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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontravam e conversavam sobre tudo e nada.

O zoom político-partidário

ou o arrastar da agonia partidária de um partido sem rei, nem roque, nem coisa alguma.

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(créditos da foto: António Cotrim / LUSA)

Independentemente das afinidades ideológicas, políticas e partidárias, o país tem um conjunto de partidos (do PCP à Iniciativa Liberal, passando pelo BE, PAN, Livre, PS, PSD e CDS) que são fundamentais à democracia, seja pela sua história nestes quase 47 anos do pós-25 de Abril/74, seja pelo papel que desempenham mais recentemente. Portanto, é sempre motivo de algum desconforto ver o definhar público e notório de um partido... neste caso o "histórico" CDS.

O contexto actual tem contornos históricos: de relevante nos primeiros anos da democracia, valorizado na ambiência da AD ou, até antes, com o "apadrinhamento governativo" do PS, caiu nos finais de 80 e início de 90, para voltar a erguer-se das cinzas.
Braga/97 marcaria uma reformulação, se não ideológica, pelo menos programática, à qual não é alheia a denominação "Partido Popular" (CDS-PP) e a chegada ao poder de Paulo Portas. Se os resultados eleitorais, catapultados pelas "bengalas governativas" (às quais o partido sempre andou a reboque), assumiram relevância, nomeadamente com a marca dos dois dígitos de 2011 (11,7%), já a afirmação político-partidária foi decaindo, espelhada pela queda de representatividade e de relevância pós 2015 até aos dias de hoje.

Não são apenas as projecções (por mais que se queiram desvalorizar ou até mesmo "criminalizar"), que colocam o CDS nuns irrelevantes 1,5% eleitorais, que marcam o declínio do partido. É o seu projecto político que se afigura e revela completamente indiferente aos portugueses e, diga-se, aos seus próprios militantes e eleitorado; é a liderança completamente desastrosa de Francisco Rodrigues dos Santos; é a turbulência interna e os problemas (graves) financeiros; ou ainda, e fundamentalmente, a pressão que é exercida ao eleitorado do CDS pela Iniciativa Liberal (nomeadamente aos seus quadros partidários) ou ao Chega (principalmente aos seus militantes e eleitores).

E a prova surgiu este fim de semana em duas vertentes.
1. Um Conselho Nacional de um partido, entre outros contextos e princípios, serve para um debate interno da estratégia programática, de reflexão sobre o estado do partido, da sociedade e da Nação, promovendo o diálogo e o confronto legítimo entre várias opiniões e facções internas, em prol da democracia e da liberdade. De uma forma simples e linear, uma Conselho Nacional não deixa de ser, na prática, uma reunião "técnica e de trabalho". Por isso exigia-se um maior recatado e reserva, enquanto decorreria a reunião.
Pois bem... o país assistiu, publicamente, (já que não se pode ir ao cinema e nem todos têm acesso - ou querem ter - à Netflix) a um espectáculo deplorável e escusado... no mínimo.
2. A moção apresentada pelo "ainda" Presidente do CDS foi aprovada com cerca de 54%. Ironicamente, diria o Primeiro-ministro: "é poucachinho". E ao contrário do que Francisco Rodrigues dos Santos afirmava, já durante a madrugada, muito pouco ficou esclarecido, legitimado ou reforçado. Apenas tudo adiado. E foi, de facto, tudo muito curto... demasiado curto para que fosse evitado um Congresso extraordinário após as Autárquicas de outubro, para que os críticos se recolham e confinem ou para que o eleitorado continue a consolidar a Iniciativa Liberal e, infeliz e perigosamente, a engrossar o extremismo e nacionalismo à direita.

Ou seja... o partido continuará ligado à máquina até outubro. Depois?! acho que não haverá vacina que o salve.