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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

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Coronavírus nacional: a contagem

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(créditos: Anthony Wallace/AFP, in CBN)

A Directora-Geral da Saúde, Graça Freitas, numa das excessivas e dispensáveis conferências de imprensa sobre o COVID-19, afirmou que seria expectável que Portugal pudesse, no limite, ter cerca de 1 milhão de infectados (em vários graus de intensidade)... o que representa 10% da população nacional. Valor apontado face ao que foi a previsão da epidemia da gripe em 2009 (fixada em 7% na avaliação final). Perfeitamente lógico e enquadrado.

Voltemos, por isso, à premissa inicial: uma epidemia ou uma pandemia não deixam de ser preocupantes e merecem particular atenção. O que é diferente de alarmismo e histerismo social.

O maior problema é mesmo o do comportamento humano (individual ou nas instituições, como a comunicação social), seja pela negligência, seja pela informação viral que é produzida. Aliás, esta temática do COVID-19 assenta mais "numa epidemia informativa" sobre a qual se diz tudo e se sabe tudo (o que é e o que não é).

Bastou surgir o primeiro caso para o “circo” pegar fogo (e são, à data, 5)…
Já não bastava Portugal ter sido “pioneiro e inovador” na informação, em catadupa, de casos suspeitos (quando na Europa, pelo menos, se limitou a informação aos casos comprovados e às mortes) os noticiários abriram, em horário nobre, com o 1.º caso e foram prolongando resmas de dados, pareceres, estatísticas e opiniões, acima de 35 minutos (ou horas a fio), com esta única notícia.
Mais… enquanto em Espanha, em Itália, na Alemanha ou no centro da Europa há uma contenção óbvia e lógica na informação, restringindo-a ao essencial, evitando, assim, os perigos do alarmismo social, Portugal chega ao ponto de fazer directos informativos lá fora (por exemplo, em França ou Itália) onde os próprios “da casa” se abstêm de ir.

Se a Dra. Graça Freitas prevê (e bem... do ponto de vista lógico, face ao conhecimento técnico e aos dados que a Direcção-Geral de Saúde terá) que haja, em Portugal, um pico no surto do vírus entre 12 a 14 semanas, para a Comunicação Social (e aqui… diga-se… sem excepções, infelizmente) é fácil fazer contas: 1.000.000 (previstos) – 5 (infectados) = 999.995 (saldo)… ainda haverá muitos "quilómetros" de horário informativo para percorrer.
Uma coisa é mais certa sobre o 1 milhão de infectados: o jornalismo nacional vai entrar (já entrou) em perfeita pandemia. E pasme-se... com gosto.