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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Dos retrocessos civilizacionais...

quando 2022 vive, cultural e socialmente, como há 2 ou 3 séculos.

Vivemos dias e tempos, no mínimo, esquisitos.
Quando mais o tempo passa e pensamos que a sociedade cimenta e consolida a sua maturidade e o seu progresso, surgem preocupantes e criticáveis passos - alguns de gigante - bem atrás.

Há opções de vida e opções na vida que compaginam a esfera privada e individual de cada ser humano. Não colidem com a vivência social e com o sentido de comunidade (tenha ela que dimensão tiver). São isso mesmo, opções de vida pessoais, individuais.

Esta semana - no fundo, sem muita surpresa vindo de onde vem - os Estados Unidos assinalaram um colossal retrocesso no Estado de Direito, na liberdade de cada um, nomeadamente na liberdade e na dignidade de milhares de mulheres americanas. Volvidos 49 anos após a protecção legal ao aborto em toda a federação americana.

Costuma-se defender - e  bem - uma separação entre a política e o poder político e os meandros do futebol, conhecidos que são os riscos de uma promiscuidade indesejada, a todos os níveis.
Assim como entre a política e os negócios, evitando-se os riscos consideráveis de corrupção.

É, de igual modo, ou por maioria de razões, desejável que política e religião (principalmente a do fundamentalismo e conservadorismo retrógados) se mantenham em terrenos próprios e circunscritos.
Infelizmente, Trump deixou marcas bem profundas do ultraconservadorismo americano em estruturas fundamentais do poder nos Estados Unidos (seja ele político ou judicial). Não é, por isso, de admirar o resultado a que assistimos: a revogação da lei de protecção da interrupção voluntária da gravidez, transferindo para cada um dos Estados a responsabilidade legislativa. Bem como transferindo para a rua, para o conflito social, para a instabilidade das comunidades o impacto desta inqualificável decisão, em pleno séc. XXI.

Mas o que esperar de uma sociedade e de um sistema judicial, claramente marcados pelo fundamentalismo  e conservadorismo religioso, que condenam a liberdade da mulher em relação ao seu corpo e às suas opções (e condições) de vida, mas que permitem que adolescentes tenham livre acesso a armas de fogo e possam "passeá-las" na rua e nas escolas como quem leva o cachorro ao jardim para fazer "mer&#" (literalmente e em ambos os casos)?!
Se no caso do estúpido e inqualificável uso das armas pelos cidadãos, faz-nos recuar aos tempos americanos dos "índios e cowboys" ou do velho "faroeste", esta decisão do Supremo Tribunal americano faz-nos recuar, não os 150 anos que Joe Biden referiu, mas tão dentro dos tempos medievais da história universal.

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(crédito da foto: Michael Reynolds / EPA)

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