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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontravam e conversavam sobre tudo e nada.

A chatice da "mulher de César"...

o ser e o parecer

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(crédtio da foto: José Sena Goulão / LUSA)

Não!... as mulheres não são chatas. Chatos somos nós, homens, que teimamos (e nos dá jeito) em não conseguirmos acompanhá-las, nem compreendê-las. Mas não isto também não é sobre mulheres, igualdade de direitos, garantias e deveres.

É tão somente sobre coerências, politiquice e populismo... entre o que é também tem que parecer.

O liberalismo - tantas vezes próximo do 'libertanismo' - do Iniciativa Liberal fica muito aquém do liberalismo da ética política, do bom senso e da normalidade do confronto partidário. Tal como o provérbio "depressa e bem, há pouco quem", também na política a ânsia (e tantas vezes a ansiedade) de marcar uma agenda, de criticar tudo e mais alguma coisa para ganhar palco mediático e ruído público, para além de não ser para qualquer um, nem sempre resulta. Não é, por isso, de estranhar que, na maioria dos casos, o feitiço se vire contra o feiticeiro.

Há dias, não muitos (no pós 25 de abril), o líder do Iniciativa Liberal não demorou a vir a terreiro, qual virgem ofendida, criticar o comentário do presidente da Assembleia da República sobre o facto dos 'liberais' terem apenas um membro da bancada presente na receção ao presidente brasileiro Lula da Silva. Convém, se calhar repetir... ao presidente brasileiro Lula da Silva. Nem que para tal, Rui Rocha tenha deturpado, não só as palavras, como o sentido do comentário da segunda figura do Estado português. Nem que para tal, pasmemo-nos, o presidente do IL tenha-se aproximado daqueles que mais repugna à sua direita, optando por um populismo balofo, baixo, por uma politiquice rasteirinha, ou ainda, por um sentido antidemocrático criticável (tal e qual como os da ponta mais à direita do Hemiciclo Nacional).

Pois bem... não há bela sem senão e estas coisas não acontecem por acaso. É que à mulher de César não basta parecer (tão politicamente ético), também tem que ser (coerente).
Também há dias, não muitos, o Iniciativa Liberal teve este epifania de estratégia e comunicação política de cativar os jovens para a política. Só que os erros e o resultado final foram um completo desastre, como completo desastre tem sido a oposição política do IL.
Primeiro erro prende-se com essa ideia preconcebida, quase a roçar o chamado 'mito urbano' de que os jovens não se interessam pela política. Significativo é o afastamento dos adultos, até dos mais velhos (por tradição eleitores participativos), da política e dos partidos, muito por culpa de alguns políticos e partidos, tal como o demonstrou o IL nesta sua totalmente fracassada iniciativa.
Segundo erro, o desrespeito demonstrado pela "casa da democracia", pelo espaço primeiro do respeito pelo Estado de direito, pelas liberdades e garantias de todos os portugueses e do país. E não foi apenas pela ofensas proferidas pelo youtuber a António Costa ou à ex-deputada Joacine Katar Moreira (também visada no vídeo). Foi também (ou principalmente) pela forma displicente, politicamente reprovável e eticamente condenável com que o partido convidou, conduziu e "liberalizou" a visita ao Parlamento.
E é um completa desculpa esfarrapada, uma justificação surreal dizer, como afirmou o seu líder parlamentar, que o Iniciativa Liberal não teve qualquer responsabilidade na edição do vídeo. Até podemos dar de barato tal facto. Mas a verdade é que é do IL a inteira responsabilidade sobre o convite formulado, as escolhas feitas dos youtubers e a condução da visita aos espaços (a quase todos... aos principais) da Assembleia da República. Ao ponto do deputado do IL, Bernardo Blanco, dizer ao convidado Tiago Paiva "podes fazer tudo o que quiseres menos mostrar o cu". Não! Não só não podia, como não devia, nem o youtuber, nem o próprio deputado.

Mas o colossal tiro no pé, demonstrando o total desnorte partidário do IL, ainda estaria por vir.
Interpelado na sessão parlamentar, Rodrigo Saraiva (por quem até nutro alguma empatia) lamentava o sucedido e afirmava que o Iniciativa Liberal reconhecia que o youtuber não tinha tido um comportamento digno. É verdade, não teve (que aliás, não só não pediu desculpas pelo sucedido, como ainda veio, a público, dizer que lamentava que a ofensa proferida tivesse sido apenas  António Costa e não a todos o Governo).
Mas o próprio partido também teve um igual comportamento indigno na condução desta inconsistente e falhada iniciativa e opção estratégica partidária.

Para o quadro ter ficado completo, tal como André Ventura se deu ao desplante de proclamar S. Paulo aos Coríntios em pleno Plenário, só faltava mesmo que no arrependimento da bancada do IL viesse um coletivo Ato de Contrição "por minha culpa, minha tão grande culpa.

O karma, mesmo o político, é lixado.