Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

23
Nov 17

s320x240.jpg

Não é preciso ter-se nascido há muitos anos para ainda haver a memória da ligação de Aveiro a Ílhavo pela travessia dos canaviais da Sacor em direcção à Barra, com acesso à praia através da ponte de madeira no Forte da Barra/Oudinot.

Passados estes tempos de fraldas e calções, a ligação a Ílhavo e à Gafanha da Nazaré faz-se também das memórias longas e regulares com a Colónia Agrícola. Obviamente que a referência tem um contexto temporal bem recente, no pós 25 de abril... bem longe do contexto histórico da sua implementação, criação, ocupação e expansão, surgidas entre as décadas de 30 a 50.

Mas é bem presente a memória de muitas "estórias" que, por força da ligação profissional materna durante significativos anos, ainda constroem uma história recente da relação com a Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré (N. Sra. dos Campos).

Por isso, não deixa de merecer especial destaque e relevância a segunda iniciativa do programa "Olhar por Dentro", do projecto cultural municipal 23 milhas, que tem a assinatura da Talkie-Walkie.

Depois de ter sido possível revisitar a história da arquitectura com vida da Vista Alegre, no passado mês de outubro, "Olhar por dentro" leva-nos, agora, até aos olhares sobre a paisagem e o território da Colónia Agrícola.

Partindo de um trabalho de investigação alargado ao país (há muitos outros exemplos similares) “Colónias Agrícolas Portuguesas construídas pela Junta de Colonização Interna entre 1936 e 1960 - A casa, o assentamento e o território”, sábado, 25 de novembro, o projecto 23 de Milhas da Câmara Municipal de Ílhavo promove um regresso à memória histórica de uma das zonas mais significativas (mesmo que das mais polémicas social e economicamente) do Município e da Gafanha da Nazaré.

Programa: 23 Milhas - "Olhar por Dentro".

Talkie-Walkie nasce da experiência de vários anos na divulgação da arte e da arquitetura, através de visitas e workshops para diferentes públicos. Ana Neto Vieira e Matilde Seabra acreditam que a arquitetura, pela sua abrangência disciplinar, é o ponto de partida para conhecer o território, a cultura e o património. (fonte: município de ílhavo)

publicado por mparaujo às 11:21

27
Nov 14

Sousa Veloso - TV Rural.jpg

Faz parte das memórias... de muitas e muitas memórias. Sejam as da televisão, sejam as de infância e juventude, sejam as relacionadas com razões profissionais (mesmo que familiares).

Não tenho registo de um programa ter durado tanto tempo numa televisão como o TV Rural. Com uma regularidade irrepreensível, dominicalmente, o Eng. Sousa Veloso foi companhia de muitas casas durante cerca de 30 anos (desde 1959).

Resistindo às mudanças fortes das realidades e transformações sociais e políticas (antigo regime, revolução, prec, pós 25 de novembro) acabaria por deixar, no início da década de noventa, um enorme legado sobre tudo o que envolve a agricultura.

familia prudencio - tv rural.png

O TV Rural tinha particularidades significativas: a agricultura, percorrida de lés-a-lés, muitas vezes pelos lugares mais recônditos, era "apresentada" na sua vertente técnica, legislativa, associativa, social e também de forma pedagógica. Era produzido, realizado e apresentado para todos, fossem ou não do sector primário. Quem não se recorda da "Família Prudêncio"?

Aos 88 anos, aquele que foi a imagem exclusiva do Tv Rural faleceu: R.I.P. Eng. Sousa Veloso.

publicado por mparaujo às 10:15

03
Fev 13

Publicado na edição de hoje, 3 de fevereiro, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

A ‘caixa’ volta a mudar o mundo

O título bem poderia ser ‘a RTP transformada em PTR’, tal é o momento controverso que atravessa, virando-a completamente ao contrário. Não há dia ou semana em que a RTP não seja notícia ou referência na agenda política.

Este governo começou por encomendar um estudo, perfeitamente inócuo, sobre a definição de “serviço público de televisão”, princípio consagrado na Constituição da República Portuguesa (número 5 do artigo 38º) tantas vezes invocada, por tudo ou por nada, ao ponto de se desvalorizar o papel que desempenha no Estado de Direito. O estudo resultou num conjunto de conceitos muito mais económico-financeiros do que, propriamente, direccionados ao papel socializador que a RTP deve desempenhar na área comunicacional e que serviço, enquanto entidade pública, deve prestar aos cidadãos.

Após o relatório (do qual já muito poucos se recordam) ter sido colocado numa qualquer gaveta ministerial, o Governo, pela acção do ministro Miguel Relvas (curiosamente aquele que parece ter mais dificuldade em lidar com os valores/princípios da comunicação social), passou a considerar a privatização da RTP como um processo crucial. Um imperativo que foi, pouco tempo de pois, transformado numa intenção de concessão e que culmina agora num processo de “Reestruturação”, ou, eventualmente, como é usual neste Governo, um processo de “Refundação”. Estes recuos sucessivos do Governo têm vários factores e nenhum vencedor: o Governo não quis correr o risco de uma operação de privatização mal sucedida como a TAP ou, segundo parece, a ANA; a pressão interna na coligação, por parte do CDS, que tem uma visão distinta do PSD sobre o assunto RTP; a pressão dos operadores concorrentes, como a SIC e a TVI, argumentando a incapacidade do mercado suportar mais um operador privado; a comissão de trabalhadores e os sectores sindicais dos vários grupos profissionais que integram a RTP. Mas a questão é que não me parece, face ao cenário, que haja vencedores. Nem Governo, nem RTP, nem os cidadãos.

Qualquer processo de reestruturação de uma organização tem sempre impacto (negativo) na vertente dos recursos humanos dado que esta é uma fatia considerável dos encargos financeiros. Mas não só… há outras e inúmeras formas de minimizar esses impactos, muito longe dos números avançados pela imprensa para um processo de despedimento como o da RTP (mais de 600 profissionais) e com contornos muito pouco claros, ou, por outro lado, muito preocupantes: como é que será o futuro da RTP? Que (e com quem será feito) reestruturação está delineada para o canal público? Apenas a vertente financeira? É a isto que continua, para o Governo, a resumir-se o ‘serviço público’, seja quais forem as administrações e as direcções da RTP? Pura e simplesmente, pegar em 42 milhões de euros (dinheiro que afinal existe… deve ter vindo dos “mercados”) e cortar (nem sequer é reestruturar) sempre pelo elo mais fraco, parece-me mais do mesmo, num país completamente esfrangalhado nas competências sociais e culturais do Estado.

Mas esta semana a RTP voltaria à ribalta (mesmo que involuntariamente) pela mão da Assembleia da República, numa posição do mais hilariante e ridículo que se possa imaginar. Ao ponto de muitos dos portugueses pensarem tratar-se de uma mera brincadeira de pré-carnaval quando o assunto foi anunciado. De volta à Constituição Portuguesa, o número 4 do artigo 38º refere que “o Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico (…)” e o número 6 do mesmo artigo explicita que “a estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos (…)”. Não se vislumbra em qualquer outro articulado da Constituição, em qualquer lei da imprensa ou da televisão, que o Governo ou a Assembleia da República (ou qualquer outro poder ou órgão políticos) têm qualquer legitimidade para determinarem conteúdos ou programas televisivos da RTP. Mas como este país, apesar da crise e das dificuldades que atravessa, tem a particularidade única no mundo de tudo poder acontecer, mesmo o mais surreal, a verdade é que a Assembleia da República parou no tempo, deixou por breves horas a realidade económica, financeira e social do país, e entrou no mundo imaginário ao aprovar (com os votos favoráveis do PSD, CDS, a abstenção de parte do grupo parlamentar do PS e os votos contra de outra parte do PS, do BE e do PCP/PEV) uma recomendação ao Governo para que promova um programa semanal relacionado com a agricultura e o mar na RTP, fazendo renascer das cinzas o mítico “TV Rural”. Afinal, o serviço público da RTP é importante e relevante, apesar de toda a hilaridade e o ridículo deste processo. Ao que está sujeito e reservado o poder político que deveria cuidar do país e dos cidadãos.

O Governo tem mais do que inúmeros meios para promover o desenvolvimento da agricultura e das pescas no país (isto se ainda for possível recuperar o que quer que seja nestes dois sectores que Cavaco Silva arruinou completamente, enquanto primeiro-minsitro). Por outro lado, esta proposta é, como foi exemplificado e demonstrado, uma evidente e clara intromissão na gestão de conteúdos e de programas da RTP, e a todos os níveis, incluindo os constitucionais, condenável e criticável.

Mas já agora, aproveita-se a "embalagem" e sugere-se a inclusão do programa no "Canal Parlamento".

Além disso, nada seria de espantar se qualquer dia tivermos Pedro Passos Coelho, na televisão pública, a retomar o "Conversas em Família" (de Marcello Caetano), qui ça, aproveitando as mensagens que o "cidadão Pedro" publica e partilha no seu faceboock.

publicado por mparaujo às 08:59

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