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14
Jun 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 14 de junho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Quatro recados à Nação

Cavaco Silva proferiu, como Presidente da República, o seu último discurso oficial do Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, na passada quarta-feira, em Lamego. Por norma, sempre que o Presidente da República em momentos de aparição oficial “tradicional” (Ano Novo, 25 de Abril, 10 de Junho) intervém publicamente as reacções político-partidárias nunca são coincidentes entre posição governativa (com ou sem maioria) e oposição. Coerente, no caso de Cavaco Silva, apenas Ferreira Leite para quem este Presidente é intocável, por maior que seja a trapalhada e a atrapalhação. Mais do que o conteúdo, é claro o aproveitamento político para marcar posições divergentes e que marquem a diferença de discursos entre Governo e maioria e a oposição. O aproximar da campanha e do processo eleitorais coloca Governo e maioria próximos da intervenção de Cavaco Silva, enquanto a oposição se posiciona de forma crítica (mesmo que inconsistente). Alturas houve, mesmo com o questionável Cavaco Silva, em que a oposição se sentia mais confortável com as palavras do Presidente da República (tomadas como recados e “puxões de orelha” ao Governo) e o Governo mais incomodado com as críticas. Só Manuela Ferreira Leite permaneceria, em qualquer momento, irredutível na vassalagem ao “mestre”.

No caso concreto deste discurso de Cavaco Silva nas comemorações do Dia de Portugal não se afigura claro que a oposição, nomeadamente o PS, mereça a razão. Na normalidade da conflitualidade da demagogia e retórica eleitorais em tempo de apelar a votos, o PS poderia usar muitos outros argumentos que não a colagem do discurso aos interesses do Governo e da coligação PSD/CDS. O Partido Socialista podia, por exemplo, ter sustentado a sua crítica na inanidade e no vazio do discurso de Cavaco Silva, demasiado repetitivo e sem grandes novidades.

O Presidente da República deixou à Nação quatro “recados” políticos, sem qualquer novidade e do mais óbvio em qualquer análise política destes últimos quatro anos, com deambulações por referências a dados divulgados pelo INE, pela União Europeia ou pela OCDE. É mais que óbvia a necessidade da consolidação das contas públicas, a balança externa, o urgente crescimento e desenvolvimento económico, e o alívio da pesada carga fiscal. Tudo o que qualquer, seja de que quadrante for, linha programática eleitoral conterá na próxima campanha e discursos eleitorais.

Há, no entanto, duas notas que importa destacar no discurso de Cavaco Silva. A primeira, crítica, pela ausência de referência significativa do esforço ao longo deste período conturbado da crise e da ajuda externa (o Presidente da República apenas fez referência ao papel dos agentes económicos e do tecido empresarial), dos portugueses, das famílias, da pobreza e do fosso social, do desemprego e da emigração (do “mito urbano”). Por outro lado, já que Cavaco Silva falou sempre do futuro, é curiosa a ausência de referência às eleições legislativas (apenas um ténue “…olhar o nosso futuro colectivo com confiança, independentemente de quem governe”). A segunda nota, positiva, tem a ver com a referência que fez ao pessimismo, à facilidade com que se critica e deita abaixo, à falta de alternativas. Além disso, foi curiosa a referência enaltecedora que fez ao Poder Local, ao papel das autarquias e dos autarcas, colocando uma perspectiva de futuro muito positiva para o desenvolvimento do país assente nas competências dos municípios, na responsabilização destes pela boa aplicação dos fundos do novo quadro de fundos Portugal 2020.

Mais do que uma colagem ou não colagem ao Governo, mais do que uma referência final à necessidade de uma estabilidade governativa nas próximas eleições, este discurso de Cavaco Silva nem em jeito de despedida foi inovador. Foi um Dia de Portugal sem “sal”…

publicado por mparaujo às 13:24

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