Não vou discutir, do ponto de vista jurídico ou judicial, se as afirmações de Paulo Rangel quanto ao sistema da Justiça portuguesa e a eventuais pressões políticas sobre o mesmo têm ou não fundamento. Principalmente, porque essa abordagem não é, seja qual for o contexto e a "atmosfera" política no governo, de todo isenta, para além de entender que, seja o PS, seja o PSD, houve, há e infelizmente haverá sempre telhados de vidro.
No entanto, por outro lado, as considerações (acusações) que Paulo Rangel proferiu sobre a Justiça na Universidade de Verão do PSD/JSD não são isentas de um significativo impacto político, por mais desculpas esfarrapas que queira agora acrescentar ou por mais ajudas surreais que queira ter, como a de Marques Mendes que afirmou que as declarações de Paulo Rangel iriam ofuscar o discurso (seja ela qual for) de António Costa.
A verdade é que tudo o que Passos Coelho já comentou, tudo o que possa ser dito para desvalorizar as afirmações de Rangel, apenas têm um objectivo que não o de confirmar ou condenar as observações feitas aos sistema judiciário português.
Paulo Rangel ao referir especificamente o caso José Sócrates trouxe de novo um velho tema: a politização do processo que levou à prisão do ex Primeiro-ministro e trouxe para a campanha o que o PSD menos desejava... José Sócrates.
Ao contrário do que Marques Mendes referiu o colossal lapso político de Paulo Rangel acabará por ofuscar mais o discurso da coligação do que do PS.

