Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

29
Set 19

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(créditos da foto: Christopher Reardon / ACNUR-ONU)

A ONU declarou instituiu, desde 2000, o dia 20 de junho como o "Dia Mundial dos Refugiados". Hoje, 29 de setembro, a Igreja Católica celebra o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado.
Podendo parecer uma duplicação de datas, independentemente de crenças e credos, a verdade é que todas as datas, todos os momentos são importantes para lembrar e alertar para o maior flagelo da humanidade, nos dias de hoje. Por mais movimentações, greves, manifestações, intervenções que, legitimamente e com toda propriedade, nos avisem para a vertente ambientalista. Nada vale mais que a dignidade e vida humana.

Importa, por isso, lembrar. A ACNUR (Agência de Refugiados das Nações Unidas) estima (em 2018) que mais de 70 milhões de pessoas, em todo o mundo, fujam da guerra, de perseguições e conflitos políticos, étnicos e religiosos, e da ausência de condições de sobrevivência (muito por culpa das alterações climáticas que alguns teimam em negar). Sendo que este número representa um aumento de mais de 50% do número de refugiados na última década.
Das 70,8 milhões de pessoas... 25,9 milhões (50% são crianças, sendo que milhares estão sozinhas) foram forçadas a sair dos seus países por causa da guerra, conflitos e perseguições ou pela sobrevivência "natural"; 3,5 milhões de solicitaram refúgio (nomeadamente por razões políticas, sociais e humanitárias); e 41,3 milhões de pessoas são considerados "deslocados internos" (foram obrigadas a abandonar as suas casas mas permanecem no país). Os principais países de origem são a Síria, Palestina, Iémen, Sudão do Sul, Afeganistão, Ucrânia, Mianmar/Bangladesh, Somália, Burundi, Ucrânia, África Subsaariana (República Centro-Africana, Senegal, Mali, Costa do Marfim, Nigéria, Gâmbia, República Democrática do Congo, Uganda), Venezuela e El Salvador, Nicarágua e Guatemala (que atravessam o México para chegar aos Estados Unidos).
Retomando o número apurado de refugiados (25,9 milhões fora dos seus países de origem) e contrariando o estigma instalado em muito do discurso comum (quer na Europa, quer nos Estados Unidos), 80% destas pessoas vive nos países vizinhos aos de origem (mesmo que em campos de refugiados). Aliás, os três países que mais refugiados acolhe são a Turquia, o Uganda e o Paquistão (6,3 milhões de pessoas).

Interessante é a abordagem do Vaticano à problemática e a forma como a questão dos Migrantes e dos Refugiados foi apresentada, neste dia.
NÃO SE TRATA APENAS DE MIGRANTES... Trata-se também dos nossos medos.
Ou se preferirmos... a desconstrução desses medos. Da multiculturalidade, da diferença, da "invasão".
NÃO SE TRATA APENAS DE MIGRANTES... Trata-se também da nossa humanidade.
Da responsabilidade que os chamados países desenvolvidos, as potências, os países dominantes, tiveram e têm nas regiões empobrecidas, escravizadas, exploradas, desfeitas pelos conflitos e guerras (alimentados, interessadamente, à distância).
NÃO SE TRATA APENAS DE MIGRANTES... Trata-se de não excluir ninguém.
Porque todo o ser humano tem direito à vida e vida com dignidade. Porque ninguém é refugiado porque quer, por opção, mas sim por imposição, por uma questão de sobrevivência.
NÃO SE TRATA APENAS DE MIGRANTES... Trata se de colocar os últimos em primeiro lugar.
Porque a todos devem ser garantidas as mesmas oportunidades. Porque todos devem ter direito a um lugar para viver. Porque para com os mais frágeis, os mais desprotegidos, há o dever colectivo de proteger e ajudar.
NÃO SE TRATA APENAS DE MIGRANTES... Trata se da pessoa toda e de todas as pessoas.
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. (artigo 1.º da declaração Universal dos Direitos Humanos).

Enquanto que no primeiro semestre de 2019, 34.226 migrantes e refugiados chegaram à Europa através do Mediterrâneo e, no mesmo período, 683 não chegaram a sentir o sabor (mesmo que condicionado) da liberdade e de uma nova vida. Fugiram da morte para encontrar a morte.
Enquanto que, naquele que é uma dos maiores ataques à dignidade, direitos universais e ao respeito pelo outro, na fronteira dos Estados Unidos com o México, mais de 911 crianças (20% das quais são bebés ou com idade inferior a 5 anos) foram retiradas à sua mãe, ao seu pai, às suas famílias. Para além das condições desumanas com que o Centro de Detenção em Homestead, na Florida, acolhe mais de 2.000 crianças e jovens (dos 13 aos 17 anos).

E porque a história nunca deve ser travada... vem à memória as imagens de Alan Kurdi (numa praia da Turquia) e do pai a abraçar a sua filha bebé, ambos mortos, no Rio Grande, na fronteira México-Estados Unidos - Óscar Ramírez e Valeria.

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publicado por mparaujo às 20:54

21
Set 19

As questões ambientais, mais do que estarem na moda, são o grande tema da agenda política internacional, desde a ONU (são várias as afirmações e intervenções de António Guterres sobre o ambiente) ao Vaticano (nota para a Carta Encíclica, do Papa Francisco, Laudato Sí, sobre os cuidados com a "casa comum"). E são-no pela sua importância e impactos para a sobrevivência humana, para todos os seres vivos, e para a preservação do planeta, salvaguardando o presente e precavendo o futuro.

Por outro lado, recentemente, entrou também no espaço público a temática da nutrição e da alimentação saudável, apesar da confusão entre o que é "comer saudável" e o que são opções alimentares. Estas últimas mais relacionadas com modas e caprichos sociais do que propriamente com opções alimentares (mesmo que as haja).

Juntar as duas temáticas, embora possam ser relacionadas, traz uma mistura que, passando a linha racional, corre o risco de facilmente se tornar explosiva, pela demagogia, pelo populismo e extremismo, desvalorizando e menorizando a sua importância, o seu papel e o seu impacto.

Mas se ainda se pode entender (mesmo que não se concorde) que estas confusões e misturas surjam no cidadão comum, o mesmo torna-se incompreensível e inaceitável quando em causa está o universo científico e o espaço do saber e do conhecimento por excelência.

Esta semana, a Universidade de Coimbra (UC) decidiu abolir, proibindo a partir de janeiro de 2020, o consumo de carne de vaca nas suas 14 cantinas universitárias.

Que a Universidade de Coimbra (ou qualquer Universidade, ou qualquer entidade pública ou privada, ou qualquer comunidade, ou qualquer cidadão, ou qualquer...) tenha como preocupação o cuidado ambiental e as alterações climática (graves e cada vez mais frequentes) é de louvar. Que a UC queira tentar ser descabornizada (pegada zero de carbono) é um desafio e uma meta louváveis. Que uma instituição de ensino superior, essencial para a promoção da ciência e do saber e para a valorização do conhecimento, embarque em sensacionalismos e extremismos, pondo em causa o racionalismo e, até mesmo, os valores científicos, é de bradar aos céus.

Com a medida anunciada pelo Reitor da mais antiga Universidade do país, Coimbra até poderá ser a primeira (como o Reitor definiu) instituição portuguesa de ensino superior neutra em carbono. Mas também não deixa de ser a primeira universidade a cair no ridículo, no facilitismo de decisões demagogas, num alvo fácil para as críticas (fundamentadas) e para a chacota.
Primeiro, porque o aumento da produção de CO2 tem outros factores e origens muito mais relevantes que a influência bovina (que produz metano há séculos). Por exemplo, os transportes, a indústria, o plástico, a energia, etc.
Segundo, porque a consciencialização do mundo rural para as alterações climáticas é hoje muito elevada, já que elas têm, na agricultura, um impacto muito forte.
Terceiro, porque a produção animal (nomeadamente a criação de bovinos) faz-se, hoje, com elevados cuidados ambientais e uma melhoria considerável nas suas práticas. E não é líquido que a denominação de "alimento mau", substituído por hipotéticos "alimentos bons", traga benefícios no excesso de produção alimentar nacional e mundial. Isto porque, por exemplo, a substituição da carne de vaca pela soja, exigindo um produção extensiva desta
leguminosa provoca, igualmente, conflitos ambientais (como, por exemplo, o excesso de consumo de água).
Quarto, porque a agricultura é o sector que mais fixa carbono, mas contribui também com 10% para as emissões. Destes 10% apenas 2,5% dizem respeito aos ruminantes e destes só 1,5% diz respeito aos bovinos de carne. A descarbonização da sociedade portuguesa não se resolve à custa dos bovinos de carne, nem reside aí a sua maior preocupação (dados Ministério Agricultura, dezembro 2018).
Quinto, porque a decisão não democratiza a opção e liberdade de escolha da dieta alimentar de cada um (seja com carne, peixe, vegetais, fruta, etc.).
Sexto, porque é um ataque e uma afronta à comunidade científica, nomeadamente ao processo de ensino presente no Instituto Politécnico de Coimbra, nomeadamente na sua Escola Superior Agrária.
Sétimo, porque a coesão territorial, a defesa da interioridade e da ruralidade, dos impactos demográficos, devia estar presente nas opções e acções da Universidade de Coimbra. Há, nesta decisão, um claro e óbvio sentimento de superioridade do urbano em relação ao rural.
Oitavo, porque não são conhecidas, nem foram tomadas, medidas mais eficazes para a mitigação ou para a descabornização da Universidade de Coimbra, como, por exemplo, eficácia energética, redução (ou eliminação) do plástico, entre outros.
Nono, porque os alunos que aplaudiram a opção da Reitoria da UC são os mesmos que optam por "dietas sociais", por pseudoambientalismos, mas que não deixam de lado os pópós novos que os papás ofereceram quando terminaram o 12.º ano.
Décimo e por último, porque é muito fácil contrariar o Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra. Contrariar e banalizar... basta perguntar que exemplo o mesmo reitor dá na defesa e preservação do ambiente e do planeta. Por ventura, segue o exemplo do autarca de Amesterdão que se desloca para o trabalho de bicicleta? Isto seria, seria o melhor contributo para uma pegada ecológica mais verde na Universidade de Coimbra.

Bastavam 10 "mandamentos" para uma decisão mais ponderada, mais ambientalista, mais racional e científica. No mínimo...

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publicado por mparaujo às 23:17

08
Set 19

Por mais que se queira negar os factos, a verdade é que desde a última tomada de posse nos comandos do destino brasileiro, aumentaram cerca de 80% as queimadas na Amazónia brasileira.

A mais recente tragédia ambiental assume uma dimensão não só natural, mas social e humanitária. À devastação do "pulmão verde do planeta", segue-se a apropriação abusiva das terras e da madeira, e, principalmente, um claro ataque aos direitos dos Povos Indígenas da Amazónia e dos seus territórios, supostamente, protegidos, culminando numa clara e inaceitável crise de direitos humanos. São sete as regiões que acomodam 28 tribos.
Na região de Acre: Amawáka; Arara; Deni; Nawa. Na região de Amapá: Karipuna; Palikur; Wayampi. Na região de Amazonas: Kambeba; Jarawara; Korubo; Wanana. Na região de Pará: Anambé; Jaruna; Kayapó; Munduruku. Na região da Rondónia: Arara; Aruá; Nambikwara; Tupari. Na região de Roraima: Macuxi; Yanomami; Waiwai; Ingaricô. Na região de Tocantins:  Apinaye; Guarani; Karaja; Kraho; Xerente

5 500 000 km² de floresta tropical, mais 1 500 000 km² de bacias hidrográficas (como o Rio Amazonas, entre muitos outros), numa extensão geográfica (quase duas vezes a União Europeia) que integra grande parte do Noroeste Brasileiro (60% da floresta encontra-se no Brasil), o Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, incorporam a maior biodiversidade do planeta (2,5 milhões de espécies de insectos, pelo menos 40 000 espécies de plantas, 3 000 de peixes, 1 294 aves, 427 mamíferos, 428 anfíbios e 378 répteis foram classificadas cientificamente na região).

(dever cumprido: https://www.amnistia.pt/peticao/queremos-a-protecao-dos-direitos-dos-povos-indigenas-e-da-amazonia/)

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(crédito da foto: Amnistia Internacional Portugal)

publicado por mparaujo às 14:46

02
Jun 17

Diz, e bem, a sabedoria popular: "só faz falta quem cá está ou quem quer estar".

Simples...

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publicado por mparaujo às 11:03

21
Jan 13
(créditos da foto: Notícias de Aveiro - Júlio Almeida)

Foi de tal modo forte o temporal que se fez sentir em Aveiro, nomeadamente na cidade (sem querer entrar em qualquer tipo de comparação ou “competição” com o resto do país) que nunca se tinha assistido a uma devastação tão significativa das árvores do espaço urbano. Não sei quantificar, de forma exacta, o seu número (embora pense ser já possível existir esse dado oficial, pelo menos estimado. Mas posso garantir que forma muitas… demasiadas).

Não se trata, ao caso, de qualquer medida de política ou paisagismo urbanos, mas tão somente a força da natureza e a maneira da mesma se manifestar, por vezes de forma negativa e trágica.

Só que as consequências da manifestação da natureza tem, essencialmente, posteriores responsabilidades políticas, sejam ao nível nacional, regional ou local (como é o caso da cidade de Aveiro).

Como avançou, e muito bem, José Carlos Mota no blogue “Os Amigos d’Avenida”

"é importante um bem pensado ‘plano verde’ para 'decorar' de novo a imagem urbana de Aveiro. Deveria seguir-se uma rápida e intensiva plantação de árvores de porte significativo e espécie cuidadosamente seleccionada."

Se concordo inteiramente com a primeira parte (‘plano verde’) já coloco algumas reticências quanto à solução.

Transcrevo aqui alguns conceitos da bióloga e especialista Rosa Pinho sobre a temática da arborização em espaços públicos urbanos (com os devidos créditos em Boirede – Arboreto de Aveiro).

Alguns aspectos positivos e que justificam a existência de árvores nas ruas das cidades (por exemplo, Aveiro) e que considero mais relevantes: a arborização urbana tem uma importância que excede o seu valor ornamental e recreativo como a melhoria da qualidade do ambiente urbano; a importância das árvores como filtro ambiental, na purificação do ar através da fixação de poeiras e gases tóxicos e pela reciclagem de gases através de mecanismos fotossintéticos, reduzindo os níveis de poluição; a redução da poluição sonora pelos obstáculos que oferece à propagação das ondas sonoras, funcionando de amortecedores de ruídos; a redução da velocidade dos ventos; e o contributo para a harmonia paisagística e ambiental do espaço urbano. Por outro lado, os aspectos negativos (que também os há) são, ainda segundo Rosa Pinho: a pavimentação do solo deixa, por vezes, um espaço muito reduzido à volta do tronco, limitando a infiltração da água e o arejamento do solo; o trânsito de veículos e de peões, pode ocasionar ferimentos nos troncos e nas copas; se as árvores estiverem próximas umas das outras, são ‘obrigadas a competir’ pelos recursos disponíveis (água, luz, minerais e oxigénio); os problemas causados pelo confronto das árvores (por exe., as raízes) com o equipamento urbano, nomeadamente em interrupções no fornecimento de energia, entupimento de calhas, danos nos muros e passeios; e, face à dificuldade e erros no planeamento urbano em conceber espaços amplos (passeios largos em detrimento de excesso de espaço viário), há os inúmeros obstáculos gerados à circulação de peões, concretamente para quem tem mobilidade reduzida (cadeiras de rodas, entre outros). (adaptado)

É, por isso, inquestionável a conclusão da Rosa Pinho e que vem ao encontro da questão do ‘plano verde’ do José Carlos Mota:

"em virtude destes factores, quando se trata de enquadrar as árvores num ambiente, há que proceder a uma escolha adequada das espécies, em conformidade com o local, clima e tipo de solo, em que se pretende efectuar a sua implantação.

Só que face aos pós e contras (não televisivos) da arborização do espaço urbano apresentados, independentemente do peso e dimensão no confronto entre os aspectos positivos ou negativos referidos, pessoalmente tenho outra visão (aliás já expressa publicamente) sobre a problemática das árvores nas cidades.

Sendo difícil (embora não impossível) alterações significativas no espaço urbano (nomeadamente alteração da dimensão de muito dos passeios – são inúmeros os casos na cidade de dificuldade de circulação dos peões nos passeios, pela redução do espaço ou pela sua degradação por causa das raízes); havendo pouco cuidado na escolha das espécies e que, mais tarde, se traduz, por exemplo, na degradação do piso dos passeios; havendo sempre o risco de queda inesperada das árvores colocando em perigo a segurança das pessoas; prefiro arriscar outro tipo de solução, mesmo que implique ruas e avenidas sem arborização (o que não significa som exclusivo domínio do automóvel). E a solução passaria antes pela regeneração biológica consistente e eficaz de parques já existentes (como o Parque D. Pedro) e a criação de novos parques arborizados (por exemplo reformular o Rossio, a zona do Canal S. Roque, a zona do Cais da Fonte Nova, a zona da Forca a nascente do Centro Congressos na Av. Sá Carneiro), criar novos Parques na cidade como o projecto antigo de implementar um novo parque na zona “agrícola” entre o cruzamento de S. Bernardo (Pingo Doce) e o Pavilhão do Galitos até à EN.109, ou alguma área na zona a nascente da Estação (entre a Estação e a EN109). Isto entre muitos outros exemplos. Eventualmente mais relevantes do que o, apesar de meritório, parque da sustentabilidade, que poderia ser, preferencialmente, uma sustentabilidade ambiental. Veja-se o exemplo do Porto com a reabilitação do Parque da Cidade.

Mas as cidades, praticamente todas e à qual Aveiro não fugiu, nem foge, à regra sustentam a sua sobrevivência mais no “betão” do que na “florestação”.

publicado por mparaujo às 15:07

01
Fev 12

A tarde foi invadida por uma notícia no JN digital para a qual todos os adjectivos que se conhecem não são minimamente suficientes para a qualificar. Não do ponto de vista jornalístico, mas sim pelos factos descritos ou narrados.
Quando nos deparamos com um título como este “Multado por tapar um buraco na estrada” (JN - 01.02.2012), numa primeira análise tudo do mais humorístico surge nas nossas mentes: desde o buraco das contas da Madeira e de Alberto João Jardim até ao menos indicado para mentes mais fechadas.

Mas quando nos deparamos com o corpo da notícia, só nos assola uma vontade de gritar bem alto que este país não existe, não há qualquer sentido do ridículo, do absurdo, do irreal, do sensato.
Os factos são muito simples e fáceis de descrever: um cidadão, em Azambuja, tapou um buraco de cerca de um metro quadrado existente num caminho agrícola (de terra batida) que serve várias propriedades, por sugestão e pedido dos vizinhos, com resíduos de construção (fragmentos de tijolos, pedras, material cerâmico). Foi autuado pela GNR com o fundamento de ter tido uma conduta "negligente" e "censurável" e condenado, pela Inspecção Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território, ao pagamento de coima no valor de 20 mil euros – eu repito VINTE MIL EUROS – por “Contra ordenação ambiental muito grave”.

Isto que poderia muito bem ser uma anedota do mais humorística que se pudesse imaginar é, afinal, uma triste realidade.
Um cidadão prestou um serviço à comunidade, coisa que as autoridades e as entidades públicas não o fizeram.
Uma força de segurança e vigilância como a GNR, de facto, não tem muito mais que fazer neste país onde a segurança cada vez mais se torna débil do que andar atrás de quem “tapa buracos” inofensivamente (aliás o relatório refere a ausência de dolo no acto).
Como é que depois desta verdadeira comédia querem que se acredite no país, no ridículo de um país que tem atitudes destas?! Como é que se acredita no Estado e na Justiça?!
Venham as Troika’s que vierem… seja lá quem nos governe (interna e externamente)… apliquem-se as medidas de austeridade para salvar as contas… tomem-se as políticas de desenvolvimento económico que se quiserem implementar… este país NÃO EXISTE. Tornou-se (há muitooooo) uma Comédia e uma Vergonha.
Sim o Governo poderá ter razão… mais vale EMIGRAR.
publicado por mparaujo às 22:40

04
Mar 09
Um programa para 5 anos de duração e um investimento de cerca de 96 milhões de Euros para requalificar, recuperar, promover e potenciar o maior património da Região de Aveiro: a sua Ria.
Um projecto verdadeiramente importante (Polis Litoral Ria de Aveiro), que tem merecido a preocupação dos autarcas e que mereceu, igualmente, a deslocação ao distrito de Aveiro do Primeiro-Ministro e do Ministro do Ambiente (que quase ninguém vê ou ouve).
publicado por mparaujo às 19:41

14
Jul 08
O nosso primeiro-ministro entrou em estado "de choque" no estado da nação.
A ânsia da propaganda governativa é tanta que, no rol das medidas anunciadas (mesmo sem quaisquer efeitos prático na crise financeira das famílias), a alternativa energética na mobilidade dos cidadãos entrou em curto-circuito.
José Sócrates anunciou uma medida (teoricamente benéfica para o cidadão, sociedade e ambiente) pior que a em vigor, no que respeita aos carros eléctricos: não são 30%, são 0%. Portanto, não é medida inovadora. Quanto muito uma greve gafe ou uma contra-medida.
Sua Excelência - o Primeiro - que se decida, mas não nos engane.
Fonte: aqui.
publicado por mparaujo às 21:48

18
Fev 08
Chove a potes. Chove a cântaros.
Chove e bem...
A natureza é sempre imprevisível. Muitas vezes incontroláveis os seus desígnios.
Mas a ciência, a técnica, a tecnologia, a sabedoria humana, têm hoje argumentos mais que suficientes para, pelo menos minimizar os impactos ambientais.
Mas a incoerência, o laxismo, o oportunismo imobiliário, a incúria, ..., são mais fortes.
Tão fortes que se continua a "(de)bater" no molhado (literalmente), sem que, na prática, se notem os resultados de tantas soluções teóricas.
E nem mesmo a morte (hoje, pelo que se conhece 3 ou 4) liberta as consciências e responsabiliza quem de direito.
Portugal no seu melhor... e no pior.
publicado por mparaujo às 22:50

25
Nov 07
Não sou contra a caça, como hobby ou, até mesmo, como desporto.
Sou contra a caça, sem regras, sem limites e em áreas protegidas.
Sou contra a caça que é contra a natureza e o ambiente.
De novo pela causa...
É muita coincidência a limitação da zona de caça no Baixo Vouga com a proliferação de focos de incêndios na zona protegida do baixo Vouga lagunar.
Mais de 150 hectares de área ardida, bem como a eliminação de habitats de nidificação de várias espécies de aves em risco.
Ele há coincidências fantásticas, não há!?
Bem como a ilegalidade das suas acções.
publicado por mparaujo às 19:06

31
Out 07
Tornamos pública a carta aberta que o Movimento Pelo Fim da Caça no Baixo Vouga à Direcção da Associação de Caçadores e Pescadores de Avanca.


Para ler Aqui.
publicado por mparaujo às 22:48

22
Out 07

Já está on-line, a petição contra o fim da caça na zona protegida do Baixo Vouga.

Aqui e na coluna da direita.
publicado por mparaujo às 21:54

21
Out 07
A partir de amanhã a assinatura on-line da petição pelo fim da caça em zona protegida do Baixo Vouga.

Para já, mais uma referência ao movimento aqui no JN e aqui no Diário de Aveiro.
publicado por mparaujo às 22:17

20
Out 07
O Movimento contra a caça na zona protegida do Baixo Vouga, ao qual aderi e já mereceu (e continuará a merecer) destaque nesta "casa", teve hoje a sua apresentação oficial e pública em Estarreja, conforme nos relata o amigo Abel Cunha.

Para assinar na próxima semana.


(actualização)
Na próxima segunda-feira, a partir das 15:30, no Rádio Clube Português - Rádio Clube de Aveiro - 94.4, ouvir o Abel Cunha a esmiuçar os porquês do “pelo fim da caça no Baixo Vouga”.
publicado por mparaujo às 21:36

16
Out 07
(via Noticias d'Aldeia)

O movimento PELO FIM DA CAÇA NO BAIXO VOUGA, formaliza a sua constituição e, apresenta publicamente, os objectivos de preservação das espécies no habitat compreendido na zona do Baixo Vouga, em sessão pública, a realizar no próximo Sábado, 20 de Outubro de 2007, com o seguinte programa:
14:00h - recepção - Biblioteca Municipal de Estarreja;
14:20h - apresentação de nota pública;
15:45h - visita guiada ao Baixo Vouga.
A sessão é pública e aberta a todos os que queiram aparecer.
A visita ao Percurso Bioria de Salreu será guiada pelos técnicos do projecto.
Uma oportunidade para conhecerem com algum pormenor, esta belíssima zona.
Infelizmente, mas mesmo muito infelizmente, uma oportunidade que vou perder por motivos profissionais.
publicado por mparaujo às 21:29

04
Out 07
Em defesa do Baixo Vouga.
Recebido via e-mail do ilustre amigo Abel Cunha.
Pela adesão à causa.

 
Boa noite Caro Miguel,
Aceitando a sua oferta, cá vai. Pois este pessoal matador de passarinhos, perante a ausência de qualquer fiscalização, vai abatendo paulatinamente, a tiro tudo o que possa mexer, e mesmo o que não mexe, como sejam as placas identificadoras das espécies que a equipa do Bioria tem colocado.
A blogosfera local lançou um movimento visando interditar a prática da caça nestes terrenos o que, desde logo mereceu a necessária e inevitável reacção corporativa. Como sabemos, actualmente já se não caça para comer, mas sim, pelo prazer de matar, prazer esse, aqui levado à matança indiscriminada de aves, protegidas ou não e por métodos legais ou ilegais, como sejam, a caça nocturna com holofotes.
O movimento está no início, começaram as hostilidades na imprensa local mas, é coisa com pernas para andar. Contamos com o apoio de entidades ligadas à natureza e, força de vontade. O logo do movimento já está a circular, se tiver interesse em ver ou adoptar, está em
http://noticiasdaaldeia.blogspot.com/.
Assim Miguel, pedia-lhe que se nos juntasse nesta causa que me parece justa e, tanto quanto estiver ao seu alcance, fosse falando do assunto. Claro que quanto mais gente aderir, mais nos faremos ouvir.
De maré, convido-o a ver o recém inaugurado imagens d’aldeia, mais parecido com, imagens de um Portugal que, dizem, já não existe, em
http://imagensdaldeia.blogspot.com/. A verdadeira fotografia naif, que este seu amigo gosta, quer, mas não sabe.
Um abraço.
Abel Cunha
http://noticiasdaaldeia.blogspot.com
publicado por mparaujo às 18:00

17
Jun 07
No dia em que se celebra o Dia Mundial da Desertificação e da Seca, com o lema «Desertificação e Alterações Climáticas: um desafio global» e segundo a Agência Espacial Europeia, Portugal é um dos três países mais desertificados da Europa, juntamente com a Itália e a Turquia.
A análise é feita com base em imagens do sistema de satélite europeu e insere-se num projecto que está a ser desenvolvido em conjunto com a Convenção das Nações Unidas para a Luta contra a Desertificação (UNCCD).
Segundo o estudo, o nível de desertificação nos três países - Portugal, Itália e Turquia - é dos mais elevados da Europa.
As projecções dos estudos e das análises, até à data, realizadas pela AEE, estimam que a desertificação - processo de degradação da terra provocado, por exemplo, pela actividade humana, põe em risco a saúde e o bem-estar de mais de 1.200 milhões de pessoas em mais de 100 países.
publicado por mparaujo às 12:26

30
Nov 06
É notória e assumidamente pública a dificuldade que a oposição à direita do Governo tem para o exercício dessa função.
Essencialmente porque a actuação governativa de José Sócrates entrou, de uma forma clara, na área social e económica da dierita. Mais pela abordagem dos conteúdos, do que pela forma de concretização das acções.
E já nem a possibilidade de "ataque" ao não cumprimento das promessas eleitorais servirá de argumentação política.
Até porque, finalmente, José Sócrates cumpriu uma promessa eleitoral (para além de um sonho, diga-se, de criança): A Co-incineração vai avançar.
Proponho: tratamento dos resíduos tóxicos governamentais, urgentemente.
publicado por mparaujo às 22:05

17
Set 06
Mas parece que toda a gente a quer esquecer.
É preocupante, nos dias de hoje, a falta de solidariedade humana, social e cultural, visível no dia-a-dia.
Vivemos muito os nossos problemas individualizados. Somos muito fechados nos nossos “quintais” e preocupa-nos muito pouco a realidade vizinha, em muitos casos comum quer por questões naturais, quer geográficas.
O que é Aveiro?!
Uma cidade, no contexto nacional, média (ou nem por isso). Mas não é só.
É um concelho que merece mais atenção, sustentabilidade e desenvolvimento.
É uma região com potencialidades por desenvolver e projectar, ao nível da inter-municipalidade (GAMA), da potenciação de recursos: mar, a ria, a serra e a ria. Culturas interligadas pela proximidade ou modos de vida idênticos.
A obsessão pelo individualismo, pelo narcisismo e o desprezo pelos outros, tem, nos dias de hoje, contornos preocupantes.
Daí que não posso, deixar de me preocupar com a triste situação ambiental de Canelas (Salreu-Estarreja).
Logicamente nada me preocuparia se não fossem os alertas e “gritos” de desespero que o caríssimo Abel Cunha
tem deixado no seu Noticias da Aldeia.
Já não bastavam os problemas graves, e ainda por solucionar, relacionados com os despejos de lamas domésticas e industriais a céu aberto e com a passividade das entidades responsáveis, vem agora esta notícia do Diário de Aveiro e este grito de revolta, com a descarga de poluentes na NOSSA RIA, que matou milhares de peixes.
Canelas também tem direito à revolta e a viver em qualidade.
O problema de Canelas e da Ria é também tem que ser nosso.
publicado por mparaujo às 22:23

31
Ago 06
De regresso a casa.
E enquanto me vou preparando para responder a estes 2 dias de ausência...
Ambiente, publicado na edição de hoje (31.08.2006) do Diário de Aveiro.

Post-its e Retratos
Ambientalismos

As questões ambientais são, para a maioria dos portugueses, questões de somenos importância.
São temas normalmente associados a contexto políticos ou a grupos mais ou menos partidarizados, com realidades específicas.
Mesmo que o cidadão tenha, conscientemente, a noção das exigências ambientais (como o ruído, a poluição atmosférica, o processo da reciclagem, etc.), estas raramente são concretizadas na prática. Reflexo disso mesmo é a pequena percentagem de reciclagem de lixo produzido pelos portugueses. Portugal é o pais dos 15 da EU que menos recicla (apenas 3% do total do lixo produzido – fonte: British Institute for Public Policy Research).
Todos temos genericamente a noção do levado consumo de combustível; das energias alternativas; do custo energético; do ozono; do degelo; dos lixos nas florestas; da importância da reciclagem e da separação de resíduos; do consumo de água; etc.
Mas a realidade cultural e social aliada à existência de um Portugal profundamente enraizado em vivências ancestrais, leva a que exista um longo caminho a percorrer entre a consciencialização e a prática de acções ambientais.
Mesmo em termos políticos e de gestão governamental, a questão ambiental é sempre encarada como um “filho de um deus menor”.
Mais do que uma prioridade ou um objectivo o ambiente é, normalmente, apenas uma consequência.
Só é tida como prioridade quando a sua dimensão e impacto carecem de medidas urgentes e posicionamentos extremos, como o caso de Souselas e dos recentes despejos a céu aberto de lamas e detritos em Canelas – Estarreja.
Só quando nos “toca à porta” e incomoda o nosso bem-estar ou altera a normalidade do dia-a-dia é que nos confrontamos directamente com essa realidade.
A responsabilização por essa realidade é, levianamente, transposta para o progresso e o desenvolvimento.
Como se esta evolução social, cultural e histórica das nossas vidas fosse totalmente oposta e incompatível com a necessidade que temos de uma qualidade de vida mais acentuada.
E este aspecto é o mais descurado das nossas vidas, das nossas exigências políticas.
Somos pouco preocupados com a nossa saúde (individual ou pública) e o nosso bem-estar. Somos muito pouco cuidados e preventivos.
Exemplo disso, à nossa porta, é o Parque da Cidade – Parque D. Pedro.
Ouve-se um zum-zum da eventualidade de se criar mais um jardim público em Aveiro.
Não discuto, pelos princípios já referidos, de que espaços verdes e lúdicos, que contribuam para o aumento da qualidade de vida da cidade, são muito importantes.
O que se pode colocar em causa é a sustentabilidade e o aproveitamento das potencialidades do “Parque”.
Quem, como eu, viveu durante metade da sua vida, paredes-meias com um espaço que lhe deu muitas brincadeiras, muitas horas, hoje olha para um espaço triste, pobre e quase que sem vida.
Sem macacos, sem pássaros, sem o percurso de manutenção em condições de utilização, como muitas horas de auto-treino proporcionou, sem o fotógrafo “a la minute”, sem os jogos no ringue, os barcos e as gaivotas no lago.
As bicas e as fontes, que tanta sede “mataram” e que agora permanecem secas ou impróprias para consumo.
Uma casa de chá ao abandono, com tantas potencialidades para permitir dar vida ao “Jardim”.
Um enquadramento mal conseguido com a continuidade para uma Baixa de Sto. António igualmente mal aproveitada.
Esta é uma qualidade de vida que, teimosamente, vai passando ao lado da cidade, mesmo que “vivendo” bem no seu centro.
Esta é uma consciência ambiental que os aveirenses teimosamente vão rejeitando.
publicado por mparaujo às 16:25

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