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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

O lado A...ngola

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Não. Nesta história do Luanda Leaks não há um lado B.
As coisas são o que são e são-no em todos os contextos.

A "panela de pressão" rebentou... fervia há anos, suspeitava-se o que estava a ser "fervido" ou "cozinhado", apesar da falta provas. Não há, por isso, qualquer novidade na bomba que rebentou nas praças internacionais (não apenas em Angola ou Portugal) neste fim de semana e que tem ocupado o mediatismo da actual agenda.
As suspeitas sobre o enriquecimento de Isabel dos Santos são antigas e já há alguns anos eram questionadas/levantadas, as suspeitas sobre a governação angolana de José Eduardo dos Santos não são novidade, as suspeitas sobre negócios menos transparentes (nomeadamente os que resultavam da exploração e comercialização de diamantes) há muito que eram anunciadas.
A novidade do Luanda Leaks surge por via da divulgação pública dos documentos que (alegadamente) provam todas as suspeitas.
Mas não só...

Há duas realidades que importa destacar em todo este processo.

Primeiro, a fazer lembrar o inócuo dos Panama Papers, a questão do consórcio internacional que apurou os factos e divulgou a documentação, do qual fazem parte a SIC e o jornal Expresso.
O jornalismo de investigação é um inquestionável meio para, em vários contextos, se apurar a verdade, servir como factor de escrutínio público de factos que tenham impacto na vida dos cidadãos, das comunidades, das instituições e da sociedade. Sobre isso não há (não pode haver) qualquer dúvida. Mas como em qualquer género jornalístico, também a investigação tem regras, códigos de conduta e obedece a princípios de rigor e transparência.
É, no mínimo criticável, que não se coloque em causa forma como foi apurada/obtida a informação neste processo quando comparado com outros Leaks não muito distantes no tempo (wikileaks e o caso de Edward Snowden - presidente da Freedom of the Press Foundation) ou ainda mais recentemente, preso e a aguardar julgamento, o caso de Rui Pinto (football leaks).
Mais ainda... é, no mínimo, curioso, com todo o avanço tecnológico/informático e a facilidade (para alguns) com que se obtém, hoje, informação tão relevante e bombástica, que o processo Luanda Leaks só tenha vindo a público depois da família Dos Santos deixar o poder em Angola. Isto, apesar, de todas as suspeitas que alguns sempre tentaram denunciar.

Segundo, tal como tantas vezes a política transparece, também o universo dos negócios é um mundo obscuro, hipócrita, opaco, apócrifo.
Durante décadas, empresas, empresários, bancos e banqueiros, políticos e governantes, viveram na sombra dos negócios da oligarquia angolana. E todos sabiam...
Mal surgiram publicamente as eventuais provas todos viram costas, tratam de limpar os estilhaços e salvar a pele.
Como diz, sabiamente o povo (invertendo-se os factores): "sabem-se as verdades, zangam-se as comadres".