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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Há linhas que são intransponíveis... a bem de Tudo!

não interessa se são linhas vermelhas, azuis, rosas, laranjas ou arco-íris. Mas são linhas, claramen

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Tal como em vários contextos da vida, também na política há (e deve haver sempre) "Linhas Limite", intransponíveis custe o que custar, mas que preservem a ética política, o adn e identidade ideológico e partidário.

Durante a presente legislatura, foram várias as "ameaças" a esses limites, alguns sinais de que facilmente (por ambição desmedida e desproporcionada) a linha seria ultrapassada: "O perigo de se assobiar para o lado", como exemplo.

Vamos por partes...

1. Ao PS as lágrimas de crocodilo ou a deplorável e penosa demagogia política só traduzem uma realidade: provar do próprio veneno. Tudo, mas mesmo tudo aquilo que agora criticam, foram os argumentos usados em 2015, depois do PSD ter ganho as eleições legislativas, para os apoios e acordos à esquerda (BE, PCP e PEV). Até em dois contextos referidos, errada e hipocritamente, pelo líder do PS Açores, Vasco Cordeiro: o PS Açores foi o partido mais votado (tal como o PSD em 2015); segundo, Vasco Cordeiro, a coligação agora apresentada para a formação do Governo Regional (PSD/CDS/PPM) tem como único objectivo o "ódio ao PS" (esquecendo-se que não conseguiu convencer ninguém a juntar-se a si para formar governo). Ora... também aqui, tal como em 2015: o apoio parlamentar ao Governo de António Costa surge à esquerda com o único propósito (fragilizado com o tempo): o ódio ao PSD e afastar os sociais-democratas do poder. Para além de ser relevante que, também em 2015, houve um acordo escrito, à data, imposto pelo então Presidente da República, Cavaco Silva.
Um perfeito déjà vu...

Mas há, neste contexto, vários MAS, demasiados e importantes MAS com os holofotes direccionados para o PSD. Infelizmente...

2. Embora comummente usada para adjectivar a presente coligação parlamentar, a verdade é que "geringonça" (se considerado o facto de estarmos perante coligações pré ou pós-eleitorais) foi coisa que a democracia portuguesa produziu significativas vezes desde 1975. Aliás, foi sob essas "geringonças partidárias" que o CDS conseguiu ser poder... nunca por opção directa dos eleitores (AD, 2011, PAF ou, inclusive, acordos com o PS, até mesmo nos Açores). Muda-se a forma, mantém-se o conteúdo: acordos de poder, até hoje bipolarizados pelo PSD ou pelo PS).
3. Há um ditado (mora e ético) muito comum, mas, infelizmente, demasiado desvalorizado que acompanha gerações: "não faças aos outros o que não queres que te façam a ti".
É um enorme e condenável erro político o desvio dos princípios, dos valores, os atropelos à ética e a falta de coerência. É, irredutivelmente, condenável e criticável que o PSD sempre tenha afirmado, ao longo da sua história (e tantas vezes repetido por Rui Rio), que "em política não vale tudo". Depois de tantas críticas em 2015, após a vitória no processo eleitoral e a "derrota parlamentar", não tem qualquer legitimidade moral e ética esta opção do PSD em formar governo nos Açores. Foi deitar totalmente por terra todo o discurso e defraudar todas as bandeiras agitadas até à data contra a "geringonça".
4. Mas principalmente, o facto de estrategicamente a solução encontrada, para além de surreal, inconsequente e débil, ser o maior erro político. Tal como critiquei em 2011 a desmedida ambição do PSD querer, a toda a força, ser poder (quando a responsabilidade política e governativa cabia ao PS de José Sócrates), é incompreensível que a história se repita sem que a maioria agora alcançada, por força dos dois tipos de acordos, tenha qualquer robustez ou alicerces sólidos.

MAS,  muitos MAS, pior ainda... e principalmente.
Há, em todo este contexto da nomeação do novo Governo dos Açores, algo que não bate certo. Ou até, de forma mais directa e clara: alguém está a mentir ou a tentar enganar o povo.
O Representante da República na Região Autónoma dos Açores, Pedro Catarino, após dois dias de audiências partidárias, afirmou, clara e cristalinamente, ao convidar o PSD e o seu líder José Manuel Bolieiro a formarem Governo, que a opção resulta da celebração Escrita de um acordo de governação entre PSD, CDS e PPM, E (repito, "E") de um compromisso Escrito de incidência parlamentar com os partidos Iniciativa Liberal e Chega. É claro e transparente.

Vamos, igualmente, por partes...

1. Não se percebe que o PSD nacional, pela voz do seu Vice-presidente, Nuno Morais Sarmento, venha a terreiro afirmar «Que fique claro: não há nenhum acordo entre o PSD e o partido Chega». Alguém está a mentir. Não há outra forma de o dizer.
2. Mesmo discordando completamente de algumas opções políticas (como o apoio a Marcelo Rebelo de Sousa) ou as aproximações do PSD ao CDS ou mesmo a quem, nos momentos mais difíceis, renegou as suas origens sociais-democratas (IL ou Aliança), ainda consigo aceitar, face a determinadas conjunturas (por mais que me custe ou não apoie e concorde, dada a minha convicção irredutível de que o País só teria a ganhar, como sempre teve, em ter um Bloco Central, de facto ou apenas de compromisso).
3. Mas já não consigo aceitar, condenando profunda e veemente, a opção do Partido em ter celebrado um compromisso (ou uma mera aproximação que fosse) com a extrema-direita. E escuso-me, por ser desnecessário, listar todos os óbvios e claros argumentos.
Lamento que o PSD, no qual acreditava ter-se reposicionado, com Rui Rio, ideologicamente ao centro, ter regressado ao seu adn de origem, reabilitando os princípios e ideias de Sá Carneiro, tenha tido o desplante, o despudor e a falta de ética e coerência político-ideológica, em aproximar-se desse pseudo partido, Chega. E haverá, obviamente, danos colaterais e impactos futuros na política nacional continental.

Essa era uma linha limite, seja de que côr for, que nunca, mas mesmo NUNCA deveria ter sido ultrapassada, custasse o que custasse politicamente, a bem do PSD, do país, dos Açores, da democracia e, principalmente, dos direitos, liberdades e garantias que alicerçam e estruturam um Estado de Direito e Democrático.

Continuarei fiel, porque as minhas convicções e a minha concepção do mundo e da sociedade são inabaláveis (e não se "vendem"), aos princípios, valores e identidade da Social-Democracia.

Mas o militante n.º 181311 só retomará a sua militância quando a linha limite, seja vermelha, laranja ou assim-assim, for reposta.

Até lá... tal como na vida também na política: NÃO VALE TUDO!