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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

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À biqueirada…

José Luís Mendonça, familiarmente conhecido como Zeca Mendonça, é o verdadeiro “homem do presidente”. Funcionário do aparelho social-democrata, assessor de imprensa do PSD, serviu, até à data, quase todos os Presidentes “laranjas” (incluindo Sá Carneiro). Nestas funções de assessoria de comunicação, José Mendoça leva já cerca de 27/28 anos de serviços prestados ao partido (se não me falham as contas).

Não há jornalista que não tenha tido contactos com ele, não há cidadão que não tenha reparado nas suas “aparições públicas” (umas mais discretas que outras), não há, inclusive, político (mesmo de partidos distintos) que não se tenha “cruzado” com ele. Mas o curioso é que, quase que na totalidade das circunstâncias e independentemente de “mais ou menos apertos”, a sua acção sempre se mostrou cordial, discreta, mas eficaz (e, porque não, eficiente). Há, aliás, entre os jornalistas que conheço (seja qual for a dimensão desse universo) um sentimento de consideração pela pessoa e pelas suas funções.

Daí que tenha ficado perplexo com a notícia e as imagens que retratam uma agressão de José Luís Mendonça a um jornalista, Paulo Spranger (repórter fotográfico) que estava a tirar fotografias a Miguel Relvas quando este chegava, ontem, para o início dos trabalhos do Conselho Nacional do PSD. As imagens mostram José Mendonça a pontapear o jornalista, demonstrando o seu eventual desagrado pelo local onde o profissional da comunicação se encontrava.

Sejam quais foram as razões, apesar da estupefacção e o espanto que me originaram os factos, a verdade é que a atitude do assessor do PSD é lamentável, criticável e condenável (até do ponto de vista jurídico). Mas a verdade é que, segundo informação vinda a público, José Mendonça terá tomado uma posição pública de auto-condenação e um pedido de desculpas ao Paulo Spranger pelo sucedido (aliás, aceites). Assunto resolvido. Ou não…

Porque, paralelamente, duas outras questões são, igualmente, lamentáveis e criticáveis.

A primeira tem a ver com a falta de solidariedade entre os jornalistas, chegando ao ponto de alguns menosprezarem e desvalorizarem os factos, ou, até mesmo, coresponsabilizarem o colega pelos acontecimentos. É certo que José Mendonça tem um “peso estrutural” no PSD e é a ligação entre o partido e os jornalistas. É certo que os jornalistas vão precisar, e muito, do seu relacionamento com Zeca Mendonça. É certo que nunca se esperava uma situação destas. Mas uma agressão, seja qual for o grau e género, é sempre uma agressão. A ausência de posição da classe e do Sindicato (tão célere noutras minudências) é conivente e permissiva em relação aos acontecimentos.

A segunda, ainda tão ou mais grave, é o facto do PSD, os seus responsáveis (alguns que presenciaram os factos) não terem, publicamente, tomado qualquer posição em relação aos acontecimentos. Nem uma linha, nem uma palavra. Nada. Como o ocorrido não tivesse acontecido num acto político do partido e José Mendonça não fosse, para todos os efeitos, um funcionário do aparelho social-democrata. Por aqui se vê a forma como “este” PSD lida com as liberdades e com a informação.

Pessoalmente, lamento pelos dois (José Mendonça e Paulo Spranger).

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