Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

12
Jan 14

Afinal, João César das Neves parece ter razão quanto ao seu "elogio da emigração".

Mesmo que, em 2013, cerca de 150 mil portugueses tenham deixado o país, forçados a procurar para além fronteiras melhores oportunidades de vida (emprego, valorização profissional, melhores recursos económicos). Mesmo que, ao contrário do que afirma César das Neves, emigrar não é bom para ninguém (em norma): nem para o país, nem para as famílias, nem para que tem que deixar a sua terra. O país empobrece, envelhece, perde a sua massa crítica, perde o investimento feito na formação e nas habilitações, perde os mais habilitados porque não tem capacidade de oferecer condições de trabalho aos jovens, à investigação e ao empreendedorismo.

Mas há um dado que César das Neves tem razão: infelizmente tem. É na emigração que surgem as melhos oportunidades (já que as mesmas não existem no país). Se são para os mais capazes, fica ao critério de cada um. Mas basta ver-mos os recentes exemplos do ex-Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira ("Álvaro Santos Pereira vai para a OCDE") e o social-democrata José Arnaut ("José Luís Arnaut nomeado para alto cargo no Goldman Sachs").

publicado por mparaujo às 16:47

05
Jun 13

O ministro da Economia afirmou que Portugal implementou nos últimos dois anos o programa de reformas mais ambicioso desde a era Thatcher.
Ora bem... nada mais óbvio e prevísivel. Thatcher nunca foi ministra em Portugal.

Já em relação aos outros governos, desde 1974... temos dúvidas.

publicado por mparaujo às 21:28

25
Abr 13

Publicado na edição de hoje, 25 de abril, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Governar ‘gota-a-gota’

Escrever no dia em que Portugal, há 39 anos, soube (re)conquistar o sentido da liberdade provoca um misto de regozijo mas simultaneamente de alguma apreensão pela forma como essa mesma liberdade vai perdendo significado, responsabilidade e consistência. Algo que, comparativamente, é a imagem do Governo. O sentido (significado) do esforço que tem disso exigido aos portugueses continua longe dos resultados previstos: os défices têm sido necessariamente corrigidos (com os constantes alargamentos dos prazos de maturidade, sem renegociação do memorando e com um segundo resgate sempre presente no horizonte) como resultado de medidas apenas assentes na austeridade e pelas constantes falhas previsionais; o desemprego sobe constantemente; a dívida ultrapassa os 123% do PIB. A responsabilidade que não é assumida pelos erros de governação e pelas promessas eleitorais desvirtuadas e não cumpridas. Não basta sacudir a “água do capote” com o passado, com o desmoronar da Europa e da Zona Euro, com os mercados e a instabilidade económica internacional. A única via seguida até agora (a da austeridade “para além da Troika”) deixa os portugueses menos confiantes, mais preocupados com o futuro e mais pobres, com o país a não encontrar mecanismos de desenvolvimento e em não conseguir superar a crise (antes pelo contrário, ela tem vindo a agravar-se). A inconsistência na governação, dos projectos políticos, na ausência de reformas estruturais (incluindo a do Estado), na forma como governa o país a “conta gotas”. Ontem um projecto (que raramente concretiza), hoje uma medida avulsa num determinado sector, amanhã a necessidade de repensar tudo em função das exigências dos nossos credores (Troika), da Europa, do Tribunal Constitucional e dos falhanços das previsões. Face à factualidade de um Orçamento do Estado inconstitucionalmente elaborado (do ponto de vista político), face ao valor da derrapagem orçamental de 2012 com implicações directas na execução de 2013, o Governo reuniu cerca de 12 horas, em Conselho de Ministros, apenas para chegar à conclusão que precisa de cortar na despesa do Estado um valor que rondará os 800 milhões de euros. De que forma? Ainda por esclarecer os impactos práticos que esses cortes terão, apesar de uma presença extraordinária da Troika no país e apesar do Primeiro-ministro vir afirmar que não haverá mais austeridade, embora fosse importante explicar a Passos Coelho que cortes são austeridade. Mas ao fim de dois anos, depois do “abalo político” provocado pelo chumbo do orçamento, pela excessiva austeridade, pelos fracassos já referidos dos resultados, o Governo “acorda” finalmente para o que deveria ter sido, a par com o equilíbrio das contas públicas, a sua maior preocupação: a economia. Mais sete horas de Conselho extraordinário para ser apresentado o “Plano de Crescimento”. Finalmente… só que, apesar do valor das propostas, o plano não traz praticamente nada de novo. Os oito principais eixos apresentados (qualificação e formação; reforço da linhas de crédito para as PME exportadoras, esquecendo o mercado interno completamente destruído; aposta na reindustrialização, depois de ter falhado na agricultura e pescas; responsabilização da Caixa Geral de Depósitos no programa, esquecendo toda a banca onde o Estado já injectou muito dinheiro, sem contrapartidas; a desburocratização dos procedimentos, não assumindo, por exemplo, o Simplex mas travestindo-o de nova roupagem; aposta nas plataformas logísticas nacionais com o regresso ao projecto da rede ferroviária, entre outros), não são novidade e estiveram, desde a apresentação em outubro de 2012 do plano “Competitividade, Emprego e Investimento” (praticamente igual ao agora apresentado), numa gaveta até o Ministro Álvaro dos Santos Pereira dar o “grito do Ipiranga”. Nem mesmo o tão badalado Banco do Fomento que já não é novidade. No entanto, a incerteza mantém-se porque, apesar das medidas apresentadas, muita coisa ficou por esclarecer, por concretizar, por demonstrar os seus reais impactos. Por exemplo, nada foi adiantado quanto à urgente revisão da carga fiscal do sector empresarial, nem quanto às condições das linhas de crédito. Tal como em outras situações (demasiadas) é tudo muito vago, pouco claro e concreto. Esperemos pela definição das medidas, pela sua quantificação e impactos.

publicado por mparaujo às 15:58

09
Abr 13

A propósito do chumbo do Tribunal Constitucional a quatro artigos do OE2013 (antevendo o artigo de amanhã, no Diário de Aveiro) continuam a ser enumerados os mais díspares comentários, críticas, aprovações e, obviamente, os tradicionais "bitaites".

A verdade é que o impacto das erradas políticas que têm sido seguidas, mesmo sem o Acórdão do TC, não eram garantia (como nunca o foram até à data) de que não seriam precisas mais medidas de austeridade, mais carga fiscal, mais cortes, já que o OE2013 entrou neste ano já com a incerteza do seu cumprimento (e a consequente previsão de um Orçamento Rectificativo). Para além disso, já era por demais sabido que a próxima tranche (resultante da sétima avaliação da Troika) só chegaria em Maio. Por outro lado, desde 2011, após a assinatura do memorando e após as eleições, este Governo já negociou com a Troika duas alterações às metas do défice, os prazos de maturidade dos juros (esperando-se um novo período de mais sete anos, juntamente com a Irlanda).

Por isso, colocar na decisão do TC a responsabilidade de toda as falhas nas previsões, de todos os impactos negativos da austeridade e das consequências sociais e económicas das políticas implementadas, é, no mínimo, um embuste e uma total falta de ética política.

Não é pela situação de emergência ou de crise que a Constituição fica suspensa e permite o livre arbítrio de qualquer acção governativa. Antes pelo contrário, deve ser nestas alturas que Governo, Assembleia da República, Presidente da República e, pela sua missão, o Tribunal Constitucional devem ter particular atenção ao zelo constitucional.

A solução avançada pelo Governo para fazer face aos "custos constitucionais" do acórdão do TC (por volta dos 1,2 mil milhões de euros) passa por cortes nas despesas do Estado, em alternativa a um aumento de impostos. No entanto, não se pense que, face ao que tem sido a governação de Passos Coelho\Gaspar e Relvas (até à semana passada) isto não signifique mais sacrifícios. Serão mais os despedimentos, acelerados os processos de mobilidade na função público, menos apoios sociais na saúde, na educação, na justiça e na segurança-social. No fundo, menos Estado, menos investimento, menos economia.

É por isso, com alguma estranheza que há brados, louvores e cânticos de aleluia a uma possível (ou prevista) remodelação do Governo.

Mas qual remodelação? A do Primeiro-ministro? A do ministro das Finanças? Se não, remodelar para quê? Só para contentar a opinião pública ou o partido da coligação, CDS?

Escrevi neste domingo, na crónica do Diário de Aveiro - "Entre a Proa e a Ré" ("A narrativa da falha anímica") que o Governo tinha perdido, com a demissão de Relvas, a sua vertente política, ficando refém da vertente tecnocrata (teórica e experimentalista) sob a batuta de Vítor Gaspar.
Ao ler a informação veiculada pelo Expresso (edição online) - "Passos e Portas preparam remodelação alargada" não me restam dúvidas em relação ao que afirmei. Para além da não necessária, nem óbvia, substituição de Miguel Relvas (podia perfeitamente ser assegurada a função pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes) o semanário avança com a hipótese do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira deixar vaga a cadeira do superministério. Não consigo perceber o que isso possa alterar o que tem sido o caminho traçado por Passos\Gaspar\Troika, a não ser uma eventual maior permissividade face às pressões lobistas, nomeadamente na banca, energia, transportes e obras públicas.

publicado por mparaujo às 19:48

06
Fev 13

Quando muita coisa se coloca em causa, quando as críticas e as dúvidas são mais que muitas, não basta dizer que se fez algo... há que o provar.

Antes de tudo, mais uma vez, entendo que era completamente escusada esta nomeação de Franquelim Alves para Secretário de Estado do Empreendedorismo, fundamentalmente por uma questão de ética e resguardo político, e do próprio recato pessoal do visado. É certo que Franquelim Alves não foi formalmente acusado, não foi constituído arguido, não teve "acusação" política na comissão de inquérito parlamentar do BPN (só agora é que se pretende, por parte de alguns sectores partidários, inverter as situações). Mas tudo isto era mais que escusado porque o Governo não pode querer convencer a opinião pública de que não haveria mais nenhuma alternativa disponível para o cargo público e político.

Tal como já o tinham anunciado, principalmente o Bloco de Esquerda, aproveitando a presença do ministro da Economia, Álvaro Pereira, na Comissão Parlamentar de Segurança Social e Trabalho, o tema da nomeação do Secretário de Estado do Empreendedorismo foi o ponto alto da reunião, com várias interpelações ao ministro para que fundamentasse a escolha de Franquelim Alves.

Antes mesmo da reunião da Comissão Parlamentar, já o ministro Álvaro Santos Pereira abria as hostilidades ao afirmar que a oposição estava a procurar fazer um 'linchamento político' público do carácter e da pessoa de Franquelim Alves.

Já no decurso dos trabalhos o ministro da Economia contrapunha os argumentos políticos e judiciais da oposição (PCP e BE, pelo menos) com o argumento de que o recém empossado Secretário de Estado teria tido um papel fundamental na denúncia ao Banco de Portugal de procedimentos ílicitos no BPN/SLN.

Mas face à insistência das críticas e ao engrossar dos argumentos contestatários, Álvaro santos Pereira retira "o coelho da cartola" para revelar uma determinada carta que tinha sido enviada ao Banco de Portugal e que sustentava a sua afirmação anterior de que Franquelim Alves tinha tido um papel determinante na denúncia das irregularidades que estavam a ser cometidas.

Mas afinal, apesar da Comissão ser de Segurança Social e Trabalho e o tema ter vindo a discussão pelo facto da maioria parlamentar ter rejeitado uma audição própria sobre o tema, o ministro Álvaro Pereira veio mal preparado para esta "guerra" e a sua argumentação resultou num claro virar o feitiço contra o feiticeiro.

Não colocando em causa que Franquelim Alves possa ter tido algum papel na denúncia ao Banco de Portugal, a verdade é que o ministro não só não mostrou o documento como não se mostrou capaz de contrapor o facto apresentado pelo deputado do PCP, Jorge Machado, de que a referida carta não tinha a assinatura de Franquelim Alves, como tinha sido uma resposta a uma insistência para apuramento de factos por parte do Banco de Portugal e não a auto-iniciativa de denunciar os factos.

Não basta parecer... há que o ser.

A carta de 2 de junho de 2008

A acta da audição de Franquelim Alves na Comissão Parlamentar de Inquérito do caso BPN/SLN

publicado por mparaujo às 22:36

05
Fev 13

(créditos da foto: Rádio Renascença online)

Era completamente escusada esta nomeação de Franquelim Alves para Secretário de Estado do Empreendedorismo, fundamentalmente por uma questão de ética e resguardo político, e do próprio recato pessoal do visado. É certo que Franquelim Alves não foi formalmente acusado, não foi constituído arguido, não teve "acusação" política na comissão de inquérito parlamentar do BPN (só agora é que se pretende, por parte de alguns sectores partidários, inverter as situações). Mas tudo isto era mais que escusado porque o Governo não pode querer convencer a opinião pública de que não haveria mais nenhuma alternativa disponível para o cargo público e político.

Daí que, principalmente o BE, tenha exigido, legitimamente, explicações ao Governo para a fundamentação (e não a legalidade) da nomeação de Franquelim Alves para Secretário de Estado do Empreendedorismo. Nada mais natural, ao que se juntaram as vozes socialistas e comunistas/verdes.

Mas face à rejeição, por parte dos partidos da maioria, de uma audição parlamentar ao Ministro da Economia, Álvaro Pereira, para a apresentação da fundamentação da nomeação, o BE avançaria com tudo o que estava ao seu alcance, do ponto de vista de regulamentação parlamentar, para ouvir, na Assembleia da República o ministro da Economia. Pelos vistos, confirmando-se a presença do ministro da Economia, Álvaro Pereira, na Assembleia da República, o BE não irá perder a oportunidade de forçar o ministro a uma explicação (a ver vamos se a dará, cabalmente).

Mas este caso tem um aspecto, que se não fosse politicamente grave, seria, no mínimo caricato e demonstrativo do que é a coerência política e a ânsia do poder.

Quando se soube da nomeação dos novos secretários de Estado, o CDS veio logo a público demarcar-se da nomeação de Franquelim Alves. Passados poucos dias, o mesmo CDS inviabiliza, votando contra (nem sequer se absteve), a audição parlamentar ao ministro Álvaro Pereira.

O CDS apresenta-se com um partido com uma ginástica política verdadeiramente impressionante.

Mais nenhum consegue tamanhos Flics Flacs à rectaguarda.

publicado por mparaujo às 23:20

17
Mai 12

O Ministro da Economia, Álvaro Pereira, anunciou, no final de mais um Coselho de Ministro, que o Estado prevê reduzir o valor das randas excessivas no sector eléctrico. Anualmente serão poupados cerca de 190 milhões de euros e, previsivelmente, até 2020, um total de 1,8 milhões de euros. Algo que fica muito aquém dos calculados 3 mil milhões de euros das rendas energéticas.

É óbvio que esta só pode ser uma excelente medida do governo de Passos Coelho, assim como seria de esperar a resolução (ou revogação) de muitas, ou quase todas, as Parcerias Público-privadas, ou ainda a diminuição do universo empresarial do Estado.

No entanto, por mais que o ministro e o su secretário de Estado tenham afirmado que tal política resulta numa redução de cerca de 5% na factura para o consumidor, a dúvida persiste.

Se o impacto (como já afirmou António Mexia) destas medidas agora anunciadas pelo governo resultam numa redução de receitas de cerca de 2,5% na EDP, numa empresa que se conhece faminta pelo lucro, pelo monopólio, por uma posição de força no mercado e na economia nacional, quem é que irá "pagar essa factura" da descida dos lucros? O Estado? não creio... sobra sempre para os bolsos do costume.

 

publicado por mparaujo às 20:15

11
Mar 12
Publicado na edição de hoje, 11 de Março, no Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré
Entre polémicas e trapalhadas

Para além da trapalhada que envolve o processo da Lusoponte e da alegada duplicação de verbas devidas pelo Governo à empresa que gere a travessia da Ponte 25 de Abril, esta semana que terminou fica registada como a semana das polémicas governamentais e presidenciais.
A questão da Lusoponte carece de mais desenvolvimentos e de melhores esclarecimentos por parte do Primeiro-ministro, do Secretário de Estado dos Transportes e, naturalmente, do próprio ministro dos Transportes, Álvaro Santos Pereira. O mesmo ministro que esteve no centro da polémica com que se iniciou a semana e que agitou a opinião pública, nomeadamente alguma comunicação social.
Em causa está uma das áreas mais apetecíveis de qualquer governação: a gestão dos fundos comunitários, principalmente os que estão relacionados com o desenvolvimento económico. Se em “condições” normais a gestão destes fundos estão sob a tutela do ministro da Economia, a verdade é que, face às circunstâncias que envolvem o país, nada seria de estranhar que essa gestão (mais do que um simples assinar dos cheques, como foi sublinhado pela oposição) estivesse sob alçada do ministro das Finanças. Todo este processo, curiosamente surgido no imediato a mais uma avaliação, por sinal positiva, da Troika ao processo do cumprimento do memorando de resgate financeiro, deu origem à suspeição de uma renovação muito cedo no seio do governo, com a super pasta de Álvaro Santos Pereira a ficar vaga.
Com a questão, aparentemente, ultrapassada e resolvida pelo primeiro-ministro, a solução encontrada afigura-se lógica e coerente. Os vários fundos comunitários são geridos nas respectivas tutelas, mas com a supervisão do ministro de Estado e das Finanças, Vitor Gaspar. Mas a polémica sustentada pelos fundos do QREN é muito mais que uma “birra” de poderes internos.
É notório que o ministro da Economia e dos Transportes é o “elo mais fraco” da cadeia governativa. Primeiro porque como independente e excessivamente académico é o menos político de todos os ministros (mesmo em relação ao ministro da educação). Depois, porque face aos constrangimentos que o país atravessa e à conjuntura internacional, gere um ministério, concretamente no sector económico, que está demasiadamente na mira das críticas pela dificuldade na aplicação de medidas e políticas estruturais: desenvolvimento económico, balança das exportações e importações, empreendedorismo, desemprego, planeamento nacional, entre outros. Para além dos problemas inerentes a sectores vitais do desenvolvimento nacional como é o caso dos transportes e da mobilidade das pessoas e bens. Em terceiro lugar porque, em função dos compromissos inerentes à assinatura do memorando de ajuda externa, muitas das medidas de austeridade a aplicar passam pela economia, o que faz do ministro um dos principais “alvos” da crítica e contestação social.
No entanto, foram significativas as vozes que vieram em defesa do ministro promotor da internacionalização do “pastel de nata”, sem, no entanto, serem as mesmas isentas de um evidente oportunismo e interesses encapotados. Os principais “advogados de defesa” (mesmo que ‘diabos vestidos com pele de cordeiro’) foram, obviamente, os empresários. Não pelas conquistas em sede de concertação social (e reconheça-se algum trabalho e ganhos adquiridos), não por alguns números positivos na balança das transacções externas, não porque faltam medidas estruturais para o desenvolvimento da economia nacional e o combate a um preocupante (demasiado) desemprego, não porque os empresários estejam preocupados ou sensibilizados com as razões da não internacionalização dos pastéis de nata (ou mais recentemente com os ovos moles de Aveiro). A preocupação do tecido empresarial português (comércio, serviços, indústria, inovação, …) prende-se com o facto de ser mais fácil a pressão e o lobby para o benefício (directo ou indirecto) dos fundos e projectos de investimento se os mesmos estiverem no Ministério da Economia do que se esses forem geridos pelo das Finanças, aliás um ministério que para o sector exerce uma função marcadamente fiscalizadora e incriminadora.
Por outro lado, a semana, no seu final, ficaria marcada por mais uma “aparição” desastrosa de Cavaco Silva. Se o Presidente da República já nos habitou a intervenções que, mais do que polémicas, são perfeitamente inusitadas e insólitas, vir a público, enquanto titular do cargo representativo da nação, exercer um direito de cidadania que lhe cabe por direito mas que está reservado para enquanto “comum” cidadão deste país. Mais… o timing político é caracterizado pela acção no momento e espaço próprio e imediato. Tudo o que for para além da hora e do dia certo é apenas memória futura. Se Cavaco Silva teve razões de queixa quanto à fidelidade institucional do então primeiro-ministro José Sócrates, nomeadamente no caso do PEC IV, só tinha que ter tomado a atitude politicamente correcta e ter demitido José Sócrates. E não, apesar dos factos que agora revela, ter “descalçado a bota”, ter “sacudido a água do capote” e ter passado a responsabilidade e a pressão para a Assembleia da República e para os partidos políticos.
Mas neste caso, o Partido Socialista não fica atrás na falta de coerência política. É evidente a incapacidade de ser oposição de António José Seguro: demagogia a rodos, falta de estratégia e de alternativas, a excessiva necessidade do recurso ao “disparar em todas as direcções” tentando com isso capitalizar politicamente, mesmo que isso signifique estar sempre contra toda e qualquer acção do governo, independentemente das mesmas terem ou não alguma credibilidade e importância para o país. E então a falta de coragem já demonstradas para assumir as responsabilidades de um passado governativo ainda demasiadamente vivo são notórias.
Sempre que o Presidente da República (e são já algumas vezes) tem intervenções opostas à acção governativa, o PS vem a “terreiro” usar tais factos como armas de contestação política. E aí Cavaco Silva é exemplo sublime da virtude política. Quando o Presidente da República tem a insensatez deslize e infelicidade discursivas ou quando toca em feridas socialistas ainda por sarar só falta gritar pela sua “decapitação”.
São incoerências a mais na condução do principal partido da oposição e que revelam uma óbvia incapacidade e uma evidente falta de estratégia e alternativa.
Há alturas que, para quem telhados de vidro, o silêncio é a alma do negócio… mesmo que o negócio seja político.

Uma boa semana.
publicado por mparaujo às 16:55

23
Fev 12
Um País a funcionar a meio gás ou mesmo parado. Assim se apresenta esta terça-feira de Carnaval que está a chegar ao fim. Este é o "lead" da notícia do DN ("País a meio gás ou parado") mas que foi comum a tudo o que foi notícia e órgãos de comunicação social sobre a "não tolerância" neste Carnaval.
E de facto a medida tomada não se mostrou positiva, nem produtiva.
Já aqui, em "Carnaval da pieguice", demonstrei que a posição do Governo não faz sentido, nem tem o impacto prático que se quis transmitir.
Mas pior são as declarações de dois responsáveis governativos.
O Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, já nos habituou a alguns "pastéis de nata" retóricos. Mas justificar o facto da grande maioria das empresas e entidades terem encerrado na terça-feira de Carnaval com a contratação colectiva é de gritos. Se não vejamos... se fosse essa a razão, nos quatro feriados que o Governo vai "abolir", pelas mesma ordem de argumentação, as pessoas vão faltar ao trabalho. Porque afinal os feriados constam da contratação laboral assinada. Que grande chatice e "melão". Afinal, terminar com os feriados não resolve o problema da produtividade.
Por outro lado, já os argumentos do "agarrado à tradição" usados por Passos Coelho viram-se contra o próprio. Porque se o mal são as tradições, então o Sr. Primeiro-ministro só tem que acabar com elas. Mas com todas... o Natal, a Páscoa, o 25 Abril, o 1º de Maio, o 10 de Junho, etc. etc.
Mas o que se estranha mais são as críticas de Miguel Relvas disparadas contra as autarquias quando fez o anuncio de que para 2013 volta a não haver tolerância na terça-feira "de" carnaval.
Não está em causa o facto de muitas ou grande parte das Autarquias "deverem milhões de euros". O que está em causa é o recurso a esse facto para argumentar a crítica contra as Autarquias que concederam a tolerância de ponto. É que o Ministro-adjunto, mais recentemente, deu para disparar contra o próprio pé. Será que ele já parou para fazer contas aos que uma autarquia poupa numa tolerância de ponto? Será que o Ministro-adjunto tem a noção de que o contributo de uma autarquia para o PIB é mínimo, agravado com o facto da "sociedade" não recorrer aos seus serviços por estar "parada"?! Será que o Ministro Miguel Relvas não percebeu que as Autarquias que não "fecharam portas" de nada lucraram com tê-las abertas (antes pelo contrário)?
Penas é que o Ministro Miguel Relvas não tenha tido esta frontalidade e esta coragem de enfrentar as Autarquias quando cedeu, claramente, na Reforma da Administração Local ao colocar a questão da fusão e extinção apenas nos mais fracos: as freguesias.
publicado por mparaujo às 22:09

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