Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

13
Abr 14

Publicado na edição de hoje, 13 de abril, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Olhar as europeias

Retomo as preocupações expressas no artigo publicado neste espaço, no passado dia 19 de março (“O ‘inconseguimento’ europeu”): a previsão de elevada abstenção eleitoral; uma campanha centrada na política interna; o desconhecimento generalizado do papel e da importância da União Europeia. E uma grande parte da responsabilidade por estas preocupações cabe, em primeira instância, aos partidos, aos candidatos e aos políticos, seja pela forma como apresentam os seus manifestos, as suas propostas, seja pela forma como serão, ou não, capazes de aproximar os portugueses à Europa. A maioria dos portugueses, apesar distarem quase 30 anos, ainda não tem a noção de que após o dia 1 de janeiro de 1986 (adesão de Portugal à então CEE) a realidade nacional não é mais a mesma, consubstanciada com a entrada do país na Zona Euro a 1 de janeiro de 1999. A adopção de políticas comuns, a adesão a um mercado financeiro único, a multiculturalidade, as diversidades históricas e sociais, têm, hoje, uma dimensão que ultrapassa fronteiras e que, para além dos órgãos de soberania nacional, têm um novo epicentro situado em Bruxelas (Comissão Europeia), em Estrasburgo (Parlamento Europeu) ou em Frankfurt (Banco Central Europeu). Para além disso, a maioria dos portugueses não tem a noção que as eleições do próximo mês de maio têm uma dimensão e uma abrangência maior do que a expressividade nacional. É que apesar do voto ser “depositado” no PSD, CDS, PS, BE, PCP, Livre, etc., a expressividade do voto tem reflexos na eleição de deputados europeus que irão representar “partidos europeus” (onde os nacionais se inserem). Por exemplo, Partido Popular Europeu, Partido Socialista Europeu, Partido da Esquerda Europeia, Partido Democrático Europeu, entre outros. São estes partidos que, em função dos seus programas e manifestos, ditarão os destinos da União Europeia que, obviamente, influenciarão os destinos nacionais. E seria importante que os partidos e candidatos nacionais demonstrassem, na campanha, essa realidade, porque é essa que importa.

Felizmente há quem rume contra este distanciamento dos portugeses à Europa e da desresponsabilização política dos agentes eleitorais. Independentemente de ser essa a natureza da sua existência e estruturação, o CIEDA (Centro de Informação Europe Direct de Aveiro), do grupo Escola Profissional de Aveiro/AEVA, evidenciou uma intervenção formativa, educativa e de cidadania exemplares, com uma vitalidade que importa destacar. Desde janeiro até ao passado dia 10 de abril (com a 15ª sessão realizada na Alameda das Competências, na Feira de Março, em Aveiro, com a presença do ex-eurodeputado Armando França) realizou 15 acções públicas relacionadas com as eleições europeias deste ano, sob o tema: Agir, Reagir, Decidir. Para além da divulgação de informação dita institucional sobre a União Europeia, as referidas acções contaram com a presença de oradores com marcado currículo europeu, como Marisa Matias, Vital Moreira, José Manuel Fernandes, Alda Sousa, entre outros, ou destacados “pensadores” europeus da região, como João Pedro Dias, Armando França ou Pedro Jordão, a título de exemplo. De Castro d’Aire até Coimbra, percorrendo praticamente toda a Região de Aveiro, o CIEDA, para além as questões institucionais (a importância do voto, as instituições europeias, o papel dos eurodeputados, etc.), também levou à reflexão temas relacionados com a economia, o emprego, a qualidade de vida, os diretos dos cidadãos europeus, por exemplo. Mas há um aspecto que merece destaque. Apesar de abertas ao público, as sessões tiveram uma especial atenção para com os jovens. Aqueles que, por diversas razões e face à conjuntura actual, mais sentem a realidade europeia, seja ao nível intercultural, seja ao nível formativo/académico, seja ao nível laboral por força da opção emigratória (bastante elevada nos jovens). Neste âmbito, não poderia ser mais apropriada e incisiva a escolha de um conjunto de interrogações críticas que formassem, informassem e levassem ao sentido crítico dos jovens desta região. Nada mais ajustado como o debate de temáticas como “as políticas de educação e juventude da UE”; “como viajar e viver no espaço da UE”; “o papel dos jovens no futuro da UE”; “o futuro da UE nos horizontes dos jovens”; …

Com intervenções na sociedade como o CIEDA tem vindo a desempenhar pode ser que desta vez seja diferente, pelo menos ao nível dos jovens, mais motivados para uma efectiva consciência do que é estarmos na União Europeia.

publicado por mparaujo às 22:20

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