Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

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Jan 20

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Por norma, as forças de segurança criam um sentimento de "amor-ódio" na sociedade pela hibridez dos contextos com que as pessoas se relacionam ou convivem com essas forças. Mas há um pressuposto inquestionável: as forças de segurança são peça fundamental no equilíbrio social de um Estado de Direito. Independentemente, tal como em inúmeras profissões, de serem cometidos erros, seja pelas estruturas, seja pelos profissionais. Isso faz parte da vida.
Neste âmbito, cabe a Polícia de Segurança Pública (PSP). Protege, multa, assegura as liberdades e garantias e a segurança de pessoas e bens, para além de ser o garante da chamada 'ordem pública'. Com erros?! Sim... alguns evitáveis, outros escusados e ampliados pela génese da função. Mas também com muitos honrosos e heróicos feitos e brios profissionais.

Por outro lado, a um Ministro que tutela uma determinada área ou entidade, em alguns casos (como o caso) de forma muito directa e presente, no mínimo, espera-se que tenha algum senso político para, em caso de discórdia, saber intervir, resolver, solucionar, pacificar e valorizar.

O Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrito, soube fazer isto tudo... mas ao contrário e pela forma mais negativa e condenável.

Já não é de agora (embora tenha ganho uma maior dimensão) que os profissionais da PSP se queixam da falta de condições para o exercício das suas funções, a maioria das quais exigidas e solicitadas pela sociedade e pelo próprio Estado. Nesta falta de condições cabe, de forma significativa, a ausência de equipamento(s) necessário(s) para o exercício das funções de segurança pública.
Tudo isto é do conhecimento público, tantas vezes provado e comprovado, quer pelos profissionais, quer pela própria estrutura hierárquica da PSP.

Não é por isso admissível que o Ministro venha, publicamente, numa entrevista à TSF e ao Diário de Notícias, dizer que «os Polícias compram equipamento porque querem e não têm nenhuma necessidade de o fazer».
Por menos, bem menos, já houve quedas ministeriais: por expressões ou gestos muito mais inofensivos (a "bofetada" de João Soares ou os "corninhos" de Manuel Pinho); por egos académicos (erros nos currículos); ou pela pressão das conjunturas (ministros Constança Urbano de Sousa, Adalberto Campos Ferreira ou Luís Filipe Castro Mendes).

As afirmações do Ministro Eduardo Cabrita são inaceitáveis do ponto de vista político, social e da segurança. É uma condenável negação da realidade demasiadas vezes comprovada, descredibiliza a PSP, demonstra um desconhecimento da área que ministra e tutela e, acima de tudo, desrespeita completamente os profissionais da PSP.
No mínimo, no mínimo dos mínimos, é um total absurdo um Ministro achar que um profissional (tantas vezes tão 'mal pago' e tão contestatário da sua condição laboral) se dava ao luxo de gastar dinheiro pessoal só porque sim... porque seria 'giro' andar 'bem armado'. Que falta de sentido de Estado, de ausência de condição para o exercício ministerial e político.

Um alto cargo público, governativo, de Estado, não pode estar sujeito a estados de alma trauliteiros. Obviamente...

(*) Crédito da foto: Mário Cruz / Lusa

publicado por mparaujo às 20:08

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