Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

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Jan 14

que é como quem diz: “pior a emenda que a azia…”

Já aqui (“Pela ética e lealdade para com a Rita Marrafa de Carvalho”) tinha comentado o inqualificável texto (“Três significativos episódios da sobranceria de arrivistas e da deplorável falta de chá”) do Provedor do Leitor do Diário de Notícias, Óscar Mascarenhas, a propósito da polémica gerada em torno de um mero e simples desabafo pessoal da Rita Marrafa de Carvalho, relacionada com a sua filha e com uma ida (em trabalho) à Presidência da república.

Depois de tudo o que foi dito (entre prós e contras) é óbvio que havia alguma curiosidade em se saber se o Provedor do Leitor do DN iria produzir algum texto em relação às críticas que lhe foram lançadas. Meu dito, meu feito. Apesar de ser, mais uma vez, desejável que a coluna do Provedor do Leitor do DN se confinasse aos seus objectivos, principalmente, para bem do próprio Diário de Notícias, eis que Óscar de Mascarenhas volta a cometer o mesmo erro pelo qual foi, largamente, criticado: o uso da coluna semanal do DN para tecer, de novo, considerações absurdas à jornalista Rita Marrafa de Carvalho.

Era, por mil e uma razões, escusado.

Lendo o Estatuto do Provedor do Leitor do Diário de Notícias, não encontro, em qualquer das suas linhas, algo que defina o âmbito de acção do Provedor para além da esfera do próprio jornal, da relação deste com os seus leitores, ou dos trabalhos efectuados pelos seus profissionais. Sendo assim, é condenável e lamentável que Óscar de Mascarenhas use um espaço específico e próprio do Diário de Notícias para vir tecer considerações sobre uma jornalista de um outro Órgão de Comunicação Social (ao caso, a RTP).

Lamentavelmente, para além do que atrás referi, Óscar de Mascarenhas extravasa, claramente, as suas funções óbvias e naturais de Provedor do Leitor do Diário de Notícias (e não de qualquer leitor de jornais, espectador de televisão ou ouvinte de rádio). Mas ainda mais longe. Deturpa inqualificavelmente o papel e a missão do Provedor do Leitor do Diário de Notícias quando afirma que escreve “na primeira pessoa, sem plurais majestáticos, não subi a um palanque exornado de qualquer autoridade e muito menos de poder e de esbirros para lavrar sentenças de cumprimento coercivo. Escrevo artigos de opinião. A minha opinião. A minha arma é o verbo e o meu mérito, quando o tenho, é o convencimento. Disparo de frente. E estou de frente à espera de réplica”. Fá-lo mas não devia. É óbvio que é a sua opinião, é na primeira pessoa que responde e se exprime, mas a sua “arma” e o seu “mérito” (se é que o tem) deveria estar, naquele espaço, compaginado às suas funções de Provedor do Leitor do Diário de Notícias. Mais do que isso, de facto, só se pode concordar com Óscar de Mascarenhas. Arranje “uma caixa de fruta que aguente consigo e leva-a para o Speaker"s Corner no Hyde Park, ali ao Marble Arch e, pode falar à vontade”. Com os argumentos e justificações que usa, espera-se mais… que pegue na “caixa de fruta” e vá para bem longe.

Para além disso, o que o Provedor do Leitor do Diário de Notícias não percebeu, rigorosamente nada, patavina, puto, zeros, nicles, …, é que, por afeição e por convicção, as criticas que lhe foram lançadas, para além do extravasar das suas funções, foram sustentadas no total despropósito, na falta de bom senso, de ética, de deontologia e de moral. Até porque a observação do Provedor em causa não se baseou em qualquer trabalho profissional da jornalista, em qualquer matéria jornalística. Baseou-se apenas e tão somente (como se nada mais houvesse no mundo da Comunicação Social para tratar) numa cusquice infantil do que a Rita Marrafa de Carvalho publicou, do foro da sua vida privada, na sua página pessoal do facebook. Aliás, é pena que não se tenha visto (sem qualquer pretensão de sugestão do que o Provedor deve ou não escrever) da parte de Óscar Mascarenhas tão célere e vigorosa opinião sobre o relatório da Procuradoria-Geral da República sobre a violação do segredo de justiça. Claro que não vimos (lemos)… isso já são assuntos sérios.

E é pena que a seriedade não seja consistente no desfilar de caracteres na coluna do Provedor do Leitor do Diário de Notícias. Porque as diferenças são evidentes e o querer, sem conseguir minimamente, disfarçar e tentar lavar a péssima imagem que deixou não foi conseguido.

No primeiro texto, o Provedor do DN refere-se em relação à Rita Marrafa de Carvalho como uma “certa famosa jornalista de televisão”, “vedeta televisiva ofendida”, “vedeta de televisão incomodada”, ou ainda, “só posso dizer que ela saiu do bairro e entrou do lado errado da Universidade”.

Agora, não sei se movido por algum acesso de remorsos, afirma, no texto do passado sábado, “não tenho memória de alguma vez ter falado ou sequer cruzado com a jornalista, de quem, aliás, guardo a imagem de uma boa profissional de televisão, segura nos diretos e com estofo para reportagens com profundidade. Não tenho dela a perceção de ser uma jornalista de investigação, pelo menos no conceito académico que me atrevi a construir - mas pode ser falta de informação minha, admito”. Pois admite muito pouco. Demasiadamente pouco ou nada, como da primeira vez. Vazio.

Para finalizar, há, no entanto, algo que não posso deixar de concordar com Óscar Mascarenhas quando ele afirma que “no fim de cada curso, desejo o melhor aos meus alunos. Mas peço-lhes por tudo: "Não digam que tiveram aulas comigo. É desemprego certo”. Não tenho quaisquer dúvidas.

Pena que o Conselho de Redacção do DN não tenha a mesma percepção.

publicado por mparaujo às 16:07

6 comentários:
Direito de Resposta, no DN / TV&Media
Carta de resposta da Rita Marrafa de Carvalho
http://www.dn.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=3648887&page=-1
mparaujo a 26 de Janeiro de 2014 às 22:23

é melhor ler melhor os estatutos.

"2.3. Analisar e criticar aspetos do funcionamento e do discurso dos media..."
nuno a 26 de Janeiro de 2014 às 19:43

os estatutos foram lidos e mais que relidos...
mparaujo a 26 de Janeiro de 2014 às 22:23

e mesmo assim ficaram por perceber.
nuno a 28 de Janeiro de 2014 às 18:07

Esta "estória" da jornalista da RTP fica logo sem credibilidade devido ao facto de nem a jornalista ir levar a criança a nenhum ATL da RTP, nem a escola da filha da mesma estar fechada no dia referido.

A jornalista da RTP (caso tenha sido ela a dizer que a escola estava de "ferias") sabe perfeitamente que a escola da sua filha só fechou dia 24 de dezembro (além dos feriados) e que a mesma escola que a criança frequenta tem o seu próprio ATL. Além de que recebe as crianças a partir das 8h da manhã.

Em relação à presidencia da républica... acho que tal atitude já era de esperar de quem ocupa o palácio de belém.

Acho que mesmo assim o autor do blog devia se informar bem antes de escrever "estórias" que não são verdadeiras e apesar de não ser aceitavel a atitude da presidencia (apesar de justificavel) o facto de parte do que aqui está escrito (será que a jornalista da RTP contou assim o episodio?) ser mentira não ajuda em nada a credibelidade do autor e da jornalista em questão.

Só mais uma questão: Onde estava o outro filho da jornalista? Esse ficou sozinho em casa!?

ps. A escola dos petizes fica na mesma freguesia onde a jornalista habita logo o que foi escrito noutro post sobre a distância casa-escola tb não é verdade
Será? a 15 de Janeiro de 2014 às 14:07

Meu caro...
O autor do texto (eu) foi informado tal e qual foi relatada a história. Acontece que o que está aqui em causa, como pode ler bem, nos dois textos, não é a história em si. Essa já tinha sido mais que comentada e badalada no posto da página do facebook da jornalista. Com a clara aceitação dela de todos os comentários pós e contra. Aliás, a discussão estava perfeitamente pacífica e saudável em torno da questão laboral e dos filhos nos empregos dos pais (de forma genérica).
O que está em causa e despoletou a polémica foram as declaração de Mário Rui e os dois textos do Provedor do Leitor do DN. Apenas isso.
OK?!
Abraço
mparaujo a 15 de Janeiro de 2014 às 17:33

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