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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontravam e conversavam sobre tudo e nada.

Descansa em paz, comunicação social nacional

Jornalismo governo nas tvs março 2025.jpg

Antes de qualquer reflexão sobre o caso em si, os impactos políticos e a não apresentação de demissão do cargo de Primeiro-ministro, por Luís Montenegro. A isso já lá iremos.

O que estava (e está... e desconfio que estará por mais algum tempo) em causa era uma questão particular, que apenas dizia respeito a Luís Montenegro enquanto cidadão e, simultaneamente (porque com relação direta), enquanto Primeiro-ministro.
Mas esta imagem da declaração de Montenegro ao país já faria prever o que se poderia esperar no day after mediático.

Governo conferencia março 2025.jpg

E não foi preciso esperar muito tempo (nem horas, sequer).

Há o anúncio de uma comunicação do Primeiro-ministro ao país. É convocada a comunicação social, é feita a declaração e... nem direito a uma pergunta. Uma única.
Mais uma vez jornais, rádios e televisões, principalmente os seus profissionais, foram "pés de microfone". Um comunicado enviado às redações teria o mesmos efeito (ou pelo menos, teria o respeito de não "gozar" com o papel dos profissionais do jornalismo.

Mas espanto dos espantos, um verdadeiro caso de estudo para o surrealismo jornalístico.
Mantém-se a vertente pessoal e particular da polémica que apenas diz respeito exclusivo a Luís Montenegro enquanto Primeiro-ministro.
Mantém-se o contexto de uma conferência de imprensa sem direito a contraditório ou perguntas.
Mas no imediato surgem, simultaneamente, em quatro canais de televisão, quatro ministros (de peso governamental... ou então dos poucos que restam sem imobiliárias) a comentar e a difundir a propaganda governativa.

Num país em que a confiança na comunicação social (nacional, regional e local) tem níveis preocupantes e asfixiantes, num país (e mundo) onde a informação e a desinformação se propagam em ritmos alucinantes e incontroláveis, num país onde o Primeiro-ministro trata os profissionais e os órgãos de comunicação social (nacionais e locais) de uma forma degradante e deplorável (exceto a subserviência recíproca e estratégica com dois proprietários de dois títulos de informação)... não há forma, não há argumento, não há qualquer justificação racional, deontológica e editorial que possa ser defendida. Por mais que gostássemos e quiséssemos.
É o bater no fundo de qualquer credibilidade e confiança (as poucas que ainda restavam), de isenção e rigor profissional.

Por mim... já dei para o peditório.
Que a comunicação social descanse em paz. Ao menos isso.