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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Ou se desconfina ou não se desconfina

das incoerências pandémicas. Ou há moralidade...

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O mesmo equivaleria a dizermos: "ou há moralidade ou comem todos". O que não faz sentido é a subjectividade do princípio ou a sua aplicabilidade conforme soprar o vento.

A regra, definida pelo Governo e pela DGS, nesta terceira fase do desconfinamento determina a proibição da realização de actividades e iniciativas com uma concentração de pessoas superior a 20 (por exemplo, no exterior).

Na conferência de imprensa de hoje, com todos os condicionalismo da ausência de valores estatísticos, a Directora-Geral da Saúde, Dra. Graça Freitas, criticava a manifestação contra o racismo que juntou em Lisboa (e em várias cidades do país) algumas centenas de pessoas: «acabei de ver imagens de manifestações e movimentos na cidade de Lisboa. O controlo da doença depende do comportamento das pessoas. Seja em festas ou ajuntamentos no exterior, não nos podemos juntar, mesmo com máscaras"» afirmou a Directora-Geral da Saúde.

Num claro contexto de crise, não há nada pior do que transmitir para a sociedade/comunidade uma evidente imagem de incoerência, de incerteza ou de subjectividade que transmita uma sensação de "anarquismo", permitindo às pessoas o livre arbítrio na gestão dos seus comportamentos sociais. O que for para uns contextos deve ser para todas as outras realidades, sem justificações infundadas ou incoerentes.

Foi assim no caso do 1.º de maio...
É assim na discussão sobre a realização da Festa do Avante (não há, hoje, nenhuma razão para a sua suspensão)...
Foi assim na reabertura das salas de espectáculo, num primeiro passo para o fim do enorme desassossego pelo qual passa a Cultura (toda a cultura) em Portugal...
Mas se o Campo Pequeno abriu as suas portas, em duas noites, para receber 2.000 pessoas (por noite) para um espectáculo duplo de Bruno Nogueira e Manuela Azevedo ("Deixem o Pimba em Paz") como justificar, perante as imagens abaixo, que o futebol (do qual não tive qualquer saudade durante o confinamento) se faça "à porta fechada"? Porquê tanto constrangimento para se ir a "banhos"? Porquê estrangular ainda mais o nosso comércio tradicional ou a nossa restauração?

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Se o Primeiro-ministro e o Ministro do Ambiente juntam mais de 20 pessoas na abertura nacional da época balnear porque é que não há-de o PCP organizar a sua "Não há Festa como esta..." anual ou uma Autarquia inaugurar uma determinada obra pública ou promover um evento?

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Permito-me reescrever George Orwell: «somos todos iguais... mas há uns mais iguais que os os outros». O que significa dizer: sem igualdade e sem justiça, não há democracia, nem liberdade.