Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

19
Out 16

Eleições-2016.jpgpublicado na edição de hoje, 19 de outubro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
A decepção açoriana

É um exercício seguramente difícil transpor resultados eleitorais regionais para o âmbito nacional. Mas os resultados das eleições regionais nos Açores, realizadas no passado domingo, merecem algumas notas por espelharem algumas curiosidades. Pela primeira vez numas eleições (pelo menos que tenha memória), apesar de haver um partido mais votado, todas as forças políticas perderam. Mais ainda, perderam os partidos e perdeu a democracia. E esta é uma leitura que tem cabimento no panorama nacional quando se aproxima novo processo eleitoral com as eleições autárquicas de 2017 (que já mexem)

O Partido Socialista, renovando a sua maioria governativa, não pode deixar de reflectir sobre o seu resultado e sobre o impacto da sua governação. É certo que foi o partido mais votado e que conquistou, de novo, a maioria absoluta, como 46,43% dos votos expressos. Mas importa referir o impacto do valor da abstenção (59,16%), a perda de um deputado regional e cerca de 9,5 mil votos (menos 2,5% em relação às eleições de 2012), acentuando a queda que se vem registando desde as eleições de 2004 (56,09% dos votos com uma abstenção na ordem dos 47%). Não há por isso grandes razões em fortes festejos, a não ser a manutenção da governação do arquipélago. O Partido Social Democrata, afastado do poder desde 1996 quando o socialista Carlos César derrotou o social-democrata Mota Amaral, teve um dos piores resultados eleitorais de sempre, com apenas 30,89% dos votos, perdendo também um deputado e cerca de 6,7 mil votos. Apesar do resultado a queda, cerca de 2% foi menor que a registado pelo PS. As constantes alterações na liderança dos social-democratas açorianos tem tido consequências negativas eleitorais como afirmação de alternativa governativa no arquipélago.

A terceira força política nestas eleições regionais é o CDS. Foi o partido com a maior expressão de subida eleitoral, cerca de 1,5%, obteve 7,16% dos votos e conquistou mais um deputado que em 2012. Mas apesar da notória afirmação política de Assunção Cristas durante a campanha eleitoral, transformando este resultado positivo mais numa vitória de imagem política pessoal do que numa vitória do partido, o resultado do CDS ficou abaixo do melhor resultado eleitoral dos centristas, alcançado em 2008 com 8,7% dos votos e cinco deputados.

O sorriso de Catarina Martins com a conquista de mais um deputado (2), tantos como em 2008, mas com a referência dos bloquistas à maior percentagem de votos de sempre 3,66%, é um sorriso amarelo a disfarçar o fracasso político destas eleições para o BE. Reconquistou o número de deputados alcançado em 2008, dois deputados, mas obteve mais 1,4% dos votos que em 2012 mas apenas uns míseros 0,30% a mais em relação a 2008. Não é por isso um feito tão histórico, até porque é necessário ter em conta o valor elevadíssimo da abstenção. Mas ainda, importa recordar que a campanha eleitoral do BE centrou-se, essencialmente, na afirmação com alternativa, como parceiro governativo e no objectivo de retirar a maioria absoluta ao PS. Feitas as contas, tudo falhou, ficando a 3,5% dos votos do CDS.

Quanto ao PCP estagnou desde 2012 (apenas mais 0,7% dos votos e manteve um deputado eleito) e longe dos valores de 2008.

Mas a nota principal destas eleições regionais açorianas e que merecem uma especial e particular atenção foi o resultado da abstenção. Foi o resultado mais histórico, o valor mais elevado de sempre: 59,16% (quase 60%) dos eleitores açorianos não “saíram” de casa. Aliás este valor da abstenção, excluindo o ano de 1988, tem vindo sempre a subir desde que em 1996 (40,8%) o PS derrotou o PSD e assegurou a governação nos Açores.

Por isso, este valor excessivamente relevante do número de cidadãos açorianos que opta por não votar tem duas leituras e duas leituras com projecção nacional. Por um lado, o impacto (negativo) das governações na vida dos cidadãos desmobilizando-os para o exercício do seu direito e dever de cidadania. Por outro, a imagem que a política, os partidos e os políticos, transmitem para a sociedade fazendo crescer o descrédito e afastando os cidadãos da participação na democracia e no futuro das suas comunidades, regiões e país.

É importante que os partidos e os seus líderes guardem os foguetes (se for o caso) e analisem bem o que foram estas eleições regionais nos Açores, quando está muito perto mais um exercício eleitoral.

publicado por mparaujo às 09:47

17
Out 12

Publicado na edição de hoje, 17 outubro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Danos colaterais…

O Governo entregou, nesta segunda-feira passada, na Assembleia da República, o Orçamento do Estado para 2013, e as explicações dadas apenas serviram para confirmar os piores receios dos portugueses, por diversas vezes aqui aflorados ao longo dos últimos dias (mesmo antes do país ser reflectido numa bandeira içada ao contrário), fruto dos anúncios, recuos, interrogações, debates, em torno da austeridade a que o país foi, barbaramente, votado. Excluindo a suspensão da cláusula de salvaguarda do IMI, tudo o que até à data foi referido e sugerido, em diversas intervenções públicas do Governo, está “devidamente” contemplado no Orçamento para 2013, incluindo a surpresa de que “até na sorte há azar” com a taxação de 20% sobre os valores de prémios do euromilhões acima de 5 mil euros (embora não me pareça, de todo, uma medida errada). Mas está lá tudo o que se esperava: aumento de impostos; novas taxas; redução de apoios sociais e das deduções fiscais; cortes salariais e nas pensões; taxas sobre capitais e rendimentos; despedimentos na função pública (administração central, regional e local). Não falta nada na folha de excel do ministro Vítor Gaspar, no que diz respeito à coluna das receitas. Porque do lado da despesa, excepção feita às questões laborais na função pública, os cortes, cada vez mais urgentes e cada vez mais adiados, continuam a ser uma menor fatia do esforço de consolidação das contas públicas, bem como uma incerteza quanto à sua aplicabilidade prática, por incapacidade ou por vontade própria do Governo.

O que não se entende é a insistência nas mesmas explicações. Aliás, explicar tudo isto para quê? O Governo enganou os portugueses quando afirmou que a austeridade representaria 1/3 das receitas e 2/3 das despesas (o que verifica é que 80% da execução orçamental surge pelo lado da receita), tem falhado nas medidas, as contas não batem certas, a economia não cresce, o desemprego aumenta, a vida dos cidadãos, das famílias e das empresas afigura-se, para 2013, uma verdadeira catástrofe. Pior que isso é o reconhecimento generalizado, excluindo o governo (ou parte dele), de que o esforço para o cumprimento das metas do défice será extremamente exigente. Muito dificilmente se atingirá a meta orçamental inscrita de 5% (já que o valor real do deficit é apontado para os 6,5%) o que faz com que sejam necessárias medidas correctivas para atingirmos os valores das próximas metas. Mesmo assim, permanece a teimosia e a insistência.

Mas para além de todo este impacto na economia e na vida dos portugueses, as políticas e medidas impostas pelo Governo, agora expressas neste Orçamento, têm, do ponto de vista político, danos colaterais relevantes. Não é credível e estável o “estado de saúde” na coligação governamental, visível em várias declarações de principais figuras do CDS e no silêncio de Paulo Portas e do Conselho Nacional do CDS sobre este Orçamento, assim como é visível o isolamento de Passos Coelho em relação a muitas vozes dentro do próprio PSD. Mas não só… a actuação do Governo, não apenas em relação ao sector económico e financeiro, mas também em relação a questões sociais (saúde, ensino) e estruturais (justiça, poder local), vai ter um impacto significativo nas próximas eleições autárquicas de 2013. Não será de estranhar, se o governo durar até essa data, a demonstração nas urnas, por parte dos portugueses, de um claro “cartão vermelho” ao PSD, que arrastará o elo mais fraco da coligação – o CDS.

Aliás situação que recentemente se verificou nas eleições regionais nos Açores. Primeiro com a vitória clara do Partido Socialista, com a notória derrota do PSD e do CDS (embora este com uma percentagem superior à soma do PCP e do BE). Segundo, embora não surpreendente face à realidade, o evidente alheamento dos cidadãos em relação à democracia, à política e aos partidos, expressa nos cerca de 62% de abstenções. Terceiro, a bem da verdade, de facto, no caso das eleições açorianas, Pedro Passos Coelho não desiludiu: a sua ausência da campanha (disfarçada com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes, numa tentativa mais que frustrada de transmitir uma imagem de unidade partidária que, cada vez mais, não existe) e as suas declarações face aos resultados, são a evidência de que o Primeiro-ministro se está mesmo a “lixar para as eleições”. Só que o feitiço virar-se-á contra o feiticeiro com as autárquicas a um ano de distância.

E os danos colaterais não ficam por aqui…

publicado por mparaujo às 08:30

26
Ago 12

 

Não resisti à tentação do dito popular, que, para o caso em questão, havia uma lista interminável: "cisco no olho do outro"; "quem ri por último ri melhor"; "mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo"; etc.; etc.

Quando foi "descoberto" e divulgado publicamente o buraco colossal do défice das contas da Madeira, nas "vizinhas" ilhas açorianas foi dia de festa e de foguetes no ar. Tudo foi usado como adjectivo à gestão governativa madeirense e, com toda a pompa e circunstância, os Açores foram apresentados com o espelho da virtude e da transparência.

Tão transparente que é agora descoberto um buraco (que não nas Furnas) com a profundidade de, nada mais, nada menos, de 2,3 mil milhões de euros, segundo a Inspecção Geral de Finanças.

E o mau da fita era o Alberto João Jardim...

publicado por mparaujo às 23:14

19
Jun 12

Não está em causa a comparação dos valores... (600 mil euros de irregularidas detectadas pelo Tribunal de Contas nas finanças/contas regionais dos Açores)

Não está em causa a dimensão dos factos...

Mas sim a falta de ética e moral políticas, a mentira, o acto de ocultação de realidades e informação.

Está em causa a verbalização e o discurso usado para criticar a gestão e a personalidade alheias.

E na verdade... caiu a máscara a Carlos César, presidente do Governo Regional dos Açores.

Pode-se dizer (à guisa de desresponsabilização ou de tapar o "sol com a peneira") que não tem nada a ver o "milionário" buraco da Madeira com "apenas" 600 mil euros. Mas irregularidades são irregularidades. Mentir é mentir... e tla como diz o ditado: "tanto é ladrão o que sobe à arvore e rouba as maçãs como o que fica à porta à espreita".

E continua em alta a credibilidade política e a seriedade governativa no nosso país.

publicado por mparaujo às 23:25

13
Dez 10
Ainda a procissão vai no adro, ainda só agora entrámos oficialmente no período da campanha eleitoral, e já se nota uma clara e evidente percepção do desfecho eleitoral, quer por parte dos portugueses, quer mesmo por parte de Manuel Alegre.
São tiros nos pés, afirmações e demagogia "barata" que só demonstra que o candidato não vive nos dias de hoje, sofre de uma "nostaligite" aguda, e comporta uma irrealidade gritante e preocupante.
O único propósito resulta num constante ataque a Cavaco Silva, nem que isso signifique a ausência de ideias concretas, reais e eficazes.
Para um país mergulhado no limiar da pobreza (à qual não se pode esquecer a questão da fome), com uma taxa de desemprego preocupante, sem perspectivas de uma economia consolidada, à beira de uma recessão, os cidadãos estão mesmo preocupados se o próximo Presidente da República sabe os cantos dos Lusíadas de cor e salteado, de trás para a frente.

Além disso, o "poeta" candidato à presidência da república criticou o actual detentor do cargo por usar e abusar do "princípio" (da má prática) da promulgação com dúvidas.
No entanto, as mesmas dúvidas que assolaram Cavaco Silva na promulgação da lei do financiamento dos partidos políticos, sustenta a razão do voto contra do BE na aprovação da referida lei. Sem esquecer que o BE é um dos partidos suporte da campanha de Manuel Alegre. (fonte: TSF on-line)

Por último, o que já vem sendo prática comum na campanha e no discurso do candidato Manuel Alegre - as afirmações contraditórias face às posições públicas do Governo, do PS ou do BE - publicamente, Alegre defendeu a posição do Presidente do Governo Regional dos Açores na compensação salarial dos funcionários públicos das ilhas. José Sócrates nem sim, nem não... antes pelo contrário! (Lamento. Não concordo, mas...).
No entanto, uma "pesada" opinião já se manifestou: para o constitucionalista Jorge Miranda, a "compensação salarial nos Açores é inconstitucional". (fonte: Rádio Renascença)
publicado por mparaujo às 23:30

01
Ago 09
Lembram-se de, precisamente há um ano atrás, sua excelência o Presidente desta República ter interrompido as suas férias para fazer uma declaração ao País (todos opinaram sobre o que seria - e ninguém acertou)?! A declaração era sobre uma questão de estado: o estatuto dos Açores.
Quase ninguém, onde eu me incluía, (à excepção dos iluminados do costume) percebeu porquê tanto alarido, tanto tabu... Não era sobre o nosso dia-a-dia, sobre o desemprego, sobre a economia, sobre a educação, sobre a saúde... sobre a demissão do governo. Ou seja, não era "nenhuma bomba" para tão grande alarido.
Mas afinal... era. Era e é uma questão de estado. E ao fim de um ano, o Tribunal Constitucional vem dar razão (em tudo) ao Senhor Presidente.
É por isso que o "Terra Nostra" é tão especial...
publicado por mparaujo às 12:17

31
Jul 08
Que balde de água fria....
Então o Sr. Presidente da República faz-me estar desde as 7:30Hm da matina, todo ansioso, à espera de ouvir da sua boca qualquer coisa bombástica como - "acabou a crise", "vai haver melhores ordenados e melhores condições de vida", "o SNS vai mudar" (para melhor claro), "vamos ser mais felizes", "subimos em todos os rankings positivos da UE", ou ainda do tipo - "eleições antecipadas", "o governo pediu a demissão porque não sabe mais o que há-de fazer pelo país", ou até mesmo "vou-me demitir porque já não quero ser mais Presidente".
Mas NÃOOOOOOOOOOOO
Veio falar de uma coisa qualquer que se passou nos Açores e de quererem mexer com as suas funções ou darem-lhe mais dores de cabeça do que aquelas que ele já tem.
Bolas... tanto suspense para nada.
Não acredito mais nele. Faz-me lembrar a história do Pedro e do Lobo.
BALELASSSSSSSSSSS SR. SILVA.
publicado por mparaujo às 20:23

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