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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

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Diagnóstico: virose alarmista e informativa

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(créditos: LUSA, in Sapo lifestyle)

Uma epidemia ou uma pandemia, tendo níveis de impacto diferenciados, não deixam de ser preocupantes e merecem particular atenção. O que é diferente de alarmismo e histerismo social.

O COVID-19 (uma das formas e estirpe do Coronavirus... que existe há alguns anos e que, por exemplo, se manifesta, sazonalmente, em Portugal através das gripes, pneumonias e viroses de inverno) já infectou cerca de 80.000 pessoas e vitimou perto de 3.000 (aproximadamente 4% das infecções), espalhando-se por 62 países e pelas 5 regiões/continentes. A Europa regista 1.500 casos de infecção e 31 mortes (2%), sendo a Itália a zona/região com maior expressão. Estes são (alguns) factos.

Devemos, perante os números, "assobiar para o ar" e fingir que tudo isto é residual, controlável e normal? Obviamente que isso significa uma irresponsabilidade individual e colectiva de risco irreparável.

Mas a questão é: devemos criar alarmismo, paranóia e histerismo colectivo? Como está a acontecer, nomeadamente em Portugal? Por todas as razões expostas, é claro que... NÃO!
Qualquer sensação de pânico, de medo, de histeria, leva ao irracional, ao desespero, ao absurdo, ao extremismo, ao desrespeito pelo comum (comunitário/colectivo) e leva ao mero instinto "animal" de sobrevivência individual. Por muito menos, basta recordar o que se passou em 2019 com a crise/greve dos combustíveis em Portugal.

Por todas estas razões, quer o Estado/Governo, muito particularmente o Ministério da Saúde e a Direcção-Geral de Saúde, deviam ter uma maior sensibilidade nas abordagens à questão do COVID-19. Pelo menos a nível europeu devemos ser o único país que se dá ao "luxo" de agendar conferências de imprensa, praticamente diárias, para anunciar "casos suspeitos", esquecendo-nos que, em pleno inverno, gripes (como a ainda existente 'gripe A'), viroses, pneumonias, bronquites, febres e dificuldades respiratórias são, o que o povo sabiamente chama, "fruta da época".

Enquanto na Europa se divulgam as infecções confirmadas e, infelizmente, as vítimas...
Enquanto na Europa se tratam os doentes, se contém as possibilidades de contágio, de forma mais ou menos 'musculada'...
Enquanto na Europa se criam medidas excepcionais e se aumenta as capacidades de respostas médicas...
Enquanto a Organização Mundial da Saúde e a ONU se preocupa com uma eventual propagação do vírus a regiões do mundo onde as condições sociais, económicas, políticas e de saúde pública são extremamente frágeis... (demasiado facilitadoras para a propagação e contágio)

Em Portugal...
Andamos ansiosamente à espera do CASO ZERO...
Fazemos previsões proféticas para 1 milhão de infectados...
Anunciamos, diária e epicamente, x suspeitas para y não casos...
Qualquer pessoa entra e sai "à vontadinha" do país enquanto o sul (Alentejo e Algarve) coloca a nu o Estado da Nação do nosso Serviço Nacional de Saúde.

Para agravar toda esta realidade e essência bem "portuga" a comunicação social (toda, diga-se em abono da verdade... e não apenas os 'suspeitos' do costume) espera e desespera para a primeira pessoa infectada. Acreditando no nosso histórico jornalístico e informativo, o cidadão "premiado" irá sofrer mais pelo assédio jornalístico do que pela doença.
Não falecendo da doença... há-de, infelizmente, "morrer" da pressão e virose mediática.