Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

02
Ago 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 2 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
A onda de choque

Já lá vão quase seis anos quando, em novembro de 2009, se começou a avistar no horizonte do Beira Mar dias muito cinzentos, face ao agravamento das condições de subsistência do clube (até atingir o ponto zero), face ao que era (e continuou a ser) o início da conflitualidade judicial. À data questionava, neste mesmo espaço (“Fundamentalismos e Extremismos”), a necessidade de se rever o projecto desportivo e o futuro da clube, definir realismos e não embarcar em desígnios desmedidos, nem que para tal tivesse que abdicar de tudo e recomeçar do zero.

Em novembro de 2010, nova crise se instaurava no clube com o agravamento da situação da gestão do clube e a usa ingovernabilidade: salários em atraso, contas e receitas penhoradas, dívidas à Segurança Social, etc. Dava-se conta da demissão do presidente Mário Costa e a conferência de imprensa dramática do vice-presidente António Regala. Pelo meio ficava a pairar uma SAD que em vez de se tornar “salvadora” do clube era, a olhos vistos, mais um dos seus carrascos. Importa realçar que a SAD não foi imposta, não tomou de assalto o clube (embora mais tarde, tomadas de assalto fossem mais do que notícia constante), não houve nenhum golpe de Estado; foi decisão livre e democrática dos sócios (ou dos que estiveram na Assembleia Geral e votaram). De novo as mesmas questões, as mesmas interrogações levantadas, as mesmas necessidades de se apurarem responsabilidades escondidas sob a capa da gestão colectiva, como se as responsabilidades (cíveis ou penais) surjam apenas no desempenho de acções individuais. A gota de água surgia no último trimestre do ano passado quando o velhinho pavilhão do Alboi (Santos Mártires) fechava, definitivamente, as suas portas, mesmo que esse fim estivesse mais que anunciado e não tivesse sido acautelado, nem encontrada alternativa. E novamente o mesmo questionar e interrogar (como foi aqui eco em “Um fim mais que anunciado”, a 29 de outubro).

A machadada final surgiu este mês: o Beira Mar bateu no fundo (campeonato distrital da II divisão) apesar dos alertas, dos sintomas, da crescente indiferença e da falta de esperança. O resultado prático é o mesmo do tantas vezes sugerido e apresentado; só é pena que este (re)começar do zero seja tão tardio, tão conflituoso, sem a dignidade da vontade própria do clube (gestão e sócios) mas sim por imposição e por ter sido empurrado para a lama.

E se ainda há vontade (e esperança) em fazer renascer o clube é imperativo que se acabem com as ilusões e com a emotividade que tantas vezes cegou a necessária e urgente racionalidade. Não houve nenhuma onda de choque em Aveiro. Deixem-se disso e parem para pensar. Isso é a emoção de um número, cada vez mais reduzido, de aveirenses ainda ligados ao que restava do Beira Mar. Já lá vai bem longe o tempo da conquista da Taça de Portugal. O clube foi-se esvaziando (mesmo em termos de património que não tem nenhum, zero), foi perdendo a sua identidade e a ligação a Aveiro. Os aveirenses (do concelho e não só da cidade) foram-se afastando do Beira Mar porque este foi deixou de ser referência e quebrou a ligação emotiva às pessoas. E isto não é uma questão geracional, é transversal. Os aveirense, mesmo os mais novos, sabem o que é o Beira Mar (infelizmente, pelas razões menos nobres face ao historial recente) mas já não se identificam com o clube e a sua história. Uns têm outras referências (Recreio Artístico, Galitos, Esgueira, Sporting de Aveiro, CENAP, Estrela Azul, os clubes de remo e canoagem de Cacia, Taboeira, Eixo, entre tantos outros) e outros, mesmo antes dos tempos da crise, deixaram de embarcar em “futebóis”. É que, por mais que algumas vozes (cada vez menos) “gritem aos sete ventos” por socorro, o Beira Mar afastou-se dos aveirenses. E isso é que importa questionar, analisar e projectar, se houver verdadeiro interesse em “salvar” a Instituição.

E de novo, ao fim de seis anos, as mesmas questões: Já alguém analisou as razões do afastamento do Clube em relação aos aveirenses?! Já se apurou quantos, dos cerca de 70000 aveirenses (concelho), são aqueles que se sentem identificados com o Clube e vivem a sua realidade actual? Já se questionaram as gestões anteriores?! Já se repensaram projectos e debateram opções tomadas? Já se repensaram os modelos de gestão? Já se discutiu o insucesso desportivo e a incapacidade de afirmação no futebol nacional?! Porque não se ouviram as mesmas vozes de hoje aquando da construção do novo estádio municipal e todas as implicações que teria no futuro do clube? Porque é que o Clube não consegue encontrar sinergias no tecido empresarial aveirense?! Se é que ainda há tempo e a quem interessar…

publicado por mparaujo às 21:45

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