Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

16
Fev 14

publicado na edição de hoje, 16 fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Os pórticos. É desta?!

Primeiro, o princípio. Excluindo questões do foro ideológico, o princípio do “utilizador-pagador” tem a sustentação da equidade, da justiça fiscal e social, da sustentabilidade. Este é o princípio que merece a concordância pessoal. Mas este princípio não pode gerar, em si mesmo, o antagonismo da sua sustentação. Ou seja, não pode acabar por representar, na prática, o oposto da sua essência. Não pode perder o sentido de equidade, de justiça e de sustentabilidade, quando aplicado sem que se prevejam situações de excepção, de pontualidade, de especificidade. E este é o problema que se arrasta em Aveiro, há demasiados anos, quando do prolongamento da A25 até à Barra ou da construção da A17, e, consequentemente, da aplicação de pórticos na malha urbana e nos acessos à cidade ou à zona de Aveiro. A discussão já tem “barbas” e demasiados enredos políticos. Já meteu “moto-serras”, discussões parlamentares locais, promessas eleitorais, moções e missivas para a Assembleia da República. Ainda em abril de 2013 a questão dos pórticos foi tema de resolução na Assembleia da República com a aprovação de duas propostas curiosamente, ambas favoráveis mas, nem por isso, complementares: o BE propôs a anulação do chamado pórtico do Estádio e o PSD/CDS a sua relocalização. Já na altura, sob o título “Fim do Pórtico? Ilusão...” (17 de abril de 2013), escrevi que entendia, por um lado, que uma mera recomendação ao Governo não produzia, por si só, efeitos práticos, e, por outro, que as recomendações eram redutoras e com impactos mínimos na resolução de uma inqualificável injustiça mais alargada.

O tema veio, recentemente, através do actual Presidente da Câmara de Aveiro, de novo à agenda política local. Desta vez, regista-se, com uma maior abrangência, tal como o referi em abril do ano passado: a eliminação dos pórticos na A25 entre a Barra e Angeja. Mas mesmo assim, continuo a entender que falta incluir também o pórtico do nó (se é que se pode chamar nó) de Oliveirinha/S.Bernardo. Até por uma razão de coerência da fundamentação. Os impactos do pagamento de portagens na cintura externa à cidade são comuns neste troço da A17 (Estádio – Mamodeiro) e na A25 (Angeja – Barra). São argumentos do ponto de vista económico, social, de acessibilidade e mobilidade urbanas: é a ligação ao Porto de Aveiro e as ligações às zonas e polos industriais de Cacia e de Mamodeiro, com as repercussões negativas no crescimento e desenvolvimento económico da região; é a questão de justiça e equidade quando comparadas com outras realidades semelhantes noutras cidades ou as questões de acessibilidade e mobilidade condicionadas no princípio da malha urbana e das circulares externas às zonas urbanas; acresce à vertente da mobilidade as questões ambientais e sociais (segurança) que estão em causa por força do impacto e do excessivo aumento de tráfego em Cacia e na E.N.109 (que circunda a cidade). Além disso, importa não esquecer que grande parte do troço da A25, entre a Barra e Angeja, é construído (redefinido) em cima do antigo IP5.

A A1 e a A29 já têm portagem/pórtico (percurso pago) nas saídas junto a Angeja e voltam a ter sistema de cobrança em Mamodeiro/Aveiro Sul (na A1), e após Ílhavo (na A17). Todo este intervalo torna-se, na prática, um mero eixo de ligação e de acesso à cidade/porto comercial. Não faz sentido o custo de acesso/utilização. Nunca fez.

O erro foi ter-se, apenas, olhado para uma árvore (o pórtico do Estádio) em vez de toda a floresta (a cintura externa a Aveiro). Andou-se demasiado tempo a pensar apenas num mero jogo de futebol de quinze em quinze dias, num estádio com uma média de assistência abaixo dos 1000 espectadores. E entretanto foi-se degradando a qualidade de vida em Cacia, o trânsito e o estado da via na EN109, foram-se criando dificuldades às empresas da região e ao Porto de Aveiro. Curioso é o facto de, proporcionalmente inverso, se ter instalado nos aveirenses, ao longo dos anos, uma estranha acomodação e um estranho conformismo. Nem para nós somos bons.

A ver vamos as novas vontades…

publicado por mparaujo às 11:41

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