Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

13
Set 15

Prós-e-Contras.jpgAmanhã regressa ao écran da RTP1 o programa "Prós e Contra", moderado e conduzido pela jornalista Fátima Campos Ferreira.

E regressa da pior forma, demonstrando que vamos ter mais uma "temporada" de momentos hilariantes e que irão, com certeza, alimentar muito humor nas redes sociais e na opinião pública.

Para segunda-feira a equipa coordenadora do programa escolheu o tem da Justiça para assinalar o regresso após o período de férias. Em "palco" vão estar magistrados, a Bastonária da Ordem dos Advogados, um sociólogo e jornalistas (alguns) como Miguel Sousa Tavares e Octávio Ribeiro (escolhas questionáveis, obviamente).

O tema em si é, por infinitas razões, sempre pertinente. Para a sociedade a questão da Justiça traz sempre um conjunto de interrogações e críticas, sendo que para um normal funcionamento de um Estado de Direito (e não do Direito) a Justiça é um dos pilares basilares. Haveria, por isso, inúmeros exercícios que podiam ser feitos na abordagem à problemática: os recursos da Justiça, o acesso à Justiça, a equidade na e da Justiça, o segredo de justiça, os vários códigos processuais e a sua estruturação, os procedimentos de investigação, a separação de poderes.

Pelo contrário, pegar na afirmação polémica, que já fez correr bastante "tinta", de Paulo Rangel na Universidade de Verão do PSD ("Teríamos um ex-primeiro ministro preso se o PS fosse governo?") e fazer dela o mote e o slogan do programa é, independentemente de estarem presentes ou não políticos no debate, politizar o tema da Justiça. Algo perfeitamente dispensável e recusável. E muito menos colhe o argumento usado pela jornalista Fátima Campos Ferreira quando afirma que "os cidadãos merecem saber, em fase eleitoral, se há interferência da política na justiça". Não.... os cidadãos, em fase eleitoral, precisam de saber quais as propostas políticas para melhorar a Justiça e o Direito em Portugal. Saber se há interferências políticas, ou não, na justiça é algo que preocupa os portugueses em qualquer momento. Usá-lo em plena campanha, seja pelos partidos, seja por quem for, é, claramente, politizar a discussão, mais ainda quando o contexto da afirmação proferida por Paulo Rangel era notoriamente político-partidário e tinha um alvo perfeitamente definido: José Sócrates. Aliás, importa ainda recordar o contexto em que a frase foi proferida pelo social-democrata e a argumentação política que a sustentou: "Não é mérito deste governo, mas foi durante este governo que pela primeira vez houve um ataque sério à corrupção" e "Uma coisa é certa: o ar democrático em Portugal hoje é mais respirável", acrescentou, na altura, Paulo Rangel.

No fundo, o programa de amanhã servirá para a milésima "aparição" do ex Primeiro-ministro na campanha e no confronto político-partidário, sendo cada vez mais o centro eleitoral apesar de ter estado sujeito a sufrágio em 2011.

publicado por mparaujo às 21:01

06
Mai 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 4 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Da ética à coerência

Só por distracção ou pelo desviar de atenções que o final do campeonato de futebol ou as peripécias da greve da TAP possam provocar, já para não falar no lançamento da biografia de Passos Coelho, é que nos são indiferentes realidades e contextos jurídicos, sociais e políticos que polarizam pólos distintos de convicções e crenças, colocando nos pratos da balança distintos conceitos de ética e coerência. E esta semana foi, de facto, profícua. Três meros exemplos (sem qualquer critério cronológico), sem relação casual, mas que traduzem dilemas e sentimentos divergentes e que colidem com conceitos demasiadamente desvalorizados, como a ética, a justiça e a coerência, sejam eles de âmbito jurídico, social ou político.

O primeiro, de âmbito social, traz à discussão a questão da interrupção da gravidez (aborto). Duas adolescentes (12 e 13 anos), com a plena cumplicidade materna, foram abusadas sexualmente (uma pelo companheiro da mãe e a outra por prostituição forçada) e engravidaram. Não poderia haver “melhor” contextualização para provocar o ressurgimento da polémica em torno do aborto e dos seus limites legais. Infelizmente, a discussão deixou passar para plano nenhum (nem segundo, nem terceiro, nem último) preocupações quanto às vítimas, quanto ao papel social preventivo das instituições e do Estado na defesa das crianças, quanto a medidas jurídicas de penalização dos crimes, quanto a políticas de apoio às vítimas, podendo-se ainda acrescentar o debate sobre a violência doméstica. Felizmente, o hospital onde deu entrada a criança de 12 anos (Hospital Santa Maria) teve a coragem de tomar a decisão ética mais correcta, muito para além da vertente jurídica (tantas vezes alheada da realidade), tendo em conta o sofrimento da criança, quer do ponto de vista da maternidade, quer do ponto de vista emocional e psicológico.

O segundo, do ponto de vista da ética política e da coerência, prende-se com o recente elogio de Passos Coelho a Dias Loureiro, dando-o com exemplo de sucesso empresarial. A facilidade com que se tenta apagar da memória pública determinadas realidades e comportamentos, a diversos níveis reprováveis e criticáveis, é algo inqualificável. Mas a memória, que não é tão curta como muitos querem fazer crer, reporta-nos para o afastamento de Dias Loureiro do Conselho de Estado, as suas prestações na Comissão de Inquérito Parlamentar no âmbito do caso BPN, onde foi administrador.

Mas a falta de coerência e de ética, ao contrário da coragem da decisão hospitalar acima referida, ainda teve contornos públicos nestes últimos dias. Muitas foram as vozes que criticaram a inqualificável e inaceitável pressão de Miguel Relvas sobre uma jornalista do Público e sobre o próprio jornal, quando este estava no Governo. Foram, infelizmente, algumas as vozes concordantes com a criticável atitude do ex-ministro. A história inverte-se mas repete-se: o tão badalado sms de António Costa dirigido a um jornalista do Expresso (por sinal director-adjunto) com críticas sobre o seu trabalho jornalístico de análise ao documento socialista “Uma década para Portugal”. Os que defenderam Relvas não têm legitimidade para acusar Costa. Os muitos que criticaram Relvas não podem ficar calados, em silêncio, perante esta pressão e limitação da liberdade de imprensa. Quando o nosso grito “Je Suis Charlie” se torna selectivo em função de interesses e posições, termina aqui qualquer legitimidade, coerência e valor da defesa da liberdade de expressão e da liberdade de informação. Mais ainda, a António Costa faltou coerência e ética política com a sua atitude, ainda por cima desmedida já que, em momento algum, o jornalista fez qualquer análise pessoal e de carácter a António Costa. Mas bastaria recordar ao líder socialista a manifestação pública às portas da Câmara Municipal de Lisboa segurando um cartaz “Je Suis Charlie”. Percebe-se agora porque é que a frase do cartaz não foi completada com um “…Sempre”.

publicado por mparaujo às 10:58

14
Abr 15

"RTP acaba com políticos comentadores"

Interessante... mesmo que não me pareça errado o comentário político feito por políticos, prefiro, de longe, o comentário/análise político produzido por um jornalista ou, até, por um cidadão.

E acima de tudo prefiro pluralidade e contraditório, algo que teimosamente desapareceu das televisões.

comentarios politicos na rtp.jpg

publicado por mparaujo às 15:03

07
Abr 15

bola de cristal e cartola magica.jpgA discussão traz, normalmente, bastante polémica e não é, de todo, recente. Refiro-me à questão do segredo de justiça, à sua "eventual" violação e à legitimidade na divulgação de factos processuais, não apenas na comunicação social, embora nestes casos seja o mais mediático (e imediato).

A discussão sobre a relação entre o dever de informar, o supremo interesse público (bem diferente do interesse do público) e a reserva da intimidade e da privacidade, tem fronteiras muito débeis e facilmente transpostas, com argumentações válidas (fora os excessos) para ambos os casos (divulgação factual/imagem ou não). E, neste caso da reserva da privacidade e intimidade, há ainda outras áreas como a questão do sigilo bancário, fiscal (lista vip das finanças), etc.

Mas há ainda a questão das fugas de informação e as escutas (muito para além da questão do segredo de justiça) que costumam, por exemplo, preocupar partidos, políticos, Governo e Presidência da República. Só que, neste âmbito, a contradição, a promiscuidade e os interesses menos transparentes, transformam esta realidade na maior das permissividades e confusões. Até porque há ainda a dificuldade em perceber a quem interessa e a quem prejudica, verdadeiramente, algumas fugas de informação.

A realidade é já antiga, tem "barbas" e até já poderia ter sido tema de comentário. Adiamento atrás de adiamento, aqui vai finalmente.

A prestação de comentador político de Marques Mendes é algo de surreal. Primeiro são notórias as deambulações entre a crítica e o elogio ao Governo, nunca definindo um posicionamento (o tal ditado "uma no cravo, outra na ferradura"); segundo são as constantes revelações, premeditações, o adivinhar o futuro, sempre em antecipação ao Governo. Das duas, três... ou Marques Mendes é adivinho (e a Maya que se ponha à coca face à concorrência) ou Marques Mendes é usado como evidente "soundbite" político do Governo para que este apure impactos e reacções de medidas, projectos ou posições que tenha de tomar publicamente, sem ter que correr riscos com "fugas de informação".

Num processo tão complexo quanto delicado como é o caso BES e a intenção governativa de vender o Novo Banco faz algum sentido vir publicamente afirmar, categoricamente mesmo que tudo devesse ter o maior recato possível, que o Banco Popular e o Banco da China ficaram fora da "corrida" ao Novo Banco e anunciar, com a mesma certeza e publicidade, quais os finalistas no processo? Se é fuga de informação deve ser averiguada, se há intencionalidade na divulgação dos factos afigura-se uma estratégia governativa lamentável e condenável.

E não deixa de ser curioso que com tanto ruído à volta das presidenciais de 2016, Marques Mendes ainda não tenha consultado a sua "bola de cristal" para saber e anunciar quem é, de facto, o candidato da direita. Ou será o próprio? E já agora... quem ganhará as eleições?

E ainda... o "meu" Porto ainda conseguirá ganhar o campeonato?

publicado por mparaujo às 14:45

02
Abr 15

Goste-se ou não, o assunto dá teses e teses, o jornalismo (seja qual for a sua área) é fértil em polémicas exógenas, em situações umas caricatas outras infelizes, seja por questões de profissionalismo ou ética, seja pelo simples erro/gafe a que qualquer profissão está sujeita.
Mas há uma outra nota relevante: o jornalismo não deixa de surpreender.
Como é que isto é possível?
Como é que falha a revisão/edição?

(entrevista do semanário Sol à ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque)

perguntas sol a MLA.jpg

publicado por mparaujo às 14:19

05
Mar 15

Parabéns ao jornal Público pelo seu 25º aniversário.

Amado por muitos, indiferente a alguns e motivo de alguns ódios, a verdade é que, num curto espaço de 25 anos, face ao que é o panorama da idade média da imprensa nacional, o Público soube posicionar-se no jornalismo de referência, apesar de algumas polémicas fortes (relembro o caso de Miguel Relvas e a jornalista Maria José Oliveira, muito mal gerido internamente e condenável) ou os despedimentos de um considerável número de jornalistas e profissionais.

Apesar disso, continuamos ligados...

PARABÉNS.

25 anos Publico.jpg

publicado por mparaujo às 11:16

13
Fev 15

Dizem que hoje é o dia Mundial da Rádio...
Saudades muitas daqui Rádio Terra Nova e dos velhos tempos piratas da Rádio Oceano.
Já lá vão longos anos (quase 30).
Um abraço aos camaradas da TSF, Antena1, Renascença, as inúmeras e IMPORTANTES Rádios Locais, e as generalistas nacionais. Um forte abraço a todos da RÁDIO.

Se bem que isto agora já não é a mesma coisa... agora a malta da rádio é mais "informática" que outra coisa qualquer; é tudo informatizado e pré-programado e tal.
Antigamente é que era... Carregar com os discos (LP e SP - 45 e 33 rotações), "apontar" as músicas, largar os "pratos" no timing certo... isso é que era intensidade radiofónica

radio as.jpg

publicado por mparaujo às 15:29

13
Jan 15

Muitos dos que criticaram a 'onda' do "Je suis Charlie" aproveitaram a marcha de ontem, em Paris, pela Liberdade para enviar mais umas "farpas" ao sistema, em laivos de superioridade intelectual e, até, profissional.

À falta de argumentos para minimizar o impacto que cerca de dois milhões de pessoas transmitiram ao percorrerem o centro de Paris, usa-se, e mal, o supérfluo (o insignificante) para desviar a atenção do essencial.
Tudo a propósito do que alguns apelidaram de Hipocrisia e Embuste, indo ao ponto de criticar a própria comunicação social que adjectivaram de cúmplice.

A imagem é esta, a da presença em Paris de várias representações internacionais.

marcha pela liberdade - governantes 01.jpg marcha pela liberdade - governantes 02.png

 e como resultado final esta foto (como exemplo das ditas críticas) apesar das evidências.

marcha pela liberdade - DN.jpgAté podiam ter ficado por aqui... alguns nomes presentes deixam uma significativa inquietação quando se olha para as suas acções governativas e se fala de Liberdade. Mas não... a ânsia da crítica e da vontade de diminuir e amesquinhar é tanta que se fica pela análise (deturpada) da realidade que as fotos nos apresentam.
O "embuste" gritado aos quatro ventos pretende criticar a postura dos governantes na manifestação, bem como a "ilusão jornalística" implicada a muitos jornais e televisões. É bom que se desmistifique, também, esta corrente.
Primeiro, desde sempre que se soube, e foi totalmente coordenado com a organização da marcha pela liberdade, que os governantes e representantes internacionais apenas percorriam uma curta distância e a cerca de 200 metros distanciados da manifestação.
Segundo, as razões são mais que óbvias e claramente compreensíveis: questões óbvias de segurança. A concentração de vários governantes junto a milhares de manifestantes dificultaria (ou até tornaria quase impossível) qualquer medida de segurança preventiva. Imagine-se o que não seria para uma organização terrorista esta mistura? Um verdadeiro "maná" celeste... E note-se que a questão da segurança não se limitou apenas aos governantes mas, naturalmente, aos próprios cidadãos que compunham a manifestação.

E é pena que quem perdeu imensos caracteres com um pormenor escusado não tenha elogiado a adesão massiva à iniciativa (para além de outros momentos idênticos e solidários espalhados por vários pontos do globo) ou, por exemplo, este intenso momento em que o presidente francês, François Hollande, abraça um dos sobreviventes (Patrick Pelloux) do massacre ao jornal Charlie Hedbo.

marcha pela liberdade - hollande e cartoonista 02. marcha pela liberdade - hollande e cartoonista 02.

publicado por mparaujo às 16:22

31
Dez 14

A Rádio Terra Nova fecha o ano de 2014 com um surpresa: a entrada "no ar" do novo site informativo e institucional da rádio.
Embora com estrutura idêntica à do anterior, o novo site está muito mais "limpo", com uma significativa "leitura fácil" e mais "apelativo".
Parabéns, Rádio Terra Nova
!

Radio Terra Nova novo log.png

publicado por mparaujo às 11:54

27
Nov 14

Ontem Mário Soares levantou "o dedo" para a comunicação social, avisando os jornalistas de se estarem a "lixar".
Hoje, foi a vez de José Sócrates "lixar" alguma comunicação social, trocando as voltas a quem (por sinal dois jornais) esperaria manter a "exclusividade" da razão e do processo.
Mas eis que José Sócrates apenas "telefonou" ao Público, (ou apenas atendeu o Público) deixando a roer de ciúmes o Sol e o CM.
Que maldade... não se faz.

capa do Publico - 27-11-2014_caso socrates.jpg

publicado por mparaujo às 12:03

26
Nov 14

1554429_10152311716239804_768283027_n.jpgDeclaração de interesses I: não sou socialista, não votei PS, não elegi José Sócrates nos seus dois mandatos.
Declaração de interesses II: o ex primeiro-ministro está em prisão preventiva como medida de coação aplicada na sequência do processo de investigação e como indiciado nos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção.
Nota: depois da investigação e da fase de inquérito, segue-se a fase de instrução e o julgamento. Até ao final deste, a José Sócrates (como qualquer outro cidadão) é-lhe reconhecida a presunção da inocência até prova em contrário.

Posto isto...

Não é tarefa fácil, como muitos saberão por experiência (mesmo os mais críticos), o acompanhamento jornalístico de um caso exponencialmente mediático como este processo "Marquês" que envolve José Sócrates. Principalmente entre a passada sexta-feira e a noite de segunda-feira, em que os acontecimentos foram claramente surpreendentes e deixou todo o país suspenso e boquiaberto. Esta é a realidade. Daí que são perfeitamente entendíveis e desculpáveis muitas das situações que encontrámos nos directos e nos espaços informativos em estúdio.

Mas, como em tudo na vida, no jornalismo, e por maioria de razões óbvias, muito mais no jornalismo, há limites, há fronteiras, há rigor profissional, há os factos e a verdade, há a ética e a deontologia.

Mesmo assim, ainda dou de "mão beijada", até por eventual responsabilidade do sistema educativo/formativo, que se atropelem conceitos e princípios jurídicos do processo: confusão entre indiciado e acusado, a não percepção das fases do processo, etc. A este propósito, e passe a publicidade, aconselho vivamente a frequência do Curso de Direito da Comunicação, do Instituto Jurídico da Comunicação da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (simplesmente, soberbo).

Sabe-se, por formação e ensino, que não há jornalismo bom e jornalismo mau. Ou há jornalismo ou não há jornalismo. Pela sua natureza e princípios, ou existe ou não existe.
Pela mesma razão de valores ou há jornais ou há, simplesmente, um conjunto de folhas impressas com caracteres e fotografias; ou há informação em televisão ou há espaços de entretenimento (mais ou menos conseguidos). Por isso, o que surpreende não é o aparecimento, num determinado conjunto de papéis impressos, de relatos sobre o número prisional de José Sócrates (pelos vistos, 44) ou se comeu cozido à portuguesa ao almoço e peixe ao jantar; só faltava mesmo saber a côr dos lençóis e das toalhas. O que surpreende, e, principalmente, preocupa significativamente é ver o Diário de Notícias "preocupado" com o 'design de interiores' do espaço prisional («José Sócrates está numa cela com pátio privativo mas sem banho quente. O preso nº. 44 ficou na cela onde esteve o ex-director do SEF. E pode usar o ginásio ou o pátio para jogging».) ou a TVI24 "preocupada" com o tempo de lazer e ocupação de tempos livres, vulgo ATL, de José Sócrates («Sócrates: cadeia com ginásio e workshops de tapeçaria de Arraiolos»). Não desculpando, nem deixando de criticar, ainda se poderá dar o "benefício da dúvida" dado o mediatismo dos acontecimentos e a necessidade de se produzir trabalho.

O que não pode ficar impune (relembro as declarações de interesses e a nota iniciais), deixar de ser criticado e registado publicamente, é a forma inqualificável, indigna e revoltante, com que se pretende fazer (suposto) jornalismo sem o mínimo respeito pelo rigor, pela verdade, pela deontologia, pela não observância de juízos de valor (claramente manifestados e expressados), como o descrevem estes dois textos ("o recluso 44, segundo o CM" e «A verdade dos factos»), os quais comparando com mais recente artigo de opinião de José Manuel Fernandes, este, quase que se afiguraria como um hino de louvor ao ex primeiro-ministro.

É a negação do jornalismo; é algo de inqualificável. E ainda há quem se queixa das "acusações" de Mário Soares. Enfim...

A saber: onde anda a ERC? onde anda o Sindicato? onde anda a Comissão da Carteira?

publicado por mparaujo às 14:53

27
Ago 14

É já para a próxima semana que o sonho se torna realidade. O homem sonha, com Deus ou sem Deus, mas com muito querer, vontade e determinação, a obra acontece. Foi o que aconteceu com o conceituado jornalista Nuno Azinheira. Sonhou, teve determinação, querer, muita objectividade e o Palavras Ditas aconteceu e está pronto para iniciar a sua actividade já no próximo mês de Setembro. Um regresso às “aulas”.

Numa altura em que a comunicação, particularmente a comunicação social, vive momentos atribulados, Nuno Azinheira teve a objectividade necessária para criar um projecto de formação especializado na área. Ou melhor, juntando várias áreas: comunicação, lazer, cultura.

A este “sonho” Nuno Azinheira juntou um conjunto considerável de personalidades mais que credenciadas e com uma experiência profissional considerável e reconhecida. Nomes como, a mero título exemplificativo (mesmo que puxando a brasa à “minha sardinha”): Nuno Santos, Ricardo Costa, José Gabriel Quaresma, Rita Marrafa de Carvalho, Joana Latino, André Macedo, Joel Neto, Hernâni Carvalho, Ana Sousa Dias e Nuno Artur Silva, entre outros. Mas também Fernando Alvim, Daniel Oliveira ou Teresa Guilherme.

Um projecto que serve a todos e é dirigido a todos os que tenham como objectivo aprender, adquirir experiência, trocar saberes e experiências.

Uma evidente e clara defesa da comunicação, valorização do sector, um importante contributo para a promoção do sector e dos seus profissionais ou quem pretende entrar e vingar no meio.

A não perder e a ficar: PALAVRAS DITAS

publicado por mparaujo às 23:36

13
Ago 14

Não sei se será muito correcto e fundamentado dizer que há uma comunicação social antes e pós Emídio Rangel. Aliás, porque o próprio 25 de abril, entre muitas coisas, trouxe a liberdade e com ela a liberdade de expressão, de opinião, de informação.

Mas não é de todo exagerado se afirmar que Emídio Rangel foi um dos marcos importantes e uma referência na comunicação social portuguesa.

Fundador da que é hoje uma das emissoras de referência no jornalismo radiofónico - TSF; fundador do primeiro canal de televisão privado em Portugal, algo que, à data, poucos vaticinavam poder acontecer ou que tivesse sucesso, abrindo o caminho a muitas outras apostas nomeadamente ao segundo canal privado - TVI; começou a sua carreira de jornalista na RDP e assumiria ainda o cargo de director-geral da RTP.

Homem de polémicas, irreverências, dizem que de alguns excessos, mas também de grandes virtudes e uma grande paixão pela comunicação social.

Goste-se ou não, Emídio Rangel foi um marco na história da comunicação social portuguesa.

E esta é uma das notícias que nenhum órgão de comunicação social gostaria de dar: a comunicação social ficou mais pobre com o falecimento de Emídio Rangel.

R.I.P. Emídio Rangel.

publicado por mparaujo às 13:55

11
Jul 14

A 14 de Junho, poucos dias após a notícia do despedimento colectivo na Controlinveste (DN, JN, TSF, O Jogo, Global Notícias e Notícias Magazine), mostrava com todo o respeito a minha solidariedade para com os profissionais da comunicação social envolvidos. Aliás, tal como o manifestei em relação a outras situações noutros Órgãos de Comunicação Social (por exemplo, no Público, grupo RTP...): Solidariamente... camaradas.

Depois das vigílias marcadas, da petição assinada, resta-me, neste dia 11 de julho, de novo a minha SOLIDARIEDADE para com os profissionais da Controlinveste.

quando o rigor, a exigência, a experiência, a competência, a verdade, dão lugar à massificação do jornalismo...
quando, apesar das alterações conceptuais e das novas realidades dos meios, se esquece que, em primeiro lugar está um leitor que não deve, nem pode, ser subestimado...
quando o "poder económico" prevalece sobre o direito a informar e a ser informado, de forma livre e verdadeira...

publicado por mparaujo às 09:57

08
Jul 14

Sobre o que tem sido dito, escrito e, principalmente, criticado do ponto de vista jornalístico e ético em relação à morte do filho da jornalista Judite de Sousa, o redactor principal do Diário de Notícias, Ferreira Fernandes, teve esta soberba e deslumbrante inspiração na edição de ontem do DN.

Qualquer coisa muito perto da perfeição. Quem não gostaria de ter escrito/dito isto? (inveja)...
Soberbo... "Pudor, isso, pudor".

A propósito da observação que fiz aqui ao trabalho do Correio da Manhã e à colossal confusão que foi a edição da notícia em causa, recebi algumas (felizmente poucas) críticas por ter exagerado na definição de mau jornalismo.

Pois... e logo eu que estive quase a dar a mão à palmatória, depois de ter visto a referência no Público a um vídeo do velório, bem como ao "voyeurismo jornalístico" da TVI em relação ao velório do filho da Judite de Sousa.

É que por mais que nos esforcemos por sermos indiferentes, a verdade é que o CM parece fazer de propósito para, pelas piores razões, chamar a atenção.

Oito dias de publicações consecutivas (domingo, 29 de junho a domingo, 6 de julho), 10 edições contando com as revistas e suplementos.

DEZ capas consecutivas com o referido destaque.

Mas claro... é o elevado e relevante interesse público (embora quase sempre confundido com o elevado interesse DO público)

publicado por mparaujo às 15:51

29
Jun 14

Cerca das 19:00 horas de hoje (29 de junho) após ter visto no facebook a notícia da morte do filho da jornalista da TVI, Judite de Sousa, noticiada pelo Correio da Manhã, publiquei o seguinte post:

Por maior respeito que me merece qualquer mãe que perde o seu filho, seja quem for, seja em que circunstâncias, seja com que idade...
Com as devidas desculpas à Judite de Sousa...
Mas esta notícia do CM tira qualquer um do sério.
Devia haver qualquer mecanismo que proibisse um suposto Órgão de Comunicação Social dizer tamanha barbaridade.
Primeiro, título e corpo da notícia informa que o filho de Judite de Sousa faleceu, vítima de um acidente numa piscina.
Incrédulos ficamos quando o último parágrafo da notícia informa que familiares e amigos aguardam junto ao Hospital por notícias sobre o seu estado clínico. Isto só por estupidez, mesmo... porque se é brincadeira é de muito mau gosto.
Mas no CM já estamos mais que habituados.

Com o link para a notícia: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/morreu-filho-de-judite-sousa

 

Entretanto, conforme a cache do google e contra todas as regras e princípios foi retirada da notícia o tal último parágrafo, sem qualquer referência com a expressão "Correcção" ou "Actualizada".
Entretanto, cerca de 45 minutos depois, a notícia deixa de estar acessível e o site em "baixo".

Enfim... dizer que isto é jornalismo é brincar com coisas sérias. Demasiado sérias...

publicado por mparaujo às 19:50

12
Jun 14

Excelente texto da Fernanda Câncio no Jugular, a propósito da situação de despedimento colectivo na Controlinveste, mais propriamente no Diário de Notícias.
Dá um nó no estômago e um sentimento de tristeza e revolta.
Se há quem diga que isto são "os sinais do tempo" ou a tradicional frase "é a vida"... a minha resposta será sempre: Puta que pariu (esta) a vida. (desculpem o meu "francês")
Solidariamente... CAMARADAS.

A ler ainda... Pedro Santos Guerreiro, no Expresso: Um dia na vida.

publicado por mparaujo às 09:47

19
Mai 14

http://cdn.observador.pt/wp-content/themes/observador/assets/build/img/logo.png

A Comunicação Social tem um novo espaço de informação: O Observador.
A informação sem hora marcada e a qualquer hora. Só porque a notícia acontece.
Parabéns ao Jose Manuel Fernandes e ao David Dinis. Boa sorte para toda a equipa.

Espera-se mais informação e melhor informação.

Tudo sobre a origem do Observador.

publicado por mparaujo às 09:42

19
Abr 14

A RTP, infelizmente, não pára de surpreender com a polémica em torno do programa com José Sócrates.

Por mais que me queira restringir à questão jornalística, tal como o fiz em "José vs José... mais que mera polémica.", a verdade é que depois da confrontação entre as posições do provedor do espectador da RTP e do Director de Informação da televisão pública os factos são, também, claramente de natureza política.

Em total consonância com a posição que aqui expressei, no programa "Voz do Cidadão", transmitido hoje na RTP1, o provedor do telespectador, Jaime Fernandes, defendeu que o espaço de comentário político e de opinião de José Sócrates deveria retomar o modelo inicial, sem contraditório, sem o formato de entrevista.

Por mais relevante que seja a opinião dos provedores (tv, rádio, jornais) é um facto que a mesma não tem contornos legais ou jurídicos que forcem as direcções dos diversos órgãos de comunicação social a acatá-la. Seria, por isso, perfeitamente compreensível e inquestionável que a direcção de informação da RTP tivesse uma opinião contrária à do Provedor do Espectador e, como tal, uma decisão oposta.

Mas há contornos estranhos neste processo. É que os argumentos que José Manuel Portugal referiu para sustentar a sua opinião de manter a alteração introduzida recentemente no formato do programa são, no mínimo, questionáveis, criticáveis. Curiosamente, não por razões jornalísticas aquelas que,  partida, mais interessariam, como o facto de se transformar um espaço de comentário e opinião, numa entrevista semanal, regular, constante (periódica), ao ex-Primeiro ministro e não ao cidadão (com experiência política e de governação) José Sócrates. Aliás, como acontece, por contraste, com Morais Sarmento.

A afirmação mais surpreendete do director de informação foi "Até às eleições europeias, sim, fica tudo igual". Mas José Manuel Portugal acrescentaria ainda que "Tenho que me sentar com o engenheiro José Sócrates e com Dr. Morais Sarmento para definirmos em conjunto o que vai acontecer, mas para já fica tudo igual". O responsável pela informação da RTP entende que os dois programas de comentário (reforço o "de comentário"), do ex-primeiro-ministro do PS e do ex-ministro do PSD, fazem "sentido em conjunto", pelo que qualquer alteração também será feita em conjunto.

Ora bem (ou mal, neste caso).

O Provedor do Telespectador da RTP, no seu programa, colocou a análise da questão ao nível jornalístico quando foi claro ao afirmar que o programa foi, e tem sido, anunciado como de opinião, o que, para Jaime Fernandes, "pressupõe que o comentador faça as considerações que entenda sobre temas da actualidade sem necessitar de contraditório", o qual (contraditório) a acontecer deverá ser em espaços distintos e próprios, como os debates ou entrevistas. Isto não é sequer minimamente questionável por José Manuel Portugal (o que na minha opinião até faz sentido pelo facto de ser uma realidade ou evidência jornalística). Mas o Director de Informação da RTP comete dois erros de análise preocupantes e que levam, legitima e inevitavelmente, à abordagem da questão do ponto de vista político.

Ao ser colocado no calendário uma eventual (de novo) reformulação daquele espaço televisivo apenas após as eleições europeias, é claro que existiram pressões externas para condicionar/minimizar o impacto dos comentários e das opiniões de José Sócrates na opinião pública e, concretamente, os efeitos que poderiam provocar na campanha eleitoral.

Por outro lado, afirmar-se que os espaços de José Sócrates e Morias Sarmento são analisados em conjunto é demagogia e o sacudir de responsabilidades, já que os espaços iniciaram-se de facto nos mesmos moldes, mas não têm, hoje, a mesma configuração, nem o mesmo contexto.

Se em "José vs José... mais que mera polémica." não tive qualquer constrangimento em afirmar que José Sócrates esteve mal no confronto pessoal com o jornalista José Rodrigues dos Santos, a verdade é que hoje tenho muito mais convicção de que a alteração provocada no programa de José Sócrates tem como motivo principal condicionar e desvalorizar a opinião do ex-Primeiro Ministro, claramente, por razões políticas.

publicado por mparaujo às 19:44

29
Mar 14

Já há muito que percebemos que este Governo gere o país, a coisa pública, a sociedade (a vida dos portugueses), a recuperação da crise (o memorando de entendimento) como, no mar, se navega à vista, de improviso, sem coerência, anarquicamente. Não é novidade num Governo que tem Pedro Passos Coelho como Primeiro-ministro, mas que não lidera, não coordena, não chefia, aliás como referiu Vítor Gaspar na sua carta de demissão.

Esta semana este Governo criou mais um "fait divers", mais uma encenação política governativa, a propósito dos cortes permanentes das pensões.

Curiosamente, o sucesso foi tal (na perspectiva do governo) que a polémica instalou-se, essencialmente, ao nível da relação da imprensa/jornalistas com as fontes, ao caso, as fontes governamentais. Mas sem qualquer consistência: um membro do governo (seja a nível ministerial, de secretaria de estado ou direcção-geral, por exemplo) não é uma fonte anónima, nem pode estar à espera que a divulgação de informação relevante para o país seja considerada "off". Mas esta é uma questão perfeitamente secundária.

Ninguém está à espera que o Governo (alguém com responsabilidades governativas) divulgue uma informação "não oficial" sem esperar que a mesma se torne oficial. E não colhe toda a tentativa de "sacudir a água do capote" e passar a polémica para a Comunicação Social. Não está em causa a fonte mas o conteúdo da informação.

A verdade é que a informação divulgada pelo Secretário de Estado das Finanças, na passada terça-feira, tinha um claro objectivo para o Governo. Mais uma vez passar para a opinião pública uma eventual medida de austeridade (os cortes temporários nas pensões passarem a definitivos) para perceber qual a reacção e impacto político e social que tal medida provocaria. Tem sido sistematicamente assim desde 2001. A título de exemplo, basta recorda a TSU ou do documento manipulador no caso dos swaps do ex-Secretário de Estado Joaquim Pais Jorge... e tantas outras medidas a nível das prestações sociais ou do valor do trabalho.

E neste caso, apesar das insinuações da manipulação da informação ou da revelação da fonte, a verdade é que o Governo não confirmou mas também não desmentiu os cortes definitivos, o que só revela a existência clara de uma "agenda escondida" até ao período eleitoral e só vem confirmar o que Passos Coelho já tinha anunciado na passada segunda-feira (véspera da polémica com o Ministério das Finanças):

Pedro Passos Coelho confirmou que o governo está a preparar mais cortes e negou que se trata de "uma agenda escondida". Palavras proferidas, esta segunda-feira, na abertura das jornadas parlamentares do PSD, em Viseu. "Não podia ser mais transparente", afirmou. "Toda a gente sabe que está acordada uma meta orçamental de 2,5% do PIB para 2015".

O que é hábito neste Governo é o "terrorismo informativo", a manipulação da informação, o uso e abuso da mentira.
Se é este o rumo governativo traçado, os portugueses saberão responder em 2015, mas até lá... Não nos tomem é por parvos.

publicado por mparaujo às 12:20

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