Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

06
Jan 16

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 6 de janeiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Sem deixar saudades (II)

Os portugueses entraram no novo ano com uma significativa dose de sentimentos díspares: por um lado agarrados à esperança de melhores dias e melhores condições de vida, expectativas quanto à concretização de políticas anunciadas pelo compromisso à esquerda, à espera de um virar de página que a queda do “muro político português” faz antever; por outro lado, a inquietação quanto ao impacto das políticas do actual governo, quanto a um eventual retrocesso, quanto à esperada instabilidade política que provoque eleições antecipadas. Acresce, no entanto, a realidade pragmática dos factos: o salário mínimo nacional aumentou para 530 euros; de forma faseada iniciou-se a reposição dos cortes nos salários da administração pública e sector empresarial estatal; diminuição do valor da sobretaxa (até rendimentos anuais de 80.000 euros); há as actualizações das pensões; um novo valor de referência para o Complemento Solidário para Idosos; e há um conjunto de medidas políticas aplicadas a áreas como a saúde e a educação, por exemplo. Mas há também o outro lado da moeda: o descrédito no sistema bancário; aumenta o preço da electricidade, do pão, a renda da casa, a água (embora aqui dependa do município em causa); as telecomunicações (por exemplo, a NOS e a MEO); o IMI (também dependente de cada autarquia). Mas todas as expectativas (positivas ou negativas) e toda a realidade política que marcou o arranque deste novo ano é, naturalmente, o reflexo de um ano de 2015 recheado de momentos relevantes na vida social e política portuguesa.

Três sectores marcaram a agitação que assolou o ano de 2015: a área política, o sector financeiro, a justiça, a saúde. O mais marcante foi, de facto, a política. As eleições de 4 de outubro foram o marco mais relevante no ano de 2015. PSD e CDS venceram as eleições mas não conseguiram uma maioria parlamentar que lhes permitisse formar Governo e governar. Resultado? O PS forma maioria parlamentar à esquerda, com um compromisso tripartido que deixa os portugueses suspensos entre a confiança e a incerteza, e transforma, democraticamente, uma derrota em vitória: António Costa é Primeiro-ministro. Das eleições resulta ainda a consolidação do eleitorado comunista e o valor histórico eleitoral do Bloco de Esquerda. A terminar o ano político de 2015 há ainda o anúncio de Paulo Portas em não se recandidatar à liderança do CDS-PP no próximo congresso, bem como a intenção de prescindir do seu lugar de deputado. Trapalhada política à qual Cavaco Silva, em pleno final de mandato, não pode, nem deve, desresponsabilizar-se, principalmente pela sua apatia política e incapacidade como mediador político (papel que bem cabia ao Presidente da República) mal foram conhecidos os resultados eleitorais legislativos. As legislativas criaram, á semelhança de muitos casos na Europa, um enorme vazio político ao centro ideológico.

O sector bancário português esteve na mira de fogo em 2015. Depois dos casos BPP, BPN e BES, depois de alguma incerteza quanto ao futuro do Montepio e da própria Caixa geral de Depósitos, o Banif colapsou e exigiu intervenção do Governo de António Costa. Para além do impacto político que gerou, nomeadamente no confronto de responsabilidades com a governação de Passos Coelho, apara além do impacto que terá nas contas públicas e no esforço (mais um) dos portugueses, gerou uma onda de falta de credibilidade e de confiança no sector bancário quando este ainda nem se refez dos impactos e dos danos do BES.

Por último, um outro sector que marcou a agenda de 2015 foi o da Justiça. Os casos mais mediáticos tiveram como protagonistas José Sócrates e Ricardo Salgado. Apesar da inabalável presunção de inocência, mesmo que distintamente, os dois processos abalaram a confiança e a credibilidade de dois dos pilares fundamentais da democracia e de um Estado de Direito: a política (e a governação) e o sistema financeiro. Mas enquanto as “baterias judiciais e processuais” estavam viradas sobre estes dois casos, os portugueses foram sendo confrontados com outros “casos de justiça”. A lembrar: o caso dos vistos Gold e o arrolar do nome do ex-ministro da Administração Interna Miguel Macedo (“operação labirinto”) ou o tabu ou mito urbano tornado realidade que foi o caso da lista VIP da Autoridade Tributária (Fisco) que, para além dos impactos (e trapalhadas) políticos, deixou a nu a vulnerabilidade do sistema fiscal quanto à privacidade e confidencialidade dos dados fiscais e pessoais de qualquer comum cidadão.

A ver vamos o que nos reserva este Novo Ano de 2016 para Portugal e para os portugueses.

publicado por mparaujo às 06:58

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