Não nutro qualquer empatia por José Rodrigues dos Santos, nem como escritor e muito menos como profissional da comunicação social. Não lhe reconheço talento, nem profissionalismo. Apenas o mediatismo, tantas vezes fútil, que a própria televisão cultiva também no campo da informação. O que não me impediu por uma ou outra vez de lhe reconhecer algum mérito (lembro-me, por exemplo, da polémica com o espaço de comentário de José Sócrates).
Não é agora o caso.
Já não é a primeira vez, e muito dificilmente será a última, que José Rodrigues dos Santos, tem a veleidade de se achar "engraçadinho" frente aos écrans de televisão (nem sei se o caso dos sem-abrigo na Grécia terá sido o mais recente).
Surge agora a polémica com o "erro homofóbico" do pivot da RTP ao referir-se ao Prof. Alexandre Quintanilha como "o" ou "a" deputado eleito mais velho para a próxima legislatura. E pior do que a forma como o jornalista apresentou a peça no telejornal de quinta-feira, foram as desculpas e as justificações mais que esfarrapadas e inconsistentes.
Seria, por si só, extremamente grave a postura de José Rodrigues dos Santos na referência feita ao deputado eleito pelo partido socialista. Mas há mais...
A atitude condenável de José Rodrigues dos Santos tem outros impactos. À custa de um mediatismo e vedetismo dispensáveis e dúbios, a atitude do jornalismo denegriu a profissão, a ética profissional, e colocou em causa o esforço e a dedicação de tantos profissionais que dão tanto à causa (jornalismo) e à casa (RTP). Uns com mérito reconhecido publicamente, outros, infelizmente muitos, sem que o seu trabalho seja devida e merecidamente confirmado.
Infelizmente há quem se brilho e sem brio, brilhe à custa do brio dos outros.

