dez governos) digam-me um ano, um ano apenas, em que o inicio do ano lectivo não tenha sido aproveitado por partidos da oposição, sindicatos de professores (obviamente com a FENPROF à cabeça, que é quem manda no ensino básico e secundário no país) ou associações de pais, para criticar. Digam-me um ano, um ano que seja, em que não se tenha visto na Comunicação Social as vozes do costume (alternando entre partidos no poder e na oposição) em que não se dissesse que o ano não começaria a tempo, que não se tenha criticado a política de educação de cada governo no poder, que não se agite a bandeira (que já há muito deixou de ser ideológica) entre escola pública e privada.
Todos os anos se regressa à escola… todos os anos “is always the same”.